sábado, 23 de outubro de 2010

Os Imortais, de António-Pedro Vasconcelos (2003)

António-Pedro Vasconcelos tem sido um dos realizadores portugueses que mais tem investido num cinema dito comercial e o que tem alcançado melhores resultados, do ponto de vista da qualidade. Em 2003 apresentou «Os Imortais», um filme passado nos anos 1980 sobre um grupo de antigos comandos que estiveram na Guerra Colonial e se juntam para fazer um assalto. Mas o plano corre mal quando um deles, Roberto Alua (Joaquim de Almeida), que tem de levar uma mulher ao encontro, se cruza com a misteriosa Madeleine (Emmanuelle Seigner) e resolve levá-la.

À medida que a história se desenrola ficamos a saber que esta francesa é casada com um 'empresário' com ligações perigosas ligadas a África, inclusive com um dos Imortais, assim se chama o grupo. Em paralelo o investigador da Polícia Judiciária Malarranha (Nicolau Breyner) prestes a reformar-se resolve investigar fora do horário de trabalho uma agressão levada a cabo por Roberto Alua e acaba por descobrir o plano do assalto.

«Os Imortais» é um retrato da geração que foi para a Guerra Colonial e a sua inadaptação ao regresso, pois como uma das personagens diz, na guerra têm liberdade e na sociedade não a conseguem alcançar. Não sendo um grande filme, é das melhores obras que tem surgido no panorama nacional nos últimos anos. Pena o final ser um pouco fraco demais, a cena em que a filha de Malarranha fala com o único Imortal que resta, bem podia ter ficado na sala de montagem.

Esse é um dos exemplos de um argumento que podia ser melhor, pois tem algumas falhas, mas as interpretações, com excepção talvez da de Emmanuelle Seigner que parece um pouco metida a martelo e não parece estar muito à vontade no papel, estão bem conseguidas e acabam por salvar a honra do convento. Mesmo o Roberto Alua de Joaquim de Almeida, actor que não é dos meus preferidos, está bem interpretado. Destaque ainda para Nicolau Breyner, que também tem um papel ao seu melhor estilo, e para uma surpresa. Trata-se da prestação de Rui Unas, mais conhecido pela sua carreira de apresentador de televisão, estreou-se neste filme em cinema e é uma estreia em grande, sem falhas, e quiçá o que melhor fica no retrato, sem desprimor pelo restante elenco.

Nota: 3/5

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Em Cartaz: Semana 21/10/2010

Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz
A Nova Filha, de Luís Berdejo
Agentes de Reserva, de Adam McKay
Deixa-me Entrar, de Matt Reeves
Gru - O Maldisposto, de Pierre Coffin e Chris Renaud
36 Vistas do Monte Saint-Loup, de Jacques Rivette
O Refúgio, de François Ozon
Gainsbourg: Vida Heróica, de Joann Sfar

domingo, 17 de outubro de 2010

Bird - O Fim do Sonho, de Clint Eastwood (1988)

«Bird - O Fim do Sonho» não é só um grande filme sobre a vida de Charlie Parker, um dos mitos do jazz que teve uma vida trágica que terminou aos 34 anos. É também a longa que cimenta a carreira de Clint Eastwood como realizador, que a partir daí tem um currículo cheio de grandes obras, algo que não se podia dizer do período anterior, e o filme que dá a oportunidade a Forest Whitaker para provar que é um grande actor.

Um filme obrigatório para os fãs de Eastwood realizador e para os amantes do jazz, que acompanham em cerca de duas horas e meia a vida de um dos maiores saxofonistas do género que tocou ao lado de outros gigantes, com destaque para Dizzy Gillespie, cujo papel na vida de Charlie Parker fica bem patente em «Bird». A interpretação da genialidade do saxofonista, assim como os problemas com a droga e álcool que o perturbam está magistralmente interpretada por Whitaker, na altura da estreia um quase desconhecido, apesar das aparições em «Bom Dia Vietname», de Barry Levinson, «Platoon», de Oliver Stone, ou «A Cor do Dinheiro», de Martin Scorcese.

Na própria cinematografia de Eastwood «Bird» acaba por ser um filme de certa forma atípico. Surgem alguns aspectos oníricos, a história não é contada sequencialmente, mas em flashbacks, alguns derivados de sonhos, que não são comuns na sua obra. Talvez a opção por estes ambientes oníricos tenha algo a ver com a música de Charlie Parker, um pouco dada ao improviso.

E apesar de ser um confesso adepto de jazz, de já antes de 1988 ter realizado filmes com a música como campo de fundo («A Última Canção») e mesmo sendo autor de algumas das bandas sonoras dos seus filmes, Clint Eastwood só iria voltar a filmar um filme sobre música em 2003, quando participou no projecto para televisão «The Blues», onde assinou o documentário «Piano Blues». Com «Bird» deu-nos uma boa oportunidade para conhecermos um capítulo da história do jazz, que infelizmente não é dos mais felizes, tirando a excelente música do saxofonista.

Nota: 4/5

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sábado, 16 de outubro de 2010

Arrependimentos, de Cédric Kahn (2009)

O regresso de Mathieu (Yvan Attal) à sua terra natal para assistir aos últimos dias da mãe, que está hospitalizada, leva-o a recordar fantasmas passados. Depois de ver uma antiga namorada de infância (Valeria Bruni Tedeschi) que abandonou no passado, os dois voltam a relacionar-se.

E é sobre esta paixão avassaladora que incide o décimo filme de Cédric Kahn. O amor de Mathieu e Maya, que se reencontram muitos anos depois do último encontro, onde ela chegou duas horas atrasada e ele acabou por desaparecer sem deixar rasto. Apesar de ambos terem terminado tudo na altura, o certo é que a chama entre os dois não desapareceu, como se vê no primeiro encontro do par. A partir daí ambos entram numa espiral que não conseguem controlar, por muito que queiram, pois o amor não morreu.

Com uma boa interpretação por parte da dupla protagonista, falta a este «Arrependimentos» um argumento um pouco mais forte. A presença das personagens secundárias quase não se faz notar, mesmo tendo em conta que se trata de um filme muito centrado no par Mathieu e Maya. Faltava a Cédric Khan, que também é responsável pelo argumento, dar um pouco mais de espaço a outras personagens sobretudo à esposa de Mathieu e ao companheiro de Maya. A primeira reage de forma algo estranha em algumas situações, questionando pouco os actos de Mathieu. No caso do namorado de Maya, não se percebe como é que numa das cenas ele se lembra de tentar matar Mathieu com uma serra eléctrica, quando antes aparentava ter um comportamento mais pacífico.

Por outro lado a banda sonora, a cargo de Philip Glass, está muito boa, pois consegue criar o ambiente perfeito para a narrativa, sobretudo nas cenas de ligação em que as personagens vão de carro para os encontros.

Nota: 3/5

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Banda Sonora: The Strokes, You Only Live Once

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Em Cartaz: Semana 14/10/2010

O Pai das Minhas Filhas, de Mia Hansen-Love
Arrependimentos, de Cédric Kahn
A Cidade, de Ben Affleck
Shoot Me, de André Badalo
Universo Paralelo, de Christian Alvart
O Último Exorcismo, de Daniel Stamm

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

American Splendor, de Shari Springer Berman e Robert Pulcini (2003)

«American Splendor» é um daqueles filmes fantásticos que surgem do nada e são difíceis de classificar. Quando parece ser uma ficção sobre a vida de Harvey Pekar, um norte-americano que um belo dia se lembrou de contar o seu dia a dia numa banda desenhada underground, logo vemos o próprio Pekar a ser entrevistado pela dupla de realizadores Shari Springer Berman e Robert Pulcini, como se se tratasse de um documentário sobre a sua vida.

«American Splendor» é assim uma mistura dos dois géneros e é um excelente filme sobre uma pessoa singular, com gostos peculiares e uma vida tão banal como a de nós todos. A banalidade deste arquivista é que o levou precisamente a deixar algo ao resto do mundo: a banda desenhada sobre o quotidiano, o trabalho no hospital, a convivência com um cancro ou o relacionamento com os amigos e o amor. Paul Giamatti brilha num papel feito à sua medida e que lhe assenta como uma luva.

Em 2003 o filme foi uma das sensações do cinema independente e ainda hoje continua a ser uma obra peculiar que se vê muito bem. A mistura entre ficção e realidade, as imagens de cartoon e as imagens reais estão muito bem conseguidas e rever este «American Splendor» poucos meses depois da morte de Harvey Pekar, que faleceu no passado mês de Julho, é uma justa homenagem à sua vida cheia de incidentes tragicómicos, alguns dos quais são recuperados no filme. Um óptimo filme para ver nestes dias de chuva que começam a chegar.

Nota: 5/5

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domingo, 10 de outubro de 2010

Uma Família Moderna, de Ferzan Ozpetek (2010)

A revolução está prestes a chegar à família Cantone. Tommaso (Riccardo Scamarcio), o filho mais novo que foi estudar para Roma, tem uma revelação para fazer no dia em que regressa a casa para assinar um contrato que lhe dará o controlo do negócio da família, uma fábrica de massas: é homossexual. O que podia dar um dramalhão sobre a forma como a homossexualidade ainda é vista no seio de meios conservadores (não só a família, mas também a cidade onde decorre a acção é uma localidade pequena onde tudo se sabe) acaba por se tornar uma comédia quando o irmão mais velho de Tommaso, Antonio (Alessandro Preziosi), se antecipa e resolve ser ele a sair do armário.

Um autêntico terramoto cai sobre toda a gente. O patriarca expulsa o filho mais velho, que seria o herdeiro natural na fábrica, e tem um enfarte e Tommaso não sabe o que fazer, pois acaba por não conseguir revelar ao pai que também é gay com medo que algo de pior lhe aconteça e fica a controlar a empresa com a ajuda da bela Alba (Nicole Grimaudo). Esta, não sabendo das preferências de Tommaso também acaba por se apaixonar por ele.

«Uma Família Moderna» é uma boa comédia vinda de Itália, a espaços fazendo lembrar as clássicas comédias italianas que deixaram saudades em quem gosta de dar umas boas gargalhadas com equívocos. Um dos bons exemplos é a chegada à pequena cidade dos amigos gays de Tommaso, onde também se encontra o seu namorado, e toda a gente pensa que são heterossexuais. E eles bem se esforçam por parecê-lo, mas acabam sempre por se descair. O pai Vincenzo (Ennio Fantastichini), que não acredita que o filho o tenha enganado e continua o filme todo a pensar que Tommaso também gosta de mulheres como ele, é outro dos papéis que ficam deste filme.

Nota: 4/5

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sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Caça-Fantasmas regressam em 2012?

Quem não se lembra dos caça-fantasmas? Nos anos 1980 foram das personagens mais populares do cinema, com uma das bandas sonoras que ficou no ouvido de todos os fãs, e podem estar de regresso às salas de cinema em 2012, de acordo com as previsões da Sony. Para já Dan Aykroyd, um dos actores que participou nos dois filmes, veio admitir à Variety que vai ser um dos responsáveis pelo argumento de um terceiro filme da saga, com a ajuda de Harold Ramis, outro dos protagonistas. O actor não divulgou muitos pormenores sobre o enredo, mas adiantou que vai girar à volta da sucessão dos Caça-Fantasmas, ou seja, espera-se o aparecimento de uma nova geração de caçadores de fantasmas nas ruas de Nova Iorque.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Embargo, de António Ferreira (2010)

Oito anos depois de «Esquece Tudo o que te Disse» António Ferreira regressou às longas metragens com «Embargo». Baseado num conto de José Saramago, o filme segue as desventuras de Nuno (Filipe Costa), o inventor de um digitalizador de pés com o qual acredita irá revolucionar a indústria do calçado e fazer fortuna. Mas um embargo petrolífero e vários azares pelo caminho acabam por deitar por terra as suas ambições e tudo à sua volta se começa a desmoronar, incluindo o emprego numa roulotte de bifanas e a compaixão da família, que começa a ficar farto das suas utopias.

«Embargo» já foi comparado ao universo dos irmãos Coen e a espaços consegue sê-lo, sobretudo no que diz respeito à má sorte que persegue Nuno, a quem tudo parece acontecer, e às grandes personagens secundárias que vão surgindo a espaços, como o maneta que ninguém reparou que é maneta. Mas faltava um pouco mais de espessura ao argumento de Tiago Sousa, para fazer de «Embargo» um dos melhores filmes portugueses deste ano.

Mas também quase pode ser comparado a um western alternativo à portuguesa, sem índios nem cowboys. Não só por alguns cenários que quase se assemelham a paisagens desérticas, neste aspecto a fotografia do filme dá uma boa ajuda a criar esta imagem, como a própria banda sonora se assemelha a algumas músicas que nos remetem para aquele imaginário. Sem ser um filme tão bom como o anterior «Esquece Tudo o que te Disse», o novo filme de António Ferreira prova que é um dos realizadores mais originais que tem aparecido por cá. Só faltou um bocadinho 'assim' para ser um filme melhor.

Nota: 3/5

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Em Cartaz: Semana 07/10/2010

Vai Com o Vento, de Ivo M. Ferreira
O Estrangeiro, de Ivo M. Ferreira
A Lenda dos Guardiões, de Zack Snyder
MacGruber - Licença Para Estragar, de Jorma Taccone
Uma Família Moderna, de Ferzan Ozpetek
[Rec] 2, de Jaume Balagueró e Paco Plaza
Sempre Que Te Vejo, de Burr Steers
Só Eles!, de Scott Hicks

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (1950)

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, filmes como «Crepúsculo dos Deuses» são indescritíveis e são quase obrigatórios para quem gosta de Cinema com C maiúsculo. Realizado por Billy Wilder em 1950 é uma das obras de arte do cinema norte-americano que se debruçam sobre a própria história de Hollywood, nomeadamente abordando os efeitos da transição do período mudo para o sonoro.

O papel principal cabe inteiramente a Gloria Swanson que interpreta Norma Desmond, uma antiga estrela de filmes mudos que prepara o seu regresso, com a ajuda de um jovem argumentista (William Holden) a braços com várias dívidas. E é precisamente Joe Gillis que narra o filme, apresentando um mundo que antes foi feito de sucesso e agora apenas vive do passado. É um retrato brutal da fama e dos efeitos que provoca em quem deixa de estar no topo do mundo. Até outras estrelas do mudo aparecem por breves instantes, num jogo de bridge. E estamos a falar de grandes nomes do cinema, como Buster Keaton ou Hedda Hopper, que são tratadas como figuras de cera pelo jovem argumentista, o que prova a imagem que este mundo em decadência acabou por ter depois do enorme sucesso alcançado no arranque do cinema.

Gloria Swanson tem uma interpretação excelente, ao retratar a louca vedeta em que Norma se tornou. Não conhecendo a verdadeira história da actriz, quase se poderia dizer que estava a interpretar-se a si própria. A última cena, quando desce as escadas em frente às câmaras que pensa serem do seu filme é um dos melhores e mais fortes momentos do filme. No campo da interpretação destaque ainda para um outro papel, o do mordomo Max, que mais não é do que Erich von Stroheim, um dos maiores realizadores do cinema mudo e em simultâneo um actor que participou em mais de 70 filmes. «Crepúsculo dos Deuses» é um grande filme, de um grande realizador.

Nota: 5/5

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Tony Gilroy realiza próximo Bourne

O próximo capítulo da saga de Jason Bourne, o quarto da série, vai ser realizado por Tony Gilroy. O autor dos três primeiros argumentos do franchise e realizador de «Michael Clayton» substitui Paul Greengrass, que se afastou de «The Bourne Legacy», o nome da nova aventura, no início do ano. Este afastamento inesperado de Greengrass chegou mesmo a colocar o projecto em causa, pois na altura o protagonista Matt Damon chegou a afirmar à revista Empire que não sabia se ia entrar no filme sem a presença daquele realizador.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Beach Boys inspiram musical

De vez em quando surgem novos projectos de musicais baseados na música de grandes bandas. Os mais recentes foram que alcançaram algum sucesso foram «Mamma Mia», com música dos Abba, ou «Across The Universe», com canções dos Beatles. Um dos próximos vai ser dedicado aos Beach Boys, a banda norte-americana dos anos 1960 que alavancou o chamado surf rock, com êxitos como «Barbara Ann», «Help Me Rhonda» ou «Surfin' USA». O filme vai ser produzido pela Fox 2000 e tal como nos exemplos anteriores, a música será pretexto para ligar a acção do argumento. Na produção vão também estar John Samos, Craig Zadan e Neil Meron, que já produziram uma série de TV sobre a carreira dos Beach Boys. Caso se estreie em 2011, o filme coincidirá com os 50 anos da banda. Para os fãs da banda, aí fica uma recordação: «Wouldn't It Be Nice».

domingo, 3 de outubro de 2010

The Majestic, de Frank Darabont (2001)

«The Majestic» é daqueles filmes que ajudam a provar que Jim Carrey é um grande actor em papéis dramáticos. A terceira obra de Frank Darabont, que se estreou com o magnífico «Os Condenados de Shawshank» em 1994, relata um período negro da história dos EUA que acabou por afectar Hollywood: a perseguição aos comunistas liderada pelo senador McCarthy, episódio que ficou conhecido como a caça às bruxas.

A acção de «The Majestic» tem lugar em 1951 e centra-se em Peter Appleton (Jim Carrey), um argumentista novato à procura do sonho dourado que se vê envolvido na conspiração. Mas no dia em que descobre, quando tinha em marcha um novo projecto, e depois de uma noite de copos o argumentista tem um acidente de automóvel que lhe causa amnésia. Quando acorda está numa pequena cidade, que perdeu dezenas de jovens na II Guerra Mundial, onde é confundido com um deles. O regresso quase milagroso faz com que Peter seja recebido e acolhido de braços abertos pela comunidade.

Além de ser um filme que dramatiza um episódio histórico que deixou sequelas e acabou mesmo por destruir carreiras em Hollywood, «The Majestic» é uma bela homenagem ao Cinema. A começar pelo título do filme, que é o nome da sala de cinema da cidade que acolhe o argumentista perdido, e passando pela reconstituição das salas míticas de Los Angeles e dos próprios cartazes de alguns clássicos que por lá se encontram. E é delicioso o segmento do filme de acção que é o primeiro argumento de Peter Appleton, com o sugestivo título de «Sand Pirates of the Sahara». Este segmento é em si uma homenagem dentro da homenagem: conta com a participação de Bruce Campbel, actor conhecido por ter entrado na série Evil Dead de Sam Raimi, e tem uma peça utilizada em «Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida».

E os pormenores podiam continuar, pois as referências são mais que muitas. Um bom filme a descobrir, cujo único problema é estar excessivamente centrado na personagem de Jim Carrey, não deixando grande espaço ao restante elenco.

Nota: 4/5

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Lola, de Brillante Mendoza (2009)

Não é muito comum ver um filme das Filipinas chegar ao circuito comercial, daí causar alguma estranheza ver «Lola», de Brillante Mendoza, no grande ecrã. Tal como várias cinematografias asiáticas, não se trata de um filme fácil de apreender para quem não conhece a cultura local. Em «Lola» ficamos a conhecer a história de duas idosas cujo destino se cruza por uma tragédia. Uma é avó de um homem que foi esfaqueado durante o assalto e a outra é avó do autor do crime.

Filmado sempre com a câmara na mão, Brillante Mendoza leva-nos a percorrer as ruas de Manila com estas duas anciãs para cumprirem a sua, se assim se pode chamar, 'missão'. No caso da avó do falecido, vemo-la a tratar dos procedimentos do funeral, enquanto a outra idosa passa os dias a tratar da família e a visitar o seu neto na prisão. Em comum às duas histórias está o facto de ambas precisarem dinheiro, no segundo caso para arranjar um advogado ou chegar a acordo com a avó da vítima, para que o processo não avance em tribunal.

Sem recorrer a imagens muito fortes, o realizador de «Lola» acaba por aproveitar este drama para fazer também um retrato de uma sociedade, em grande parte empobrecida, de uma forma poética, algo que é comum ver em filmes desta região geográfica. Não ficamos fascinados com estas imagens, como numa das cenas em que dois realizadores que estão num comboio falam de belos planos sobre a miséria que os rodeia, mas entramos naquele cenário e acompanhamos o percurso das duas idosas, num mundo onde têm de sobreviver, custe o que custar.

Nota: 4/5

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sábado, 2 de outubro de 2010

Banda Sonora: U2, Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me

O Último Vampiro, de Michael e Peter Spierig (2009)

Antes de passar a noite no Motel X tive oportunidade de ver outro filme de terror, mas com uma pitada de ficção científica: «O Último Vampiro», uma das estreias desta semana, realizada e escrita pelos irmãos Spierig. Ao contrário de «F» este não tem nada a ver com os dias de hoje ou com realismo, pois o argumento tem lugar num futuro próximo (2019) onde os vampiros representam a maioria da população mundial e a procura por sangue humano, ou um substituto, é a missão de Edward Dalton (Ethan Hawke), um cientista que trabalha para uma grande empresa dominada por Charles Bromley (Sam Neill).

A missão ganha carácter urgente quando o stock de sangue começa a esgotar-se e os vampiros se começam a tornar canibais, o que resulta em mutações e consequente morte. O que podia ser um bom filme de acção em torno do filão do momento, os vampiros, com pelo menos três bons actores (além de Hawke e Neill, o elenco conta com William Defoe no papel de um vampiro que consegue voltar a ser humano e com uma paixão por grandes carros) perde-se um pouco precisamente pois não se consegue decidir se é um filme de acção ou um filme de terror ou ainda um filme de ficção científica. Podia até servir para, comparando com a possível escassez de petróleo nos próximos tempos ou a excessiva dependência do ouro negro por parte da Humanidade, servir de alerta. Mas nem isso consegue. Acho que nem quem gosta de filmes de vampiros (e esta semana estreou outro, mais a brincar) irá gostar de «O Último Vampiro».

Com tantos filmes bons que vão directos para o vídeo, e «F» (ver crítica anterior) se calhar nem sequer vai ter direito a isso, a continua a fazer-me confusão como é que alguns filmes chegam às salas.

Nota: 2/5

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F, de Johannes Roberts (2010)

Não sou grande habitué do Motel X, até porque os filmes de terror não são o meu género favorito, salvo algumas excepções. Mas geralmente todos os anos tento ir a uma sessão deste festival de cinema. Desta vez calhou ir ver «F», do britânico Johannes Roberts, e tive a possibilidade de assistir a um grande filme.

«F» é a história de um professor que é agredido por um aluno em plena aula, depois de lhe ter dado uma má nota e ter feito um comentário trocista sobre o teste. Alguns meses depois e um processo em tribunal perdido, porque os pais consideraram que o professor é que foi responsável pela agressão, o professor Robert Anderson (David Schofield) está a atravessar um mau momento: afastou-se família, os colegas de escola não o ajudaram muito a recuperar e está agarrado à garrafa de whisky.

Numa noite em que toda a gente se lembrou de ficar na escola, um gangue de encapuçados, cuja identidade nunca chegamos a conhecer, entra na escola e vai eliminando todos um a um. Neste ponto o professor só quer procurar a filha, que também estava dentro do estabelecimento porque o pai a tinha colocado de castigo.

Em linhas gerais, é disto que trata «F» e o resultado é muito bom. Johannes Roberts consegue a espaços lembrar alguns filmes de John Carpenter, o próprio realizador assumiu, num vídeo de apresentação que passou antes da projecção, que a obra do mestre foi uma inspiração, nomeadamente o saudoso «Assalto à 13ª Esquadra». Recorrendo pouco a imagens demasiado violentas, com excepção de um ou outro caso mais exagerado, «F» causa algum desconforto e prega-nos vários sustos. Não só porque estamos perante um filme bastante realista, como os atacantes se mexem nas sombras e nunca chegamos a saber quem são ou o que os move. E Johannes Roberts marca pontos ao deixar esse ponto no ar. Se todos os filmes de terror fossem assim, tinham ganho mais um fã.

Nota: 4/5

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Tony Curtis (1925-2010)

Esta semana está a ser negra para Hollywood, com uma morte por dia. Começou com Sally Menke, editora responsável pelas montagens dos filmes de Quentin Tarantino. Ontem foi anunciado o falecimento de Arthur Penn, realizador de, entre outros filmes, «Bonnie & Clyde». Hoje chegou a notícia da morte de Tony Curtis, aos 85 anos. Pai da actriz Jamie Lee Curtis, o actor ficou conhecido nos anos 1950 e 1960, com a participação em diversas comédias, com destaque para o clássico «Quanto Mais Quente Melhor», realizado por Billy Wilder e onde contracenou com Marilyn Monroe e Jack Lemmon. Ao longo da sua carreira, iniciada em 1949,participou em filmes de outros grandes autores como Stanley Kubrick («Spartacus»), Anthony Mann («Winchester '73»), Alexander Mackendrick («Mentira Maldita») ou John Huston («As Cinco Caras do Assassino»). Em 1958 foi nomeado para o Óscar para Melhor Actor Principal pelo seu papel em «Os Audaciosos», de Stanley Kramer. Nos últimos anos a sua presença no grande ecrã era mais escassa, tendo as preferências de Curtis passado para a pintura. As causas da morte deste ícone de Hollywood não foram ainda divulgadas.

Nota: como o Sam (Keyzer Soze's Place) recorda nos comentários abaixo, esta semana foi ainda fatal para outro nome de Hollywood que não vem referido no meu post: Gloria Stuart, actriz bastante popular na década de 1930 e que entrou em «Titanic» de James Cameron, papel que lhe valeu uma nomeação para Óscar de Melhor Actriz Secundária.

Em Cartaz: Semana 30/09/2010

O Filme do Desassossego, de João Botelho
Na Senda dos Condenados, de Kari Skogland
Ponha Aqui o seu Dentinho, de Jason Friedberg e Aaron Seltzer
Hachicko - Amigo para Sempre!, de Lasse Hallström
Comer Orar Amar, de Ryan Murphy
O Último Vampiro, de Michael e Peter Spierig
Embargo, de António Ferreira
La Pivellina, de Tizza Covi e Rainer Frimmel
Tamara Drewe, de Stephen Frears
Sininho Salva as Fadas, de Bradley Raymond

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Arthur Penn (1922-2010)

Morreu Arthur Penn, o realizador norte-americano que imortalizou no grande ecrã a história de Bonnie e Clyde, um dos grandes clássicos dos anos 1960 e que foi considerado um dos principais filmes a alavancar a revolução em Hollywood que veio trazer a geração dos chamados movie brats na década seguinte. Além de ter uma grande carreira na Sétima Arte, Arthur Penn teve também uma carreira de relevo no teatro e na televisão. Os seus últimos trabalhos atrás das câmaras foram feitos precisamente para o pequeno ecrã. Um excelente obituário sobre a sua carreira pode ser lido neste artigo do New York Times.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Irmãos Coen apresentam trailer do novo filme

Já está a circular o trailer do próximo filme realizado pelos irmãos Coen. «True Gift» é um remake do western homónimo realizado por Henry Hathaway em 1969 e que deu o único Óscar de Melhor Actor a John Wayne. Por cá este filme recebeu o título de «Velha Raposa». A história da longa metragem é a de uma rapariga de 14 anos que tenta vingar a morte do pai com a ajuda de dois pistoleiros. O elenco da versão dos Coen conta com Jeff Bridges, no papel que coube a John Wayne no filme original, e com nomes como Matt Damon, Josh Brolin, Hailee Steinfeld e Barry Pepper. Com estreia marcada para o próximo dia 25 de Dezembro, esta é o mais recente remake levado a cabo pela dupla de irmãos, depois de ter realizado «O Quinteto da Morte» em 2004.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mais uma personagem da trupe Bruno Aleixo a promover Embargo

Depois do Homem do Bussaco é a vez de Renato Alexandre promover a chegada às salas de «Embargo», o novo filme de António Ferreira, com estreia marcada para o próximo dia 30 de Setembro. Tal como no vídeo anterior, a personagem principal do filme volta a pedir indicações para chegar a Coimbra.

domingo, 26 de setembro de 2010

A Flecha e a Rosa, de Richard Lester (1976)

Em 1976 já Sean Connery tinha deixado de parte o smoking de James Bond há cinco anos, apesar de ter regressado em 1983 à personagem que lhe deu fama. Foi nesse ano que o actor escocês também encarnou uma outra personagem britânica mítica: Robin Hood. Em «A Flecha e a Rosa» Richard Lester conta-nos a história de Robin do ponto de vista da sua relação amorosa com Lady Marian, papel que coube a Audrey Hepburn interpretar.

Há neste filme algumas características que fogem um pouco ao imaginário mais popular de Robin Hood, algo que tenho reparado ao ver as várias versões do herói da floresta de Sherwood que chegaram à Sétima Arte. Todas as que tenho visto contam uma história de certa forma diferente. Neste caso, as 'novidades' são um Robin Hood mais envelhecido, com os problemas da idade a virem ao de cima, e uma Marian que se tornou freira depois de ver partir o seu amado para as Cruzadas. Por exemplo, e comparando apenas com o exemplo mais recente a chegar às salas, o Robin de Ridley Scott, Marian é a esposa de um antigo companheiro de armas do herói que faleceu em batalha.

Mas ao centrar o argumento nesta relação entre o par, Richard Lester deixa um pouco de parte a acção, que é o que se espera mais de uma aventura de Robin dos Bosques. Acaba por ser esta falha, apenas presente no início, quando as tropas de Ricardo Coração de Leão cercam um castelo em França, e no final, quando se dá o duelo com o Xerife de Nottingham, que deixa os adeptos das cenas de espadachim de certa forma desiludidos.

E o final, demasiado meloso no meu entender (e basta ver o trailer abaixo para o constatar), acaba por estragar o que poderia ser uma adaptação das aventuras de Robin Hood mais simpática. Mas não deixa de ser mais uma versão que o Cinema fez de um herói medieval.

Nota: 2/5

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A Casa da Praça Trubnaia, de Boris Barnet (1928)

O cinema soviético do período mudo é sobretudo conhecido por grandiosos filmes de propaganda que relatam os episódios da Revolução Russa. Sergei Eisenstein é o nome mais conhecido dessa geração, mas há muitos nomes que a integraram e que não são tão conhecidos nos dias de hoje. Inclusive alguns fizeram comédias. Um desses exemplos de comédias é «A Casa da Praça Trubnaia», de Boris Barnet. Tal como os filmes dos seus companheiros da altura, este é um filme de propaganda onde se exaltam os valores da sociedade soviética e os inimigos são os burgueses.

No caso deste filme o tema principal é o papel dos sindicatos e a importância destas associações para evitar a exploração laboral. A história de «A Casa da Praça Trubnaia» é a de Paracha Pitunova (Vera Maretskaia), uma jovem que é enviada do campo para Moscovo para se encontrar com o tio, que por um acaso do destino está a chegar à sua aldeia quando o comboio parte para a capital russa. Na grande cidade Paracha vai deparar-se com um mundo novo onde é fácil perder-se e acaba por ir parar precisamente à casa da Praça Trubnaia, um edifício comunitário, e é contratada como doméstica por um casal de burgueses, que só a aceita por não estar sindicalizada, logo, potencialmente não trará problemas.

É esta a base da história, que depois vamos acompanhando, com a jovem a chegar ao sindicato e com o seu patrão a acabar na polícia, onde lhe vão traçar a sentença por não respeitar os direitos da funcionária. Mas «A Casa da Praça Trubnaia» vai muito para além da história, não fosse este um filme soviético. Como noutros casos, aqui dá-se muita importância ao que é filmado, não só às personagens.

Há três momentos muito bem conseguidos neste excelente filme de Boris Barnet: o acordar de Moscovo, com a filmagem de cenas da cidade acompanhadas com entre-títulos que nos explicam como são as primeiras horas de Moscovo até as ruas ficarem cheias de gente; a filmagem do prédio comunitário num corte transversal que nos mostra em simultâneo o que se passa nos vários andares; e por fim, a utilização de objectos em movimento para dar a ideia de som que não havia na altura. Por exemplo, a genialidade dos planos em que a jovem está irritada com o patrão e a câmara foca diversos tachos e cafeteiras ao lume com água a ferver.

Apesar de pouco conhecido, tanto o filme como o próprio género no cinema soviético do período mudo, este é um excelente filme que nos permite descobrir uma faceta daquele período cinematográfico que vai muito para além de Eisenstein.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

Quantos posters conseguem adivinhar?

Directamente do blogue Cinema's Challenge chegou-nos um desafio em forma de quizz. Quantos posters de filmes conseguem acertar? São 101 no total e eu consegui acertar em 61, sem ajudas. Não foi mau, mas podia ser melhor. Testem os vossos conhecimentos e partilhem resultados.

sábado, 25 de setembro de 2010

Greenberg, de Noah Baumbach (2009)

Noah Baumbach faz parte de uma nova vaga de realizadores de uma certa área mais alternativa ao mainstream, onde também se inscreve Wes Anderson com quem tem vindo a colaborar. Ambos filmam histórias passadas no presente mas que pertencem a um imaginário mais retro, muito por culpa dos cenários e alguma estética que utilizam. «Greenberg», protagonizado por Ben Stiller, foi o mais recente filme de Baumbach a estrear por cá.

Neste filme acompanhamos um adulto, que aparentemente não quis crescer e ganhar responsabilidades, acabadinho de sair de um período de internamento devido a um esgotamento. Roger Greenberg (Ben Stiller) aproveita esta crise para deixar Nova Iorque e regressa à Los Angeles natal para recuperar e encontrar um rumo, ao mesmo tempo que fica a tomar conta da casa do irmão, que partiu de férias com a família. Durante esse período de fragilidade aproveita para reencontrar velhos amigos, que se tornaram bastante diferentes do que eram, e apaixona-se pela assistente do irmão (Greta Gerwig), que também está a atravessar um período mais negativo depois de um longo relacionamento.

No fundo, «Greenberg» é uma comédia das sérias, com um bom toque de ironia, que nos faz rir com coisas que supostamente não são tão boas quanto parecem. Mas as expectativas não cumprem e algo por culpa de Ben Stiller, que parece não encaixar bem na personagem. Talvez seja por estarmos habituados a vê-lo num registo de comédia mais desbragada. Ao contrário de Jim Carrey, por exemplo, que por vezes nos consegue surpreender em papéis mais sérios, Stiller para não conseguir. Os próprios secundários, sem contar com Greta Gerwig, que funciona como par de Greenberg, parecem estar pouco à vontade no papel. E aqui falo sobretudo de Rhys Ifans e Jennifer Jason Leigh.

Destaque contudo para a excelente banda sonora, que ficou a cargo de James Murphy, o líder dos nova-iorquinos LCD Soundsystem, conhecidos por terem sonoridades que combinam música rock com tons mais electrónicos. Neste caso o frontman dos nova-iorquinos apresenta um registo completamente diferente, quase só soando uma guitarra, bateria e palminhas aqui e ali. O melhor do filme.

Nota: 3/5

Site oficial do filme


Banda Sonora: James Murphy, Please Don't Follow Me

O regresso dos Bons Rapazes

«Tudo Bons Rapazes», um dos melhores filmes de Martin Scorcese, poderá vir a ser adaptado numa série de televisão. Segundo o site Deadline, o projecto deverá contar com a participação de Nicholas Pileggi, o autor do argumento e do livro que deu origem ao filme protagonizado por Ray Liotta, Robert De Niro e Joe Pesci, que irá ser responsável pela escrita do argumento do episódio-piloto. Quanto ao envolvimento de Scorcese, que ainda recentemente realizou o piloto de «Boardwalk Empire», série que é vista como a sucessora de Sopranos, ainda não se conhecem pormenores.

Para recordar, uma das melhores cenas de «Tudo Bons Rapazes»:

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Em Cartaz: Semana 23/09/2010

Adoro-te...à Distância, de Nanette Burstein
Assalto ao Santa Maria, de Francisco Manso
Bebés, de Thomas Balmes
Depois da Vida, de Agnieszka Wojtowicz-Vosloo
Jacuzzi, O Desastre do Tempo, de Steve Pink
Lola + A History of Mutual Respect, de Brillante Mendoza e Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, de Oliver Stone

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pixar mostra primeira imagem do próximo filme

A Pixar divulgou agora mesmo, via Facebook, a primeira imagem da próxima longa metragem dos estúdios de animação que criaram os heróis de Toy Story. Trata-se do logótipo de «Brave», que tem data de estreia prevista para 15 de Junho de 2012 e terá como protagonistas já confirmados Reese Witherspoon, Billy Connolly, Emma Thompson e Julie Walters. A realização ficará a cargo de Brenda Chapman, que realizou «O Príncipe do Egipto» em 1998 e esteve envolvida no argumento de «Carros».

terça-feira, 21 de setembro de 2010

MGM: de Hollywood para Bollywood?

A crise do mítico estúdio MGM não é novidade e há já algum tempo que se fala na sua venda. Agora parece que surgiu um possível comprador. Segundo vários Media norte-americanos, o gigante grupo empresarial indiano Sahara India Pariwar, que tem interesses em várias áreas, mas ainda não está no cinema, estará disposto a apresentar uma proposta de 2 mil milhões de dólares, qualquer coisa como 1.500 milhões de euros, pelo estúdio.

A informação não foi confirmada pela MGM, que tem vindo a pedir precisamente aquele valor para se salvar da falência, resultante de problemas financeiros na ordem dos 4 mil milhões de dólares. Talvez a solução para salvar o estúdio que deu ao mundo clássicos como «O Feiticeiro de Oz», «E Tudo o Vento Levou» ou «Ben Hur», já para não falar na série James Bond, passe agora por Bollywood.

Arte de Dennis Hopper vai a leilão

A colecção de arte de Dennis Hopper, o actor e realizador norte-americano falecido no passado mês de Maio com 74 anos vítima de cancro, vai ser leiloada. O leilão vai ter lugar na Christie's de Nova Iorque, que vai vender cerca de 200 obras, de artistas como Jean-Michel Basquiat, Robert Rauschenberg, Wallace Berman, Bruce Conner, Keith Haring, Marcel Duchamp e Julian Schnabel. No acervo encontra-se ainda um retrato do actor da autoria de Andy Warhol, pintado em 1971.

Para recordar o actor, um vídeo com o screen test realizado por Warhol

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Vencedores do Festival de Toronto

Terminou ontem mais uma edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto. Não sendo um dos grandes festivais de cinema do mundo, o festival canadiano tem vindo a ganhar algum protagonismo ao longo dos últimos anos.

Os vencedores da edição 2010 do festival foram:

Melhor Curta-Metragem Canadiana:
Les Fleurs de l'âge, de Vincent Biron

Melhor Primeira Longa Metragem Canadiana:
The High Cost of Living, de Deborah Chow

Prémio para Melhor Longa Metragem Canadiana:
Incendies, de Denis Villeneuve

Prémio FIPRESCI para o programa Discovery:
Beautiful Boy, de Shawn Ku

Prémio FIPRESCI para Apresentações Especiais:
L'Amour Fou, de Pierre Thoretton

Prémio do Público:
The King's Speech, de Tom Hooper

Prémio do Público Midnight Madness:
Stake Land, de Jim Mickle

Prémio do Público Documentário:
Force of Nature: The David Suzuki Movie, de Sturla Gunnarsson

Eterno Solteirão, de Brian Koppelman e David Levien (2009)

«Eterno Solteirão» sofre de um mal, que apesar de não ter nada a ver com cinema, bastante comum nas traduções dos títulos em Portugal. Quem olhar para o título dado pela distribuidora ao filme, que no original é «Solitary Man» (homem solitário, em português), pensa que estamos perante mais uma comédia romântica e o espectador corre o risco de se afastar, não sabendo ao que vai. Mas este filme de Brian Koppelman e David Levien tem muito pouco de comédia.

É antes um drama sobre um antigo vendedor de automóveis, que chegou a ter um bom momento profissional, a quem o médico diz que não tinha gostado de algo que descobriu no seu coração. Mas em vez de fazer os exames, para saber realmente o que se passa, Ben Kalmen (Michael Douglas) opta por esquecer o que se passou naquela consulta de rotina e começa a fazer o que lhe vai na cabeça, desde engatar mulheres a torto e a direito a destruir o negócio que lhe deu uma posição de topo.

Não estamos perante um grande filme, mas é um filme que se vê bem. O próprio final está muito bem conseguido, pois a dupla de realizadores conseguiu escapar ao facilitismo de dar uma resposta ao dilema que se apresenta a Ben Kalmen.

Michael Douglas carrega o filme às costas, pois este é um daqueles filmes que praticamente só a personagem principal conta, pois está presente em todas as cenas. E fá-lo bastante bem, a provar que ainda consegue ser um grande actor. Destaque ainda para a presença de um bom naipe de secundários, onde despontam Danny DeVito ou Susan Sarandon. Um bom aperitivo enquanto esperamos pela estreia da sequela de «Wall Street».

Nota: 3/5

Site oficial do filme

domingo, 19 de setembro de 2010

Bussaco promove Embargo

O Homem do Bussaco, personagem do universo Bruno Aleixo, foi 'contratado' para promover o filme «Embargo», a mais recente longa metragem de António Ferreira, o seu regresso às longas depois de «Esquece Tudo o que te Disse», que chega aos cinemas no próximo dia 30 de Setembro. Nesta espécie de trailer o Homem do Bussaco dá indicações à personagem principal de «Embargo» para chegar a Coimbra.

Banda Sonora: Eels, Novocaine for the Soul

sábado, 18 de setembro de 2010

...e novidades para o Estoril

O produtor Paulo Branco já tinha dito que este seria uma das melhores edições do Estoril Film Festival e as primeiras informações divulgadas apresentam um programa que parece acertar em cheio. No campo das retrospectivas, o certame vai fazer uma revisão da obra de Kathryn Bigelow e Elia Suleiman, este já com presença garantida. Na secção das homenagens o destaque deste ano vai para os nomes de Roman Polanski, Vincent Gallo, Chris Marker, Marisa Paredes e Koji Wakamatsu.

Na competição ainda só há cinco nomes confirmados: o português João Nicolau, que vai apresentar «A Espada e a Rosa» depois da sua passagem por Veneza, o alemão Thomas Arslan («In The Shadows», o francês Marc Fitoussi («Copacabana») e os romenos Cristi Puiu («Aurora») e Andrej Ujica («The Autobiography of Nicolae Ceausescu»).

Fora de competição vão passar filmes como «The American», o regresso de Anton Corbijn depois do magnífico «Control», uma nova realização do actor francês Mathieu Amalric, «Tourneé», «Machete» de Robert Rodriguéz, e os novos filmes de Abbas Kiarostami («Corie Conforme»), Mike Leigh («Another Year»), Monte Hellman («Road To Nowhere») e Otar Iosseliani («Chantrapas»).

Tal como nas anteriores edições do festival, este ano também vão estar abertas ao público três exposições de fotografias: Lou Reed, Anton Corbijn e Alberto Garcia-Alix.

Os primeiros nomes confirmados para estarem presentes no Estoril, entre os dias 5 e 14 de Novembro são: John Malkovich, Marisa Paredes, Stephen Frears, Lou Reed, Laurie Anderson, o Juiz Baltasar Garzon, Vincent Gallo, Anton Corbijn, Valeria Golino, Mathieu Amalric, Otar Iosseliani, Elia Suleiman, a estilista Bella Freud,o fotógrafo Alberto Garcia-Alix,o pianista Piotr Anderszewski, o compositor Giya Kancheli, o Chef Juan Maria Arzak.

Mais informações no site do festival.

Jean Renoir no Fantas...

O realizador francês Jean Renoir vai ser alvo de uma «grande retrospectiva» na próxima edição do Fantasporto, que se realizará entre 21 de Fevereiro e 6 de Março de 2011. A iniciativa vai contar com a parceria da Embaixada de França. Além da retrospectiva dedicada ao autor gaulês, a edição de 2011 do Fantas terá como principais novidades uma competição e dois novos prémios para o cinema português.

Durante o festival, um dos mais carismáticos do país, vai ainda haver tempo para uma mostra de Animé, um ciclo denominado «Rostos do Fantástico» com várias antestreias mundiais, um programa com «Uma Década das Melhores Curtas da Europa» escolhidas por entidades de diversos países europeus e uma homenagem aos 10 anos de carreira de João Menezes, considerado pela organização como «um filho do Fantas».

Mais pormenores sobre o próximo Fantasporto vão ser divulgados através da página do festival no Facebook, onde vai ser feito um concurso quando forem atingidos os 20 mil fãs. O prémio é apetitoso para os adeptos do Cinema Fantástico: 10 livres-trânsito para o Fantas 2011.

Mais informações no site do festival.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Em Cartaz: Semana 16/09/2010

A Papisa Joana, de Sönke Wortmann
A Troca, de Josh Gordon e Will Speck
Lisboa Domiciliária, de Marta Pessoa
Marginais, de Hugo Diogo
O Último Voo do Flamingo, de João Ribeiro
O Eterno Solteirão, de Brian Koppelman e David Levien
Resident Evil: Ressurreição 3D, de Paul W. S. Anderson
Todos os Outros, de Maren Ade

terça-feira, 14 de setembro de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

Encontro de blogues no Black & White

Realiza-se hoje no Porto um encontro de Blogues de Cinema que pretende ser o primeiro de muitos a organizar pela comunidade de bloggers cinematográficos de Portugal. A iniciativa de hoje decorre no Festival Black & White e terá lugar pelas 18h30. Confirmada está a presença dos blogues AnteCinema, na condição de organizador, e Antestreia, Cinema Is My Life, Laxante Cultural e Split Screen.

O encontro é aberto a todos os que quiserem participar. Mais informações neste link.

Líbano, de Samuel Maoz (2009)

Se há uma palavra para descrever «Líbano» essa palavra é sufoco. A estreia do israelita Samuel Maoz na ficção, depois do documentário «Total Eclipse» de 2000, é um filme brutal e claustrofóbico, que consegue a proeza de colocar literalmente o espectador dentro da acção e sentir o que sentem as personagens. O cenário de «Líbano» é apenas um: um tanque de guerra de uma unidade de jovens israelitas que é chamada a participar numa missão durante o início da primeira guerra do Líbano, em Junho de 1982.

Durante este grande filme acompanhamos os quatro soldados na sua missão e ponto de vista é precisamente o deles. Para além do que vemos dentro do tanque, todas as cenas passadas fora do tanque são vistas através da mira. E se o que se vê dentro da máquina de guerra não é agradável, 'lá fora' não é melhor. Todas as espécies de atrocidades de uma guerra são vistas pelos jovens, que começam a entrar em paranóia e perdem o controlo da situação.

O ambiente claustrofóbico e paranóico vem ao de cima quando a unidade se apercebe que a missão está perdida e ninguém sabe aonde estão. E sendo o único contacto com o exterior um superior que aparenta não ser muito simpático, os jovens não se sentem muito confortáveis na situação e as dúvidas surgem.

«Líbano» é assim um daqueles filmes que nos deixa sem respirar durante algum tempo na sala de cinema, quase uma experiência semelhante à que está a ocorrer com os jovens soldados. Apesar deste sufoco permanente, as imagens mais fortes do filme estão no campo de giras-sóis que surge no início e no final de «Líbano», quando tudo acalma. Mas ao mesmo tempo dá que pensar: o que será do futuro destes quatro jovens que durante poucos dias viram o inferno e escaparam para o mundo 'normal'?

À semelhança do brilhante «Valsa com Bashir», de Ari Folman, que retrata o mesmo conflito, esta obra é mais uma de uma vaga de cineastas de Israel que está a filmar o passado do país e os seus 'pesadelos' em forma de guerra. Infelizmente grande parte destes filmes acaba por não chegar às salas portuguesas, mas parece que «Líbano» já terá sido comprado e tem distribuição prevista para breve. Talvez o Leão de Ouro conquistado pelo filme de Samuel Maoz nos traga esta cinematografia.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

Sufoco

Líbano, de Samuel Maoz

Banda Sonora: Heroes, David Bowie

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Accident, de Cheang Pou-Soi (2009)

Esta é a primeira crítica de uma série que pretendo dedicar ao IndieLisboa, o festival de cinema independente de Lisboa, que arrancou ontem e decorre até 2 de Maio. Vou tentar aqui apresentar críticas a todos, ou quase todos, os filmes que tenciono assistir.

A saga começou ontem com «Accident», um filme de acção de Hong Kong, realizado por Cheang Pou-Soi, antigo assistente de realização do genial Johnie To. Tal como os filmes do mestre asiático, que foi alvo de uma interessante retrospectiva no âmbito do Indie e este ano traz o mais recente «Vengeance» a Lisboa, não é um filme de acção no sentido directo do termo. Este filme conta a história de Brain (Louis Koo), o líder de um grupo de assassinos profissionais cujo modus operandi consiste em criar acidentes que provoquem a morte dos seus alvos sem que pareça um assassinato.

Logo de início ficamos a saber como eles actuam com uma das encenações em que um pormenor deixa o líder irritado. Num outro golpe tudo corre mal e Fatty, um dos membros do grupo ,interpretado por Suet Lam, um habitué dos filmes de To, morre atropelado por um autocarro. Terá sido acidente? É esta questão que faz arrancar a segunda parte de «Accident», tornando o filme mais tenso, pois Brain começa a desconfiar de tudo e de todos.

Apesar desta segunda parte estar bem conseguida, falta um pouco mais de movimento a este filme para conseguir ombrear com a obra do mestre de Cheang Pou-Soi. Nas cenas dos golpes faltam aqueles movimentos de câmara que To tão bem consegue sacar. Mas o que vale a pena é ver a interpretação de Louis Koo, o enigmático líder cuja história passada vamos ficando a saber aos poucos.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

domingo, 11 de abril de 2010

Um Sonho Possível, de John Lee Hancock (2009)

A presença de «Um Sonho Possível» na lista dos candidatos ao Óscar para melhor filme foi uma das surpresas da última edição dos prémios. Confesso que eu também fiquei um bocado surpreendido na altura, mas ao ver o filme que deu o Óscar de Melhor Actriz a Sandra Bulock percebi em parte o porquê. Não é um grande filme mas tem um factor muito importante: uma boa história simples e feita a pensar no grande público sobretudo oriundo dos EUA.

E essa história é a história verídica de Michael Oher, um jovem negro praticamente sem-abrigo que foi adoptado por uma família branca da classe média-alta do Mississipi e que acaba por se tornar um excelente jogador de futebol americano. É uma história tipicamente pertencente ao universo dos EUA e aqui já se percebia a potencialidade de chegar a um grande público. A nomeação e o prémio atribuído a Sandra Bullock vieram trazer o filme para a História do Cinema, quanto mais não seja como nota de rodapé.

O grande truque deste filme está na forma simples como conta uma história com contornos complexos. Temos um jovem com problemas de aprendizagem que vive num bairro problemático e cuja mãe tem diversos problemas com drogas, uma família cristã do Sul dos EUA que prova o seu amor pelos mais necessitados ao dar abrigo a quem precisa - as cenas em que a personagem de Sandra Bulock conta às amigas porque ajuda o jovem dão-nos uma boa imagem de um certo tipo de pessoas que parecem viver num mundo à parte - e inclusive do desporto escolar e universitário norte-americano.

Ou seja, este «Um Sonho Possível» tinha tudo para ser um daqueles filmes que passam despercebidos. Mas felizmente não passou, pois é daqueles que nos deixam com um sorriso nos lábios quando saímos da sala de cinema e a acreditar que ainda há histórias com final feliz e quem queira contá-las.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

Feel Good Movie

Um Sonho Possível, de John Lee Hancock

Banda Sonora: Vlad The Impaler, Kasabian

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Que Se Passa Doutor?, de Peter Bogdanovich (1972)

Há já muito tempo que não me ria tanto tempo numa sala de cinema. Pelo menos que me lembre. Tudo a propósito deste «Que Se Passa Doutor?» um dos primeiros filmes realizados por Peter Bogdanovich, logo a seguir aos muito recomendáveis «Realizado Por John Ford» e «A Última Sessão». E mesmo tendo no elenco Barbra Streisand este filme é uma daquelas comédias memoráveis que partindo de uma situação simples se transforma numa autêntica balbúrdia, metendo ao barulho ladrões de jóias, documentos ultra-secretos do governo dos EUA, mafiosos e...um professor de música que apenas queria ganhar uma bolsa para estudar uma teoria que envolve música e rochas.

Mas vamos ao início. Tudo começa com uma mala com um padrão escocês, explica-nos o livro que é aberto durante o genérico do filme, mala essa que esconde documentos secretos é apanhada por alguém no aeroporto de São Francisco. O problema é que de repente surgem mais três malas iguais que vão servir de pretexto para a confusão que se segue, pois todas as personagens do filme querem a sua mala, mas ninguém sabe que há várias malas iguais em jogo.

A partir daqui temos uma comédia de enganos que não perdoa ninguém: o professor perde a noiva, perde a bolsa, perde a mala. Enfim perde tudo, o que faz desta comédia uma recuperação muito bem conseguida das screwball comedies que tanto sucesso fizeram durante o período clássico de Hollywood.

E ainda temos direito a uma espectacular perseguição pelas ruas de São Francisco e pelas suas colinas que só acaba dentro de água. Esta perseguição tem uma cena genial, quase um clássico nas comédias, que acontece quando dois homens tentam atravessar a estrada com um vidro e ao mesmo tempo têm de se desviar dos carros da perseguição. Esta sequência é simplesmente genial.

Em relação ao elenco não há grandes nomes conhecidos. Com excepção de Barbra Streisand apenas encontramos Ryan O'Neal no papel do professor e algures num dos muitos secundários é possível encontrar Randy Quaid. Uma grande descoberta que poderá ainda ser vista no próximo dia 13 na Cinemateca.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Um Lugar Para Viver, de Sam Mendes (2009)

Para o meu regresso nada melhor do que um texto sobre um dos filmes que mais gostei de ver nos últimos tempos. Falo de «Um Lugar Para Viver» o mais recente de Sam Mendes, cineasta que não me tem defraudado e de cuja obra apenas me falta ver «Caminho Para a Perdição». Dez anos depois da sua estreia com o muito recomendável «Beleza Americana», Sam Mendes brinda-nos com uma bela história de um jovem casal no início dos 30 anos, com poucas perspectivas de futuro, que se vê a braços com uma gravidez inesperada. O que nós vamos vendo é o percurso deste estranho par - o aluado Burt Farlander (John Krasinski) e a sua amada com os pés mais assentes na terra Verona De Tessant (Maya Rudolph) - à procura de um rumo para as suas vidas.

Esta busca passa por diversas etapas que correspondem a lugares que o casal percorre para tentar identificar o seu 'lugar para viver'. (Nota: esta não é a tradução literal do título. Uma vez mais as distribuidoras resolvem 'inventar' títulos. No original «Um Lugar Para Viver» é «Away We Go», que nos remete para os 'capítulos' que Sam Mendes utiliza para segmentar o filme: Away to Montreal, Away to Tucson, etc.)

Pelo caminho vão tendo conversas e vivem alguns dias com amigos e familiares mais ou menos estabelecidos na vida, que lhes dão uma imagem do que eles podem vir a ser. Sempre num tom de comédia agridoce, a lembrar alguns filmes de cinema independente que volta e meia temos a sorte de ver em sala. Estou a lembrar-me de «Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos» ou «Juno», apenas para me focar em dois exemplos mais recentes. E um dos pontos de contacto com «Juno» é a excelente banda sonora. Apesar de recorrer a um estilo de música diferente, as músicas de Alexi Murdoch, nome que não conhecia e foi uma agradável surpresa ficar a conhecer, caem muito bem.

Para rematar, este filme é uma óptima surpresa, com um Sam Mendes a regressar ao cinema mais simples, apostando em actores pouco conhecidos do cinema. Tirando Jeff Daniels e Catherine O'Hara, que interpretam os pais de Burt, e Maggie Gyllhenhaal, são poucas as caras conhecidas. O próprio par protagonista é desempenhado por duas figuras que vêm da televisão dos EUA: ele é uma das caras da versão norte-americana do «The Office» e ela é proveniente da fábrica «Saturday Night Live».

E é curioso que estamos perante um filme bastante actual, à semelhança do que já se podia constatar com «Nas Nuvens», de Jason Reitman. O que este casal atravessa e as questões que enfrentam devem passar pelas cabeças de inúmeros casais dos dias de hoje. Se daqui a uns anos a minha opinião em relação a «Um Lugar Para Viver» mudar não me admiraria muito. Mas que este, tal como «Nas Nuvens», é um filme realizado na altura certa, não haja a menor das dúvidas. Por enquanto é um dos meus favoritos de 2010.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

Banda Sonora: New Born, Muse

Sequela

Todo o fã de cinema sabe que muito raramente a sequela é melhor do que o original. Exemplos não faltarão e podia dedicar um post a este tema. Por isso não deposito grandes esperanças neste meu regresso. Assim como resolvi publicar o 'último' post a 1 de Março, resolvi agora voltar porque fiquei com pena de ter acabado um projecto que tanto acarinhei. Este período de reflexão levou-me também a constatar que escrever, ainda para mais sobre um tema que gosto, serve um pouco de escape para alguns dias que correm menos bem.

Nesse sentido este regresso vem com algumas alterações em relação à «Última Sessão» original. Em primeiro lugar o blogue vai ter menos notícias, pois é a parte que mais tempo me 'rouba'. Vou apostar mais nas críticas, nas imagens e vídeos, que tanto podem ser de trailers como de videoclips (sendo que a banda sonora continuará, mas também em moldes um pouco diferentes) ou cenas famosas, e talvez numa ou noutra reflexão para tentar promover a discussão em torno da Sétima Arte.

Outra das mudanças será a 'rubrica' banda sonora. Desta vez não será fixa, ou seja, se antes era alterada todas as segundas-feiras com base em algo mais ou menos assente na actualidade, daqui para a frente será actualizada quando calhar. Isto significa que tanto pode ser uma vez por semana, como várias vezes por semana ou mesmo menos do que isso. E não haverá um texto explicativo. A banda sonora apenas mudará consoante o estado de espírito do autor deste blogue.

Aos leitores que me lêem agradeço o vosso tempo e espero que compreendam a minha ausência. Prometo que vou tentar não vos defraudar com esta sequela. A sessão está novamente aberta.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Banda Sonora: The End, de The Doors


Este é o último post de «A Última Sessão». Iniciei-o em Novembro para escrever sobre cinema, uma das minhas paixões, mas a falta de tempo não me permitiu ter um blogue como queria e acabei por desistir. Prova disso é o facto de não escrever há já algumas semanas. Durante estes poucos meses deu-me prazer escrever e partilhar a minha visão sobre o cinema e os filmes que fui vendo. Infelizmente não consigo continuar.

Por isso este post é um adeus. Mas é um adeus não definitivo. É antes um até à próxima, pois pode ser que um dia consiga voltar a investir neste pequeno cantinho que não consegui alimentar como merecia. Talvez até num outro formato.

Quero também agradecer a todos os seguidores e aos bloggers que leram e comentaram os meus textos, em especial ao Aníbal Santiago (Rick's Cinema), ao The movie_man (Movie Wagon) e ao Sam (Keyzer Soze's Place). Vou continuar a acompanhar o vosso excelente trabalho, assim como os blogues que decidi seguir.

Para terminar este blogue, em jeito de créditos finais, escolhi a música The End, dos The Doors, com imagens da obra prima de Francis Ford Coppola Apocalipse Now. Até à próxima sessão.