quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um filme, vários posters: Juno, de Jason Reitman (2007)

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Masters of Horror: Incident on and Off a Mountain Road, de Don Coscarelli (2005)

Ao longo dos próximos dias vou estar entretido, ou assim o espero, a ver a série de televisão Masters of Horror. Para quem não conhece trata-se de um projecto idealizado por Mick Garris em 2005, que depois de organizar jantares com os melhores realizadores de cinema de terror, iniciados em 2002, resolveu convidá-los para filmarem pequenos filmes, de cerca de uma hora, para televisão. O resultado foi a série Masters of Horror, que teve duas temporadas entre 2005 e 2007, cada uma com 13 episódios. Este não é um blogue de televisão, mas como achei o projecto interessante, resolvi dedicar algum tempo a esta iniciativa. Quanto mais não seja para quem não conhece ficar a conhecer. De qualquer forma, aconselho sempre a visita ao site oficial da série. O link encontra-se no final do texto.

A estreia da primeira temporada ficou a cargo de Don Coscarelli, que adaptou um conto de Joe R. Lansdale. Em «Incidente Numa Estrada de Montanha» (nota: optei por apresentar o título original no título do post e a tradução escolhida pelo canal que está a transmitir a série para o texto) a personagem principal é a jovem Ellen (Bree Turner), que tem um acidente de noite numa estrada isolada e tem de escapar de um serial killer pelo meio de uma floresta. À medida que Ellen foge de Moonface (John DeSantis), a jovem vai-se lembrando, através de flashbacks, dos conselhos que o marido lhe deu para escapar em caso de perigo.

A premissa base não é muito original e este primeiro episódio de «Masters of Horror» não passa de um filme mediano. Temos um vilão bem conseguido e uma vítima que tudo faz para conseguir escapar, recorrendo ao que apanha à mão para o fazer. As cenas mais violentas conseguem ter algum gore, mas nada de muito exagerado, o que acaba por ser um ponto positivo, pois o filme ganha um tom realista que joga a seu favor. A forma como é feita a transição para os flashbacks, com uma fotografia diferente para o passado e outra para o presente, está também bem conseguida. O final tem um bom twist e mostra que em caso de ameaça, há quem seja capaz de reagir de forma bem inesperada.

Nota: 3/5

Site da série

Site do episódio no IMDB

Quando o Cinema inspira videoclips: Sabotage, de Beastie Boys



Música: «Sabotage»
Artista: Beastie Boys
Álbum: «Ill Communication»
Ano: 1994
Realizador: Spike Jonze
Inspiração: Séries de TV e filmes policiais dos anos 1970

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padrinho: Parte III, de Francis Ford Coppola (1990)

(crítica com spoilers para quem não viu os primeiros episódios da série)
Dizem que o último filme da trilogia é o mais fraco dos três. E na verdade é, mas não é tão mau como se diz. Apenas é um filme mediano quando comparado com as duas obras primas que lançaram as bases da saga da família Corloene. Mas mesmo assim é um bom filme. Passaram 11 anos entre a estreia dos dois últimos filmes da trilogia, mais do que a diferença que ocorreu entre os dois primeiros. Durante este período Coppola, e a sua geração de companheiros realizadores, os movie brats, passou de bestial a besta, destruindo os estúdios pelo caminho com projectos megalómanos.

É neste contexto que o realizador regressa à saga que o tornou conhecido, para filmar os últimos dias de Michael Corleone (Al Pacino) e a passagem de testemunho para a nova geração, personificada por Vincent Mancini (Andy Garcia), filho de Sonny e sobrinho de Michael. Durante este terceiro capítulo Michael, passado no final dos anos 1970 (também cerca de uma década depois dos eventos do filme anterior), está prestes a concretizar o sonho de afastar a família dos negócios ilegítimos e tenta ligar-se à Igreja Católica. Mas, uma vez mais, nem todos vêem com bons olhos esta mudança e uma nova guerra de famílias surge no horizonte, que será travada primeiro nas ruas de Nova Iorque e depois em Roma e na Sicília, onde decorre boa parte da acção final do filme.

Um dos problemas de «O Padrinho: Parte III» era um dos trunfos dois filmes anteriores: o elenco. Apesar de Coppola ter encontrado bons nomes para interpretar o último episódio da série, desta vez o resultado não foi o melhor. Certo que é complicado ombrear com os actores dos primeiros filmes, mas nomes como Andy Garcia, Eli Wallach ou Joe Mantegna podiam ter feito bem melhor. E depois houve um claro erro de casting na escolha de Sofia Coppola para o papel de Mary. Felizmente que a filha de Coppola se afastou desta carreira para começar a realizar. Safa-se uma vez mais Pacino, que mesmo assim está uns furos abaixo dos dois primeiros filmes, mas interpreta magistralmente o Don Corleone caído em desgraça e a contas com o passado.

A própria música, que tão bem funcionou nos dois primeiros filmes, desta vez também parece não estar à altura da série. Talvez a falha resida no facto de a música de Nino Rota ter sido relegada para segundo plano, em detrimento de uma composição de Carmine Coppola. Mas mesmo assim, «O Padrinho: Parte III» não deixa de ser um bom filme e, como alguém me dizia há pouco, é «um filme bastante aparte dos outros dois, que são na prática um só filme, e realmente um bocado inferior». A cena final, na ópera, é um bom exemplo de como quem sabe, não esquece. Mas ao longo do filme há muito mais para ver como termina a saga dos Corleone. E vale bem a pena ver qualquer um dos três filmes, três grandes obras do Cinema.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1974)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Se a primeira parte da trilogia «O Padrinho» é uma obra-prima indiscutível, o segundo capítulo não lhe fica atrás. A saga prossegue sete anos depois dos acontecimentos ocorridos no primeiro filme. Desta vez o padrinho é Michael Corleone (Al Pacino, uma vez mais numa interpretação genial), que tomou as rédeas do negócio de família após a morte do pai, Vito Corleone. Nesta altura já Michael, que nunca quis ter muito a ver com os negócios pouco claros da família, vê-se com um enorme poder nas mãos e torna-se tão forte como o pai fora em tempos, mas menos respeitado pelos seus inimigos. Mas o poder gera inimigos no seio da família e uma nova guerra de clãs está prestes a começar, o que faz com que o novo padrinho falhe a promessa que fez à esposa Kay (Diane Keaton), de que dentro de pouco tempo a família iria deixar os negócios ilegítimos.

Neste segundo capítulo vemos Michael a cimentar o poder da família Corleone, mas ao mesmo tempo a ficar sem a família mais próxima. Neste aspecto, todo o filme é o retrato de um homem que dá tudo para ter a família unida, mas que no final acaba sozinho. Tal como tinha acontecido há muitos anos, durante um jantar de aniversário do pai que é mostrado na cena final, uma das melhores e mais fortes do filme. Outra das histórias de «O Padrinho: Parte II» é a vida de Vito Corleone desde que sai da Sicília até formar o seu império, junto da comunidade imigrante italiana, em Nova Iorque.

O jovem Vito é interpretado por Robert De Niro, um ano após ter entrado em «Os Cavaleiros do Asfalto», de Martin Scorsese. Mas esta história e interpretação acaba de ser relegada para segundo plano, infelizmente, devido à enorme interpretação de Pacino e à própria história de Michael, que tem mais destaque. Curiosamente foi De Niro que levou para casa o Óscar para Melhor Actor Secundário. E uma vez mais, Coppola conseguiu juntar um elenco secundário de fazer inveja a muitos filmes: John Cazale, que já tinha interpretado o papel de Fredo Corleone no primeiro capítulo, neste caso está muito melhor, talvez devido ao maior protagonismo que a sua personagem tem desta vez; Michael V. Gazzo, no papel de um mafioso dos tempos da velha guarda; Lee Strasberg, mais conhecido pela sua escola de actores e por ter criado o célebre Método, que teve poucas aparições no Cinema, sendo neste caso o inimigo de Michael.

E, como não podia deixar de ser, temos de voltar a referir a excelente banda sonora assinada por Nino Rota, que já descrevi no texto sobre o primeiro tomo da saga. Agora é tempo de seguir para o terceiro e último capítulo de «O Padrinho», que dizem ser o mais fraco dos três.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

Banda Sonora: Across The Universe, de Rufus Wainwright

Across The Universe, de Rufus Wainwright (original de The Beatles) - Banda Sonora de «I Am Sam - A Força do Amor», de Jessie Nelson

domingo, 14 de agosto de 2011

O Padrinho, de Francis Ford Coppola (1972)

É difícil escrever sobre um filme como «O Padrinho». Sendo uma das obras-primas da História do Cinema, é complicado escolher por onde começar. Baseado no livro homónimo de Mario Puzo, que escreveu o argumento a meias com Francis Ford Coppola, este é o primeiro filme de uma trilogia dedicada à família Corleone, uma das cinco principais famílias mafiosas de Nova Iorque, liderada por Don Vito Corleone (Marlon Brando). Neste primeiro capítulo assistimos ao final do reinado de Don Vito, um homem para quem a honra está acima de tudo e que fecha negócios com propostas (literalmente) irrecusáveis, e à ascensão do seu filho Michael Corleone (Al Pacino) ao cargo de Don, ou Padrinho.

Só aqui temos logo um dos trunfos de «O Padrinho»: o elenco. Além dos dois nomes já citados, que dispensam apresentações (Brando faria aqui uma das suas últimas grandes interpretações e Pacino uma dos seus primeiros grandes papéis), destaque para duas excelentes interpretações. A de Robert Duvall, que não surpreende no papel do consigliere Tom Haggen, pois é um dos melhores secundários de sempre, e a de James Caan. Este sim, surpreende, dado que daquilo que conheço da sua carreira, esta é de longe uma das suas melhores interpretações. Não é à toa que esta é a única vez que foi nomeado aos Óscares foi ao interpretar o papel de Sonny. E todos estes quatro actores foram nomeados, mais do que justamente, mas só Brando ganhou a estatueta, na célebre cerimónia em que se recusou a receber o Óscar. E os grandes nomes no elenco são tantos, que podia ficar aqui para sempre a falar neles.

O argumento é brilhante e a forma como está filmado, melhor ainda. A sequência inicial do casamento, com as constantes reuniões privadas, é apenas o começo, até à excelente cena quase final do baptizado, que numa bem conseguida montagem paralela mostra como se termina um conflito. Os exemplos ao longo do filme são mais que muitos. Francis Ford Coppola conseguiu neste filme atingir aquilo que muitos duram uma carreira até conseguir: uma obra-prima, que não perde fulgor passados quase 40 anos depois da sua estreia. Nem mesmo as quase três horas de duração do filme se notam e chegando ao fim estamos capazes de pedir nova doze de três horas, sobretudo sabendo que a história ainda estava a meio. Mas isso ficará para outro texto. Resta apenas focar a excelente banda sonora, assinada por Nino Rota, que ainda hoje é trauteada e reconhecida por qualquer cinéfilo que se preze, mesmo que nunca tenha visto qualquer tomo da trilogia.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

As Férias do Sr. Hulot, de Jacques Tati (1953)

Foi em 1953 que nasceu o Senhor Hulot, a mais célebre personagem criada pela mente de Jacques Tati, realizador que com apenas cinco longas metragens marcou para sempre a comédia francesa. Nesta primeira aventura é Verão e o Senhor Hulot, como muito boa gente, vai de férias para a praia, passar uns dias num calmo hotel à beira-mar. Mas o espaço só é calmo até à chegada de Hulot, que encontramos a conduzir um carro que consegue fazer mais barulho do que os comboios que aparecem na primeira cena. E só nesta cena, em que nem aparece a personagem principal, já nos deixa a rir às gargalhadas. Depois uma porta abre-se e o caos chega ao pequeno hotel, onde nunca mais ninguém vai conseguir dormir até ao final das férias.

Tal como acontecia em «Há Festa Na Aldeia», este filme é um retrato de um pequeno microcosmos, onde todos têm o seu papel específico e as suas características são caricaturadas ao máximo. Desde o empregado de mesa com mau humor ao homem que vai de férias mas está sempre a ser chamado ao telefone para controlar os resultados da bolsa, ninguém escapa ao olhar irónico de Tati, que no meio deste cenário passa com o Senhor Hulot como se nada fosse com ele.

Filme bem disposto, perfeito para ver nesta altura do ano pois é adequado à estação, «As Férias do Sr. Hulot» volta a apostar na comédia visual, com poucos gags nos diálogos, que quase desaparecem. Desta vez Tati apenas fala para dizer o nome da personagem. Depois deste filme a personagem de Tati viria para ficar, qual Chaplin dos anos 1950 e 1960, e apenas podemos lamentar que tenha tido regressado em apenas mais três filmes, pois o estilo que impôs ficaria para sempre.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Belle du jour: Hayley Atwell

Hayley Atwell, em «Capitão América: O Primeiro Vingador», de Joe Johnston

sábado, 13 de agosto de 2011

Capitão América: O Primeiro Vingador, de Joe Johnston (2011)

Agora que Hollywood parece ter aprendido a fazer adaptações da banda desenhada de certa forma razoáveis (sobretudo quando comparado com tentativas no passado bastante dispensáveis), o filão dos super-heróis parece quase inesgotável. O mais recente a chegar aos cinemas é Capitão América, o mais patriota dos super-heróis norte-americanos, criado durante a II Guerra Mundial como propaganda. Certo é que a personagem sobreviveu ao conflito e ainda hoje é um dos heróis de sucesso da Marvel.

Em «Capitão América: O Primeiro Vingador» Joe Johnston filma o nascimento do super-soldado mais tarde baptizado de Capitão América. E este super-soldado é Steve Rogers (Chris Evans, actor que já interpretou o Homem Tocha nos dois filmes da série «Quarteto Fantástico»), um jovem franzino que tenta mil e uma coisas para ir para o exército dos EUA combater nazis na Europa. Mas se não consegue passar na inspecção, tem a sorte de ser escolhido para ser cobaia de uma experiência, que o irá tornar no tal super-soldado, cheio de músculos, que irá ser a arma secreta para defrontar Johann Schmidt (Hugo Weaving), um militar nazi com planos próprios que não incluem necessariamente a presença de Adolf Hitler.

Ao ver este «Capitão América» fez-me lembrar um pouco o «Thor», de Kenneth Branagh, também estreado recentemente e que faz parte desta série de «Os Vingadores», que irá ter direito a um filme com todos estes super-heróis em 2012. Não só a nível da fotografia, bastante semelhante em ambos os filmes, como nos cenários, que parecem mesmo como os universos da banda desenhada, que são cenários que não existem, mas podiam existir. Outra semelhança entre os dois filmes é um aspecto curioso: o vilão está muito melhor do que o super-herói. Uma vez mais Hugo Weaving demonstra que é daqueles actores perfeitos para encarnar o mau da fita. Neste caso só peca por ter um sotaque irritante, que faz lembrar um pouco Arnold Schwarzenegger. Mesmo assim o resultado está um pouco melhor do que o filme do deus nórdico e garante um bom entretenimento, sem maçar muito, perfeito para esta época do ano, em que os blockbusters teimam em invadir as salas. Se todos fossem assim, já não era mau.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Missão a Marte, de Brian De Palma (2000)

É verdade que a carreira de Brian De Palma já teve melhores dias e por estes dias é cada vez mais raro estrear um novo filme deste grande cineasta, que fez grandes obras primas durante as décadas de 1970 e 1980. Na primeira década deste século o currículo de De Palma apenas conta com quatro filmes, sendo «Missão a Marte» o primeiro a chegar às salas, logo em 2000. E a par de «Mulher Fatal» será talvez o seu filme mais fraco deste período, durante o qual apenas nos deu a ver «Dália Negra» e «Censurado».

Tal como o próprio nome indica, o filme relata uma missão de uma equipa de astronautas ao planeta Marte. O objectivo é resgatar o sobrevivente de uma outra equipa de exploradores espaciais, que foi apanhado no meio de um estranho fenómeno que acabou por matar os seus companheiros. Além de ser um filme de ficção científica, género raro, se não mesmo inexistente na restante obra de De Palma, «Missão a Marte» é também um drama sobre as relações, de amizade e amor, entre os astronautas que se conhecem há vários anos e se vêem envolvidos numa missão de vida ou de morte, num ambiente em condições hostis e pouco amigáveis para o ser humano.

Mesmo estando num território pouco comum, De Palma consegue levar o filme a bom porto, mas está bem longe do seu melhor. «Missão a Marte» não é uma obra para os fãs de ficção científica pura e dura, antes um filme que apela ao público em geral, que não goste deste género, o que acaba por jogar contra o filme, que às tantas não consegue encontrar equilíbrio entre os dois mundos e perde-se um pouco. Mas podemos contar com bons efeitos especiais e uma história que podia ser melhor (o fim é uma pequena desilusão), bem diferente do que o realizador nos habituou há muitos anos atrás.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Maus como as cobras: Desolation Williams

Desolation Williams (Ice Cube) em «Fantasmas de Marte», de John Carpenter

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Há Festa Na Aldeia, de Jacques Tati (1949)

Apesar da sua curta carreira (seis filmes, um dos quais para televisão, e duas curtas metragens) como realizador, Jacques Tati deixou uma marca bastante original na história do cinema francês. «Há Festa Na Aldeia», realizado em 1949, foi a sua primeira longa-metragem para Cinema, depois de duas curtas. Neste filme Tati ainda não interpreta o Senhor Hulot, personagem que o tornou famoso, mas o carteiro François, figura que já tem algumas características do que seria no futuro o já referido Senhor Hulot, nomeadamente os gags visuais. Neste caso, complementados por diálogos, algo que não acontece tanto nos filmes protagonizados por Hulot.

Em «Há Festa Na Aldeia» encontramos o François na sua tarefa quotidiana da entrega de cartas numa pequena aldeia, no dia em que se realiza a festa anual da povoação. Além de carteiro François é também um verdadeiro homem dos sete ofícios (dêem-lhe algo para arranjar e ele resolve o problema), o que acaba por atrasar consideravelmente a entrega da correspondência. Mas é durante a festa da aldeia e com a chegada dos donos de um carrossel e de bancas de jogos que vai piorar a situação. Entre paragens para beber um copo de vinho e ajudar quem precisa de ajuda, François é convidado para ver um filme sobre os carteiros americanos e os seus métodos de trabalho, completamente diferentes dos que está habituado. E vê-lo a fazer a volta à americana é um delírio, só ao alcance de poucos.

Tal como na sua restante obra, este é um filme que vive muito dos gags visuais. Alguns não têm nada de novo, como as cenas da mosca, mas há outros, quase sempre protagonizados também pela bicicleta de François na segunda metade do filme, que estão muito bem conseguidos. Acaba por fazer lembrar alguns filmes mais clássicos, do período mudo, que viviam muito deste tipo de sequências. Mas, como boa comédia que se preze, tem também algumas boas falas para nos arrancar alguns sorrisos. E como sabemos que as personagens de Tati nunca foram de muitas palavras, nada como estar atento aos sábios reparos de uma anciã, que conhece todos na aldeia e funciona como uma espécie de narradora. «Há Festa Na Aldeia» ainda não é Tati no seu máximo, mas é uma bela porta de entrada no seu universo.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Frase(s) que marcam um filme: A Cor do Dinheiro, de Martin Scorsese (1986)

Eddie Felson: This ain't pool. This is for bangers. Straight pool is pool. This is like hand-ball, or cribbage, or something. Straight pool, you gotta be a real surgeon to get 'em, you know? It's all finesse. Now, every thing is nine-ball, 'cause it's fast, good for T.V., good for a lot of break shots... Oh, well. What the hell. Checkers sells more than chess.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Em Cartaz: Semana 11/08/2011

A Viagem do Director, de Eran Riklis
Os Smurfs, de Raja Gosnell
Tinhas Mesmo Que Ser Tu, de Anand Tucker
Sem Remorsos, de Elliott Lester
Planeta dos Macacos: A Origem, de Rupert Wyatt

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Um filme, vários posters: Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola (1979)

Alemanha

Bélgica

Dinamarca

EUA

EUA

EUA

França

Itália

Japão

Japão

Japão

Polónia

Reino Unido

Reino Unido

Reino Unido

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Quando o Cinema inspira videoclips: The Universal, de Blur



Música: «The Universal»
Artista: Blur
Álbum: «The Great Escape»
Ano: 1995
Realizador: Jonathan Glazer
Inspiração: «Laranja Mecânica», de Stanley Kubrick

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Banda Sonora: Heart of Glass, de Blondie

Heart of Glass, de Blondie, banda sonora de «Super 8», de J.J. Abrams

domingo, 7 de agosto de 2011

Belle du jour: Alexis Bledel

Alexis Bledel em «A Conspiradora», de Robert Redford

sábado, 6 de agosto de 2011

Super 8, de J.J. Abrams (2011)

O burburinho em torno de «Super 8», o mais recente filme de J.J. Abrams, criador da série «Perdidos», é um pouco exagerado. Nem é um dos melhores filmes do ano, nem um dos piores. As expectativas criadas em torno do filme foram tantas, que quase se pode dizer que a montanha pariu um rato. Isto não quer dizer contudo que «Super 8» não seja um bom filme quando comparado com a maioria dos blockbusters vindos dos EUA e com as estreias que já ocorreram e estão para chegar no resto do Verão.

O filme é uma homenagem a um certo tipo de cinema que se fazia nos anos 1980 (será este mais um sinal da febre que nos faz regressar aquela década?), centrado num grupo de miúdos que tem de se entreter durante as férias de Verão, até que um evento qualquer acaba por tornar umas pacatas férias em algo que lhes ficará para sempre na memória. Neste caso os miúdos de «Super 8» pertencem a um grupo de amigos que quer fazer um filme de zombies com uma câmara daquele formato. E as rodagens correm bem até que um acidente de comboio militar liberta algo que vai aterrorizar a pequena comunidade onde tudo se passa.

A história de «Super 8» é boa e todo o elenco, sobretudo os miúdos, têm boas interpretações. Mas se J.J. Abrams consegue manter o suspense durante boa parte do filme, e até consegue provocar bons sustos em algumas das cenas, o desenlace do filme acaba por saber a pouco, pois não é de todo imprevisível. Apesar de uma boa caracterização da época (os pormenores da música, roupa e mesmo alguns clichés dos filmes daquela altura passados em pequenas cidadezinhas estão lá), o filme não consegue ir mais além do que isso e nota-se que podia ir bem mais longe. Até as personagens secundárias precisavam de ser um pouco mais aprofundadas.

«Super 8» entende-se como uma boa homenagem aos heróis de J.J. Abrams e é bom para ver como filme de Verão. Mas não é muito mais do que isso. Já agora, quem quiser ver o resultado final da experiência do grupo de miúdos convém aguentar antes de sair da sala, pois o filme é mostrado durante os créditos.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Maus como as cobras: Chanceler Adam Sutler

Chanceler Adam Sutler (John Hurt) em «V de Vingança», de James McTeigue

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Frase(s) que marcam um filme: A Vida É Um Jogo, de Robert Rossen (1961)

Big John: You Eddie Felson.
Fast Eddie: Who's he?
Big John: What's your game? Whaddaya shoot?
Fast Eddie: You name it, we shoot it.
Big John: Look, friend, I'm not trying to hustle. I don't never hustle people that walk in a poolroom with leather satchels. Don't try to hustle me.
Fast Eddie: Okay, I'm Eddie Felson. I shoot straight pool.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Em Cartaz: Semana 04/08/2011

Angèle e Tony, de Alix Delaporte
Animais Unidos, de Reinhard Klooss e Holger Tappe
Capitão América: O Primeiro Vingador, de Joe Johnston
Chefes Intragáveis, de Seth Gordon

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Para onde vão os espectadores do Cinema português?

É tema recorrente em inúmeras discussões sobre o Cinema que se faz em Portugal vir à baila a questão da falta de público do Cinema português. Por curiosidade abri hoje o e-mail da newsletter do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), coisa que confesso ser raro fazer, e resolvi ver os dados sobre as receitas de bilheteira e os filmes mais vistos, números relativos aos filmes estreados durante o primeiro semestre de 2011. Qual não foi o meu espanto ao ver que o filme português mais visto, «Complexo Universo Extraordinário», teve apenas 17.102 espectadores, seguido de longe de «A Cidade dos Mortos» e «48», com 6.777 e 3.135 espectadores, respectivamente. Curiosamente são três documentários, algo estranho num país onde é bastante raro este tipo de filmes chegar ao circuito comercial. Só no início do ano estrearam 7. O mesmo número de filmes não atingiu sequer a fasquia dos mil espectadores.

Ao olhar para estes números questionei-me se há ou não público para os filmes portugueses. Aparentemente não e eu faço mea culpa, pois dos 16 filmes que surgem no ranking (num outro quadro o ICA refere que estrearam 14 filmes portugueses...) apenas vi 3, dois dos quais em festival. Mas quando há tanta gente por aí a defender o cinema que se faz por cá, porque razão não há espectadores nas salas de cinema para ver estes filmes?

Será por falta de promoção? Não me parece, pois alguns dos filmes, casos de «América», «Viagem a Portugal» ou «Complexo Universo Paralelo», tiveram alguma exposição mediática e pelo menos em Lisboa havia publicidade às estreias nas ruas. Os dois primeiros, que tive oportunidade de ver no IndieLisboa, tiveram sala cheia e foram ovacionados e bastante aclamados nas respectivas projecções. Total de espectadores dos dois filmes depois da estreia: 3369 espectadores.

Será por falta de nomes conhecidos no elenco ou na ficha técnica? O mais recente filme de Manoel de Oliveira, «O Estranho Caso de Angélica», foi visto em sala por 2.396 espectadores. «Budapeste», adaptação de um livro bastante popular de Chico Buarque, teve uma audiência de 2.290 espectadores. O documentário «Com Que Voz» sobre a vida de Alain Oulman, um dos nomes ligados à música de Amália Rodrigues, teve 2.063 espectadores.

Será por não serem demasiado comerciais, como muitos defendem que o Cinema português deve ser? Reportando uma vez mais aos filmes que vi, «América» encaixa-se perfeitamente nesta categoria, e falhou redondamente ao ter apenas 1500 espectadores. Nem um elenco com Fernando Luís, actor bastante popular na TV, e com Raul Solnado, naquele que seria o seu último papel em Cinema, salvou o filme, para mim um dos melhores filmes portugueses que tive oportunidade de ver nos últimos anos. E é uma enorme pena não ter sido visto por mais gente.

Será pelo preço dos bilhetes? No meu caso é e confesso que o meu problema foi ter-me habituado ao Cartão Medeia (para quem não conhece, trata-se de uma iniciativa dos cinemas Medeia que permite ver os filmes estreados nas salas da distribuidora, at+e dois por dia, pagando uma mensalidade ou anuidade). Mas se não fosse esta possibilidade, penso que não veria tantos filmes como vejo actualmente, mesmo com a queda da oferta que se tem verificado nos últimos tempos. Se hoje consigo ver dois ou três filmes no cinema durante o fim-de-semana é graças ao cartão. Se tivesse de pagar 5 ou 6 euros por bilhete, sem contar com o 3D, que quando nos é impingido aumenta consideravelmente o preço dos bilhetes, penso que iria apenas uma vez por semana ao cinema.

Podia juntar aqui inúmeros factores que todos poderiam ser válidos: qualidade, gosto das pessoas, estreias em poucas sessões, preconceito (porque não?) e por aí fora. Temo é que com as propostas do actual governo, que segundo se diz pondera deixar de subsidiar filmes de realizadores que não compensam nas bilheteiras, o futuro do Cinema português ficará ainda mais negro do que é actualmente. E, já agora, o que terá a recentemente criada Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas a dizer sobre esta questão? Para mim, ver estes dados deixam-me triste.

Os dados a que me reporto podem ser vistos aqui. E em jeito de provocação fica um trecho de alguém que sabia como poucos fazer Cinema em Portugal.

Um filme, vários posters: Salvador, de Oliver Stone (1986)

Alemanha

EUA

Espanha

EUA

França


Japão

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quando o Cinema inspira videoclips: Low Shoulder, de Toro Y Moi



Porque descobri agora este excelente videoclip, de uma banda que conhecia vagamente, resolvi criar uma nova secção no blogue dedicada a vídeos musicais que foram buscar inspiração à Sétima Arte. Este é o primeiro, pertencente a Toro y Moi (confesso que não sei se é um artista a solo ou uma banda, perdoem a minha ignorância). «Low Shoulder» foi realizado pela dupla Elisha Smith-Leverock e Chris Murdoch e é inspirado em filmes de terror italianos.

The Boss Of It All, de Lars von Trier (2006)

Polémico q.b., goste-se ou não (e há tantas razões para gostar ou odiar a obra dele) Lars von Trier é um realizador que gosta de testar. Não só os limites do espectador, mas também a forma de filmar. Uma das suas experiências mais conhecidas talvez seja o movimento Dogma 95, criado por cineastas dinamarqueses em 1995 em defesa de um cinema mais realista e menos comercial, com bastantes restrições a nível da utilização de meios técnicos e tecnológicos nos seus filmes. A sua fama de mau carácter e desbocado, veja-se o que aconteceu na última edição de Cannes, leva-o a ser visto com maus olhos por muito boa gente. E uma experiência, a vários níveis, é o que se pode considerar «The Boss Of It All», comédia pouco conhecida de von Trier realizada em 2006, que serviu também para o realizador testar uma técnica denominada Automavision, através da qual um computador decide quando é que a câmara se move, depois de ter sido posicionada. Esta característica leva a que muitos dos planos surjam no mínimo estranhos, mas no conjunto do filme o resultado acaba por ser o mais adequado. Para mais pormenores sobre a técnica, aconselho uma vista de olhos no site oficial do filme.

O filme retrata a história de Kristoffer (Jens Albinus), um actor falhado, adepto de uma estranha técnica teatral criada por Gambini, que é contratado pelo dono de uma empresa para fazer de presidente dessa mesma empresa, um personagem que o próprio dono companhia inventou para justificar as suas acções, bastante censuráveis do ponto de vista ético. A chegada do presidente, que não é, tem também outro propósito: ajudar o dono da empresa a vender a companhia a um empresário islandês, pois quem tem de assinar o contrato é o presidente. Mas a chegada do boss of it all vem mudar completamente a vida da empresa, sobretudo quando os funcionários começam a questionar algumas situações do passado, que supostamente tinham sido da responsabilidade do presidente, mas tinham sido de facto ordens do dono da empresa, que no fundo apenas não queria arcar com as responsabilidades.

O argumento parece ser um pouco confuso, mas não é e esta experiência de von Trier quase que se pode assemelhar a um episódio da versão britânica da série «The Office», do saudoso Ricky Gervais. Só falta mesmo ser filmada num registo de falso documentário. Os imbróglios causados pela situação em que Kristoffer se vê envolvido são tantos, que este filme acaba por ser também uma crítica aos empresários sem escrúpulos, que tudo fazem para ganhar dinheiro à custa dos outros, sem se preocuparem com o que lhes vai suceder. E à medida que o filme vai avançando e se afeiçoa aos seus falsos subordinados, os seus dilemas são tantos, que tudo culmina numa das cenas de tensão mais cómicas de sempre.

E «The Boss Of It All», no seu universo tão estranho (e se calhar tão incrivelmente real, como só a realidade por vezes consegue ser) é uma das comédias sobre o universo do trabalho num escritório mais bem conseguidas, absurdas e inteligentes dos últimos tempos. Para quem não gostar, o próprio von Trier, que por vezes vai aparecendo para dar indicações ao espectador, despede-se com uma boa conclusão, numa das suas muitas provocações que continuam a surpreender meio mundo quando o louco realizador dinamarquês abre a boca.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Banda Sonora: Blame It On The Kellys, de Waylon Jennings

Blame It On The Kellys, de Waylon Jennings, banda sonora de «Ned Kelly», de Tony Richardson