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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras , de Guy Ritchie (2011)

Há uns anos atrás, quando Guy Ritchie foi anunciado como realizador de mais uma adaptação de Sherlock Holmes ao Cinema, muitos terão pensado que o resultado final não seria o melhor. Apesar de essa primeira adaptação do universo da personagem criada por Sir Arthur Conan Doyle poder ser considerada pouco convencional para quem estava à espera de um regresso ao final do século XIX, o primeiro «Sherlock Holmes» não foi mau de todo. O resultado acabou por nos dar um novo olhar sobre uma personagem que talvez já tivesse demasiado agarrada a um cliché. Tal como noutros casos, e assim de repente lembro-me da recente do Tintim de Steven Spielberg, penso que este filme de ser visto como um olhar pessoal de um realizador sobre uma obra que está bastante enraizada na cultura popular.

Dois anos depois, Guy Ritchie, Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) e Jude Law (John Watson) voltam (mais ou menos) ao mesmo cenário, mas desta vez o resultado não esteve à altura do original de 2009 e é mais fraco. A magnífica Londres do primeiro episódio é trocada por uma espécie de digressão europeia por várias cidades, que culmina numa batalha final entre Holmes e o seu arqui-inimigo Professor James Moriarty (Jared Harris) no mais previsível dos países. Uma vez mais a dupla de protagonistas volta a resultar bem e duvido que se trocassem o par conseguissem satisfazer os fãs do primeiro filme. Algumas cenas de acção estão também bem conseguidas, apenas um pouco mais exageradas quando comparamos com o primeiro «Sherlock Holmes».

O grande problema deste segundo episódio da série é o argumento, bastante fraquinho e sem ponta por onde se lhe pegue. Não quero aprofundar esta parte, para não fazer spoiler, mas quem vir terá de concordar que o desenrolar da trama e o centro da mesma, parece um pouco forçado. A isto juntam-se secundários que não estão à altura dos protagonistas. Mesmo Jared Harris, cujo Moriarty prometia tanto no filme anterior, parece que não entrou bem na personagem. Talvez o facto de no primeiro ser uma personagem mais misteriosa o tivesse prejudicado neste segundo capítulo.

Para primeiro blockbuster do ano, parece-me que «Sherlock Holmes: Jogo de Sombras» foi um tiro em falso e muito provavelmente os resultados de bilheteira irão ditar a continuação ou o fim da série, que tinha tudo para vingar (uma dupla de grandes actores que funciona bem, boas histórias, um vilão genial, um imaginário bem conseguido, etc.), mas acabou por se espalhar ao comprido neste segundo episódio. Será que Ritchie falhou nesta sequela, tal como muitas bandas falham no momento de gravar o mítico segundo álbum?

Nota: 2/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

sábado, 17 de setembro de 2011

Maus como as cobras: Connor Rooney e Harlen Maguire

Connor Rooney (Daniel Craig), em «Caminho Para Perdição», de Sam Mendes

Harlen Maguire (Jude Law), em «Caminho Para Perdição», de Sam Mendes

sábado, 29 de janeiro de 2011

Inimigo às Portas, de Jean-Jacques Annaud (2001)

1998 foi o ano em que Hollywood voltou às grandes produções da II Grande Guerra, com «O Resgate do Soldado Ryan», de Steven Spielberg, e «A Barreira Invisível», de Terrence Mallick, curiosamente ambos passados em cenários diferentes do conflito. Em 2001 surgiram outras duas grandes produções sobre o mesmo tema: «Pearl Harbor», de Michael Bay, e este «Inimigo às Portas», de Jean-Jacques Annaud. Uma vez mais relatando episódios distintos.

No caso do filme do realizador francês a história consiste num episódio ocorrido durante a batalha de Estalinegrado, uma das batalhas fulcrais para o desfecho da II Guerra Mundial. Este episódio foi o duelo entre dois atiradores dos dois exércitos em conflito (Nazi e Soviético): o soldado soviético Vassili Zaitsev (Jude Law) e o major alemão König (Ed Harris).

Apesar de não ter grandes interpretações, um dos grandes trunfos de «Inimigo às Portas» reside no facto de conseguir ir para além do 'simples' duelo entre os dois militares. O argumento escrito por Jean-Jacques Annaud e Alain Godard dá-nos uma boa imagem de como funcionava a máquina de propaganda soviética, muito graças à personagem do Comissário Danilov (Joseph Fiennes), que descobre Vassili e se encarrega de fabricar o herói que depois iria ser utilizado para incentivar a mãe pátria. E é notável a forma como a propaganda da altura quis fazer deste duelo uma outra faceta da luta entre classes: Vassili, que era definido como o pastor dos Urais, e a elite alemã representada por König.

Não tendo batalhas tão bem conseguidas como as dos dois filmes citados no início deste artigo, «Inimigo às Portas» não deixa contudo de ser um bom filme recente sobre a II Guerra Mundial, período histórico que teve um grande filão de obras nos anos 1950 e 1960 e que depois foi desaparecendo aos poucos do Cinema. E desta vez vale pela curiosidade de ser um filme europeu que aborda um dos cenários do conflito menos focado neste tipo de filmes.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 26 de dezembro de 2009

Sherlock Holmes, de Guy Ritchie (2009)

Guy Ritchie tem, na minha opinião, um defeito de alguns realizadores: os seus filmes são bastante parecidos e por vezes cansa estar sempre a ver a mesma coisa. Não é que neste caso canse. Os filmes do realizador britânico, que ganhou fama com os dois muito recomendáveis «Um Mal Nunca Vem Só» e «Snatch - Porcos e Diamantes», têm a dose certa de entretenimento e são bem filmados.

Para este ano a proposta foi uma revisitação do imaginário de Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e o seu companheiro Watson (Jude Law), de uma forma bastante original. Por isso esqueçamos a imagem mais conhecida do detective criado por Sir Arthur Conan Doyle. O Sherlock Holmes de Guy Ritchie é alcoólico, entra em lutas ilegais nos lugares mais escuros de Londres e tem sempre resposta para todos, com muita ironia à mistura. Já o seu fiel companheiro Doutor Watson não está mais longe do conhecido: é viciado no jogo.

Isso não impede a dupla de ser bastante requisitada para resolver mistérios, por vezes a convite das próprias autoridades. E por falar em dupla, a interpretação dos actores que a compõe ficará como uma das grandes duplas do ano na Sétima Arte. Voltando à história, em «Sherlock Holmes» Guy Ritchie conta a investigação de uma conspiração que envolve uma sociedade secreta com inspiração nos poderes ocultos que vai ser desvendada pelos dois detectives que vivem em Baker Street. Pelo meio acompanhamos a saída de casa de Doutor Watson, que se vai casar, e o reencontro de Sherlock com uma antiga amante (Rachel McAdams), uma vigarista que segundo Watson foi a única pessoa a enganar o seu amigo.

Outra das diferenças em relação a outras encarnações de Sherlock Holmes é o lado mais negro da personagem. Já aqui referi o alcoolismo e o abuso na ironia, mas é nas lutas e perseguições que mais surge a marca de Ritchie. Filmadas ora em câmara lenta, ora em sequências mais rápidas, há um pormenor que está bastante conseguido. Aproveitando as capacidades de dedução do detective, em algumas destas cenas a acção pára e entramos na cabeça de Sherlock Holmes que analisa o que acontece quando se prepara para atacar um adversário. Um pormenor bastante engraçado.

Com este «Sherlock Holmes» Guy Ritchie volta a mostrar cartas e prova que é um realizador que apesar de não ser dos melhores do mundo consegue ser original na abordagem que faz aos seus filmes. E Robert Downey Jr. apresenta uma interpretação muito boa depois de já este ano ter arrancado uma excelente presença em «O Solista».

«Sherlock Holmes» será sem dúvida um dos bons filmes a reter deste final do ano e prepara-se já uma sequela como deixa antever o final do filme, ao apresentar o arqui-inimigo de Sherlock, o Professor Moriarty. Se a receita se mantiver, o sucesso e o entretenimento estará garantido.

Nota: 3/5

Site oficial do filme