domingo, 31 de outubro de 2010

O Matador, de Richard Shepard (2005)

Há filmes que vemos sem grandes expectativas e acabam por ser boas surpresas. «O Matador» é um desses casos. Não sendo um grande filme, antes uma obra razoável, nada de especial mas que conta com uma boa prestação de Pierce Brosnan, a qual lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro. Realizado em 2005, dois anos depois de deixar de ser James Bond e ainda na ressaca do espião mais conhecido de Sua Majestade, o actor irlandês interpreta Julian Noble, um assassino por contrato longe dos seus melhores dias e que começa a falhar as suas missões.

Nessa altura, quando está no bar a afogar as mágoas, cruza-se na Cidade do México com um empresário azarado (Greg Kinnear) que está na capital mexicana para fechar um negócio que irá mudar a sua carreira para melhor. É esta dupla que toma conta do filme, apesar de «O Matador» se centrar sobretudo na personagem de Pierce Brosnan. Como referi antes, não é um grande filme, mas a interpretação de Brosnan está muito boa e acaba por valer a pena a hora e meia de duração do filme.

Realizado por Richard Shepard, que tem uma carreira de certa forma irregular iniciada em 1990, mas que passou na maior parte pelo circuito de vídeo ou por séries de televisão. «O Matador» talvez seja mesmo a sua obra mais conhecida. Destaque ainda para uma montagem bem feita, sem grandes sobressaltos, o que poderia acontecer dado a 'profissão' de Julian Noble. Mesmo nas suas constantes viagens, o realizador optou por um método bastante eficaz de apresentar o essencial sem se perder em pormenores desnecessário.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

Banda Sonora: The Who, My Generation

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Formiga Z, de Eric Darnell e Tim Johnson (1998)

Com «Formiga Z» a Dreamworks estreou-se em 1998 no campo da animação. E a estreia fica marcada pela presença de um enorme elenco de nomes conhecidos para dar voz às personagens. De Woody Allen na neurótica formiga Z, a personagem principal, a Sylvester Stallone (o melhor amigo de Z, Weaver), passando por Gene Hackman (General Mandible), Anne Banncroft (Queen), Danny Glover (Barbatus), Sharon Stone (Princess Bala) ou Christopher Walken (Colonel Cutter).

Z é a formiga protagonista do filme. Pertencente à classe operária, Z apaixona-se pela Princesa Bala quando esta foge da sua vida de realeza para se divertir num bar. Este encontro de uma noite só acaba por levar a formiga Z a fazer tudo por tudo para voltar a ver a sua paixão. E para tal pede ajuda ao seu amigo Weaver, uma formiga soldado, para trocar de posto por um dia para poder rever Bala. Só que precisamente nesse dia em que Z entra para o exército, o vilão General Mandible resolve partir para a guerra contra as térmitas. Nessa batalha Z acaba por ser a única formiga que sobrevive e começam os equívocos que acabam por levar a um rapto forçado e a uma revolução no mundo da colónia.

«Formiga Z» é mais um exemplo do filme de animação para crianças que tenta piscar o olho a um público mais adulto. De início até consegue, pois a escolha de Woody Allen para dar voz à formiga protagonista com os seus dilemas existenciais, que às tantas parecem mesmo tirados de um filme do nova-iorquino, assenta bem. Mas aos poucos o argumento perde um pouco a chama e acaba por se tornar um pouco confuso e em algumas partes parece que alguém tirou algumas cenas que dariam alguma coerência à história. E a revolução das formigas é demasiado instantânea, se assim se pode dizer, para convencer.

O resultado é um filme fraco, que poderia ter aproveitado melhor o elenco e as vozes que reuniu para arranjar um argumento mais forte. A própria animação digital ainda não estava muito desenvolvida, mas se nos lembrarmos que dois anos antes, em 1996, a Pixar já tinha feito maravilhas com o primeiro «Toy Story», esta espécie de resposta por parte da Dreamworks tinha 'obrigação' de tentar fazer melhor.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Em Cartaz: Semana 28/10/2010

O Último Verão da Boyita, de Julia Solomonoff
Ondine, de Neil Jordan
Actividade Paranormal 2, de Tod Williams
É a Vida, de Greg Berlanti
Quero Ser uma Estrela, de José Carlos de Oliveira
The Big 4, de Nick Wickham

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

«Thiller» de Michael Jackson chega ao grande ecrã

Por estes dias soube-se que Michael Jackson é a celebridade morta que mais dinheiro faz. Talvez por isso não seja de estranhar uma notícia publicada pelo site Deadline que refere que está prestes a ser produzido um filme baseado no vídeo de «Thriller», filmado nos anos 1980 para o Rei da Pop por John Landis e que continua a ser um marco na área dos videoclips.

Na cadeira de realizador estará Kenny Ortega, que foi o responsável por «This Is It», o documentário com imagens dos ensaios daqueles que seriam os últimos concertos de Michael Jackson. O argumento, que vai centrar-se na personagem que no videoclip era interpretada por Vincent Price, vai ficar a cargo de Jeremy Garelick («A Ressaca»).



Abbas Kiarostami no Estoril

O realizador iraniano Abbas Kiarostami vai estar no Estoril Film Festival, tornando-se o mais recente nome anunciado para o festival que se realiza entre os dias 5 e 14 de Novembro. Além de Kiarostami, já está confirmada a presença de Vicente Molina Foix, Stephen Frears, Otar Iosseliani, Elia Suleiman, Anton Corbijn, Mathieu Amalric, Andrei Ujica e Douglas Gordon.

Entretanto também já foi divulgada a lista dos filmes na secção competitiva e dos filmes fora de competição no Estoril Film Festival:

FILMES EM COMPETIÇÃO

«Copacabana», de Marc Fitoussi
«A Espada e a Rosa», de João Nicolau
«In the Shadow», de Thomas Arslan
«Aurora», de Cristi Puiu
«Autobiography of Nicolae Ceasescu», de Andrei Ujica
«Dad», de Vlado Skafar
«La Vida Sublime», de Daniel Villamediana
«Songs of Tomorrow», de Jonas Holmstrom e Jonas Bergergard
«Reverse Motion», de Andrei Stempkovsky
«Io Sono Tony Scott», de Franco Maresco
«Tilva Ros», de Nikola Lezaic
«Poursuite», de Marina Deak

FILMES FORA DE COMPETIÇÃO

«I`m Still Here», de Casey Affleck
«The American», de Anton Corbijn
«Scott Pilgrim vs. The World», de Edgar Wright
«Machete», de Robert Rodriguez
«You Will Meet a Tall Dark Stranger», de Woody Allen
«Copie Conforme», de Abbas Kiarostami
«Tournée», de Mathieu Amalric
«Yves Saint Laurent - Pierre Bergé, L`Amour Fou», de Pierre Thoretton
«Caterpillar», de Koji Wakamatsu
«Bal», de Semih Kaplanoglu
«Chantrapas», de Otar Iosseliani
«Poetry», de Chang-dong Lee
«Road to Nowhere», de Monte Hellman
«The Kids are All Right», de Lisa Cholodenko
«Trash Humpers», de Harmony Korine
«Winter`s Bone», de Debra Granik
«Au Fond Du Bois», de Benoit Jacquot

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Siza Vieira apresenta «Tempos Modernos» de Chaplin

Álvaro Siza Vieira estar presente na próxima sexta-feira, dia 29 de Outubro, no auditório da Casa de Camilo Castelo Branco, em S. Miguel de Seide, Famalicão, para apresentar uma sessão de «Tempos Modernos». O arquitecto português, autor do projecto do auditório onde será exibido o clássico de Charlie Chaplin, é o convidado deste mês da iniciativa «Um Livro, Um Filme», iniciativa mensal da Casa-Museu de Camilo, que reúne naquele espaço uma figura pública para falar sobre cinema. A entrada é gratuita.

Cinema mudo português em Pombal

A Câmara Municipal de Pombal vai organizar, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, um ciclo de cinema mudo português. Intitulado «Singularidades», o ciclo decorre entre 29 e 31 de Outubro no Auditório Municipal de Pombal (edifício da Biblioteca Municipal) e no Teatro-Cine de Pombal. A entrada é gratuita, mas os interessados devem reservar os convites através do número de telefone 236 210 540, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

Programa
Dia 29 - 6.ª feira, 21h30, Auditório Municipal de Pombal
A Dança dos Paroxismos, de Jorge Brum do Canto, 1929 - 39’
Os Lobos, de Rino Lupo, 1923 - 83’

Dia 30 - Sábado, 21h30, Teatro-Cine de Pombal
Maria do Mar, de Leitão de Barros, 1930 - 104’
Com acompanhamento musical ao vivo por Bernardo Sasseti e Orquestra das Beiras (no âmbito da Programação CULTREDE - Arte para Todos)

Dia 31 - Domingo, 21h30, Auditório Municipal de Pombal
Douro, Faina Fluvial, de Manoel de Oliveira, 1931 - 19’
Lisboa, Crónica Anedótica, de Leitão de Barros, 1930 - 125’

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sugestão para o serão



Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho, às 21h30 no canal Hollywood.

20 anos de IMDB

Não é um realizador de culto, um filme premiado ou um actor que brilha em qualquer papel mas faz parte da cultura cinematográfica. O site Internet Movie Database, IMDB para os cibernautas cinéfilos, acaba de comemorar 20 anos ao serviço dos amantes da Sétima Arte, que podem aqui desfazer praticamente qualquer dúvida sobre cinema. Criado por Col Needham a 17 de Outubro de 1990, o IMDB é visitado actualmente por cerca de 57 milhões de pessoas todos os meses, o que é obra.

Nesta autêntica enciclopédia cinematográfica é possível encontrar mais de 3,2 milhões de entradas sobre os protagonistas dentro e fora do grande ecrã e 1,5 milhões de títulos, não só de filmes, mas também de séries de televisão. A primeira versão do site, que nasceu a partir de uma base de dados com todos os filmes vistos por Cold Needham tinha apenas cerca de 23 mil entradas sobre 10 mil filmes.

Mas o que começou por ser apenas uma base de dados sobre cinema é hoje em dia mais do que isso, devido às suas características interactivas, que surgiram na Internet antes das redes sociais, e à apresentação das notícias e trailers mais recentes. Durante os 20 últimos dias antes do dia 17, desde que o site começou a comemorar oficialmente a data, foram publicados um vídeo por dia onde alguém ligado ao mundo do Cinema falava sobre o IMDB. Estes vídeos podem ser vistos aqui.

E parabéns atrasados ao IMDB!

Banda Sonora: Tumbling Dice, The Rolling Stones

Gainsbourg (Vida Heróica), de Joann Sfar (2010)

Serge Gainsbourg é um dos maiores ícones da cultura francesa e da cultura popular do século passado. Quando estamos prestes a chegar ao 20º aniversário da sua morte, que ocorreu em Março de 1991, estreou um biopic sobre a sua vida. «Gainsbourg (Vida Heróica) é precisamente esse retrato para a Sétima Arte. Assinado por Joann Sfar, autor gaulês de banda desenhada, o filme é uma adaptação de uma das suas novelas gráficas, precisamente sobre a vida do cantor francês, autor de «Je t'aime, Moi Non Plus».

Mas o que talvez tenha resultado nas pranchas de BD, na tela de cinema parece não ter os melhores resultados. Esta adaptação aborda alguns episódios da vida de Serge Gainsbourg, desde que é uma criança judia que tem de fugir dos nazis até à sua morte, onde já tinha uma certa imagem de decadência associada à sua persona. Para quem conhece a vida do cantor, o filme é uma abordagem singular à sua carreira: vemos as suas inúmeras paixões, como a diva Brigitte Bardot (que no filme é interpretada por Laetitia Casta, que parece fotocópia da original) ou Jane Birkin (Lucy Gordon), que mais tarde será mãe de Charlotte Gainsbourg, fruto desta relação; e as polémicas em que Gainsbourg se viu envolvido com as letras das suas canções, não só no caso da já referida «Je t'aime...» mas também numa versão do hino francês, «A Marselhesa», gravada na Jamaica com músicos de reggae que não foi bem recebida no seu país natal.

O problema é que este filme parece não ter sido feito para quem não conhece a carreira de Serge Gainsbourg. Não há contextualização do que se está a passar, os episódios sucedem-se, aparentemente cronologicamente pois vemos a personagem envelhecer ao longo do filme, e quem não conhecer a história fica um pouco à deriva. O que foi o meu caso, que entrei neste «Gainsbuourg (Vida Heróica) para conhecer a história do ícone. No final do filme o realizador explica numa frase que o que lhe interessa não é as verdades de Gainsbourg, mas sim as mentiras. Não parece desculpa.

Há também uma outra característica, que talvez tenha a ver com a carreira principal de Joann Sfar, que não fica bem. Trata-se da presença de um boneco, que funciona como a consciência de Serge Gainsbourg, mas que se intromete demasiadas vezes, e às tantas não sabemos se não será uma outra personalidade do próprio Serge Gainsbourg. É pena esta confusão toda, pois a interpretação de Eric Elmosnino é muito boa. Fez-me lembrar a interpretação de Marion Cottilard quando desempenhou o papel de Edith Piaff, com as devidas diferenças. Bastava que «Gainsbourg (Vida Heróica)» fosse um pouco mais terreno, para ser um bom filme sobre a vida de Serge Gainsbourg.

Nota: 2/5

Site oficial do filme

domingo, 24 de outubro de 2010

Premiados Doclisboa 2010

Termina hoje oficialmente a oitava edição do Doclisboa, o festival de cinema documental mais populares do país. Para esta semana, mais concretamente até à próxima quinta-feira, ainda estão agendadas algumas sessões na Cinemateca dedicadas à obra de dois dos homenageados, Marcel Ophuls e Joris Hivens. Ontem foram anunciados os vencedores do Doclisboa 2010:

Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa-metragem
El Sicario: Room 164, de Gianfranco Rossi

Prémio para melhor média-metragem
Les Oiseaux d’Arabie - Fragments d’une Correspondance, de David Yon

Prémio para melhor curta-metragem
On Rubik’s Road, de Laila Pakalnina

Prémio Especial do Júri
La terra habitada, de Anna Sanmartí

Prémio para SIC Notícias para melhor documentário de investigação
Cuchillo de Palo, de Renate Costa

Prémio para a melhor primeira longa-metragem transversal à Competição Internacional, Investigações e Riscos
Let Each One Go Where He May, de Ben Russell

Grande Prémio CGD para melhor longa-metragem
Li Ké Terra, de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista

Prémio CGD para melhor primeira obra
Snack Bar Aquário, de Sérgio da Costa

Prémio CPLP para melhor curta-metragem
Como as Serras Crescem, de Maria João Soares

Melhor longa ou média metragem da Competição Portuguesa
Li Ké Terra, de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista

Melhor longa-metragem da Competição Internacional
Steam of Life, de Joonas Berghäll e Mika Hotakainen

Stones In Exile, de Stephen Kijak (2010)

Em 1972 os Rolling Stones estavam com problemas fiscais no Reino Unido, depois de terem sido enganados pelo seu manager, e 'fogem' para o Sul de França. Deste exílio forçado nasce um dos maiores e mais experimentalistas álbuns da carreira da banda: «Exile on Main St.», fruto de uma temporada de excessos numa mansão alugada por Keith Richards. E desta experiência de sexo, drogas e rock 'n roll nasceu «Stones In Exile», um documentário com pouco mais de uma hora com imagens da época que nos mostram como foi feito o álbum.

O filme conta com depoimentos actuais de alguns dos intervenientes que sobreviveram àqueles dias de excesso, em que praticamente tudo era possível naquela que já era considerada a maior banda do mundo. Mas não são os excessos e as histórias do quotidiano da mansão o grande trunfo de «Stones In Exile». Para quem gosta de música este documentário é uma excelente forma de conhecer um pedaço da história da música popular do século XX e como foi feito o álbum clássico, directamente da cave da mansão de Keith Richards.

A mais neste documentário só estão alguns depoimentos de pessoas que se sentiram influenciadas pelo álbum, algo que já parece um cliché dentro deste género de filmes. Apesar de contar com depoimentos de músicos e pessoas ligadas ao cinema a falar de «Exile on Main St.», «Stones In Exile» bem se podia ficar apenas pela história da gravação do clássico LP.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 23 de outubro de 2010

Os Imortais, de António-Pedro Vasconcelos (2003)

António-Pedro Vasconcelos tem sido um dos realizadores portugueses que mais tem investido num cinema dito comercial e o que tem alcançado melhores resultados, do ponto de vista da qualidade. Em 2003 apresentou «Os Imortais», um filme passado nos anos 1980 sobre um grupo de antigos comandos que estiveram na Guerra Colonial e se juntam para fazer um assalto. Mas o plano corre mal quando um deles, Roberto Alua (Joaquim de Almeida), que tem de levar uma mulher ao encontro, se cruza com a misteriosa Madeleine (Emmanuelle Seigner) e resolve levá-la.

À medida que a história se desenrola ficamos a saber que esta francesa é casada com um 'empresário' com ligações perigosas ligadas a África, inclusive com um dos Imortais, assim se chama o grupo. Em paralelo o investigador da Polícia Judiciária Malarranha (Nicolau Breyner) prestes a reformar-se resolve investigar fora do horário de trabalho uma agressão levada a cabo por Roberto Alua e acaba por descobrir o plano do assalto.

«Os Imortais» é um retrato da geração que foi para a Guerra Colonial e a sua inadaptação ao regresso, pois como uma das personagens diz, na guerra têm liberdade e na sociedade não a conseguem alcançar. Não sendo um grande filme, é das melhores obras que tem surgido no panorama nacional nos últimos anos. Pena o final ser um pouco fraco demais, a cena em que a filha de Malarranha fala com o único Imortal que resta, bem podia ter ficado na sala de montagem.

Esse é um dos exemplos de um argumento que podia ser melhor, pois tem algumas falhas, mas as interpretações, com excepção talvez da de Emmanuelle Seigner que parece um pouco metida a martelo e não parece estar muito à vontade no papel, estão bem conseguidas e acabam por salvar a honra do convento. Mesmo o Roberto Alua de Joaquim de Almeida, actor que não é dos meus preferidos, está bem interpretado. Destaque ainda para Nicolau Breyner, que também tem um papel ao seu melhor estilo, e para uma surpresa. Trata-se da prestação de Rui Unas, mais conhecido pela sua carreira de apresentador de televisão, estreou-se neste filme em cinema e é uma estreia em grande, sem falhas, e quiçá o que melhor fica no retrato, sem desprimor pelo restante elenco.

Nota: 3/5

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Em Cartaz: Semana 21/10/2010

Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz
A Nova Filha, de Luís Berdejo
Agentes de Reserva, de Adam McKay
Deixa-me Entrar, de Matt Reeves
Gru - O Maldisposto, de Pierre Coffin e Chris Renaud
36 Vistas do Monte Saint-Loup, de Jacques Rivette
O Refúgio, de François Ozon
Gainsbourg: Vida Heróica, de Joann Sfar

domingo, 17 de outubro de 2010

Bird - O Fim do Sonho, de Clint Eastwood (1988)

«Bird - O Fim do Sonho» não é só um grande filme sobre a vida de Charlie Parker, um dos mitos do jazz que teve uma vida trágica que terminou aos 34 anos. É também a longa que cimenta a carreira de Clint Eastwood como realizador, que a partir daí tem um currículo cheio de grandes obras, algo que não se podia dizer do período anterior, e o filme que dá a oportunidade a Forest Whitaker para provar que é um grande actor.

Um filme obrigatório para os fãs de Eastwood realizador e para os amantes do jazz, que acompanham em cerca de duas horas e meia a vida de um dos maiores saxofonistas do género que tocou ao lado de outros gigantes, com destaque para Dizzy Gillespie, cujo papel na vida de Charlie Parker fica bem patente em «Bird». A interpretação da genialidade do saxofonista, assim como os problemas com a droga e álcool que o perturbam está magistralmente interpretada por Whitaker, na altura da estreia um quase desconhecido, apesar das aparições em «Bom Dia Vietname», de Barry Levinson, «Platoon», de Oliver Stone, ou «A Cor do Dinheiro», de Martin Scorcese.

Na própria cinematografia de Eastwood «Bird» acaba por ser um filme de certa forma atípico. Surgem alguns aspectos oníricos, a história não é contada sequencialmente, mas em flashbacks, alguns derivados de sonhos, que não são comuns na sua obra. Talvez a opção por estes ambientes oníricos tenha algo a ver com a música de Charlie Parker, um pouco dada ao improviso.

E apesar de ser um confesso adepto de jazz, de já antes de 1988 ter realizado filmes com a música como campo de fundo («A Última Canção») e mesmo sendo autor de algumas das bandas sonoras dos seus filmes, Clint Eastwood só iria voltar a filmar um filme sobre música em 2003, quando participou no projecto para televisão «The Blues», onde assinou o documentário «Piano Blues». Com «Bird» deu-nos uma boa oportunidade para conhecermos um capítulo da história do jazz, que infelizmente não é dos mais felizes, tirando a excelente música do saxofonista.

Nota: 4/5

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sábado, 16 de outubro de 2010

Arrependimentos, de Cédric Kahn (2009)

O regresso de Mathieu (Yvan Attal) à sua terra natal para assistir aos últimos dias da mãe, que está hospitalizada, leva-o a recordar fantasmas passados. Depois de ver uma antiga namorada de infância (Valeria Bruni Tedeschi) que abandonou no passado, os dois voltam a relacionar-se.

E é sobre esta paixão avassaladora que incide o décimo filme de Cédric Kahn. O amor de Mathieu e Maya, que se reencontram muitos anos depois do último encontro, onde ela chegou duas horas atrasada e ele acabou por desaparecer sem deixar rasto. Apesar de ambos terem terminado tudo na altura, o certo é que a chama entre os dois não desapareceu, como se vê no primeiro encontro do par. A partir daí ambos entram numa espiral que não conseguem controlar, por muito que queiram, pois o amor não morreu.

Com uma boa interpretação por parte da dupla protagonista, falta a este «Arrependimentos» um argumento um pouco mais forte. A presença das personagens secundárias quase não se faz notar, mesmo tendo em conta que se trata de um filme muito centrado no par Mathieu e Maya. Faltava a Cédric Khan, que também é responsável pelo argumento, dar um pouco mais de espaço a outras personagens sobretudo à esposa de Mathieu e ao companheiro de Maya. A primeira reage de forma algo estranha em algumas situações, questionando pouco os actos de Mathieu. No caso do namorado de Maya, não se percebe como é que numa das cenas ele se lembra de tentar matar Mathieu com uma serra eléctrica, quando antes aparentava ter um comportamento mais pacífico.

Por outro lado a banda sonora, a cargo de Philip Glass, está muito boa, pois consegue criar o ambiente perfeito para a narrativa, sobretudo nas cenas de ligação em que as personagens vão de carro para os encontros.

Nota: 3/5

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Banda Sonora: The Strokes, You Only Live Once

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Em Cartaz: Semana 14/10/2010

O Pai das Minhas Filhas, de Mia Hansen-Love
Arrependimentos, de Cédric Kahn
A Cidade, de Ben Affleck
Shoot Me, de André Badalo
Universo Paralelo, de Christian Alvart
O Último Exorcismo, de Daniel Stamm

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

American Splendor, de Shari Springer Berman e Robert Pulcini (2003)

«American Splendor» é um daqueles filmes fantásticos que surgem do nada e são difíceis de classificar. Quando parece ser uma ficção sobre a vida de Harvey Pekar, um norte-americano que um belo dia se lembrou de contar o seu dia a dia numa banda desenhada underground, logo vemos o próprio Pekar a ser entrevistado pela dupla de realizadores Shari Springer Berman e Robert Pulcini, como se se tratasse de um documentário sobre a sua vida.

«American Splendor» é assim uma mistura dos dois géneros e é um excelente filme sobre uma pessoa singular, com gostos peculiares e uma vida tão banal como a de nós todos. A banalidade deste arquivista é que o levou precisamente a deixar algo ao resto do mundo: a banda desenhada sobre o quotidiano, o trabalho no hospital, a convivência com um cancro ou o relacionamento com os amigos e o amor. Paul Giamatti brilha num papel feito à sua medida e que lhe assenta como uma luva.

Em 2003 o filme foi uma das sensações do cinema independente e ainda hoje continua a ser uma obra peculiar que se vê muito bem. A mistura entre ficção e realidade, as imagens de cartoon e as imagens reais estão muito bem conseguidas e rever este «American Splendor» poucos meses depois da morte de Harvey Pekar, que faleceu no passado mês de Julho, é uma justa homenagem à sua vida cheia de incidentes tragicómicos, alguns dos quais são recuperados no filme. Um óptimo filme para ver nestes dias de chuva que começam a chegar.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

domingo, 10 de outubro de 2010

Uma Família Moderna, de Ferzan Ozpetek (2010)

A revolução está prestes a chegar à família Cantone. Tommaso (Riccardo Scamarcio), o filho mais novo que foi estudar para Roma, tem uma revelação para fazer no dia em que regressa a casa para assinar um contrato que lhe dará o controlo do negócio da família, uma fábrica de massas: é homossexual. O que podia dar um dramalhão sobre a forma como a homossexualidade ainda é vista no seio de meios conservadores (não só a família, mas também a cidade onde decorre a acção é uma localidade pequena onde tudo se sabe) acaba por se tornar uma comédia quando o irmão mais velho de Tommaso, Antonio (Alessandro Preziosi), se antecipa e resolve ser ele a sair do armário.

Um autêntico terramoto cai sobre toda a gente. O patriarca expulsa o filho mais velho, que seria o herdeiro natural na fábrica, e tem um enfarte e Tommaso não sabe o que fazer, pois acaba por não conseguir revelar ao pai que também é gay com medo que algo de pior lhe aconteça e fica a controlar a empresa com a ajuda da bela Alba (Nicole Grimaudo). Esta, não sabendo das preferências de Tommaso também acaba por se apaixonar por ele.

«Uma Família Moderna» é uma boa comédia vinda de Itália, a espaços fazendo lembrar as clássicas comédias italianas que deixaram saudades em quem gosta de dar umas boas gargalhadas com equívocos. Um dos bons exemplos é a chegada à pequena cidade dos amigos gays de Tommaso, onde também se encontra o seu namorado, e toda a gente pensa que são heterossexuais. E eles bem se esforçam por parecê-lo, mas acabam sempre por se descair. O pai Vincenzo (Ennio Fantastichini), que não acredita que o filho o tenha enganado e continua o filme todo a pensar que Tommaso também gosta de mulheres como ele, é outro dos papéis que ficam deste filme.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Caça-Fantasmas regressam em 2012?

Quem não se lembra dos caça-fantasmas? Nos anos 1980 foram das personagens mais populares do cinema, com uma das bandas sonoras que ficou no ouvido de todos os fãs, e podem estar de regresso às salas de cinema em 2012, de acordo com as previsões da Sony. Para já Dan Aykroyd, um dos actores que participou nos dois filmes, veio admitir à Variety que vai ser um dos responsáveis pelo argumento de um terceiro filme da saga, com a ajuda de Harold Ramis, outro dos protagonistas. O actor não divulgou muitos pormenores sobre o enredo, mas adiantou que vai girar à volta da sucessão dos Caça-Fantasmas, ou seja, espera-se o aparecimento de uma nova geração de caçadores de fantasmas nas ruas de Nova Iorque.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Embargo, de António Ferreira (2010)

Oito anos depois de «Esquece Tudo o que te Disse» António Ferreira regressou às longas metragens com «Embargo». Baseado num conto de José Saramago, o filme segue as desventuras de Nuno (Filipe Costa), o inventor de um digitalizador de pés com o qual acredita irá revolucionar a indústria do calçado e fazer fortuna. Mas um embargo petrolífero e vários azares pelo caminho acabam por deitar por terra as suas ambições e tudo à sua volta se começa a desmoronar, incluindo o emprego numa roulotte de bifanas e a compaixão da família, que começa a ficar farto das suas utopias.

«Embargo» já foi comparado ao universo dos irmãos Coen e a espaços consegue sê-lo, sobretudo no que diz respeito à má sorte que persegue Nuno, a quem tudo parece acontecer, e às grandes personagens secundárias que vão surgindo a espaços, como o maneta que ninguém reparou que é maneta. Mas faltava um pouco mais de espessura ao argumento de Tiago Sousa, para fazer de «Embargo» um dos melhores filmes portugueses deste ano.

Mas também quase pode ser comparado a um western alternativo à portuguesa, sem índios nem cowboys. Não só por alguns cenários que quase se assemelham a paisagens desérticas, neste aspecto a fotografia do filme dá uma boa ajuda a criar esta imagem, como a própria banda sonora se assemelha a algumas músicas que nos remetem para aquele imaginário. Sem ser um filme tão bom como o anterior «Esquece Tudo o que te Disse», o novo filme de António Ferreira prova que é um dos realizadores mais originais que tem aparecido por cá. Só faltou um bocadinho 'assim' para ser um filme melhor.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Em Cartaz: Semana 07/10/2010

Vai Com o Vento, de Ivo M. Ferreira
O Estrangeiro, de Ivo M. Ferreira
A Lenda dos Guardiões, de Zack Snyder
MacGruber - Licença Para Estragar, de Jorma Taccone
Uma Família Moderna, de Ferzan Ozpetek
[Rec] 2, de Jaume Balagueró e Paco Plaza
Sempre Que Te Vejo, de Burr Steers
Só Eles!, de Scott Hicks

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (1950)

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, filmes como «Crepúsculo dos Deuses» são indescritíveis e são quase obrigatórios para quem gosta de Cinema com C maiúsculo. Realizado por Billy Wilder em 1950 é uma das obras de arte do cinema norte-americano que se debruçam sobre a própria história de Hollywood, nomeadamente abordando os efeitos da transição do período mudo para o sonoro.

O papel principal cabe inteiramente a Gloria Swanson que interpreta Norma Desmond, uma antiga estrela de filmes mudos que prepara o seu regresso, com a ajuda de um jovem argumentista (William Holden) a braços com várias dívidas. E é precisamente Joe Gillis que narra o filme, apresentando um mundo que antes foi feito de sucesso e agora apenas vive do passado. É um retrato brutal da fama e dos efeitos que provoca em quem deixa de estar no topo do mundo. Até outras estrelas do mudo aparecem por breves instantes, num jogo de bridge. E estamos a falar de grandes nomes do cinema, como Buster Keaton ou Hedda Hopper, que são tratadas como figuras de cera pelo jovem argumentista, o que prova a imagem que este mundo em decadência acabou por ter depois do enorme sucesso alcançado no arranque do cinema.

Gloria Swanson tem uma interpretação excelente, ao retratar a louca vedeta em que Norma se tornou. Não conhecendo a verdadeira história da actriz, quase se poderia dizer que estava a interpretar-se a si própria. A última cena, quando desce as escadas em frente às câmaras que pensa serem do seu filme é um dos melhores e mais fortes momentos do filme. No campo da interpretação destaque ainda para um outro papel, o do mordomo Max, que mais não é do que Erich von Stroheim, um dos maiores realizadores do cinema mudo e em simultâneo um actor que participou em mais de 70 filmes. «Crepúsculo dos Deuses» é um grande filme, de um grande realizador.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

Tony Gilroy realiza próximo Bourne

O próximo capítulo da saga de Jason Bourne, o quarto da série, vai ser realizado por Tony Gilroy. O autor dos três primeiros argumentos do franchise e realizador de «Michael Clayton» substitui Paul Greengrass, que se afastou de «The Bourne Legacy», o nome da nova aventura, no início do ano. Este afastamento inesperado de Greengrass chegou mesmo a colocar o projecto em causa, pois na altura o protagonista Matt Damon chegou a afirmar à revista Empire que não sabia se ia entrar no filme sem a presença daquele realizador.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Beach Boys inspiram musical

De vez em quando surgem novos projectos de musicais baseados na música de grandes bandas. Os mais recentes foram que alcançaram algum sucesso foram «Mamma Mia», com música dos Abba, ou «Across The Universe», com canções dos Beatles. Um dos próximos vai ser dedicado aos Beach Boys, a banda norte-americana dos anos 1960 que alavancou o chamado surf rock, com êxitos como «Barbara Ann», «Help Me Rhonda» ou «Surfin' USA». O filme vai ser produzido pela Fox 2000 e tal como nos exemplos anteriores, a música será pretexto para ligar a acção do argumento. Na produção vão também estar John Samos, Craig Zadan e Neil Meron, que já produziram uma série de TV sobre a carreira dos Beach Boys. Caso se estreie em 2011, o filme coincidirá com os 50 anos da banda. Para os fãs da banda, aí fica uma recordação: «Wouldn't It Be Nice».

domingo, 3 de outubro de 2010

The Majestic, de Frank Darabont (2001)

«The Majestic» é daqueles filmes que ajudam a provar que Jim Carrey é um grande actor em papéis dramáticos. A terceira obra de Frank Darabont, que se estreou com o magnífico «Os Condenados de Shawshank» em 1994, relata um período negro da história dos EUA que acabou por afectar Hollywood: a perseguição aos comunistas liderada pelo senador McCarthy, episódio que ficou conhecido como a caça às bruxas.

A acção de «The Majestic» tem lugar em 1951 e centra-se em Peter Appleton (Jim Carrey), um argumentista novato à procura do sonho dourado que se vê envolvido na conspiração. Mas no dia em que descobre, quando tinha em marcha um novo projecto, e depois de uma noite de copos o argumentista tem um acidente de automóvel que lhe causa amnésia. Quando acorda está numa pequena cidade, que perdeu dezenas de jovens na II Guerra Mundial, onde é confundido com um deles. O regresso quase milagroso faz com que Peter seja recebido e acolhido de braços abertos pela comunidade.

Além de ser um filme que dramatiza um episódio histórico que deixou sequelas e acabou mesmo por destruir carreiras em Hollywood, «The Majestic» é uma bela homenagem ao Cinema. A começar pelo título do filme, que é o nome da sala de cinema da cidade que acolhe o argumentista perdido, e passando pela reconstituição das salas míticas de Los Angeles e dos próprios cartazes de alguns clássicos que por lá se encontram. E é delicioso o segmento do filme de acção que é o primeiro argumento de Peter Appleton, com o sugestivo título de «Sand Pirates of the Sahara». Este segmento é em si uma homenagem dentro da homenagem: conta com a participação de Bruce Campbel, actor conhecido por ter entrado na série Evil Dead de Sam Raimi, e tem uma peça utilizada em «Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida».

E os pormenores podiam continuar, pois as referências são mais que muitas. Um bom filme a descobrir, cujo único problema é estar excessivamente centrado na personagem de Jim Carrey, não deixando grande espaço ao restante elenco.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Lola, de Brillante Mendoza (2009)

Não é muito comum ver um filme das Filipinas chegar ao circuito comercial, daí causar alguma estranheza ver «Lola», de Brillante Mendoza, no grande ecrã. Tal como várias cinematografias asiáticas, não se trata de um filme fácil de apreender para quem não conhece a cultura local. Em «Lola» ficamos a conhecer a história de duas idosas cujo destino se cruza por uma tragédia. Uma é avó de um homem que foi esfaqueado durante o assalto e a outra é avó do autor do crime.

Filmado sempre com a câmara na mão, Brillante Mendoza leva-nos a percorrer as ruas de Manila com estas duas anciãs para cumprirem a sua, se assim se pode chamar, 'missão'. No caso da avó do falecido, vemo-la a tratar dos procedimentos do funeral, enquanto a outra idosa passa os dias a tratar da família e a visitar o seu neto na prisão. Em comum às duas histórias está o facto de ambas precisarem dinheiro, no segundo caso para arranjar um advogado ou chegar a acordo com a avó da vítima, para que o processo não avance em tribunal.

Sem recorrer a imagens muito fortes, o realizador de «Lola» acaba por aproveitar este drama para fazer também um retrato de uma sociedade, em grande parte empobrecida, de uma forma poética, algo que é comum ver em filmes desta região geográfica. Não ficamos fascinados com estas imagens, como numa das cenas em que dois realizadores que estão num comboio falam de belos planos sobre a miséria que os rodeia, mas entramos naquele cenário e acompanhamos o percurso das duas idosas, num mundo onde têm de sobreviver, custe o que custar.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 2 de outubro de 2010

Banda Sonora: U2, Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me

O Último Vampiro, de Michael e Peter Spierig (2009)

Antes de passar a noite no Motel X tive oportunidade de ver outro filme de terror, mas com uma pitada de ficção científica: «O Último Vampiro», uma das estreias desta semana, realizada e escrita pelos irmãos Spierig. Ao contrário de «F» este não tem nada a ver com os dias de hoje ou com realismo, pois o argumento tem lugar num futuro próximo (2019) onde os vampiros representam a maioria da população mundial e a procura por sangue humano, ou um substituto, é a missão de Edward Dalton (Ethan Hawke), um cientista que trabalha para uma grande empresa dominada por Charles Bromley (Sam Neill).

A missão ganha carácter urgente quando o stock de sangue começa a esgotar-se e os vampiros se começam a tornar canibais, o que resulta em mutações e consequente morte. O que podia ser um bom filme de acção em torno do filão do momento, os vampiros, com pelo menos três bons actores (além de Hawke e Neill, o elenco conta com William Defoe no papel de um vampiro que consegue voltar a ser humano e com uma paixão por grandes carros) perde-se um pouco precisamente pois não se consegue decidir se é um filme de acção ou um filme de terror ou ainda um filme de ficção científica. Podia até servir para, comparando com a possível escassez de petróleo nos próximos tempos ou a excessiva dependência do ouro negro por parte da Humanidade, servir de alerta. Mas nem isso consegue. Acho que nem quem gosta de filmes de vampiros (e esta semana estreou outro, mais a brincar) irá gostar de «O Último Vampiro».

Com tantos filmes bons que vão directos para o vídeo, e «F» (ver crítica anterior) se calhar nem sequer vai ter direito a isso, a continua a fazer-me confusão como é que alguns filmes chegam às salas.

Nota: 2/5

Site oficial do filme

F, de Johannes Roberts (2010)

Não sou grande habitué do Motel X, até porque os filmes de terror não são o meu género favorito, salvo algumas excepções. Mas geralmente todos os anos tento ir a uma sessão deste festival de cinema. Desta vez calhou ir ver «F», do britânico Johannes Roberts, e tive a possibilidade de assistir a um grande filme.

«F» é a história de um professor que é agredido por um aluno em plena aula, depois de lhe ter dado uma má nota e ter feito um comentário trocista sobre o teste. Alguns meses depois e um processo em tribunal perdido, porque os pais consideraram que o professor é que foi responsável pela agressão, o professor Robert Anderson (David Schofield) está a atravessar um mau momento: afastou-se família, os colegas de escola não o ajudaram muito a recuperar e está agarrado à garrafa de whisky.

Numa noite em que toda a gente se lembrou de ficar na escola, um gangue de encapuçados, cuja identidade nunca chegamos a conhecer, entra na escola e vai eliminando todos um a um. Neste ponto o professor só quer procurar a filha, que também estava dentro do estabelecimento porque o pai a tinha colocado de castigo.

Em linhas gerais, é disto que trata «F» e o resultado é muito bom. Johannes Roberts consegue a espaços lembrar alguns filmes de John Carpenter, o próprio realizador assumiu, num vídeo de apresentação que passou antes da projecção, que a obra do mestre foi uma inspiração, nomeadamente o saudoso «Assalto à 13ª Esquadra». Recorrendo pouco a imagens demasiado violentas, com excepção de um ou outro caso mais exagerado, «F» causa algum desconforto e prega-nos vários sustos. Não só porque estamos perante um filme bastante realista, como os atacantes se mexem nas sombras e nunca chegamos a saber quem são ou o que os move. E Johannes Roberts marca pontos ao deixar esse ponto no ar. Se todos os filmes de terror fossem assim, tinham ganho mais um fã.

Nota: 4/5

Site oficial do filme