segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Banda Sonora: Bad Girl, de Lee Moses

«Bad Girl», de Lee Moses - Banda Sonora de «Apollonide - Memórias de Um Bordel», de Bertrand Bonello

domingo, 29 de janeiro de 2012

28 Dias Depois, de Danny Boyle (2002)

Cinco anos antes de nos levar até ao espaço, Danny Boyle trouxe uma espécie de apocalipse ao planeta Terra. Mais concretamente ao Reino Unido, onde tem origem uma estranha epidemia que se alastra rapidamente e tem como efeito transformar os humanos em zombies. 28 dias depois do início das primeiras infecções Jim (Cillian Murphy) acorda numa cama de hospital onde esteve em coma sem saber muito bem o que se passou. Ao andar por uma Londres completamente deserta acaba por descobrir que algo não está bem quando tem o primeiro encontro com os infectados. Com a ajuda de Selena (Naomie Harris) e Mark (Noah Huntley) consegue escapar e esta dupla de sobreviventes explica-lhe o que se passou ao longo das últimas semanas.

«28 Dias Depois» é um daqueles filmes que toda a gente fala bem e fazem nascer o chamado hype que nos leva a ficar com vontade de ver um determinado filme. Confesso que depois de o ver fiquei um pouco desanimado. Como aqui escrevi ontem, a propósito de «Missão Solar», Danny Boyle não é dos meus realizadores favoritos. E este filme de terror é, na minha opinião, um falhanço. Talvez o problema tenha sido a vontade de Boyle fazer um filme de zombies diferente do cânone. Podia ter resultado bem, como em «Missão Solar» tinha resultado como filme de ficção científica diferente do habitual, mas não resulta. E o início de «28 Dias Depois», sobretudo nas sequências passadas numa Londres assustadoramente vazia, prometia tanto. O problema é na segunda metade do filme, onde o filme se perde completamente.

O argumento, assinado por Alex Garland, é do mais básico que há, chapa 4, não há grandes sustos nem reviravoltas que valham a pena ficar à espera do que irá suceder às personagens. A banda sonora, que neste tipo de filmes é essencial para manter a atmosfera em suspenso, também não funciona da melhor maneira. Depois de uma boa surpresa chamada «Missão Solar», que quase me fez começar a olhar para a obra de Boyle com outros olhos, chega uma desilusão que me volta a afastar dos filmes do realizador britânico. Pelo menos durante os próximos tempos.

Nota: 2/5

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sábado, 28 de janeiro de 2012

Missão Solar, de Danny Boyle (2007)

Goste-se ou não de Danny Boyle (e eu por acaso até nem sou grande fã, apesar do genial «Trainspotting»), se há coisa que o realizador britânico não pode ser acusado é de não arriscar, de vez em quando, fazer obras um pouco diferentes do normal. É esse o caso de «Missão Solar», um filme de ficção científica, que no conjunto da carreira de Boyle pode ser colocado ao lado do filme de terror «28 Dias Depois». Ambos os filmes contam com argumento de Alex Garland, o autor do romance «A Praia», que também foi adaptado pelo realizador em 2000 e cujo resultado não foi o melhor.

Realizado antes do oscarizado «Quem Quer Ser Bilionário?», «Missão Solar» relata os acontecimentos de uma missão espacial cujo objectivo é lançar uma bomba contra o Sol para 'ressuscitar' a estrela e assim salvar a Terra. A missão até estava a correr da melhor maneira até que a nave recebe um pedido de ajuda supostamente enviado por uma anterior missão, que se julgava perdida. A tripulação resolve então descobrir o que se passou e talvez até obter uma ajuda extra na missão. E começam os problemas.

Muito provavelmente «Missão Solar» não ficará para a história do Cinema como um clássico de ficção científica, mas o resultado final não é mau de todo e consegue cumprir o que lhe é pedido: ser um bom filme de entretenimento, sem entrar em grandes devaneios, apesar da metade final começar a entrar por caminhos um pouco mais filosóficos. Com um elenco que reúne algumas caras conhecidas, mas sem grandes estrelas (talvez as maiores sejam Cillian Murphy, que transita do anterior «28 Dias Depois», e Chris Evans, que recentemente interpretou Capitão América), Boyle conseguiu mostrar-nos uma boa história de ficção científica e as relações humanas entre os tripulantes, que muitas vezes têm de deixar ficar para trás os próprios sentimentos em prol do bem de todos e da missão que lhes foi incumbida.

A juntar a tudo isto temos uma excelente banda sonora, assinada a meias pela banda Underworld (que já tinha 'emprestado' o tema «Born Slippy» a «Trainspotting») e pelo compositor John Murphy (outro nome que tinha colaborado com Boyle em «28 Dias Depois»), que consegue dar alguma força à acção quando é preciso. E para quem nem gostava tanto dos filmes deste realizador antes de ver este filme, «Missão Solar» até acabou por se tornar uma agradável surpresa.

Nota: 4/5

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os Descendentes, de Alexander Payne (2011)

Apesar de apenas contar com seis longas metragens no currículo, Alexander Payne é um dos valores seguros do actual Cinema norte-americano. E «Os Descendentes», não sendo a sua melhor obra, não foge à regra. Tal como nos anteriores «As Confissões de Schmidt» e «Sideways», este é um drama simples, com algumas pitadas de comédia, que vive à conta de uma boa história e de boas interpretações, sobre alguém que chega a um certo ponto da sua vida e se apercebe que tem de se descobrir a si próprio.

Neste caso trata-se da história de Matt King (Clooney), um advogado que vive no Havai e descobre que a sua esposa, que está em coma e vai ter de ser desligada das máquinas, tinha um amante. Pelo meio Matt tem de aprender a lidar com duas filhas em idades complicadas (10 e 17 anos) e de avaliar a venda de uns terrenos familiares que farão os seus muitos primos (ainda mais) ricos, além de tentar perceber se quer ou não conhecer o amante da sua esposa. Confrontado com todos estes dilemas e com tão pouco tempo para os resolver, o pobre advogado lá tem de se adaptar ao que lhe vai aparecendo.

Além de um bom argumento, e Alexander Payne consegue provar mais uma vez que os sabe escrever, «Os Descendentes» conta também com excelentes interpretações, sobretudo de Clooney, que está em grande forma e esta semana acabou por ver o seu trabalho reconhecido com mais uma nomeação aos Óscares por este papel. Mas neste capítulo há que destacar também o desempenho da jovem Shailene Woodley, que interpreta a filha mais velha de Matt, e que apesar de não ter ainda grande experiência no cinema (tem apenas diversas
participações em séries de televisão no currículo) consegue esta à altura do pedido e dar resposta à sua complexa personagem: uma adolescente problemática que atravessa um período conturbado e vai sofrendo várias mudanças ao longo do filme. Apesar de não ser daqueles filmes perfeitos, «Os Descendentes» é um filme simples que nos deixa com um sorriso nos lábios no final.

Nota: 4/5

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Em Cartaz: Semana 26/01/2012

Polissia, de Maïwenn
Attenberg, de Athina Rachel Tsangari
Três Vezes 20 Anos, de Julie Gavras
Uma Pequena Zona de Turbulência, de Alfred Lot
Um Homem no Limite, de Asger Leth
J. Edgar, de Clint Eastwood
Underworld: O Despertar, de Måns Mårlind e Björn Stein
País do Desejo, de Paulo Caldas

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres, de David Fincher (2011)

A mania dos remakes em Hollywood é algo que não vem de hoje. Mas além de ser uma mania, quase tão irritante como a das sequelas desnecessárias, o pior é quando os remakes não vêm acrescentar nada de novo em relação ao original, que ainda está relativamente fresco na nossa memória (foi só em 2009 que Niels Arden Oplev adaptou o primeiro episódio da trilogia). A sensação que tive ao ver esta adaptação de David Fincher foi a mesma que tive há uns anos quando estreou «The Departed - Entre Inimigos», de Martin Scorsese, um remake de um dos meus filmes favoritos na altura («Infernal Affairs - Infiltrados», de Wai-keung Lau e Alan Mak). Não é um mau filme, mas desilude quem gostou do original. O tempo acabou por curar o meu problema em relação ao filme de Scorsese quando o voltei a ver mais tarde e provavelmente irá acontecer o mesmo com este filme quando o vir no futuro. A lição que retirei do filme que finalmente deu o Óscar ao realizador de «Taxi Driver» foi que para vermos um remake temos de esquecer o original.

Depois desta introdução, vamos então ao filme de Fincher, o realizador incumbido de fazer a versão americana do primeiro volume da trilogia Millennium, do sueco Stieg Larsson (quem não conhecer os livros, recomendo bastante, sobretudo este primeiro tomo). No centro da história temos uma investigação feita por Mikael Blomkvist (Daniel Craig), um jornalista caído em desgraça depois de uma reportagem que em vez de furo saiu furada, que é contratado por Henrik Vanger (Christopher Plummer) para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de uma sobrinha. Esta investigação acaba por trazer à luz do dia os segredos mais obscuros da família Vanger, que no passado teve ligações a movimentos nacionalistas. Para ajudá-lo na sua tarefa, Mikael conta com a ajuda da jovem hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara). Todos estes ingredientes tornam «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres» uma história negra q.b. para corresponder ao que temos visto anteriormente na obra de Fincher.

Como disse lá mais acima, «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres» não é um mau filme, pois estamos perante uma obra de um dos realizadores mais regulares do actual panorama de Hollywood. Goste-se ou não do seu meio de origem (os videoclips), David Fincher é um daqueles nomes que sabe o que faz quando está na cadeira de realizador. E aqui nada falha: uma boa direcção de actores, boas interpretações (Rooney Mara está muito bem, mas é difícil esquecer a Lisbeth Salander de Noomi Rapace), um ambiente negro bastante adequado à série,uma bela fotografia que nos leva mesmo a ter frio na gélida Hedestad onde decorre parte da acção e uma banda sonora quase genial, uma vez mais assinada pela dupla Trent Reznor e Atticus Ross que já tinha trabalhado com Fincher no filme anterior. Só a versão de «Immigrant Song», a banda sonora destacada esta semana e que surge no genérico inicial, é simplesmente viciante. O resto é tal e qual o que a dupla já tinha feito em «A Rede Social»

Tudo isto está bem. O diabo está nos detalhes, como diz o ditado popular. E esses detalhes estão espalhados pelo filme. Por exemplo, compreende-se que as personagens falem inglês, faz todo o sentido visto ser uma adaptação americana. Não faz sentido é grande parte das personagens ter um ligeiro sotaque. O mesmo acontece com alguns elementos dos cenários, sobretudo quando vemos as personagens a pegar em livros e revistas e reparamos que estas publicações são em sueco. São pequenos pormenores, que a juntar ao facto de o remake em si não trazer nada de novo em relação ao original, que acabam por desiludir. Para quem não viu o filme de Niels Arden Oplev, talvez este seja um grande filme (tirando estes pequenos detalhes, até é). Mas para quem ainda tem a primeira adaptação fresca na memória, o mais recente filme de David Fincher acaba por ser uma grande desilusão. Talvez daqui a alguns anos a minha opinião em relação seja diferente. Por agora, é esta.

Nota: 3/5

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CINEdrio e numa paragem do 28 marcam presença na primeira final da Copa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty

Grande final: numa paragem do 28 (a preto) vs.CINEdrio (a azul)





As meias finais da Copa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty já terminaram e os finalistas da primeira edição da iniciativa estão no terreno: CINEdrio, a equipa da casa, e numa paragem do 28. Parabéns aos finalistas e agora é tempo de começar a votar. Tal como nas jornadas anteriores, os votos estão a decorrer nos blogues participantes na Copa. Neste caso, podem votar neste post ou ali ao lado. Agora, resta-me desejar os parabéns aos finalistas e que ganhe o melhor.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Banda Sonora: Immigrant Song, de Karen O, Trent Reznor, Atticus Ross

«Immigrant Song», de Karen O, Trent Reznor, Atticus Ross (original de Led Zeppelin) - Banda Sonora de «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres», de David Fincher

domingo, 22 de janeiro de 2012

Noite na Terra, de Jim Jarmusch (1991)

Crítica com spoilers
Cinco cidades (Los Angeles, Nova Iorque, Paris, Roma e Helsínquia), cinco táxis, cinco histórias. Tudo isto se passa no mesmo dia e à mesma hora e é isto que nos mostra Jim Jarmusch na sua quinta longa metragem «Noite na Terra». Recorrendo a sketches cómicos (algo que também encontramos noutras obras do realizador), mesmo se o último for mais trágico que cómico (bem, depende do ponto de vista, mas já lá vamos) cada um dos episódios pode ser visto como uma história sobre aquele local específico e que apenas poderia ter lugar ali. Mas no fundo, a Terra é tão grande que há milhões de histórias a acontecer a toda a hora. E que melhor sítio para conhecer algumas do que os seus táxis?

Vamos então aos pequenos episódios. Em Los Angeles conhecemos dois universos diferentes: a cultura do automóvel que reina na cidade californiana onde uma rapariga taxista (Winona Ryder) prefere ser mecânica a aceitar uma oferta para ser actriz no mundo de Hollywood. Passando para Nova Iorque encontramos um imigrante vindo da Alemanha de Leste (Armin Mueller-Stahl) no seu primeiro dia como taxista e cuja primeira corrida consiste em levar um homem até Brooklyn, mas pelo caminho os papéis invertem-se e o condutor passa a passageiro. Paris, cidade das luzes, mais um imigrante (Isaach De Bankolé), desta vez africano bastante temperamental, que acalma um pouco quando leva no carro uma passageira cega (Béatrice Dalle). Em Roma temos direito a um verdadeiro one man show por parte de Roberto Benigni, o chauffer de praça que tem o prazer de levar no carro um padre e aproveita a oportunidade para contar os seus pecados. Esta corrida de táxi internacional termina na capital finlandesa, num episódio inspirado no cinema de Aki Kaurismaki, onde um taxista chamado Aki é chamado por três bêbedos que passaram a noite a afogar as mágoas de um deles, naquele que consideram ser o pior dia da vida do pobre diabo. Mal eles sabiam a história de vida de Aki.

Além de todos os episódios serem passados dentro de um táxi (poucas cenas são filmadas fora das viaturas), praticamente todos estão filmados da mesma maneira simples e todas as histórias conseguem transmitir o espírito das cidades onde decorrem. O único episódio que acaba por não ser tão original, o que não significa que seja bom, é talvez o último episódio, que por vezes parece mesmo uma obra assinada por Kaurismaki (por tudo, desde a cidade demasiado cinzenta às personagens que estão literalmente na fossa, mas que nos fazem rir com as suas tragédias - quem já viu algum filme de Kaurismaki sabe como o finlandês consegue criar uma história cómica a partir da maior das tragédias). E claro que há episódios melhores do que outros, como sempre acontece neste tipo de filmes. A grande vantagem de «Noite na Terra», onde ainda temos direito a uma excelente banda sonora assinada por Tom Waits, nome que se cruza várias vezes na obra de Jarmusch, é que no todo acaba por ser um filme equilibrado.

Nota: 4/5

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sábado, 21 de janeiro de 2012

Habemus Papam - Temos Papa, de Nanni Moretti (2011)

João Paulo II morreu. No Vaticano, dezenas de cardeais reúnem-se em conclave para escolher o novo Santo Padre e a escolha recai sobre o cardeal Melville (Michel Piccoli). A princípio renitente o novo Papa, pressionado pelos outros cardeais que não queriam tal cargo a aceitar o posto, lá acaba por aceitar a tarefa de ser o líder da Igreja Católica. Mas quando chega a hora de enfrentar os fiéis e se apresentar ao mundo como o sucessor de João Paulo II, Melville sofre um ataque de pânico e desaparece nos corredores do Vaticano.

É este o ponto de partida de «Habemus Papam - Temos Papa», o último filme de Nani Moretti, que volta a dar uma perninha como actor, desta vez no papel de um psicanalista contratado pela Santa Sé para 'curar' o novo Papa e tentar resolver o assunto. Não se trata de um filme sobre Religião e os que tinham medo que este fosse uma sátira/crítica à Igreja Católica realizada por Moretti, como se temeu segundo o próprio realizador já admitiu em entrevistas, podem estar enganados. Isto apesar de uma ou outra bicada lá pelo meio, mas nunca sem ser um ataque frontal. «Habemus Papam - Temos Papa» é uma comédia séria, por vezes em tons melancólicos, bem ao estilo de Moretti, sobre a solidão de alguém que tem a oportunidade de chegar ao topo da hierarquia do universo onde sempre viveu e não sabe o que fazer a partir de agora. Tratando-se de alguém já com uma certa idade, esta ansiedade e sentimento de não estar à altura de tamanha responsabilidade pesa ainda mais na cabeça de Melville.

E este retrato é possível graças à presença de um actor, o francês Michel Piccoli, nome grande (enorme, diria eu) que nos tem habituado a grandes interpretações desde os anos 1950 em filmes dos principais realizadores europeus e que neste caso volta a brilhar como nunca. Só aquela cena final (um dos grandes finais vistos nos últimos tempos) é de uma sinceridade brutal que espelha bem o que vai na alma da personagem. A fuga de Melville pelas ruas de Roma pode ser vista por muitos como um acto de cobardia, mas mais não é do que um acto de coragem de alguém que quer saber o que se passa consigo próprio.

«Habemus Papam - Temos Papa» não é um filme extraordinário, mas é um bom filme, algo cada vez mais raro no cinema italiano dos últimos anos. Apesar de algumas falhas (um cardeal perdido em Roma, quando toda a gente está de olho no que se passa no conclave, sem que ninguém dê por ele é no mínimo estranho...mas não nos podemos esquecer que é um filme e é essa a magia da Sétima Arte), tem grandes achados, sobretudo nas sequências onde a personagem de Moretti dialoga com os cardeais. O psicanalista é mesmo o lado oposto da moeda neste filme: Melville está fora do Vaticano, em liberdade, e ele está preso, porque em período de conclave ninguém que esteja dentro do Vaticano pode sair enquanto não for anunciado o nome do novo Papa. Podia também abordar uma certa crítica velada aos Media, mas penso que o texto já se alongou e resta-me dizer: temos filme!

Nota: 4/5

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Deus da Carnificina, de Roman Polanski (2011)

«O Deus da Carnificina» é um daqueles exemplos perfeitos de que não vale a pena complicar muito para fazer um grande filme. Em cena apenas quatro actores (e um grupo de garotos) que em menos de hora e meia (79 minutos, para ser mais preciso, é esse o tempo do filme) nos mostram como um grupo de pessoas vai de um estado dito civilizado à mais pura discussão, provando que as aparências iludem. E de que maneira.

Tudo começa quando Zachary se chateia com o colega Ethan, porque este não o quer no grupo de amigos, pega num pau e parte dois dentes de Ethan. O que começa como uma briga de dois miúdos com pouco mais de 10 anos, numa sequência genial que nem sequer precisa de som para nos mostrar o que se passou (quase que poderíamos dizer que parece saída de um filme mudo), transforma-se na cena seguinte num potencial cenário mais pacífico, quando os pais das crianças tentar resolver a questão amigavelmente. Mas aos poucos as discussões começam por ninharias. Primeiro entre os dois casais e às tantas já os membros dos próprios casais estão às turras, vindo ao de cima os podres de problemas que todos julgavam não existir.

Baseado numa peça de teatro (daí a escassez de meios) escrita por Yasmina Reza e com interpretações de luxo dos quatro actores principais (Jodie Foster, John C. Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz), qual deles o melhor, «O Deus da Carnificina» conseguiu ser (mais) um dos grandes filmes estreados no final do ano passado. Mesmo tendo sido realizado por um Roman Polanski em modo de retiro forçado, devido a questões legais, o resultado está à altura da obra do polémico realizador polaco e é um dos filmes que vale mesmo a pena ver por estes dias.

Nota: 5/5

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Manhattan, de Woody Allen (1979)

Há filmes sobre os quais é difícil escrever, tal é a admiração que temos por eles. Daí há dias, depois de ter (re)visto «Manhattan», a primeira coisa que me lembrei de partilhar aqui sobre este filme foi um dos planos mais belos daqueles 96 minutos: Woody Allen e Diane Keaton debaixo da ponte de Brooklyn, depois de uma caminhada nocturna pelas ruas de Nova Iorque, numa belíssima fotografia a preto e branco. Estão ali duas das chaves do filme e, acrescentaria eu, de toda a obra do cineasta. Uma homenagem à cidade, local por onde Woody Allen tantas vezes nos levou, e as (sempre complicadas) relações entre casais.

Há quem diga que este é um filme sobre Nova Iorque. Não o vejo tanto assim. Para mim «Manhattan» é tanto um filme sobre Nova Iorque, como o mais recente «Meia Noite Em Paris» é um filme sobre a capital francesa. Apesar de o espírito de ambas as cidades estar bastante bem captado nos dois filmes, sobretudo nas magnificas sequências iniciais de ambos, «Manhattan» é, mais uma vez na obra de Allen, um filme sobre relações como só o realizador as sobre mostrar, através das picuinhices e neuroses da sua muito peculiar personagem.

Desta vez encontramos Allen na pele de Isaac, uma homem divorciado na casa dos 40 apaixonado por Tracy (Mariel Hemingway), a sua muito jovem namorada de 17 anos. Apesar da paixão que os une, Isaac tudo faz para que a relação não se torne uma prisão para os dois, sobretudo para a jovem, pois acredita que ela tem de ter mais experiências e não deve ficar logo agarrada a alguém tão velho. Em contraponto à relação instável entre Isaac e Tracy, temos um casal amigo, Yale (Michael Murphy) e Emily (Anne Byrne), que vivem uma situação aparentemente mais estável até que surge em cena a amante de Yale: Mary (Diane Keaton). São todos estes dilemas, ao qual se junta ainda a paixão entre Isaac e Mary, depois de ele abandonar Tracy e ela abandonar Yale, que fazem de «Manhattan» um dos melhores filmes de Allen e desde agora o meu favorito do realizador.

Está lá tudo. Excelentes diálogos, cenas lindíssimas filmadas num preto e branco que funciona de forma perfeita (todas aquelas cenas onde as personagens surgem quase como se fossem sombras, desde o já referido plano da ponte de Brooklyn à visita ao museu, são inúmeros os exemplos) e uma história que fica a milhas de muitos filmes centrados no Amor e nas relações complexas entre casais, que tanto poderia resvalar para a comédia idiota (em momentos segue por aí, mas sempre ao melhor estilo de Woody Allen e os seus dilemas tão estranhos que parecem impossíveis de acontecer - mas nunca nos aconteceram situações semelhantes às que são retratadas nos filmes de Allen?), como para o dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada. Felizmente não envereda por nenhum dos dois caminhos.

Se depois de ver isto não se começar a gostar de Woody Allen, não há nada a fazer. Mas perde-se toda a magia de um dos melhores filmes de sempre, onde as relações são retratadas quase como elas são de facto e feito numa das melhores cidades do mundo. Quem já lá esteve, sabe do que estou a falar.

Nota: 5/5

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vingança Planeada, de Chan-wook Park (2005)

Último filme de uma trilogia dedicada à vingança, cujo ponto alto foi o segundo tomo, o genial «Old Boy - Velho Amigo», «Vingança Planeada» («Sympathy For Lady Vengeance», no título inglês) encerra com chave de ouro o conjunto dos três filmes. Apesar de ser um pouco inferior ao segundo episódio, não deixa de ser um grande filme e uma boa experiência, pois não desagrada de todo a quem gostou de «Oldboy». Quanto mais não seja porque, uma vez mais, está bem filmado e consegue ligar as várias histórias sem se perder no caminho.

Tal como no filme anterior, esta é a história de alguém que esteve preso durante vários anos e de repente se vê em liberdade, condição que a leva a pôr em prática um plano de vingança contra o responsável pelo período de reclusão. Ficam por aqui as semelhanças, pois a protagonista de «Vingança Planeada» é uma mulher que esteve presa por um crime que cometeu há alguns anos, enquanto que em «Oldboy» era um homem que esteve preso num quarto sem saber muito bem porquê até ao assombroso desenlace final, que é um daqueles murros no estômago que demora muito tempo a aguentar.

Voltemos então a «Vingança Planeada». Aqui encontramos Geum-ja Lee (Yeong-ae Lee) à saída da prisão e quando pensamos que está regenerada, com a ajuda de uma pessoa que a visitou durante anos e a viu como alguém divino com poder para ajudar os outros, os constantes flashbacks, que também servem para contar as histórias das suas companheiras de prisão, vão-nos mostrando que não é bem assim e mal sabemos o que virá da sua cabeça. Um dos pontos que poderia ter dado em falhanço total, esta fragmentação de histórias, acaba por não o ser, pois Chan-wook Park consegue ligar todos os pontos sem se perder, o que poderia ser fácil e é bastante comum neste tipo de filmes, onde várias narrativas se cruzam. Ao mesmo tempo, este acaba por ser um dos aspectos que coloca o filme uns furinhos abaixo do seu antecessor.

Menos violento e sádico do que «Oldboy», mas visualmente ao mesmo nível, outro dos pontos fracos de «Vingança Planeada» é o facto de não ter tantas surpresas (uma vez mais sublinho que o final do segundo episódio é difícil de igualar) e ser um pouco mais previsível. Mas, quando os filmes são bem feitos, como é este o caso, o resultado tem tudo para ser bom e é mesmo. Com a vantagem de não ser necessário ter um estômago tão forte para o ver como no caso de «Oldboy».

Nota: 4/5

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Meias finais do torneio interblogues, também conhecido como Copa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty

1.º confronto: numa paragem do 28 (a preto) vs. In a Lonely Place (a azul)


2.º confronto: Breath Away (a preto) vs. CINEdrio (a azul)





Terminadas as partidas dos quartos de final da primeira edição do Torneio Interblogues, já são conhecidas as equipas que irão disputar as meias finais e, consequentemente, candidatas a um lugar na final. Recordo que os jogadores destas quatro equipas vão poder ter um lugar na equipa ideal do torneio, dado que irão a votos também. A equipa do «A Última Sessão» foi eliminada na primeira ronda, renhida diga-se de passagem, contra a equipa do «In a Lonely Place», a quem dou desde já os meus sinceros parabéns e desejo boa sorte para o próximo embate. Para a próxima edição vou tentar apresentar uma nova equipa, com alguns reforços, para chegar pelo menos às meias finais. Para primeira edição, gostei do resultado. Tal como nos quartos de final, convido os leitores do blogue a votarem nos links deste post ou nas sondagens ali ao lado.

Banda Sonora: Ballad of a Thin Man, de Stephen Malkmus and The Million Dollar Bashers

«Ballad of a Thin Man», de Stephen Malkmus and The Million Dollar Bashers (original de Bob Dylan) - Banda Sonora de «I'm Not There - Não Estou Aí», de Todd Haynes

domingo, 15 de janeiro de 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

A Toupeira, de Tomas Alfredson (2011)


Esqueçam James Bond. Apesar de «A Toupeira» ser um filme de espiões, este não será o filme mais indicado para os fãs de 007. Adaptado a partir de um livro de John le Carré, a estreia de Tomas Alfredson (realizador do fabuloso filme de vampiros sueco «Deixa-me Entrar») nos EUA é um filme muito mais calmo do que as aventuras protagonizadas pelo espião favorito de sua majestade. E que grande filme, talvez mesmo um dos melhores estreados no final do ano passado.

Protagonizado por um Gary Oldman em excelente forma, longe das suas personagens mais neuróticas, mas sempre muito bem, a trama centra-se nos serviços secretos britânicos, em plena Guerra Fria, quando surgem suspeitas de que alguém na cúpula do organismo poderá estar ao serviço de Moscovo. A suspeita já era do anterior chefe dos espiões Control (John Hurt), que morre no início do filme, e uma investigação interna é encomendada a Smilley (Gary Oldman), um espião reformado que foi um dos homens mais próximos de Control. Tal como já referi, não há aqui grandes cenas de acção ao estilo de Bond. Talvez uma das sequências iniciais, passada na Hungria, se possa encaixar nesse estilo, mas mesmo assim será um pouco forçado ir por aí. «A Toupeira» é um filme sóbrio, como se quer quando o objectivo é representar um universo cheio de cortinas de fumo e onde ninguém quer dar nas vistas.

Este é um filme onde a história vale por tudo o resto, não fosse o original ter sido escrito por um dos mestres da literatura de espionagem. Apesar de poder ser fácil a Tomas Alfredson perder-se em tantas lutas e tricas internas, o filme consegue ser bastante coeso. Tem excelentes interpretações, feitas por um elenco de luxo (quase que parece um dream team encabeçado por Oldman, tal a qualidade de grandes actores que encontramos em papéis secundários: Toby Jones, Colin Firth, Benedict Cumberbatch - o Sherlock da TV -, Mark Strong, entre outros) e uma recriação da época muito boa. Se continuar assim, Tomas Alfredson tem tudo para se tornar um grande nome no Cinema.

Nota: 5/5

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras , de Guy Ritchie (2011)

Há uns anos atrás, quando Guy Ritchie foi anunciado como realizador de mais uma adaptação de Sherlock Holmes ao Cinema, muitos terão pensado que o resultado final não seria o melhor. Apesar de essa primeira adaptação do universo da personagem criada por Sir Arthur Conan Doyle poder ser considerada pouco convencional para quem estava à espera de um regresso ao final do século XIX, o primeiro «Sherlock Holmes» não foi mau de todo. O resultado acabou por nos dar um novo olhar sobre uma personagem que talvez já tivesse demasiado agarrada a um cliché. Tal como noutros casos, e assim de repente lembro-me da recente do Tintim de Steven Spielberg, penso que este filme de ser visto como um olhar pessoal de um realizador sobre uma obra que está bastante enraizada na cultura popular.

Dois anos depois, Guy Ritchie, Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) e Jude Law (John Watson) voltam (mais ou menos) ao mesmo cenário, mas desta vez o resultado não esteve à altura do original de 2009 e é mais fraco. A magnífica Londres do primeiro episódio é trocada por uma espécie de digressão europeia por várias cidades, que culmina numa batalha final entre Holmes e o seu arqui-inimigo Professor James Moriarty (Jared Harris) no mais previsível dos países. Uma vez mais a dupla de protagonistas volta a resultar bem e duvido que se trocassem o par conseguissem satisfazer os fãs do primeiro filme. Algumas cenas de acção estão também bem conseguidas, apenas um pouco mais exageradas quando comparamos com o primeiro «Sherlock Holmes».

O grande problema deste segundo episódio da série é o argumento, bastante fraquinho e sem ponta por onde se lhe pegue. Não quero aprofundar esta parte, para não fazer spoiler, mas quem vir terá de concordar que o desenrolar da trama e o centro da mesma, parece um pouco forçado. A isto juntam-se secundários que não estão à altura dos protagonistas. Mesmo Jared Harris, cujo Moriarty prometia tanto no filme anterior, parece que não entrou bem na personagem. Talvez o facto de no primeiro ser uma personagem mais misteriosa o tivesse prejudicado neste segundo capítulo.

Para primeiro blockbuster do ano, parece-me que «Sherlock Holmes: Jogo de Sombras» foi um tiro em falso e muito provavelmente os resultados de bilheteira irão ditar a continuação ou o fim da série, que tinha tudo para vingar (uma dupla de grandes actores que funciona bem, boas histórias, um vilão genial, um imaginário bem conseguido, etc.), mas acabou por se espalhar ao comprido neste segundo episódio. Será que Ritchie falhou nesta sequela, tal como muitas bandas falham no momento de gravar o mítico segundo álbum?

Nota: 2/5

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Obrigado



Acabam de ser divulgados os resultados da categoria Melhor Artigo da edição deste ano dos TCN Blog Awards 2011, categoria que contava com a presença deste cantinho com o texto «Para Onde Vão os Espectadores do Cinema Português?». Desta vez o resultado foi melhor do que no ano passado, mas confesso que não esperava que fosse tão bom. Com 38 votos (sim, para mim é um bom resultado) «A Última Sessão» ficou em terceiro lugar, atrás da entrevista a John Carpenter, um dos meus heróis do Cinema, e o meu texto favorito do conjunto, e do grande vencedor Mundo Mágico vs Caixinha Mágica, que esmagou completamente a concorrência. Resta-me agradecer a todos os que votaram em mim: 38 vezes obrigado.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Quartos de Final do Torneio Interblogues: In a Lonely Place vs. A Última Sessão

2.º confronto: In a Lonely Place (a preto) vs. A Última Sessão (a azul)


1.º confronto: numa paragem do 28 (a preto) vs. Cine Resort (a azul)



3.º confronto: Breath Away (a preto) vs. A Sombra do Elefante (a azul)

4.º confronto: Modern Times (a preto) vs. CINEdrio (a azul)




Arranca hoje oficialmente a primeira edição do torneio Interblogues promovido pelo blogue CINEdrio. «A Última Sessão» está presente e o sorteio ditou um confronto com a equipa proposta pelo «In a Lonely Place». Deixo-vos os links para poderem votar nas vossas equipas preferidas e convido-os a irem aos blogues dos restantes participantes para ficarem a conhecer as equipas e as justificações e assim tomarem uma melhor decisão sobre as escolhas. Resta-me desejar boa sorte a todos e que os jogos comecem. O anúncio do fim da votação está marcado para a próxima segunda-feira, 16 de Janeiro.

Duas pequenas notas: os votos podem ser feitos também ali ao lado, espero que participe o maior número de pessoas para tornar a iniciativa mais interessante.
Para quem quiser conhecer as equipas do torneio e as justificações das escolhas, cada equipa tem o link para o respectivo post dos participantes. Agora, resta-me desejar que ganhem os melhores.

Banda Sonora: 24 Hour Party People, de Happy Mondays

«24 Hour Party People», de Happy Mondays - Banda Sonora de «24 Hour Party People», de Michael Winterbottom

domingo, 8 de janeiro de 2012

24 Hour Party People, de Michael Winterbottom (2002)

Já aqui o disse em algumas ocasiões que nem sempre é boa ideia voltarmos aos filmes com os quais já fomos felizes quando os vimos pela primeira vez. Se há filmes que consigo ver dúzias de vezes sem cansar, há outros que acabam por desiludir quando os revejo, o que não significa necessariamente que sejam maus de todo. Voltou a acontecer com «24 Hour Party People», um dos filmes que me lembro de ter visto no velhinho Quarteto quando estreou e até gostei, mas agora me parece um objecto um tanto estranho.

Não que esta história da Factory e da mítica Madchester, que começou numa fase embrionária ainda no final dos anos 1970 e atingiu o auge durante a década seguinte, contada por Tony Wilson (grande interpretação de Steve Coogan) num estilo de documentário ficcionado seja um filme de se deitar fora. Para quem gosta de música e daquela época é um delírio ter um outro olhar, por vezes até mais cómico, sobre bandas como Joy Division, New Order ou Happy Mondays. E a quantidade de histórias retratadas é tanta que é difícil escolher um ou outro exemplo. Sobretudo na parte dedicada aos últimos.

Talvez um dos problemas de «24 Hour Party People» seja estar tão centrado naquelas três bandas, quando a Madchester teve tantos outros protagonistas. Mas ao mesmo tempo é o próprio Wilson (personagem do filme) que explica que é esse o objectivo do filme, contar a história da Factory Records e como esta etiqueta mudou de vez o panorama musical e cultural da antiga cidade operária em 1976, depois de um célebre concerto dos Sex Pistols onde estiveram presentes cerca de 40 pessoas, algumas das quais acabaram por formar as bandas que deram fama a Manchester. Fora isso, ao segundo visionamento «24 Hour Party People» pareceu-me mais uma homenagem mais ou menos bem conseguida ao universo e visão de Tony Wilson, que também tem um pequeno cameo (são vários os cameos, bastante identificados, das pessoas reais que fizeram a história daquela época), e de uma época que marcou definitivamente a música do Reino Unido. Mas para quem gosta, pode aguardar uma banda sonora de luxo.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

TCN Blog Awards 2011: Palmarés

Foram ontem conhecidos os vencedores da edição deste ano dos TCN Blog Awards, uma iniciativa do blogue Cinema Notebook e da revista Take, que tem como objectivo premiar o que de melhor se fez na blogosfera de Cinema e Televisão ao longo de 2011. Uma vez mais «A Última Sessão» esteve nomeado, na categoria de Melhor Artigo, e uma vez mais saiu de mãos a abanar. Valeu pelo convívio e pelo encontro com alguns bloggers conhecidos e para conhecer novas caras da blogosfera. No final do ano haverá mais. Eis então a lista completa dos vencedores, liderada claramente pelo TV Dependente, que conquistou quatro prémios em cinco nomeações:

Melhor Artigo - Mundo Mágico vs. Caixinha Mágica
Melhor Crítica - Game of Thrones S1E01
Melhor Blogger - Pedro Andrade
Melhor Blog Colectivo - TV Dependente
Melhor Novo Blog - Blockbusters
Melhor Blog Individual - Keyzer Soze's Place
Melhor Iniciativa - José e Pilar aos Oscares
Melhor Revista de Cinema - Empire

Aproveito para dar os parabéns à organização por continuar a promover esta iniciativa, que, tal como eles próprios defendem, deve servir não apenas para premiar os melhores, mas também para divulgar alguns blogues que de outra maneira não seriam conhecidos. Como foi o caso do meu no ano passado. Para o ano lá estaremos de novo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Esquiva, de Abdellatif Kechiche (2003)

«A Esquiva» não foi o primeiro filme de Abdellatif Kechiche, mas foi com ele que ficou conhecido. Isto apesar de na obra de estreia, «La faute à Voltaire», já ter conseguido amealhar alguns prémios e nomeações. Com «A Esquiva» o sucesso foi maior, nomeadamente nos Césares, os Óscares franceses, onde conquistou cinco galardões, entre os quais Melhor Filme, Realizador, Argumento e Jovem Actriz (Sara Forestier, uma grande descoberta).

Neste filme acompanhamos um grupo de jovens de um bairro dos subúrbios de Paris (lembram-se dos célebres motins nos banlieues há uns anos? É este o cenário, mas sem os motins, mas com alguns jovens em revolta) que encenam uma peça de teatro para a escola, baseada numa obra do século XIX assinada por Marivaux. Num dos papéis principais desta peça está Lydia (Sara Forestier) por quem Krimo (Osman Elkharraz), um colega de turma que pertence a um gangue e pouco habituado a bons comportamentos, se apaixona. Para se aproximar de Lydia, Krimo, que segundo a ex-namorada nunca leu um livro, acaba por querer participar na peça e tentar expressar os seus sentimentos junto da amada.

Praticamente sempre filmado com a câmara na mão, mostrando assim um ambiente que por vezes é demasiado hostil (ou pelo menos aparenta ser, para quem está de fora), a segunda obra de Kechiche consegue mostrar não só uma história de amor entre jovens, com todos os problemas e situações que daí decorrem, mas também retratar a vida nas comunidades pobres e marginalizadas de Paris. Há um grande enfoque na forma como a relação entre os dois jovens é vista pelos amigos de ambos: as amigas de Lydia não gostam do jovem delinquente e os amigos de Krimo não vêem com bons olhos as novas ideias teatrais do seu antigo companheiro de desventuras. Não sendo um grande filme, do mesmo realizador continuo a preferir «O Segredo de um Cuscuz», «A Esquiva» é uma bela obra que consegue retratar tudo isto sem cair em grandes facilitismos e clichés. No fundo é apenas uma história simples de uma rapaz que se apaixona por uma rapariga.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A Última Sessão FC entra em estágio



A propósito de um desafio lançado pelo blogue CINEdrio, da autoria de Luís Mendonça, «A Última Sessão» resolveu participar num divertido torneio interblogues onde o objectivo é cada blogue apresentar uma equipa de futebol onde os jogadores são nomes grandes da Sétima Arte. A minha proposta, como podem ver acima, é um clássico 4-4-2 para não complicar muito. Segue a constituição do 11 inicial e a justificação para as contratações:

GR: Aki Kaurismaki
DE: Nani Moretti
DD: Don Siegel
DC: Joel Coen
DC: Ethan Coen
MC: Abel Ferrara
MC: Sergei Eisenstein
MD: Wes Anderson
ME: Buster Keaton
AC: Emir Kusturica
AC: Federico Fellini

Kaurismaki, o guarda-redes vindo do frio, com nervos de aço;
Moretti e Siegel nas laterais. O primeiro gosta de arriscar pela esquerda e ajuda a fazer o corredor em subidas até à área adversária. O segundo é mais conservador e pode às vezes ajudar a dupla de centrais.
Os irmãos Coen no centro da defesa, uma dupla que se entende como ninguém, não passa bola nenhuma.
No centro do meio campo encontramos Eisenstein e Ferrara, mais uma dupla forte para o que der e vier. O primeiro ajuda a construir jogo, enquanto o segundo pode ajudar a recuperar bolas na raça.
Nas laterais dois criativos para levar a bola à área em centros bem metidos: Keaton e Wes Anderson.
O centro da grande área adversária fica para dois magos habituados a fantasiar os espectadores com os seus golos fora do normal, sendo Kusturica o homem do número 10 que fica atrás do ponta de lança, graças às lições que recebeu do seu amigo Diego Armando Maradona, o implacável Fellini.

Esta é uma mistura de novos talentos e veteranos. Não foi fácil escolher uma equipa depois de alguns reforços já terem sido escolhidos pelas restantes (grandes) equipas. A ideia foi mesmo fazer uma equipa com nomes que ainda não tivessem sido escolhidos pelos restantes adversários.
O sorteio para os oitavos de final está marcado para a próxima segunda-feira e os vencedores das partidas serão escolhidos pelos visitantes dos blogues, através de sondagens a publicar nos blogues participantes. Agora que venham os jogos e que ganhem os melhores.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Banda Sonora: Where Do You Go To My Lovely, de Peter Sarstedt

«Where Do You Go To My Lovely», de Peter Sarstedt - Banda Sonora de «The Darjeeling Limited», de Wes Anderson

domingo, 1 de janeiro de 2012

Uma Separação, de Asghar Farhadi (2011)

Ainda há dias publiquei aqui a lista daqueles que considerei os melhores filmes estreados em Portugal durante o ano passado e referi vários títulos que não tinha visto a tempo e poderiam lá estar. Pois, eis um que deveria lá estar e não entrou a tempo porque apenas o consegui ver ontem, bem antes dos festejos de fim de ano. O filme em causa é «Uma Separação», um grande filme do iraniano Asghar Farhadi. Numa altura em que vários cineastas são perseguidos pelo regime de Teerão, e o caso de Jafar Panahi será apenas um de muitos, a chegada de filmes como este prova que ainda há quem consiga fazer Cinema no Irão. Até quando? Não se sabe.

«Uma Separação» parte do caso de um divórcio de um casal, que se quer separar para dar uma vida melhor à filha adolescente, para criticar um sistema judicial completamente surreal, que por vezes parece saído da mente de Kafka. Logo a cena inicial, quando o casal Nader (Peyman Maadi) e Simin (Leila Hatami) esgrime argumentos perante o juiz, é um excelente exemplo disso. Mais tarde esta justiça volta ao centro do filme quando Nader se vê acusado de ter provocado um aborto espontâneo na ex-empregada que contratou para cuidar do seu pai, vítima de Alzheimer.

Com duas excelentes interpretações, sobretudo a de Peyman Maadi, que carrega literalmente o filme às costas, «Uma Separação» é mais um daqueles filmes vindos do Irão que nos permite dar uma espreitadela sobre um regime fechado. Ao mesmo tempo, a história do divórcio e da família em desagregação, assim como a abordagem à família que leva Nader a tribunal, vinda de uma camada inferior, tornam no filme um pouco universal, pois se não fosse aquela justiça retratada como é, «Uma Separação» poderia ser um filme criado em qualquer parte do mundo. Talvez seja esse um dos grandes pontos fortes do filme de Asghar Farhadi que conquistou em Berlim quatro galardões, incluindo o Urso de Ouro para Melhor Filme e o Urso de Prata que distingui quatro dos actores do filme.

Nota: 4/5

Site oficial do filme