segunda-feira, 30 de maio de 2011

Banda Sonora: My Sharona, de The Knack

«My Sharona», de The Knack - Banda Sonora de «Juventude Em Delírio», de Ben Stiller

domingo, 29 de maio de 2011

O Homem do Tempo, de Gore Verbinski (2005)

Nos últimos anos a carreira de Nicholas Cage tem andado meio perdida num turbilhão de filmes de acção que nos deixam saudades dos seus bons velhos tempos. Contudo nem sempre os filmes que tem feito são de deitar fora. Pelo menos no que toca a sua interpretação. E «O Homem do Tempo», realizado por Gore Verbinski entre os dois primeiros episódios da saga «Piratas das Caraíbas», é um dos exemplos que mostram que Cage quando quer ainda consegue ser um bom actor.

A interpretação de Cage é aliás a melhor parte de «O Homem do Tempo», a história de David Spritz, o apresentador da meteorologia de um canal de Chicago que tem a oportunidade de ir trabalhar para uma televisão nacional em Nova Iorque. Só que se a sua carreira está de vento em popa, a sua vida pessoal nem por isso. Além de passar a vida a levar com comida em cima quando está na rua, David tem de lidar com a doença do pai e com uma separação que tenta a todo o custo evitar.

«O Homem do Tempo» não é um grande filme, mas vê-se bem, apesar de ter passado meio despercebido. É uma oportunidade de ver Nicholas Cage num papel diferente do que nos tem habituado nos últimos nos e em grande nível, acompanhado por dois bons secundários: Hopes Davis, que interpreta a sua esposa, e Michael Caine, o pai.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Belle du jour: Julia Dufvenius

Julia Dufvenius, em «Saraband», de Ingmar Bergman

sábado, 28 de maio de 2011

Delírio em Las Vegas, de Terry Gilliam (1998)

«Delírio em Las Vegas», de Terry Gilliam, é a adaptação cinematográfica do livro homónimo escrito por Hunter S. Thompson, jornalista especializado num género jornalístico denominado Gonzo. O livro nasceu de duas reportagens escritas por Thompson, publicadas na Rolling Stone: a primeira sobre uma corrida de motas no deserto do Nevada, perto de Las Vegas, e a segunda sobre uma convenção de procuradores distritais sobre droga. E é droga o que alimenta as duas personagens de «Delírio em Las Vegas»: Raoul Duke (Johnny Depp), um alter-ego do jornalista, e Dr. Gonzo (Benicio del Toro), o seu advogado e companheiro de viagem.

O livro em si já é bastante sui generis, pois tanto a corrida como a convenção são apenas pretextos para as reportagens, que acabam por se centrar na utilização de drogas por parte da dupla do que nos temas originais, e eventualmente numa espécie de análise deturpada ao Sonho Americano no ano de 1971, com Richard Nixon no auge do poder e os EUA na ressaca do Verão do Amor. A adaptação adivinhava-se assim complicada, mas este universo assenta como uma luva na visão de Terry Gilliam, que assina aqui um dos seus melhores filmes e uma obra de culto do final dos anos 1990.

Não só a dupla tem uma prestação muito boa (sobretudo Depp, que tem aqui com uma das suas personagens mais bem conseguidas), com os seus devaneios e delírios causados pelas drogas que trazem com eles, mas também os ambientes criados para os cenários se adequam bem às suas alucinações. Lembro-me de ter visto este filme há alguns anos atrás e ter gostado bastante, apesar de o ter considerado já uma obra bastante estranha. A segunda visualização veio confirmar esta faceta estranha do filme, mas já não gostei tanto como da primeira vez. Mas não deixa de ser um óptimo filme sobre os efeitos das drogas e uma outra forma de ver a realidade, incluindo a realidade história retratada nas reportagens de Hunter S. Thompson e no filme de Terry Gilliam.

Nota: 4/5

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Maus como as cobras: Tector Gorch, Lyle Gorch, Pike Bishop e Dutch Engstrom

Tector Gorch (Ben Johnson), Lyle Gorch (Warren Oates), Pike Bishop (William Holden) e Dutch Engstrom (Ernest Borgnine), também conhecidos como «A Quadrilha Selvagem», de Sam Peckinpah

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Jovens em Delírio, de Ben Stiller (1994)

Ben Stiller é mais conhecido pela sua carreira de actor, tendo entrado sobretudo em comédias, algumas bastante idiotas e pouco recomendáveis. Mas também tem no seu longo currículo em Hollywood quatro longas-metragens como realizador. A estreia deu-se em 1994 com «Jovens em Delírio», um filme que relata a história de quatro amigos que acabam de sair da faculdade e entram de rompante num mundo novo, onde já começam a ter algumas responsabilidades como adultos, mas ao mesmo tempo ainda são demasiado novos para terem o peso do mundo nos seus ombros.

A personagem central é Lelaina Pierce (Winona Ryder, quando ainda se encontrava no topo da sua carreira, antes de se perder), a melhor aluna da faculdade que quer fazer um documentário com os seus amigos e vai filmando a vida dos quatro através da sua câmara, como se fosse um vídeo caseiro. Os restantes amigos, com quem partilha casa, são também exemplos de jovens com dificuldades em entrar na idade adulta, cada uma com as suas características. Assim, temos Lelaina, que tem boas perspectivas de vida mas acaba por se desiludir, o seu melhor amigo Troy Dyer (Ethan Hawke), que sonha ter uma vida de artista com a sua banda sem grandes preocupações, a sua melhor amiga Vickie (Janeane Garofalo), que parece ser a mais despistada mas é a que melhor se safa, e Sammy (Steve Zahn), que não sabe o que fazer à vida.

Apesar de ter sido considerado na altura da estreia como uma comédia, «Jovens em Delírio» acaba por ser um filme sério sobre a entrada na idade adulta, com todas as dores de crescimento, se assim se pode dizer, que afectam quem descobre que o mundo não é tão fácil como parece quando estamos protegidos. E para quem está na idade dos 20 aos 30 anos é bastante fácil identificar-se com estas personagens, pois os problemas da altura, por incrível que pareça, são os mesmos de hoje. Basta ver a sequência das várias entrevistas de Lelaina, cujas respostas vão do tem demasiada experiência para o cargo ao não tem qualificações para o posto, apesar de ela querer experimentar novas áreas dentro da mesma profissão.

A estreia de Ben Stiller, apesar de não ser um grande filme, foi bem conseguida e é um dos melhores filmes que realizou, pois conseguiu captar bem aquela geração e as dificuldades da altura. O próprio está bem no seu papel, um namorado de Lelaina, tornando-se um daqueles exemplos de actores de comédia que ficam se dão bem melhor quando interpretam papéis sérios.

Nota: 4/5

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Frase(s) que marcam um filme: América, de João Nuno Pinto (2010)


Vítor: Podes ficar descansado. Daqui a duas semanas és um português de primeira.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Em Cartaz: Semana 26/05/2011

Destino Infernal, de Patrick Lussier
A Árvore da Vida, de Terrence Malick
América, João Nuno Pinto
Banksy - Pinta a Parede!, de Banksy
Nada a Declarar, de Dany Boon

quarta-feira, 25 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Na América, de Jim Sheridan (2003)

Sete filmes. É este o currículo de Jim Sheridan, escasso número que vem provar que não são precisos muitos filmes para fazer um bom realizador. Tal como nas suas obras anteriores a «Na América», este filme remete para a Irlanda natal de Sheridan. Neste caso é a história de uma família de imigrantes (um casal com duas filhas pequenas) que chega a Nova Iorque para esquecer a morte de um outro filho e à procura de uma vida melhor.

Se de início a adaptação é difícil, num país diferente e num apartamento situado num edifício conhecido por albergar drogados, aos poucos o casal começa afastar todos estes fantasmas, presentes e passados, e consegue alcançar o tão almejado sonho americano. «Na América» é um belo conto de fadas moderno, narrado por uma das filhas do casal, que acredita contar com a ajuda do irmão mais novo, o tal que morreu, para alcançar alguns dos desejos da família.

«Na América» é um filme bastante simples, que não cai no facilitismo de puxar pelas lágrimas (apesar de não faltarem oportunidades para o fazer), e é um daqueles filmes que nos mostram que a magia do cinema está na história, que rendeu a Jim, Naomi e Kirsten Sheridan uma nomeação para Melhor Argumento Original, sem ser necessário recorrer a grandes efeitos especiais. Que neste caso nem existem.

Nota: 4/5

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Banda Sonora: Human Jungle, de Take It Easy Hospital

«Human Jungle», de Take It Easy Hospital - Banda Sonora de «Os Gatos Persas», de Bahman Ghobadi

domingo, 22 de maio de 2011

La 317ème Section, de Pierre Schoendoerffer (1965)

A cinematografia francesa não é muito conhecida pelos filmes de guerra, mas o género também passou por França. É o caso de «La 317ème Section», de Pierre Schoendoerffer, que realizou um filme centrado num episódio da Guerra da Indochina onde chegou a participar como cameraman do Exército francês: a batalha de Dien Bien Phu, um dos combates finais entre as forças gaulesas e as tropas Viet Minh. Filmado em 1965, cerca de dez anos depois da batalha, «La 317ème Section» teve uma rodagem no Cambodja mínimo aparentada à de «Apocalypse Now», de Coppola, como explica uma nota introdutória incluída na cópia recentemente restaurada.

Além do episódio propriamente dito, que mostra um batalhão francês em fuga e perto da derrota, «La 317ème Section» aborda a relação entre dois soldados com visões diferentes do conflito e de como lidar com a situação. De um lado Torrens (Jacques Perrin), menos experiente, mas líder do batalhão, e do outro Willsdorf (Bruno Cremer), veterano de outras e futuras guerras, como surge em epílogo do filme, que tem outra forma de ver a guerra. É esta relação o ponto forte do filme, que não sendo um daqueles filmes de guerra onde as batalhas são filmadas como se lá estivéssemos, nos consegue levar para dentro da selva onde acompanhamos o percurso do batalhão, até à derrota final, num retrato cru sobre as dificuldades da guerra.

Nota: 3/5

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Os Gatos Persas, de Bahman Ghobadi (2009)

Se há filmes que recorrem à ficção para retratar uma sociedade, «Os Gatos Persas» é certamente um desses filmes. O filme do iraniano Bahman Ghobadi, que chega às salas dois anos após a sua realização e após ter passado no DocLisboa também em 2009, parte da história de Negar (Negar Shaghaghi) e Ashkan (Ashkan Koshanejad), dois jovens apaixonados de Teerão que sonham sair do país para dar um concerto com a sua banda de Indie Rock em Londres. O problema é que para saírem do Irão têm de arranjar passaportes e vistos falsos.

Ao longo desta busca para concretizarem o seu sonho, que é feita com a ajuda do fura vidas Nader (Hamed Behdad), vão travando conhecimento com outros músicos que tocam música como eles, mas em sítios escondidos da capital iraniana, pois se forem descobertos pelas autoridades, o mais certo é serem presos. Com «Os Gatos Persas», assim se chama a banda fictícia de Negar e Ashkan (os dois jovens têm contudo uma banda real, chamada Take It Easy Hospital, cujas músicas podem ser ouvidas na banda sonora), Bahman Ghobadi apresenta um mundo cultural riquíssimo escondido debaixo das barbas dos ayatollahs que são pouco avessos à modernidade.

Este é um universo que não fica atrás de muitas cidades europeias ou dos EUA, onde jovens criam bandas dos mais variados estilos. Neste filme encontramos bandas de heavy metal, indie rock ou mesmo rappers. A única diferença é que em vez de tocarem em garagens ou em estúdios, têm de tocar ou ensaiar em locais como estábulos, no topo de edifícios, onde utilizam lençóis para abafar o som da bateria, ou em prédios em construção. E os concertos são combinados quase em segredo, daí que quando conseguem juntar 400 pessoas no mesmo espaço os jovens já ficam contentes.

Sempre filmado com a câmara à mão e meio à revelia das autoridades, que muito possivelmente não iriam aprovar um filme destes, «Os Gatos Persas» é um excelente filme, que tanto serve para contar a história de uma juventude com muitos sonhos para cumprir («Os Gatos Persas» foi feito pouco tempo antes da revolução verde, a primeira do mundo árabe, mas que não deu os resultados esperados pelos manifestantes) como para apresentar que mesmo em condições difíceis há quem lute por uma vida melhor e tudo faça para continuar a fazer o que mais gosta. E vale a pena descobrir que nem tudo é cinzento em regimes fechados (o próprio título original remete para isso, ao referir que ninguém conhece os gatos persas, numa tradução literal), apesar de o final ser bastante revoltante.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

Cliente de Risco, de Brad Furman (2011)

Matthew McConaughey é um daqueles actores que tem andado um pouco perdido nos últimos anos. Sem ser um actor extraordinário, é um actor que quando quer e não entra em comédias românticas ou filmes de acção de pouca qualidade, até consegue sacar boas interpretações. Basta ver o caso de «Amistad», de Steven Spielberg. Em «Cliente de Risco», a segunda longa metragem de Brad Furman, também não fica nada mal. Aliás, a sua interpretação é o que acaba por safar o filme.

Tal como no filme de Spielberg, neste caso a personagem de Matthew McConaughey também é um advogado. Mick Haller, que tem como escritório um automóvel Lincoln (que dá o nome ao título original do filme), é um advogado que recebe uma proposta para defender um jovem na casa dos 20 anos, descendente de boas famílias, acusado de ter espancado violentamente uma mulher. Passado pouco tempo descobrimos que nem tudo é como parece e Mick Haller vê-se metido num embrulho daqueles em que não sabe bem o que fazer.

«Cliente de Risco» vale sobretudo pela interpretação de Matthew McConaughey, que está bem acima da média. Apesar de estar bem acompanhado no capítulo dos secundários (Marisa Tomei, Ryan Phillippe, William H. Macy e John Leguizamo, para referir os mais conhecidos), estes praticamente não têm espaço. Nota-se sobretudo nas personagens de Marisa Tomei e William H. Macy, que parecem estar lá só para marcar presença. A história em si também não é nada de especial e como filme de tribunal está uns furos abaixo dos melhores do género. As cenas passadas no julgamento são mesmo do pior do filme. «Cliente de Risco» acaba por ser um bom entretenimento, mas nada mais.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Belle du jour: Negar Shaghaghi

Negar Shaghaghi, em «Os Gatos Persas», de Bahman Ghobadi

sábado, 21 de maio de 2011

Noites de Singapura, de Peter Bogdanovich (1979)

Peter Bogdanovich é um dos realizadores norte-americanos mais injustamente esquecidos. Com uma carreira cimentada na década de 1970, é um dos cineastas que acabou por se perder, ao contrário de outros nomes que nasceram com a fornada criada por Roger Corman. E é pena, pois além de ser um grande conhecedor do Cinema, basta ver o documentário «Directed By», que dedicou à obra de John Ford, e quase obrigatório para quem quiser conhecer este gigante do Cinema, foi o autor de grandes filmes, desde «A Última Sessão», a «O Miar do Gato» (o último filme a estrear por cá, já há 10 anos, e um dos primeiros que tive oportunidade de ver de Bogdanovich, ainda no velhinho Quarteto), passando por «Que Se Passa Doutor?» ou «O Vendedor de Sonhos», todos filmes sobre ou homenagens à História do Cinema.

Este «Noites de Singapura» não está directamente relacionado com Cinema, mas não deixa também de ser um grande filme. Dominado por Ben Gazzara, que interpreta o papel de Jack Flowers, um americano em Singapura que se torna chulo para ganhar dinheiro e regressar aos EUA. À medida que vai fazendo carreira, se assim se pode dizer, pois começa por ter umas quantas mulheres na rua até ter um bordel para gerir, Jack assiste às mudanças da sociedade e da própria História. A amizade com William Leigh (Denholm Elliott), um contabilista inglês que vai a Singapura todos os anos para analisar as contas da filial da empresa para quem trabalha, torna-se fundamental para Jack começar a ver as coisas de outra forma e começar a pensar mais a sério no que está a fazer.

«Noites de Singapura» é um daqueles filmes centrado na personagem principal, que praticamente está em todas as cenas, e Ben Gazzara está à altura, ao desempenhar um papelão, de alguém que chega a uma altura da vida em que se desilude com o que fez, mas acaba por se resignar e segue em frente. Além da excelente interpretação, o filme é um dos grandes filmes dos anos 1970, pois capta bem a forma de filmar daquela década. E é também um belo retrato de uma época em que o mundo estava a mudar a uma grande velocidade, ao abordar questões como o fim das colónias britânicas ou a Guerra do Vietname e mesmo uma certa forma de se fazer política.

Nota: 4/5

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Maus como as cobras: Tommy DeVito

Tommy DeVito (Joe Pesci), mafioso em «Tudo Bons Rapazes», de Martin Scorsese

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Frase(s) que marcam um filme: O Desconhecido do Norte-Expresso, de Alfred Hitchcock (1951)

Bruno Antony: My theory is that everyone is a potential murderer.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um filme, vários posters: Desafio Total, de Paul Verhoeven (1990)

Bulgária

Dinamarca

EUA

EUA

EUA

Japão

Tailândia

Um festival vários posters: Especial IndieLisboa

Em pleno IndieLisboa, a razão pela qual «A Última Sessão» tem estado mais calmo e pouco actualizado por estes dias (prometo tentar escrever uma crítica por cada filme visionado), nada como recuperar os vencedores das edições anteriores do festival na categoria principal: Melhor Longa-Metragem. A título de curiosidade, houve um ano em que foram distinguidos dois filmes, a única vez que tal aconteceu. De realçar que destes oito filmes, apenas um chegou a estrear em sala, precisamente o filme que venceu a última edição do Indie: «Vão-me Buscar Alecrim», dos irmãos Benny e Josh Safdie. Será esta mais uma prova de que as distribuidoras têm medo de comprar os direitos de obras diferentes? Espero que gostem desta selecção.

«Le Monde Vivant», de Eugène Green
Vencedor da edição 2004
«Der Wald vor Lauter Baumen», de Maren Ade
Vencedor da edição 2005

«Play», de Alicia Scherson
Vencedor da edição 2006

«El Amarillo», de Sergio Mazza
Vencedor da edição 2007

«Love Conquers All», de Tan Chui Mui
Vencedor da edição 2007

«Wonderful Town», de Aditya Assarat
Vencedor da edição de 2008

«Ballast», de Lance Hammer
Vencedor da edição de 2009
«Go Get Some Rosemary (aka Daddy Longlegs)», de Benny Safdie e Josh Safdie
Vencedor da edição de 2010

terça-feira, 17 de maio de 2011

IndieLisboa 2011: Best of

Para finalizar os posts sobre o IndieLisboa 2011, e para não vos maçar muito mais com o assunto, resta apresentar a lista daqueles que foram os meus 10 filmes preferidos da última edição do festival. Fazendo um balanço dos últimos dias, apesar de algumas desilusões, acho que este foi um dos anos em que os filmes que tive oportunidade de ver estavam acima da média. Espero que tenham gostado de acompanhar as sessões comigo e para o ano haverá mais.

«Gravity Was Everywhere Back Then», de Brent Green

«Neds», de Peter Mullan

«Finisterrae», de Sergio Caballero

«América», de João Nuno Pinto

«Morgen», de Marian Crisan

«Simon Werner a Disparu...», de Fabrice Gobert

«O Atalho», de Kelly Reichardt

«The Agony And The Ecstasy Of Phil Spector», de Vikram Jayanti

«Johnnie Got His Gun!», de Yves Montmayeur

«Lemmy», de Greg Olliver e Wes Orshoski

IndieLisboa 2011: O Atalho, de Kelly Reichardt (2010)

Depois de tanto e tão bom cinema visto durante mais de uma semana, 20 sessões no total, o IndieLisboa 2011 acabou com chave de ouro com outro dos nomes que já começa a ser presença habitual no festival. Trata-se de «O Atalho» («Meek's Cutoff», no original), o mais recente filme da realizadora norte-americana Kelly Reichardt. Uma vez mais com Michelle Williams num dos papéis principais, depois do fabuloso «Wendy & Lucy», desta vez a proposta de Reichardt é um western. E que belo western realizou Kelly Reichardt.

«O Atalho» conta a história de um grupo de peregrinos que resolve afastar-se da caravana principal seguindo por um atalho a conselho de Stephen Meek (Bruce Greenwood), um explorador que se diz conhecedor do terreno, mas que mais parece um fanfarrão. Com uma bela fotografia, que espelha bem a aridez das paisagens desertas do estado do Oregon, «O Atalho» é um excelente western sobre a conquista do Oeste norte-americano. Ao longo do filme vamos seguindo este grupo de imigrantes, que abandonaram as suas vidas em busca de algo melhor, como se fossemos um deles. E estamos em boa companhia, com um elenco muito bom.

É este um dos grandes trunfos do filme, que faz com que entremos na aventura com os peregrinos e à medida que a acção avança começamos a ter as mesmas preocupações que eles. Será que estão no caminho certo? Stephen Meek sabe o que está a fazer ou nem por isso? Tal como em «Wendy & Lucy» o filme não dá grandes respostas, e o final em aberto repete-se, como para nos dizer que algo irá ainda acontecer. Mas isso é lá com as personagens. Nós vamos à nossa vida e elas à delas. E regressamos contentes por termos visto mais um grande filme, um passo em frente na carreira de Kelly Reichardt, que não se espalho ao comprido ao aventurar-se num filme um pouco mais ambicioso do que os anteriores.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

IndieLisboa 2011: Johnnie Got His Gun!, de Yves Montmayeur (2010)

Uma das grandes ausências da edição deste ano do IndieLisboa foi Johnie To, um dos melhores realizadores de Hong Kong cujos filmes passaram no festival desde a primeira edição. Apesar desta ausência, felizmente uma das sessões foi este documentário de Yves Montmayeur sobre a carreira de To, um dos nomes que conheci precisamente através do Indie e cujos filmes de acção me têm deliciado ao longo dos últimos anos. E não podia ter começado melhor, com o realizador a contar como foi filmada uma das cenas do genial «Breaking News», o primeiro filme que vi dele.

A partir daqui e durante uma hora, «Johnnie Got His Gun!» passa em análise os pontos altos da carreira de Johnie To, com entrevistas ao próprio e à trupe que o rodeia, desde os actores que entraram em alguns filmes aos técnicos que o ajudaram a tornar os seus filmes de acção o melhor que se faz em Hong Kong. Um dos destaques do documentário são as cenas de alguns dos seus filmes («Exiled», «Election», «PTU», «The Mission») que são o pano de fundo para a conversa com To, que às tantas diz uma coisa curiosa, com a qual tendo a concordar, sobretudo a última frase. Foi qualquer coisa como isto: os bons filmes foram feitos antes dos anos 1980. A partir daí a qualidade começou a cair. Johnie To termina esta sequência, onde assume a influência que Coppola e Scorsese tiveram nos seus filmes, a afirmar que hoje em dia o cinema está muito melhor tecnicamente, mas já não tem muito para dizer.

De fora do documentário ficaram os filmes de Johnie To que não se encaixam no universo do cinema de acção do realizador, alguns dos quais bem estranhos e que passaram na edição de 2008 do Indie, quando foi homenageado como um dos heróis independentes do festival. «Johnnie Got His Gun!» é um excelente olhar sobre a obra de um realizador muito bom, mas pouco conhecido fora do mercado asiático e do circuito dos festivais. Por cá penso mesmo que nunca chegou a estrear nenhum dos seus filmes, apesar de terem sido comprados por distribuidoras nacionais.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Johnnie Got His Gun from Fabien Bouillaud on Vimeo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

IndieLisboa 2011: The Agony and the Ecstasy of Phil Spector, de Vikram Jayanti (2009)

A segunda e última sessão do IndieMusic de Sábado foi dedicada a um documentário sobre o produtor Phil Spector, um dos maiores génios da música popular e ao mesmo tempo uma das figuras mais estranhas e polémicas de sempre. O documentário de Vikram Jayanti baseia-se sobretudo numa longa entrevista que o ex-produtor deu ao realizador em sua casa antes de um primeiro julgamento onde Phil Spector era acusado de ter assassinado a actriz Lana Clarkson, num incidente com contornos que continuam por explicar. E continuará a ser um daqueles episódios da cultura popular que nunca se saberá o que aconteceu. Nesse primeiro julgamento o resultado foi inconclusivo, mas num segundo Phil Spector acabou por ser condenado a uma pena pesada.

O primeiro julgamento é uma das partes do documentário, com algumas imagens do mesmo a serem mostradas, incluindo as audições de algumas das testemunhas e a apresentação das provas por parte dos advogados. Em paralelo surge a entrevista de Phil Spector, onde o criador da técnica do Wall of Sound aborda o caso, conta inúmeros episódios (por exemplo, como a utilização da música «Be My Baby», sem autorização, no início de «Mean Streets» poderia ter ditado o fim da carreira de Martin Scorsese) e sobretudo, a melhor parte, quando explica como produziu algumas das melhores pérolas da música pop dos anos 1960 e 1970, para nomes como Ike e Tina, os Beatles, John Lennon, George Harrison ou as Ronettes.

«The Agony and the Ecstasy of Phil Spector» é um retrato sincero de um homem solitário, extravagante, que teve inúmeros problemas e lutou contra tudo e contra todos. Mas foi um génio e como todos os génios um incompreendido no seu tempo. O próprio não deixa de o referir ao longo da entrevista, quando se compara inúmeras vezes com Leonardo Da Vinci. Apesar de não ser um daqueles documentários que maravilham, o filme de Vikram Jayanti não deixa de ser uma grande lição de história da música popular.

Nota: 4/5

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IndieLisboa 2011: This Movie Is Broken, de Bruce McDonald (2010)

O IndieLisboa já terminou, mas ainda há alguns filmes para falar. Depois de «Post Mortem» o resto do Sábado foi dedicado à secção IndieMusic. E foram duas boas sessões. A primeira foi «This Movie Is Broken», uma surpresa, pois é um filme realizado por Bruce McDonald, autor do inenarrável «Os Fragmentos de Tracey». Desta vez não houve grande espaço para experiências, como no filme protagonizado por Ellen Page, pois praticamente este é um concerto da banda canadiana Broken Social Scene, com uma história romântica metida pelo meio.

«This Movie Is Broken» foi uma boa descoberta, sobretudo no capítulo musical. Há já algum tempo que tinha curiosidade em conhecer melhor a música dos Broken Social Scene e esta foi uma boa porta de entrada. O concerto foi um espectáculo gratuito da banda em Toronto, ocorrido em 2009 e mostra-os em grande forma, com os diversos convidados que fazem parte da trupe. Quem os conhece sabe que são muitos, uma espécie de Arcade Fire mais roqueiros, e eles próprios referem no concerto que aquela era uma oportunidade para os verem todos ao mesmo tempo em palco.

Este concerto é também pretexto para contar a história de Bruno (Greg Calderone), um jovem que no dia do concerto acorda ao lado de Caroline (Georgina Reilly), a rapariga que foi a sua paixão de sempre mas cujo relacionamento nunca foi além da amizade. «This Movie Is Broken» vai alternando assim as sequências do concerto com cenas da história do casal, que resolve assistir ao concerto porque é a banda favorita da rapariga, que por sua vez parte no dia seguinte para Paris. Esta é a parte mais fraca do filme, pois a história não é nada de transcendente e as interpretações deixam um pouco a desejar. Mas compensa pela excelente música do grupo, que é um dos grandes nomes da música nascida no Canadá nos últimos tempos. «This Movie Is Broken» tanto serve para atrair novos fãs como para consolidar a legião que os Broken Social Scene já têm. Como descoberta, vale a pena.

Nota:4/5

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Banda Sonora: Schizophrenia, de Sonic Youth

«Schizophrenia», de Sonic Youth - Banda Sonora de «Simon Werner A Disparu...», de Fabrice Gobert