terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mario Monicelli (1915-2010)

2010 parece estar a ser um ano em que o mundo do cinema morre todo ao mesmo tempo. No final de Setembro numa semana morreram vários mitos da Sétima Arte. Esta semana são já três os nomes ligados ao Cinema que deixam este mundo. O mais recente foi Mario Monicelli, realizador italiano considerado o Pai da comédia italiana, que teve um fim trágico: suicidou-se no hospital onde se encontrava à espera da morte, pois tinha cancro na próstata já em fase terminal.

Ao longo de 95 anos Mario Monicelli realizou 66 filmes e assinou mais de uma centena de argumentos. A sua estreia nas longas metragens dá-se em 1935 com «I ragazzi della via Paal» e atinge o auge a partir de 1958 com o genial «Gangsters Falhados» (há uma versão norte-americana recente). Um ano mais tarde conquista o Leão de Ouro de Veneza com «A Grande Guerra», filme que lhe garante também uma nomeação para Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mario Monicelli regressaria à lista dos nomeados para a mesma estatueta em 1963, com o filme «I Compagni». A sua última realização foi este ano: a curta «La nuova armata Brancaleone».

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Irvin Kershner (1923–2010)

No mesmo dia que foi notícia a morte de Leslie Nielsen soube-se que também Irvin Kershner faleceu. Não fez carreira como actor, apesar de ter desempenhado papéis em cinco filmes, entre os quais «A Última Tentação de Cristo», de Martin Scorcese, mas como realizador. Na sua carreira conta com 15 longas metragens, as mais populares «O Império Contra-Ataca», o segundo capítulo da saga «Guerra das Estrelas» e para muitos o melhor da trilogia original, «Nunca Digas Nunca», um dos filmes de James Bond não oficiais, e «RoboCop 2», o seu último filme, estreado em 1990. Realizou ainda diversos episódios de séries para televisão e alguns telefilmes. Faleceu vítima de doença prolongada.

Leslie Nielsen (1926-2010)

Faleceu Leslie Nielsen, actor que ficou mais conhecido como comediante, sobretudo depois da sua aparição em filmes como «Aeroplano» ou na série «Aonde é que Pára a Polícia». Aos 84 anos o actor canadiano foi vítima de pneumonia num hospital da Florida. Com uma carreira de mais de 200 filmes, entre participações no grande e pequeno ecrã, onde começou na década de 1950 é nos anos 1980 que desponta em «Aeroplano» e na série de TV «Police Squad!», que mais tarde vai estar na origem dos três filmes da série «Aonde é que Pára a Polícia». A sua última aparição de relevo foi no quarto filme da saga «Scary Movie».

Banda Sonora: The National Express, Divine Comedy

domingo, 28 de novembro de 2010

Machete, de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis (2010)

Filmes bons a imitar os que são maus às vezes irritam-me. «Machete», que chegou esta semana às salas de cinema, é um deles. Não que o filme seja mau, até gostei. Está muito bem feito para o objectivo que pretende ser (homenagear um género que o realizador gosta) e é bom entretenimento que não deixa os fãs do género desiludidos. Tem bons personagens, daqueles que não lembram a ninguém de tão bons que são, tiros, facadas e explosões a rodos (a cena dos intestinos no hospital é um mimo), mulheres giras e diálogos geniais. Mas espremendo o sumo daquilo, por muito bom que seja o resultado, soa a falso. Já me tinha acontecido o mesmo quando vi «À Prova de Morte», para mim o filme mais fraco de Quentin Tarantino.

O Machete (Danny Trejo) que dá nome ao filme é um ex-Federale incorruptível que se mete com quem não deve: o terrível traficante Torrez (Steven Seagal). Aqui os papéis inverteram-se, pois normalmente Seagal costuma interpretar o herói de serviço e Trejo é um secundário habituado a papéis de mau. Um dos problemas de «Machete» é que esta dupla é composta por dois maus actores, que não conseguem aproveitar boas personagens por muito que tentem. Especialmente Seagal. Aquela cena final é do mais mauzinho que tenho visto, mas uma vez mais, talvez tenha sido o objectivo de Rodriguez ter uma dupla de maus actores.

A história é o habitual neste tipo de filmes. Depois de quase ser morto às mãos de Torrez, que pelo caminho matou a família do Federale, Machete tem uma oportunidade de se vingar quando é contratado por Michael Booth (Jeff Fahey) para matar o Senador John McLaughlin (Robert DeNiro), que defende políticas anti-migração mas tem uma agenda escondida, que envolve Torrez.

Como já referi não há nada que falte a esta imitação de filme chunga, que é tão perfeito que acaba por perder a piada. Confesso que prefiro mil vezes o velhinho e original El Mariachi. «Machete» vale pelo entretenimento que garante e pelos inúmeros e bons secundários, muito bem interpretados. Não só Jeff Fahey e DeNiro, mas também o elenco feminino (de Jessica Alba a Michelle Rodriguez, passando por Lindsay Lohan) e Cheech Marin, que interpreta um padre muito original.

No fundo este é o filme que fariam os realizadores preferidos de Rodriguez e Tarantino se tivessem meios para fazer uma coisa como deve ser. Mas se calhar se o tivessem feito, hoje ninguém falava neles. Ou parafraseando o anúncio, não era a mesma coisa.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Para recordar fica o trailer que saiu com Grindhouse:

Sangue e Prata, de Raoul Walsh (1948)

Errol Flynn tornou-se popular a protagonizar heróis em filmes de aventuras. Robin Hood é apenas um dos exemplos. Não é isso que acontece em «Sangue e Prata» um western de Raoul Walsh realizado em 1948, onde interpreta Mike McComb, um capitão do exército federal que é afastado da carreira militar depois de optar por queimar um milhão de dólares que iriam parar às mãos do inimigo sulista. Este episódio leva-o a procurar outras paragens, já com uma personalidade mais obscura, e é em Silver City que resolve assentar arraiais com o objectivo de criar um casino.

Mas antes de chegar à pequena localidade, que depende fortemente das minas de prata, cruza-se com Georgia Moore (Ann Sheridan) a mulher do dono de uma das minas por quem acaba por se apaixonar. Esta paixão e as suas jogadas para conquistar tudo e todos (não só Georgia, mas também os terrenos que lhe darão cada vez mais dinheiro) acabam por nos mostrar uma personagem sem escrúpulos, a completa antítese do Errol Flynn mais popular. Foi por isso que o filme acabou por não ter grandes resultados na bilheteira, pois o público não estava habituado e não queria ver Flynn a fazer de vilão.

Além de ser um filme sobre a ambição e a busca de poder e com um vincado sentido político, «Sangue e Prata» remete também para uma história bíblica. O caso entre McComb e Georgia é uma variante da história do Rei David, que envia um general para a frente de batalha para ficar com a sua mulher. Esta é explicada por uma personagem secundária bastante importante para a história, o advogado John Plato Beck (uma excelente interpretação de Thomas Mitchell), que não deixa de atirá-la à cara de McComb sempre que pode.

(Spoiler) McComb acaba por se redimir no final do filme quando lidera a multidão de mineiros que vai expulsar os assassinos de John Plato Beck, que entretanto se tinha candidatado a senador. Esta é uma das cenas mais bem conseguidas do filme, com a enorme turba a entrar em Silver City por todos os lados, não deixando nenhuma abertura. Uma vez mais Raoul Walsh mostra aqui como consegue filmar de forma magistral multidões. Não nos podemos esquecer que nos anos 1940 ainda estávamos muito longe dos efeitos digitais de hoje, que conseguem criar uma multidão através de computador.

A banda sonora de Max Steiner também está muito boa, tanto nesta cena final referida anteriormente, como nas primeiras cenas do filme, quando são retratadas algumas batalhas da Guerra Civil americana ou mesmo na perseguição inicial que dá origem ao tal episódio da expulsão de McComb do exército.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Em Cartaz: Semana 25/11/2010

O Americano, de Anton Corbijn
22 Balas, de Richard Berry
O Concerto, de Radu Mihaileanu
Imparável, de Tony Scott
Machete, de Ethan Maniquis e Robert Rodriguez
O Mundo é Grande e a Salvação Espreita ao Virar da Esquina, de Stephan Komandarev

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tim Burton de regresso ao museu

No ano passado por esta altura o MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, recebeu a primeira grande exposição dedicada ao universo de Tim Burton. Agora o(s) mundo(s) do cineasta voltam a estar reunidos no mesmo espaço, desta vez em Toronto no Canadá. A partir da próxima sexta-feira, dia 26 de Novembro, e até 17 de Abril de 2011 a exposição vai estar patente no TIFF Bell Lightbox.

Além das mais de 700 peças em exibição, desde desenhos a esculturas, passando por maquetes e vídeos, um dos destaques da mostra vai ser uma retrospectiva à carreira de Tim Burton. Este ciclo inclui, além da projecção das 14 longas do realizador, de «A Grande Aventura de Pee Wee» a «Alice no País das Maravilhas», e de duas que produziu («James e o Pêssego Gigante» e «O Estranho Mundo de Jack», ambos de Henry Selick) 16 filmes que o influenciaram. Todas as sessões são duplas.

Este é o programa:

«Alice no País das Maravilhas» (2010) e «Desperate Living», de John Waters (1977)
«O Homem Que Ri», de Paul Leni (1928) e «Batman» (1989)
«Vinte Mil Léguas Submarinas», de Richard Fleischer (1954) e «Charlie e a Fábrica de Chocolate» (2005)
«Ed Wood» (1994) e «Bride of the Monster», de Edward D. Wood Jr. (1955)
«Marty», de Delbert Mann (1955) e «Eduardo Mãos de Tesoura» (1990)
«Gojira», de Ishiro Honda (1954) e «Marte Ataca!» (1996)
«Nosferatu», de F.W. Murnau (1922) e «O Estranho Mundo de Jack», de Henry Selick (1993)
«First Men in the Moon», de Nathan Juran (1964) e «O Planeta dos Macacos» (2001)
«Horror of Dracula», de Terence Fisher (1958) e «A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» (1999)
«Pintores e Raparigas», de Frank Tashlin (1955) e «A Grande Aventura de Pee Wee» (1985)
«Jason and the Argonauts», de Don Chaffey (1963) e «James e o Pêssego Gigante», de Henry Selick (1996)
«Repulsa» de Roman Polanski (1965) e «Batman Regressa» (1992)
«Theatre of Blood», de Douglas Hickox (1973) e «Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street» (2007)
«O Mundo Perdido», de Harry O. Hoyt (1925) e «A Noiva Cadáver» (2005)
«O Fantasma Apaixonado», de Joseph L. Mankiewicz (1947) e «O Grande Peixe» (2003)
«8 1/2», de Federico Fellini (1963) e «Os Fantasmas Divertem-se» (1988)

Mais informações sobre a exposição neste link. Para quem não poder ir fica um cheirinho do que poderá ser visto em Toronto:

Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (2010)

«Os Miúdos Estão Bem» é um retrato de uma família composta por duas mães e dois filhos que começa a atravessar uma fase de turbulência quando um dos jovens decide conhecer o pai biológico. Só esta frase poderia afastar muita gente do filme, devido a preconceitos de cariz sexual, mas este é um retrato de uma família normal que acontece ter duas mães em vez de um pai e uma mãe. E uma família normal porque Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), as duas mães que compõem o casal de lésbicas educaram os seus petizes Joni (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton) e Laser (Josh Hutcherson), como se fossem uma família tradicional. O seu comportamento apenas se vem alterar quando se dá o encontro com Paul (Mark Ruffalo), o dador de esperma que foi utilizado pelas duas para engravidarem.

Além desta faceta do choque entre três personagens que nada têm em comum, «Os Miúdos Estão Bem» aborda também a questão da adolescência e o despertar para a sexualidade por parte dos dois filhos. A rapariga está prestes a entrar para a faculdade e a abandonar o lar enquanto o rapaz faz as tropelias normais de um jovem inconsciente ao lado de um amigo bastante parvo, que parece saído da série Jackass. Com excepção de Mark Rufallo, que faz um papel de personagem engraçadinha mas sem graça, todos os elementos da família têm uma boa prestação, sobretudo as duas mães, que têm uma excelente química. Quase que parece que estão a interpretar um casal a sério.

Estamos assim perante uma comédia dramática que precisava de ir um pouco mais longe para produzir o efeito desejado. O problema é que «Os Miúdos Estão Bem» não consegue ser atingir o alvo na maioria das cenas mais cómicas (por exemplo, penso que a personagem do jardineiro que ajuda Jules podia ter sido melhor aproveitada) e as cenas dramáticas também pecam por não ser convincentes. Um bom filme para ver numa tarde de fim-de-semana.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

domingo, 21 de novembro de 2010

Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami (2010)

(Crítica com spoilers)

Despachemos já a coisa: «Cópia Certificada» é um dos melhores filmes que vi estrear durante este ano. O mais recente filme do iraniano Abbas Kiarostami tem tanto de belo como de simples e é daqueles que por muito que escreva nunca hei-de conseguir dizer quão bom é. Esta é a história de um escritor (William Shimell) que vai a Itália apresentar o seu mais recente livro. No dia seguinte à apresentação vai ter com uma mulher, dona de uma loja de antiguidades (Juliette Binoche), e juntos vão dar um passeio por uma pequena vila da Toscana. (o spoiler vem a seguir)

Durante este passeio vamos descobrindo que afinal os dois não são apenas dois desconhecidos que nutrem uma admiração mútua pelo respectivo trabalho mas antes um casal que atravessa uma fase bastante complicada. O que começa por ser uma reflexão sobre a arte e o que é original e uma cópia, transforma-se numa discussão sobre o amor e como segurar um casamento à beira da ruína. Quase que podemos ver neste «Cópia Certificada» uma 'cópia' de outro belo filme: «Viagem em Itália», de Roberto Rossellini. E até o próprio título roça o genial, de tão perfeito que é.

Praticamente apenas com dois actores, sem descurar o papel dos inúmeros secundários que em certos casos ajudam ao desenrolar da história, Abbas Kiarostami faz um excelente retrato daquela relação complicada, que acabamos por não saber se vai ou acabar bem. Os dois actores principais estão magistrais. Binoche já não é surpresa nenhuma, pois assegura mais uma bela interpretação, mas William Shimell é uma boa surpresa, sobretudo sabendo que não é um actor de raiz, antes um barítono. Um grande filme que merece bem ser visto em sala.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

Dos Homens e Dos Deuses, de Xavier Beauvois (2010)

Baseado num acontecimento verídico, o massacre de um grupo de monges que habita num mosteiro situado numa aldeia argelina durante a Guerra Civil do país, «Dos Deuses e Dos Homens» pode-se considerar mais um filme que foca um tema bastante actual, apesar de a acção ter lugar em 1996. Com esta nova longa metragem Xavier Beauvois foca o conflito de religiões e o papel que estas têm na sociedade.

Este podia bem ser um filme para provocar uma reflexão sobre um tema complexo e penso que é o único objectivo que consegue atingir, de espaços a espaços, se tivermos um bocado de paciência. O problema de «Dos Deuses e Dos Homens» é que acaba por se tornar um pouco maçudo passado pouco tempo. A narrativa custa a desenvolver e parece que Xavier Beauvois não conseguiu dar muito espaço às personagens, deixando-as por ali a vaguear. Ainda mais no caso dos habitantes da aldeia, mesmo notando que há ali uma cumplicidade destes com os monges, há muitos espaços em branco que ficaram por preencher.

«Dos Deuses e Dos Homens» não deixa contudo de ter algumas boas cenas e uma bela fotografia, sobretudo nas cenas em que se retrata os períodos de reflexão do grupo de monges. Fora isso, tudo parece ter-se perdido.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB

sábado, 20 de novembro de 2010

O Rei da Evasão, de Alain Guiraudie (2009)

Se há filmes que não têm pés nem cabeça, «O Rei da Evasão» é um deles. Com a agravante de ser um mau filme. Armand Lacourtade (Ludovic Berthillot) é um vendedor de tractores homossexual que vive numa localidade do interior de França. A sua vida muda quando salva a jovem Curly (Hafsia Herzi, a jovem actriz que se estreou em «O Segredo de um Cuscuz», de Abdellatif Kechiche), uma adolescente de 16 anos filha de um vendedor rival de Armand, de ser violada. Até aqui é tudo mais ou menos sério. O problema é quando a rapariga resolve apaixonar-se por Armand, que por sua vez a vai raptar, e tudo deixa de ter sentido.

De repente temos um casal altamente improvável (uma jovem que está a descobrir o sexo e um homem de 43 anos gordo, com pouco a dever à beleza e homossexual) a fugir de tudo e de todos. O argumento perde completamente o sentido, pois não basta o casal ser estranho, também as restantes personagens são uma pior que a outra. Em suma, um filme que é uma perda de tempo, completamente inenarrável. E deixou-me sem vontade de ver um filme anterior de Alain Guiraudie que tinha uma certa curiosidade em ver: «Os Bravos Não Têm Descanso».

Nota: 1/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Banksy entre os pré-nomeados aos Óscares para Melhor Documentário

Depois de ter anunciado a lista dos pré-nomeados a Melhor Filme de Animação, a Academia divulgou hoje os 15 candidatos a candidatos a ganhar o Óscar para Melhor Documentário, escolhidos a partir de uma lista de 101 propostas. Uma das surpresas é a presença do filme «Exit through the Gift Shop» realizado por Banksy, o polémico e genial graffiter britânico que ninguém sabe quem é apesar de ser um dos mais conhecidos street artists da actualidade. Será desta que a sua identidade é revelada?

E os nomeados são:

«Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer», de Alex Gibney
«Enemies of the People», de Rob Lemkin e Thet Sambath
«Exit through the Gift Shop», de Banksy
«Gasland», de Josh Fox
«Genius Within: The Inner Life of Glenn Gould», de Michele Hozer e Peter Raymont
«Inside Job - A Verdade da Crise», de Charles Ferguson
«The Lottery», de Madeleine Sackler
«Precious Life», de Shlomi Eldar
«Quest for Honor», de Mary Ann Smothers Bruni
«Restrepo», de Tim Hetherington e Sebastian Junger
«This Way of Life», de Thomas Burstyn
«The Tillman Story», de Amir Bar-Lev
«Waiting for Superman», de Davis Guggenheim
«Waste Land», de Lucy Walker
«William Kunstler: Disturbing the Universe», de Emily Kunstler e Sarah Kunstler

Em Cartaz: Semana 18/11/2010

Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami
Yuki & Nina, de Nobuhiro Suwa e Hippolyte Girardot
Saw 3D, de Kevin Greutert
Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1, de David Yates
José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

RED - Perigosos, de Robert Schwentke (2010)

Baseado numa banda desenhada da DC Comics «RED - Perigosos» é um filme de puro entretenimento, que arranca bons momentos sem nunca ser nada de muito transcendente. O RED (não traduzo a sigla para não perder a piada) que dá nome ao título é Frank Moses (Bruce Willis) um ex-agente da CIA na reforma que começa a ser perseguido pelo Governo dos EUA quando está na pacatez do seu lar e prestes a partir ao encontro de Sarah Ross (Mary-Louise Parker), uma funcionária pública por quem se apaixonou ao telefone. Esta vê-se metida no meio de uma conspiração que envolve ainda outros agentes da antiga equipa de Frank, que participaram numa certa missão nos anos 1980.

Com um elenco cheio de actores veteranos (Helen Mirren, John Malkovich, Morgan Freeman, Brian Cox e o veteraníssimo Ernest Borgnine, actor que não sabia que ainda estava entre nós), «RED - Perigosos» é daqueles filmes que vemos sem dar muita atenção aos pormenores. É divertimento e basta, nunca quis ser nada mais do que isso. E o resultado até acaba por ser razoável, ao contrário de muitos filmes que se vêem por aí. Quase que podemos descrevê-lo com o ditado 'vale mais cair em graça do que ser engraçado'.

O argumento não tem pés nem cabeça, as personagens são cada uma mais maluca do que a outra (o Marvin Boggs de Malkovich está genial, para mim é uma das melhores personagens do ano) e há cenas que não lembram a ninguém, como por exemplo a saída de Frank Moses do carro da polícia em plena derrapagem. Mas «RED - Perigosos» passa no teste devido a mais um aspecto: parece que os actores se divertiram mesmo a fazer o filme. Se não o fizeram, disfarçaram todos muito bem.


Nota: 3/5

Site oficial do filme

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Hora do Lobby

Nunca tive muito jeito para fazer campanhas, mas aproveito para fazer mais um apelo ao voto n'«A Última Sessão» nos «TCN Blog Awards 2010». Para quem ainda não o fez ainda vai a tempo. A votação está a decorrer até ao final do mês e agradeço a participação de todos, pois cada voto será útil. E não compromete o futuro do país nem implica a vinda do FMI. Também confesso que achei uma certa piada fazer um trocadilho parvo com o título de um filme do Bergman.

Documentários Musicais de regresso à Fonoteca Municipal de Lisboa

Começa hoje e decorre até Sábado a sexta edição da Mostra de Filmes Documentários «Imagens Sobre Música», uma iniciativa da Fonoteca Municipal de Lisboa que tem como objectivo divulgar documentários sobre a música que se faz em Portugal ou de expressão portuguesa. Com entrada livre e sempre a partir das 18h, eis as obras que podem ser vistas:

16 Novembro (terça-feira)
[18:00] Musicbox Club Docs: Micro Audio Waves (58') realiz. Paulo Prazeres, co-produção CTL – Cultural Trend Lisbon e Droid ID, 2010.
[19:10] Significado – A Música Portuguesa se Gostasse dela Própria (50’) realiz. Tiago Pereira*, prod. d’Orfeu Associação Cultural, 2010.

17 Novembro (quarta-feira)
[18:00] Musicbox Club Docs: JP Simões (58') realiz. Paulo Prazeres, co-produção CTL – Cultural Trend Lisbon e Droid ID, 2010.
[19:10] O Fado é Bom Demais… (32' 50’’) realiz. José Machado Pais, prod. Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2010.

18 Novembro (quinta-feira)
[18:00] Musicbox Club Docs: X-Wife (58') realiz. Paulo Prazeres, co-produção CTL – Cultural Trend Lisbon e Droid ID, 2010.
[19:10] O Lendário ‘Tio Liceu’ e os Ngola Ritmos (55’) prod. e realiz. Jorge António, prod. associado Lx Filmes, 2009.

19 Novembro (sexta-feira)

[18:00] Musicbox Club Docs: Terrakota (58') realiz. Paulo Prazeres, co-produção CTL – Cultural Trend Lisbon e Droid ID, 2010.
[19:10] On the Road to Femina (58’) realiz. Jorge Quintela, prod. Bando à Parte, 2010.

20 Novembro (sábado)

[18:00] Musicbox Club Docs: Dealema (58') realiz. Paulo Prazeres, co-produção CTL – Cultural Trend Lisbon e Droid ID, 2010.
[19:10] Divino: Folia, Festa, Tradição e Fé no Litoral do Paraná (28’) realiz. Lia Marchi e Maurício Osaki, prod. Olaria Projetos de Arte e Educação, 2008. Dias de Reis: a História de uma Companhia de Reis de Curitiba (26’) realiz. Lia Marchi e Maurício Osaki, prod. Olaria Projetos de Arte e Educação, 2009.

Mais informações aqui.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pré-nomeados aos Óscares de Melhor Animação

A Academia acaba de apresentar os 15 pré-nomeados na categoria de Melhor Animação da 83ª edição dos Óscares. Desta lista vão sair os três nomeados (faltou um para serem cinco os nomeados) para a estatueta dourada. Há de tudo um pouco, desde animação europeia a asiática, passando pelos clássicos da Disney, Pixar e Dreamworks. Animação para adultos e crianças. Uma boa lista, mas desconfio que os três nomeados serão os suspeitos do costume.

E os nomeados são:

«Alpha and Omega», de Anthony Bell e Ben Gluck
«Cães e Gatos: A Vingança de Kitty Galore», de Brad Peyton
«Gru - O Maldisposto», de Pierre Coffin,« e Chris Renaud
«The Dreams of Jinsha», de Chen Deming
«Como Treinares o Teu Dragão», de Dean DeBlois e Chris Sanders
«Idiots and Angels», de Bill Plympton
«O Ilusionista», de Sylvian Chomet
«Lenda dos Guardiões», de Zack Snyder
«Megamind», de Tom McGrath
«My Dog Tulip», de Paul Fierlinger e Sandra Fierlinger
«Shrek Para Sempre», de Mike Mitchell
«Guerras de Verão», de Mamoru Hosoda
«Entrelaçados», de Nathan Greno e Byron Howard
«Sininho Salva as Fadas», de Bradley Raymond
«Toy Story 3», de Lee Unkrich

Vamos jogar aos dardos?

A cabine do Projeccionista foi atingida por um dardo enviado directamente do «Obscuro Tempo», blogue de Ruy Obscuro. Ao que parece manda a tradição que o dardo seja reenviado para outros 10 blogues. Vai uma partida de dados? Eis os meus escolhidos, sem ordem de preferência, que vão ter de os enviar para outros blogues:

Cinema Notebook
Cinema & Cigarros
Continuum
Febre da 7ª Arte
Keyzer Soze's Place
Movie Wagon
O Homem Que Sabia Demasiado
Rick's Cinema
Snail's Track
The Sock Gap 2

Os visados devem, se quiserem, prosseguir o jogo.

Banda Sonora: We Used To Wait, Arcade Fire

A Rede Social, de David Fincher (2010)

Se «Inside Job», ao analisar um tema como a crise financeira que vivemos, é um filme bastante actual, «A Rede Social» também o é. Não necessariamente por focar um tema específico mas um fenómeno dos dias de hoje que literalmente liga toda a gente: o Facebook. Mas além de ser um filme sobre a rede social onde toda a gente está, contada através dos dois processos que foram impostos a Mark Zuckerberg pelo seu ex-melhor amigo e por três colegas de universidade que alegam que o site foi ideia deles, esta é também a história do seu criador.

Sem recorrer a actores conhecidos, o nome mais sonante no elenco talvez seja Justin Timberlake, «A Rede Social» é um filme que se vê bem, mas deixará os adeptos de David Fincher algo desiludidos. Não há nenhuma interpretação que marque, nem mesmo a de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg. E este papel tinha tudo para ser bom, pois a personagem até é complexa. Não se trata de alguém normal que cria um site assim do dia para o outro. A personagem de Mark Zuckerberg (nunca saberemos se é como o filme o retrata, pois este é baseado numa biografia não autorizada do criador do Facebook) vista por David Fincher e Aaron Sorkin, o argumentista, é um génio bastante fechado, com problemas em relacionar-se com os outros que o levam a fazer as coisas à sua maneira e sem se preocupar com o que acontece à sua volta.

O excelente final, que acaba um pouco como tudo começou, é disso exemplo. (Spoiler a caminho) Mesmo depois de ter feito o que fez à ex-namorada logo no início do filme, e que no fundo foi a génese do Facebook, uma espécie de vingança contra as raparigas que não lhe ligavam nenhuma e contra os grupos de Harvard que não lhe abriam as portas, Mark Zuckerberg acaba por enviar-lhe um pedido de amizade. No fundo Mark só queria estar no centro das atenções. E consegue-o, pelas melhores ou pelas piores razões. A música «Baby You're a Rich Man», dos Beatles, é a cereja no topo do bolo no final de «A Rede Social».

E já que falamos em música, não posso deixar de referir a excelente banda sonora do filme, que esteve a cargo de Trent Reznor e Atticus Ross que se adequa perfeitamente ao ritmo e à montagem do filme, sem qualquer falha. Nota-se a presença do homem forte dos Nine Inch Nails a criar um ambiente que assenta como uma luva ao que se vai passando.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

domingo, 14 de novembro de 2010

Palmarés do Estoril Film Festival 2010

Foram anunciados há pouco os vencedores do Estoril Film Festival 2010. O realizador sérvio Nikolai Lezaic venceu o prémio de melhor filme na edição deste ano do festival, com «Tilva Rosh», a história de dois rapazes adolescentes cuja relação se altera durante umas férias de Verão do fim do Secundário com a chegada de uma amiga que vem de França.

O palmarés completo é o seguinte:

Melhor Filme
«Tilva Rosh» (Sérvia), de Nikolai Lezaic

Prémio Especial do Júri João Benárd da Costa
Isabelle Huppert, pela sua interpretação em «Copacabana» (França)

Prémio Montblanc Melhor Argumento
«Reverse Motion» (Rússia), argumento de Andrey Stempkovsky ,Anush Vardanyan, Givi Shavgulidze

Menção Honrosa
Zaur Bolotayev, pela Direcção de Fotografia de «Reverse Motion» (Rússia)

Prémio Cineuropa
«Tilva Rosh» (Sérvia)

Menção Especial
«Song of Tomorrow» (Suécia), realização de Jonas Holmstrom e Jonas Bergergard

Prémio Meo Melhor Curta-Metragem: Ex-aequo
«Sredni Vashtar», realização de Alana Osbourne, Institut National Supérieur des Arts du Spectacle (Bélgica)

«Sing Me Too Sleep», realização de Mgnus Arnesen, The Polish National Film Television e Theatre School (Polónia)

Menção Especial
«Le Dernier Instant», de Bouchra Moutaharik

Prémio L'óreal Jovem Talento
Joana de Verona

Prémio Concurso Curtas-Metragens Canon
ETIC

Prémios Especiais

John Malkovich

Marisa Paredes

Alberto Garcia-Alix

Baltasar Gárzon

Giya Kancheli

Vencedores do Cinanima 2010

Já são conhecidos os vencedores da edição deste ano do Cinanima, um dos maiores festivais portugueses dedicado ao cinema de animação. A curta metragem «Big Bang Big Boom», do italiano Blu, levou para casa o Grande Prémio Cinanima 2010 e «Piercing 1», de Liu Jian (China) conquistou o Prémio Para Melhor Longa Metragem. Os restantes prémios foram:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL:

Prémio Especial do Júri
«In Scale», de Marina Moshkova (Rússia)

Prémio Para Melhor Curta Metragem
«Teclopolis», de Javier Mrad (Argentina)

Menção Especial
«Sleep», de Claudius Gentinetta e Frank Braun (Suíça)

Prémio para Melhor Média Metragem
«Divers In the Rain», de Olga e Prit Parn (Estónia)

Prémio do Público
«Vicenta», de Sam (Espanha)

Prémio Melhor Filme Fim de Estudos e/ou Filme de Escola
«Stanley Pickle», de Vicky Mather (Reino Unido)

Prémio para Melhor Filme Publicidade e Informação
«Harmonix ‘The Beatles: Rock Band’ Intro Cinematic», de Pete Candeland (Reino Unido)

Menção Especial
«Going West», de Martin Andersen e Line Lunneman Andersen (Reino Unido)

Prémio José Abel
«Pivot», de André Bergs (Holanda)

Prémio Melhor Banda Sonora Original
«Graduation Film», de Idan Vardi (Israel)

Prémio RTP2: Onda Curta
«The Lost Thing», de Andrew Runeman e Shann Tan (Autrália)
«Lipsett Diaries», de Theodore Ushev (Canadá)
«In Scale», de Marina Moshkova (Rússia)
«Bridge Chronicles», de Hefang Wei (França)
«Teclopolis», de Javier Mrad (Argentina)
«I’m Going To Disneyland», de Antoine Blandin (França )
«Specky Four Eyes», de Jean-Claude Rozec (França)

COMPETIÇÃO NACIONAL:

Prémio Jovem Cineasta Português < 18 Anos

«Vai Tudo de Cana», de Crianças das Oficinas do Anilupa (Portugal)

Menção Honrosa
«O Lagarteiro», de Grupo de Crianças do Bairro do Lagarteiro (Portugal)

Prémio Jovem Cineasta Português > 18 Anos
«Akirema», de Vitor Carneiro e Jonas De Andrade (Portugal)

Prémio António Gaio
«Viagem a Cabo Verde», de José Miguel Ribeiro (Portugal)

Menção Honrosa
«Os Olhos Do Farol», de Pedro Serrazina (Portugal)
«Raio Xyz», de Joana Toste (Portugal)

No próximo domingo dia 21 de Novembro às 21h30 vai ser projectada no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, uma selecção com alguns dos vencedores do festival, como tem acontecido nos últimos anos. A entrada é gratuita.

sábado, 13 de novembro de 2010

Inside Job - A Verdade da Crise, de Charles Ferguson (2010)

Se não soubesse que estava a ver um documentário quando entrei na sessão de «Inside Job - A Verdade da Crise», durante o visionamento comecei a pensar se não seria antes um filme de terror. Depois de se estrear com um documentário sobre a guerra no Iraque no segundo documentário o realizador norte-americano Charles Ferguson volta a abordar uma questão dos tempos actuais: a crise dos mercados que rebentou em 2008 e que ainda hoje não se sabe bem qual a sua dimensão ou o que pode ainda acontecer. Basta pensarmos no que se está a passar todos os dias com Portugal e outros países europeus que os mercados apelidam, curiosamente, de PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha).

Sem recorrer à ironia guerrilheira de Michael Moore, que também assinou no ano passado uma história de amor ao capitalismo onde foca este tema, Charles Ferguson consegue explicar como é que os mercados chegaram ao ponto em que chegaram, devido à falta de regulamentação, que permitiu criar formas de as instituições financeiras lucrarem com produtos que sabiam que iam prejudicar as pessoas que lhes confiavam as suas poupanças. E o mais chocante é que a maioria dos envolvidos saiu impune e conseguiu ganhar milhões com os esquemas. Os exemplos são muitos e para piorar alguns continuam a ocupar cargos de responsabilidade em áreas que não deveriam.

Um dos grandes trunfos deste «Inside Job - A Verdade da Crise» é que conseguiu entrevistar alguns dos envolvidos e pessoas que apresentaram sinais a quem de direito para o que aí vinha, mas ao que tudo indica ninguém tinha interesse em ouvi-los. Mas compreende-se porque foram poucos os responsáveis que aceitaram falar, pois os que aparecem por vezes não sabiam o que responder ou afastavam-se da questão. Houve até um que às tantas diz ao realizador que o seu tempo está a terminar.

«Inside Job - A Verdade da Crise» foi feito como um alerta para explicar como é que tudo isto aconteceu e é um bom filme para que as pessoas conheçam melhor uma questão tão complexa. Nota-se uma certa tendência do realizador para apontar o dedo aos 'maus', se assim se pode dizer, mas Charles Ferguson não deixa de referir que pouco mudou com a chegada de Obama à Casa Branca, pois na sua equipa económica continuam pessoas que estiveram ligadas a instituições envolvidas nos problemas. Nem os republicanos nem os democratas esca

Mesmo quem não percebe muito de mercados financeiros, como é o meu caso, consegue ficar com uma pequena ideia sobre o que se passou. Ficam várias questões no ar, sobretudo como é que todos os envolvidos escaparam impunes e praticamente voltaram ao ponto de partida. Se calhar quando surgir a próxima crise vamos estar aqui a analisar um outro documentário.

Uma pequena nota. Optei por ir ver este filme para evitar uma sessão tão cheia, como é normal ao fim-de-semana. Mas fiquei surpreendido por estar numa sala bem composta o que pode significar duas coisas: ou temos público para ver bons documentário no cinema, sem ser em festivais, ou as pessoas gostam de saber mais sobre temas que nos dizem respeito. Independentemente da razão, se calhar apenas chegou às salas porque foi narrado por Matt Damon, dou os parabéns a quem se lembrou de distribuir «Inside Job - A Verdade da Crise».

Nota: 4/5 (Para quem se interessar sobre esta questão, recomendo também um excelente documentário, que passou na edição de 2009 do Indie Lisboa onde conquistou o prémio do público: «Encirclement», do canadiano Richard Brouillette. É um filme um pouco mais complexo, mas é uma excelente fonte sobre estes temas)

Site oficial do filme

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Última Sessão no Facebook muda de perfil

Fruto da minha azelhice consegui apagar a conta anterior do blogue no Facebook. O problema já está resolvido, quem quiser voltar a ser amigo de «A Última Sessão» pode fazê-lo aqui ou clicando no ícone ali ao lado. A todos os que já se tinham registado no perfil anterior, as minhas desculpas.

Dino De Laurentiis (1919-2010)

O produtor italiano Dino De Laurentiis, pertencente a uma das maiores famílias ligadas à Sétima Arte e nome sonante dessa mesma dinastia, faleceu ontem à noite em Los Angeles. Com um currículo de participações em mais de 500 filmes, incluindo como actor, e 38 nomeações para os Óscares, Dino De Laurentiis estreou-se na produção em 1939 com «Troppo tardi t'ho conosciuta», de Emanuele Caracciolo.

No início da década de 1950 funda, com a ajuda de Carlo Ponti, outro grande nome do cinema mundial recentemente falecido, a produtora Ponti-De Laurentiis que terá vida curta, pois encerra em 1957. Mais tarde vende ao Governo italiano o estúdio Dinocittà (curioso nome que é uma mistura entre o seu nome próprio e o dos populares estúdios Cinecittà). É por esta altura que parte para os EUA onde começa a trabalhar na marca Embassy Pictures e funda em 1985 o De Laurentiis Entertainment Group, onde também não permanece muito tempo.

Durante a sua longa carreira foi um dos responsáveis por obras como «Duna», de David Lynch, «A Estrada» e «Noites de Cabíria», de Federico Fellini, «Arroz Amargo», de Giuseppe De Santis, «Europa '51», de Roberto Rossellini, «O Ouro de Nápoles», de Vittorio De Sica, «Dia de Férias», de Dino Risi, «O Estrangeiro», de Luchino Visconti, «Barbarella», de Roger Vadim, «King Kong», de John Guillermin, entre muitos outros.

A última vez que produziu foi em 2007, quando produziu «Virgin Territory», de David Leland, «A Última Legião», de Doug Lefler, e «Hannibal Rising», de Peter Webber. Ganhou três Óscares, incluindo o Irving G. Thalberg Memorial Award.

Em Cartaz: Semana 11/11/2010

Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois
O Rei da Evasão, de Alain Guiraudie
Jackass 3D, de Jeff Tremaine
Inside Job - A Verdade da Crise, de Charles Ferguson
RED - Perigosos, de Robert Schwentke

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

10 anos da maior provocação do cinema português

Como o i muito bem recorda na sua edição de hoje (num artigo que não consigo encontrar on-line) estão a chegar os 10 anos da estreia de «Branca de Neve», o célebre filme negro de João César Monteiro, que provocou uma enorme polémica na altura, sobretudo depois do cineasta ter dito «quero que o público português se f...». Não vou recordar aqui esse momento, mas aproveito para recordar uma entrevista que João César Monteiro filmou na altura, e que foi projectada na estreia de «Branca de Neve».










Cinema espanhol e da América Latina no São Jorge

O Cinema São Jorge, em Lisboa, vai receber este mês um ciclo de cinema dedicado ao cinema espanhol e outro sobre o cinema da América Latina. O primeiro é o III Ciclo de Cinema Espanhol «Contrastes: Entonces y Ahora», uma vez mais organizado pela Embaixada de Espanha, e arranca já amanhã. Com esta iniciativa a representação diplomática espanhola em Lisboa pretende mostrar a realidade espanhola dos anos 1940 e 1950 e da época actual através de obras cinematográficas.

Na primeira secção os filmes a apresentar são «Bienvenido Mr. Marshall!» (11 de Novembro | Quinta 21h30 | Sala 1), de Luis García Berlanga, «El Espíritu de la Colmena» (12 de Novembro | Sexta 21h30 | Sala 3), de Víctor Erice, e «Calle Mayor» (13 de Novembro | Sábado 16h00 | Sala 3), de Juan Antonio Bardem. Para o período contemporâneo as propostas são cinco: «La Ardilla Roja» (13 de Novembro | Sábado 19h00 | Sala 3), «Lucía y el Sexo» (13 de Novembro | Sábado 21h30 | Sala 3) e «Tierra» (14 de Novembro | Domingo 16h00 | Sala 3) de Julio Medem, «Mar a Dentro» (14 de Novembro | Domingo 19h00 | Sala 3), de Alejandro Amenábar, e «Tapas» (14 de Novembro | Domingo 21h30 | Sala 3), de Juan Cruz e José Corbacho. A entrada é livre.

Já a Mostra de Cinema da América Latina 2010 é uma iniciativa da Casa da América Latina e vai apresentar filmes recentes do Chile, México, Argentina e Colômbia. O ciclo começa no dia 25 às 21h30 na Sala 1 do São Jorge com «Navidad» (Chile, 2009), de Sebastián Lelio. Até ao dia 28 vão poder ainda ser vistos «Espiral» (26 de Novembro | Sexta 19h30 | Sala 3), de Jorge Pérez Solano (México, 2009), «Detras del sol, más cielo» (26 de Novembro | Sexta 21h30 | Sala 3), de Gastón Gularte (Argentina, 2008), «Iluminados por el fuego» (27 de Novembro | Sábado 16h00 | Sala 3), de Tristán Bauer (Argentina, 2005), «La Nana» (27 de Novembro | Sábado 19h30 | Sala 3), de Sebastián Silva (Chile, 2009), «El Estudiante» (27 de Novembro | Sábado 21h30 | Sala 3), de Roberto Girault (México, 2009), «Nietos - Identidad y Memoria» (28 de Novembro | Domingo 16h30 | Sala 3), de Benjamín Ávila (Argentina, 2004) e «El Vuelco del Cangrejo» (28 de Novembro | Domingo 18h00 | Sala 3), de Oscar Ruiz Navia (Colombia, 2009).

No Sábado, dia 27, está prevista uma conversa com alguns realizadores sobre o tema «O Cinema na Europa e na América Latina». As sessões deste ciclo custam 3,5 euros (preço normal), 3 euros (para menores de 25 anos) e 2,5 euros (associados da Casa da América Latina).

Hitchcock versão Wiki

Na minha pesquisa por informação sobre «O Ringue», de Alfred Hitchcock, deparei-me por acaso com um site curioso. De seu nome Alfred Hitchcock Wiki, esta página é uma espécie de Wikipedia, dedicada ao mestre do suspense. Com a mesma filosofia da popular enciclopédia on-line, aqui encontra-se tudo sobre a vida e obra de Alfred Hitchcock. Uma boa fonte para quem quer conhecer os seus filmes, alguns actores que trabalharam com o realizador, artigos históricos, imagens, etc. Vale a pena visitar, o link é este.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Ringue, de Alfred Hitchcock (1927)

A carreira de Alfred Hitchcock, tal como a maioria dos cineastas, fez-se em fases distintas. A primeira, ainda no período mudo, foi em Inglaterra onde permaneceu até final dos anos 1930, antes de partir para Hollywood. «O Ringue» é uma das suas primeiras obras e aborda uma história de amor com o boxe como pano de fundo. Em «O Ringue» o lutador de boxe de feira 'One-Round' Jack Sander (Carl Brisson), que está noivo da menina da bilheteira (Lillian Hall-Davis), vê o seu destino mudar quando se cruza com um lutador profissional (Ian Hunter). Este ganha o desafio e 'rouba-lhe' a amada, não sem antes convidar Jack para ser seu companheiro de treino.

O que vemos durante o filme é a ascensão de 'One-Round' Jack Sander nos ringues profissionais até chegar à luta pelo título principal, justamente contra o duplo rival. Este ainda não é o Hitchcock que ficará para a história como o mestre do suspense, mas é um filme que nos mostra algumas provas do futuro génio do realizador de «Psico». As cenas dos combates estão bem filmadas, podendo mesmo rivalizar com alguns filmes de boxe posteriores, género que até aos anos 1980 teve sempre bons filmes.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

Nomeados aos Prémios Europeus do Cinema 2010

Foram anunciados os nomeados para a edição deste ano dos Prémios Europeus do Cinema, que serão entregues no próximo dia 4 de Dezembro em Tallin, na Estónia. «Escritor Fantasma», de Roman Polanski, e «Líbano», de Samuel Maoz, com 7 e 5 nomeações respectivamente, são os filmes mais representados na lista, que tirando estes dois filmes está bastante equilibrada, com diversos filmes com uma só nomeação.

A lista completa dos nomeados é:

Melhor Filme Europeu 2010

BAL (Honey), de Semih Kaplanoğlu (Turquia)
DES HOMMES ET DES DIEUX (Dos Homens e dos Deuses, estreia prevista para 11 de Novembro), de Xavier Beauvois (França)
THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma), de Roman Polanski (França/Alemanha/Reino Unido)
LEBANON (Líbano), de Samuel Maoz (Israel/Alemanha/França)
EL SECRETO DE SUS OJOS, de Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos) (Espanha/Argentina)
SOUL KITCHEN, de Fatih Akin (Alemanha)

Melhor Realizador Europeu 2010

Olivier Assayas por CARLOS
Semih Kaplanoğlu por BAL (Honey)
Samuel Maoz por LEBANON (Líbano)
Roman Polanski por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Paolo Virzi por LA PRIMA COSA BELLA (The First Beautiful Thing)

Melhor Actriz Europeia 2010

Zrinka Cvitešić em NA PUTU (On the Path)
Sibel Kekilli em DIE FREMDE (When We Leave)
Lesley Manville em ANOTHER YEAR
Sylvie Testud em LOURDES
Lotte Verbeek em NOTHING PERSONAL

Melhor Actor Europeu 2010

Jakob Cedergren em SUBMARINO
Elio Germano em LA NOSTRA VITA (Our Life)
Ewan McGregor em THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
George Pistereanu em EU CAND VREAU SA FLUIER, FLUIER (If I Want to Whistle,
I Whistle)
Luis Tosar em CELDA 211 (Cela 211, estreia prevista para 2 de Dezembro)

Melhor Argumentista Europeu 2010

Jorge Guerricaechevarría e Daniel Monzón por CELDA 211 (Cela 211)
Robert Harris e Roman Polanski por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Samuel Maoz por LEBANON (Líbano)
Radu Mihaileanu por LE CONCERT (O Concerto, estreia prevista para 25 de Novembro)

Carlo Di Palma European Cinematographer Award 2010

Giora Bejach por LEBANON (Líbano)
Caroline Champetier por DES HOMMES ET DES DIEUX (Dos Homens e dos Deuses)
Pavel Kostomarov por Как я провел этим летом (How I Ended this Summer)
Barış Özbiçer por BAL (Honey)

Melhor Editor Europeu 2010

Luc Barnier e Marion Monnier por CARLOS
Arik Lahav-Leibovich por LEBANON (Líbano)
Hervé de Luze por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)

European Production Designer 2010

Paola Bizzarri e Luis Ramirez por IO, DON GIOVANNI (I, Don Giovanni)
Albrecht Konrad por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Markku Pätilä & Jaagup Roomet for PÜHA TÕNU KIUSAMINE (The Temptation
of St. Tony)

Melhor Compositor Europeu 2010

Ales Brezina por KAWASAKIHO RŮŽE (Kawasaki’s Rose)
Pasquale Catalano por MINE VAGANTI (Loose Cannons)
Alexandre Desplat por THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma)
Gary Yershon por ANOTHER YEAR

Prémio do Público, escolhido pelos espectadores europeus

AGORA (Ágora), de Alejandro Amenábar (Espanha)
BAARìA, de Giuseppe Tornatore (Itália)
AN EDUCATION (Uma Outra Educação), de Lone Scherfig (Reino Unido)
FLICKAN SOM LEKTE MED ELDEN (Millenium 2: A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo), de Daniel Alfredson (Suécia/Dinamarca/Alemanha)
THE GHOST WRITER (O Escritor Fantasma), de Roman Polanski (França/Alemanha/Reino Unido)
KICK-ASS, de Matthew Vaughn (Reino Unido)
MINE VAGANTI (Uma Família Moderna), de Ferzan Ozpetek (Itália)
MR. NOBODY, de Jaco Van Dormael (Bélgica)
LE PETIT NICHOLAS (O Menino Niculau), de Laurent Tirard
SOUL KITCHEN, de Fatih Akin (Alemanha)

Mais informações sobre todos os filmes a concurso neste link.

Voltar, de Pedro Almodóvar (2006)

O cinema de Pedro Almodóvar nunca fez parte das minhas preferências, pois o realizador espanhol tem filmes que gostei bastante e outros que não gostei nada. Não há meio termo. «Voltar» entra na primeira categoria e prova que Almodóvar quando quer é um óptimo contador de histórias. Neste filme, o penúltimo da sua carreira, acompanhamos o regresso do fantasma de Irene (Carmen Maura), mãe de Raimunda (Penélope Cruz) e Sole (Lola Dueñas), para resolver alguns assuntos do passado que ficaram por esclarecer, envolvendo a primeira.

É um filme de e sobre mulheres, se formos a ver bem as únicas personagens masculinas do filme ou participam pouco ou estão ausentes, como é o caso do pai das duas irmãs, e as suas relações entre si e com o passado. Ou seja, é um universo bem conhecido na obra de Almodóvar. Ao mesmo tempo «Voltar» acaba por ser um retrato do Interior, com as suas superstições e a maneira das populações da aldeia conviverem. Talvez aqui se note um pouco uma pequena crítica a este tipo de comunidades, de onde o próprio realizador é originário.

O elenco, que reúne diversas actrizes que participaram em várias obras de Almodóvar, consegue estar à altura da história, que não é nada do outro mundo, mas acaba por ser um belo drama, com uns pozinhos de comédia que resultam da forma como as personagens reagem a situações que vão surgindo, nem sempre fáceis de lidar. Não é de estranhar que no Festival de Cannes de 2006 o prémio de Melhor Actriz tenha ido para este colectivo.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

sábado, 6 de novembro de 2010

I Am Sam - A Força do Amor, de Jessie Nelson (2001)

Com «I Am Sam - A Força do Amor» Sean Penn tem aquilo a que se pode chamar a lotaria para chegar aos Óscares: o papel de um autista que tem de lutar nos tribunais pela tutela da filha, que lhe foi parar aos braços depois da mãe, uma sem abrigo, fugir de Sam. A interpretação de Sean Penn está irrepreensível, sem nada a apontar, mas o filme acaba por cair nos clichés deste tipo de fitas, sempre a puxar pela lágrima, fazendo o espectador ter pena de Sam. Valeu-lhe a nomeação para os galardões, mas quem levou a estatueta para casa foi Denzel Washington, por «Dia de Treino».

Ao lado de Sean Penn na segunda obra de Jessie Nelson, que desde este filme não voltou a realizar, encontramos Michelle Pfeiffer (a advogada Rita Williams) e Dakota Fanning (a filha de Sam, Lucy), ambas bastante bem. O grande problema em «I Am Sam», que não deixa de ser um bom drama familiar, é o pouco espaço que as restantes personagens têm. Por exemplo, a advogada de Michelle Pfeiffer tem diversos problemas, sobretudo com o marido, que são mal explorados. E Laura Dern, que interpreta a mãe adoptiva de Lucy está quase ridícula, mais valia não ter participado. O próprio fim é ambíguo, pois de facto não ficamos a saber quem fica com Lucy. Ao menos tem um plano muito belo: Sam com a filha ao colo perseguido por uma legião de miúdos.

Por fim, a assinalar a banda sonora, que na altura em que filme saiu foi bastante falada. Ao longo de «I Am Sam» vamos ouvindo diversas covers dos Beatles cantadas por diversos artistas. Estas músicas surgem devido ao amor que Sam tem pelos Fab Four e o resultado, apesar de original, nem sempre alcança os melhores resultados. Se Jessie Nelson quisesse arriscar um bocadinho mais, poderia ter aqui um grande filme.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, de Tim Burton (1999)

Tim Burton é daqueles realizadores que consegue, nos dias de hoje, ter uma imagem que nos faz reconhecer os seus filmes à distância. Ambientes negros, cenários góticos e personagens inadaptadas são as principais características das suas obras, que acabaram por lhe dar uma enorme legião de fãs. «A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» faz parte da sua filmografia mais negra. É também mais uma das suas colaborações com Johnny Depp, a terceira, actor que faz parte de um grupo que normalmente integra os filmes de Tim Burton e a par de Helena Bonham Carter, esposa do realizador, é um dos actores mais presentes neste universo bastante peculiar.

Passado no final do século XVIII (é curioso vermos as personagens falarem da chegada do novo século da mesma forma que em 1999, o ano deste filme, se aguardava com um misto de surpresa e euforia a chegada do ano 2000), «A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça» leva o polícia Ichabod Crane (Johnny Depp) à localidade de Sleepy Hollow, onde tem de investigar uma série de homicídios levados a cabo por um cavaleiro sem cabeça (Christopher Walken), que dá nome à lenda. De início céptico, devido à sua fé na ciência, Ichabod acaba por se aperceber que a estranha personagem existe de facto e fica enredado numa conspiração que envolve grande parte da população de Sleepy Hollow e uma boa dose de bruxaria.

Com um argumento destes, baseado num livro de Washington Irving, Tim Burton sente-se em casa e consegue fazer uma bela obra, que mistura tons de suspense e alguns pozinhos de terror, muito ao estilo do realizador. A banda sonora do seu cúmplice Danny Elfman também ajuda a criar um ambiente de certa forma sombrio e vai muito ao encontro do que se pretende num filme destes. Johnny Depp, uma vez mais, interpreta uma daquelas personagens que aparentemente só ele consegue interpretar nos filmes de Burton, com os seus tiques específicos que veremos mais tarde aprofundados em filmes como «Charlie e a Fábrica de Chocolate» ou «Alice no País das Maravilhas».

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

A Última Sessão no Facebook

A partir de hoje o blogue «A Última Sessão» passou a estar também presente no Facebook. São todos bem vindos a passar por lá e a partilhar o site. O perfil pretende ser um complemento ao próprio blogue e vai contar sobretudo com vídeos e imagens de filmes, estreias, etc., assim como os posts de «A Última Sessão».

O link é este.

Domingo Negro, de John Frankenheimer (1977)

Quem gosta de filmes de espionagem e conspirações a sério deve ter saudades de alguns filmes feitos na década de 1970. Dentro deste género John Frankenheimer realizou em 1977 «Domingo Negro», baseado no livro homónimo de Thomas Harris, escritor que mais tarde iria criar o célebre Hannibal Lecter em «O Dragão Vermelho». Curiosamente, Harris apenas tem no currículo este «Domingo Negro» e quatro livros relacionados com o canibal mais conhecido da Sétima Arte: «Silêncio dos Inocentes», «Hannibal» e «Hannibal - O Início», todos levados ao grande ecrã, com melhor ou pior resultado.

Mas este «Domingo Sangrento» nada tem a ver com serial killers, pelo menos no sentido mais tradicional. Aqui a história é a do agente israelita Kabakov (Robert Shaw) que persegue Dahlia (Marthe Keller), uma mulher que pertence ao grupo terrorista Setembro Negro e que está a preparar um ataque durante a final do Superbowl com a ajuda de Lander (Bruce Dern), um veterano do Vietname com problemas psicológicos que é piloto de um dirigível utilizado para filmar o evento.

Apesar dos efeitos especiais que hoje nos parecem demasiado rudimentares (não nos podemos esquecer que se trata de uma fita de 1977) este filme de Frankenheimer tem todos os ingredientes dos filmes de espionagem tão comuns à época: perseguições, as relações de bastidores entre os diversos governos com agentes e personagens que nunca dão a cara e tensão latente em algumas cenas. A sequência final é um desses exemplos, quando Kabakov num helicóptero tenta evitar a tragédia. A partitura de John Williams ajuda bastante a criar este ambiente.

No capítulo da interpretação, o grande destaque vai para Bruce Dern (pai de Laura Dern, uma das actrizes fetiche de David Lynch), no papel do piloto norte-americano que acaba por ter um papel fulcral na conspiração. Ver este «Domingo Negro» faz-nos sentir saudades da década de 1970 e dos seus filmes de acção, tanto na vertente de espionagem como na vertente policial. O trailer, que se pode ver abaixo, é delicioso.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz (2010)

Muitos defendem que há livros que não podem ser transpostos para o grande ecrã com bons resultados. E há diversos casos em que isso acontece. Mas também há vários realizadores que já provaram que isso não é verdade e fazem grandes filmes. O chileno Raúl Ruiz passou a entrar neste último grupo com «Mistérios de Lisboa», baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, um folhetim típico do popular escritor português do século XIX.

O excesso de sub-enredos que se afastam da história principal, a história do jovem João/Pedro da Silva, acaba por tornar «Mistérios de Lisboa» uma autêntica árvore de onde saem os ramos dedicados às personagens, que se iniciam no período anterior às invasões napoleónicas e acabam mais de 50 anos depois deste episódio histórico. O trabalho de Raúl Ruiz era pois épico e consegue cumprir a missão que se propôs, com uma óptima reconstituição histórica, recorrendo a um elenco maioritariamente português, com caras mais conhecidas por participarem em telenovelas. Mas neste registo completamente diferente das novelas, actores como Maria João Bastos, Ricardo Pereira ou Adriano Luz, que poderiam afastar alguns cinéfilos mais 'conservadores', estão todos muito bem, com excelentes interpretações.

Apesar de ter quase 4 horas e meia, o que também poderá afastar muita gente do filme, estas passam, não se pode dizer a correr, mas sem que nos ocorra o tempo a passar. O realizador chileno conseguiu fazer estes «Mistérios de Lisboa» uma obra que se vê bem, que apesar dos constantes flashbacks que são utilizados para contar as várias estórias dos personagens, não se perde e não deixa o espectador à deriva.

Para quem gosta de filmes históricos e da obra de Camilo Castelo Branco, «Mistérios de Lisboa» é um excelente filme. Quem não gosta deste tipo de temas, não vale a pena arriscar as quase cinco horas no cinema. Sempre pode esperar pela estreia da versão para televisão, prevista para o próximo ano, com seis episódios de uma hora cada. É mais tempo, claro, mas sempre se pode ver de outra forma, e talvez até seja a melhor maneira de honrar o espírito de folhetim da obra original.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Em Cartaz: Semana 04/11/2010

A Rede Social, de David Fincher
O Demónio, de John Erick Dowdle e Drew Dowdle
Oh Não! Outra Vez Tu?, de Andy Fickman
Piranha 3D, de Alexandre Aja

Um ano a projectar

Faz hoje um ano que me iniciei nesta aventura chamada «A Última Sessão». Ao longo destes 12 meses andei um bocado a apalpar terreno, pois ter tempo para alimentar um blogue não é fácil e dou os parabéns a todos os bloggers que o conseguem fazer com regularidade. Não foram 12 meses seguidos, como inicialmente previsto, pois durante cerca de cinco meses estive afastado. Mas a minha paixão pela escrita e pelo Cinema levou-me a continuar a manter este espaço que também é vosso, de quem por aqui passa.

É também por vocês que aqui estou e é isso que me dá alento para continuar. Esta semana, curiosamente quando faço um ano na blogosfera, recebi uma nomeação para Melhor Novo Blogue de Cinema/TV 2010 dos TCN Blog Awards. É mais uma razão para não deixar cair este projecto. Para os próximos tempos vou tentar abrir um bocado mais «A Última Sessão» aos seus leitores. Podem fazer sugestões ou apresentar ideias do que gostariam de ver aqui. O meu objectivo é tornar o blogue mais interactivo com os seus leitores, e não ter apenas criticas, mas outros conteúdos. Espero poder contar convosco.

A primeira iniciativa vai estar relacionada com a secção «Banda Sonora». A partir da próxima semana quem quiser pode sugerir a banda sonora da semana e ficará lá, com a menção de quem a propôs. Pode ser ou não relacionada com cinema. Quem também quiser pode acrescentar um texto com a razão pela qual escolheu aquela música, que será incluído no respectivo post. As sugestões podem ser enviadas para o endereço oprojeccionista@gmail.com. Para breve conto ainda abrir uma conta do blogue no Facebook, onde espero que sirva de plataforma para levar «A Última Sessão» a mais gente.

E para não tornar este post demasiado longo, resta-me agradecer a todos os que por aqui passaram nos últimos 12 meses, comentaram e deram forças para continuar. Um muito obrigado a todos e continuem a assistir a estas projecções.

Cumprimentos,

O Projeccionista

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dave - Presidente Por Um Dia, de Ivan Reitman (1993)

Nos últimos anos Jason Reitman tem-se imposto como um dos melhores realizadores da nova fornada de Hollywood. Mas já antes o seu pai, Ivan Reitman, tinha dado cartas, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, período durante o qual foi responsável por um conjunto de comédias que alcançaram algum sucesso.

Em 1993 realiza «Dave - Presidente Por Um Dia», com Kevin Kline e Sigourney Weaver. Neste filme singular sobre os meandros da política norte-americana, Kevin Kline interpreta duas personagens, o presidente dos EUA Bill Mitchell e um sósia do Chefe de Estado David Kovic. Mas é a personagem de Dave que está no centro do filme, como se nota logo no próprio título. Dave é o dono de uma empresa de trabalho temporário que devido às suas semelhanças com o presidente dos EUA é chamado a substituí-lo durante uma noite, para que o inquilino da Casa Branca tenha uma noite de sexo com a sua secretária (a então ainda desconhecida Laura Linney). Só que esta noite acaba mal e Bill Mitchell acaba por ter um enfarte. Dave é uma vez mais chamado, desta vez para tomar o lugar do presidente durante mais algum tempo, até à sua recuperação.

Se até aqui já tínhamos visto um cheirinho de como se faz política, com as falsas aparências do Chefe de Estado norte-americano, a chegada de Dave à Casa Branca os bastidores do cargo acaba por ser um excelente exercício sobre o tema, o que resulta do argumento de Gary Ross, que lhe valeu uma nomeação para Óscar de Melhor Argumento Original nesse ano. Dave não é a marioneta que o seu conselheiro (Frank Langella, que tem aqui uma boa prestação) quer que seja e acaba por mudar as regras do jogo, revelando os podres da política. E a sua experiência naqueles dias acaba por ser fundamental para o desfecho do filme, que não vou aqui revelar.

Não sendo um exemplo típico das comédias de Ivan Reitman, «Dave - Presidente Por Um Dia», que foi realizado entre «Um Polícia no Jardim-Escola» e «Júnior», é um filme sério com alguns tons cómicos, que nos faz pensar um pouco mais na questão da liderança nos dias de hoje. É óbvio que uma pessoa como Dave e as suas ideias nunca chegaria à Casa Branca, pois haveria sempre alguém para lhe cortar as pernas, como acontece no filme. Mas talvez fosse uma alternativa bem melhor do que Bill Mitchell, que pode ser confundido por muitos governantes que por aí andam.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

Não Se Fala Noutra Coisa, de John Ford (1935)

John Ford é mais conhecido pelos seus westerns, mas a carreira daquele que é um dos maiores realizadores dos EUA, composta por 146 filmes segundo o IMDB (quem viu o muito recomendável documentário «Directed By», de Peter Bogdanovich, sabe como Ford filmou dezenas de filmes no período mudo), passou por outros géneros. Inclusive comédias, como é o caso de «Não Se Fala Noutra Coisa», que consiste numa paródia (género que afinal não é moda dos dias de hoje) aos filmes de gangsters.

Arthur Ferguson Jones (Edward G. Robinson) é um simples empregado de escritório cumpridor, que chega sempre a horas ao emprego. Até que um dia se atrasa, logo no dia em que o patrão tinha decidido aumentar o seu único funcionário que nunca se tinha atrasado e despedir o primeiro que chegasse fora de horas. Azar dos azares, é precisamente Arthur o feliz contemplado com as duas e o seu chefe não sabe o que fazer. Mais tarde é confundido com 'Killer' Mannion (Edward G. Robinson), um bandido que tinha fugido da prisão. A partir daqui é sempre a descer e não há equivoco que não aconteça a Arthur.

Num estilo muito diferente do que normalmente associamos à cinematografia de John Ford, esta não é contudo uma obra menor na sua carreira. Antes pelo contrário, safa-se bastante bem e consegue arrancar umas boas gargalhadas com os azares de Arthur, que tão depressa escapa de boa, como já está metida noutra desventura. Edward G. Robinson tem uma interpretação excelente, ao protagonizar os dois papéis, e está bem secundado com diversas personagens que dão respostas no momento certo. Desde o delator que está sempre à procura do sítio onde pode levantar a recompensa ao chefe de Arthur que está constantemente a relembrar-lhe que tem trabalho pendente. «Não Se Fala Noutra Coisa» é uma boa oportunidade para ver uma obra de John Ford diferente do habitual.

Nota: 4/5

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ondine, de Neil Jordan (2009)

(Crítica com spoilers)

Há filmes que nos levam para territórios do fantástico e «Ondine», a mais recente longa metragem de Neil Jordan a chegar às salas portuguesas, é um deles. Apesar de não ser bem um filme fantástico, como nos apercebemos com o desenrolar do filme. Com uma belíssima fotografia em tons esverdeados, quase parece que estamos na ilha esmeralda que é a Irlanda, «Ondine» é a história de um pescador ex-alcoólico, Syracuse (Colin Farrell), que numa das suas noites no mar apanha uma rapariga (Alicja Bachleda) nas redes de pesca.

A estranha rapariga é então confundida por uma criatura da mitologia britânica, as mulheres foca Selkies, e para a filha de Syracuse tudo leva a crer que Ondine é mesmo uma dessas criaturas que veio ajudar o pai. Esta personagem da criança (Alison Barry) faz deste «Ondine» um belo filme infantil, apesar de alguns dos temas abordados não o serem tão acessíveis para os mais novos.

Neil Jordan consegue assinar uma obra simples e simpática, que na minha opinião apenas falha na última parte, quando o final do filme avança demasiado rápido e tudo acaba por se precipitar um pouco. Mas vale a pena ver o regresso do realizador ao fantástico mais puro, algo que já quase não se via desde «A Companhia dos Lobos», em 1984, ou «Entrevista com o Vampiro», de 1994. E Colin Farrell parece estar em estado de graça, depois de umas escolhas menos felizes, desde «Em Brugges» que o actor tem vindo a alcançar boas interpretações. Syracuse é mais uma.

Nota: 3/5

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Cidade, de Ben Affleck (2010)

Ben Affleck é talvez dos maiores canastrões do cinema actual. Mas a sua passagem para trás das câmaras em «Vista Pela Última Vez...» em 2007 deu-nos uma outra faceta do actor, que já tinha dado cartas na escrita de argumentos logo na estreia com «O Bom Rebelde» de Gus van Sant, com a ajuda de Matt Damon. Desta vez com «A Cidade» Ben Affleck resolveu realizar e interpretar a personagem principal. E é este segundo pequeno pormenor que acaba por ser um dos pontos negativos do filme.

Passado em Boston, tal como «Vista Pela Última Vez...», este filme conta a história de Douglas MacRay, o 'arquitecto' de um gangue de assaltantes de bancos e carrinhas de valores que quer mudar de vida, depois de um dos assaltos não correr de acordo com o planeado. Tudo estava a correr bem até o grupo se lembrar de fazer uma refém (Rebecca Hall), por quem Douglas acaba por se apaixonar quando não devia. Esta paixão é mais uma razão para Douglas deixar a 'má vida' mas tudo se complica porque ninguém do seu grupo o quer ajudar, a não ser se for para participar em mais um assalto. Ao mesmo tempo o gangue tem um agente do FBI (Jon Hamm) à perna que não lhes dá tréguas.

Bem filmado, sobretudo nas cenas dos assaltos e nas perseguições de automóveis (atrevo-me a dizer que há algum tempo que não via tão boas perseguições no cinema), «A Cidade» acaba por perder muito por ter Ben Affleck no papel principal, pois o actor quase não muda de registo. O mesmo sucede com Jon Hamm que não parece ter sido a escolha mais acertada para o agente do FBI. Salvam-se Rebecca Hall e Jeremy Renner, que interpreta o melhor amigo de Douglas e seu parceiro nos assaltos, James Coughlin. Esperemos que da próxima vez que Affleck se decida a realizar, opte por apenas ficar atrás das câmaras, pois já deu provas de que poderá vir a ser um bom realizador.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

A Última Sessão nomeado para Melhor Novo Blogue nos TCN Blog Awards 2010

Foi com surpresa que descobri que «A Última Sessão» está nomeado para os TCN Blog Awards 2010 na categoria Melhor Novo Blogue de Cinema/TV 2010. A iniciativa é promovida pelo blogue Cinema Notebook, de Miguel Reis (editor da revista Take Cinema Magazine), desde de 2006 e este ano sofreu algumas novidades, nomeadamente uma parceria com a própria Take. Mais pormenores sobre os prémios neste link. Vale a pena passar por lá, nem que seja para conhecerem novos blogues sobre cinema.

Para mim foi uma excelente notícia, mesmo não acreditando que ganharei, pois a nomeação surge na semana em que este blogue está prestes a celebrar o seu primeiro aniversário (4 de Novembro). Agradeço a todos os que por aqui passam, pois este cantinho também é vosso.