«Jovem e Inocente» foi o penúltimo filme de Alfred Hitchcock feito no Reino Unido e já nessa altura o realizador mostrava azo de vir a ser um dos mestres do suspense. Este filme, de 1937, não foge à regra ao contar a história de Robert Tisdall (Derrick De Marney), um homem que se vê acusado do homicídio de uma célebre actriz, que apenas vemos no início do filme: quando tem uma discussão com o seu marido e mais tarde numa excelente sequência onde Hitchcock nos baralha com um braço que parece pertencer a um banhista a nadar, até que acabamos por nos aperceber que o braço pertence ao cadáver da actriz a dar à costa. Uma pequena confusão provocada por duas jovens que acusam Robert de ter fugido do local do crime, quando apenas pretendia alertar as autoridades, faz avançar uma trama bem conhecida dos fãs dos filmes de Hitchcock: a fuga de um inocente enquanto tenta provar a sua inocência com a ajuda de uma companheira. Neste caso trata-se da filha de um dos chefes da polícia que está no encalço de Robert, o que acaba por causar problemas a todos. E, uma vez mais, o que acaba por interessar a Hitchcock é a relação entre o par e não necessariamente o assassinato da actriz, que facilmente sabemos quem foi.
Dois grandes momentos de «Jovem e Inocente» dão também mostras do gosto que Hitchcock tinha em deixar a audiência em suspense: a cena da mina, quando Erica (Nova Pilbeam), a amada de Robert, está prestes a cair nas profundezas, e todo o final do filme, quando encontramos o assassino e o seu tique que acaba por ser a marca que nos ajuda a identificá-lo. A forma como esta sequência está feita mostra toda a genialidade do mestre Hitchcock.
Para os curiosos, o filme pode ser visto no YouTube, o link está aí em baixo.
Nota: 4/5
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