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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola (1992)

Quando revemos filmes que gostávamos bastante quando éramos mais novos por vezes corremos o risco de ficar desiludidos. Acabou de me acontecer isto ao rever «Drácula de Bram Stoker», a adaptação do romance gótico de Bram Stoker assinada por Francis Ford Coppola, realizador que admiro bastante. Não quero com isto dizer que o filme seja mau. Antes pelo contrário, é um grande filme de terror e faz justiça à obra que pretende adaptar. Mas vinte anos depois pareceu-me um filme que envelheceu mal, perdoem-me os fãs do filme.

Drácula é uma daquelas personagens que já chegou ao cinema através de inúmeros olhares. Dos mais clássicos «Nosferatu» ou «Drácula», realizados por F. W. Murnau e Tod Browning, respectivamente, aos mais recentes «Drácula 2000» (Patrick Lussier) ou «Lust for Dracula» (Tony Marsiglia). Em 1992 foi a vez de Francis Ford Coppola pegar na obra de Bram Stoker e filmar a história do vampiro, interpretado magistralmente por Gary Oldman, um dos melhores actores a interpretar vilões (o que neste caso até pode ser discutível). Os acontecimentos do filme centram-se na ida de Drácula a Inglaterra para ir ao encontro de Mina (Winona Ryder), a noiva do advogado Jonathan Harker (Keanu Reeves), que foi à Transilvânia levar um contrato de compra de propriedades em Londres a Drácula. As semelhanças de Mina com a esposa do conde, cujo trágico destino ficamos a conhecer no início do filme e que fez com que Drácula se torna-se no que é, levam o vampiro a seguir para Londres para a tentar conquistar. O resto é conhecido, com a perseguição levada a cabo por Van Helsing (Anthony Hopkins) para apanhar o seu inimigo.

Um dos grandes pontos fortes desta adaptação do romance de Bram Stoker é a recriação da época e do ambiente gótico, que se nota em inúmeros pormenores: desde o castelo de Drácula às ruas de Londres, passando pelo hospício onde está internado o louco Reinfeld (Tom Waits), servo de Drácula, e até na caracterização dos actores. O que acaba por desiludir são alguns efeitos especiais, que apesar de não serem maus, ficaram datados e ofuscam um bocado os pormenores góticos tão bem conseguidos. E a própria forma de filmar é um pouco distante do melhor Coppola, que no início dos anos 1990 era um realizador um pouco à deriva. Mesmo assim este é capaz de ser um dos seus melhores filmes, senão mesmo o melhor, desta fase.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

domingo, 1 de maio de 2011

Thor, de Kenneth Branagh (2011)

Os filmes de super heróis estão na moda e enquanto a moda dura, continuam a surgir novos filmes. E por estes dias quem está a capitalizar o sucesso da banda desenhada é a Marvel, que continua a invadir os ecrãs com as suas personagens. A mais recente a chegar ao cinema foi Thor, num filme que integra uma série dedicada aos Vingadores. Realizado por Kenneth Branagh, «Thor» acompanha o exílio forçado do deus do Trovão no planeta Terra, depois de ter desobedecido a Odin (Anthony Hopkins), o seu pai, provocando uma guerra iminente com os gigantes de gelo. Mas durante o exílio de Thor (Chris Hemsworth) as coisas não correm da melhor maneira em Asgard, com a chegada ao poder de Loki (Tom Hiddleston), o seu irmão.

«Thor» não é um mau filme de acção, com bons efeitos especiais sem cair em grandes exageros, mas tem alguns pormenores que desiludem. A história é boa, com alguns momentos cómicos, mas as interpretações não são convincentes, escapando apenas Anthony Hopkins e Tom Hiddleston, que cumprem bem os respectivos papéis. Pelo contrário o actor escolhido para interpretar Thor, o australiano Chris Hemsworth, parece pouco à vontade no papel. Também aquém das expectativas ficou Natalie Portman, que interpreta o papel de uma das jovens que encontra Thor e acaba por se apaixonar pelo herói, que está claramente a picar o ponto.

Por fim, uma coisa que irrita em «Thor» é a utilização, em grande parte das sequências, de planos em que a câmara está propositadamente torta. Não sei se o recurso a este tipo de ´técnica' é comum nos filmes de super heróis (confesso que vi poucos ou então não reparei nisto), mas passado algum tempo torna-se enfadonho. Em suma, é um filme para os fãs da banda desenhada, que decerto ficarão a salivar por novas fitas deste universo. Um conselho: para quem gostar do filme convém ficar até ao final dos créditos de «Thor», pois têm uma cena inteira. E mais não digo, para não estragar a surpresa.

Nota: 2/5

Site oficial do filme

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Amistad, de Steven Spielberg (1997)

A já longa carreira de Steven Spielberg sempre oscilou entre filmes mais familiares, homenagens a géneros que sempre o atraíram e filmes históricos. «Amistad» enquadra-se neste último campo. Filmado entre «O Mundo Perdido: Jurassic Park» e «O Resgate do Soldado Ryan», conta um episódio da História norte-americana relacionado com a escravatura. No final dos anos 1830 os escravos que estão a ser transportados no navio negreiro espanhol Amistad conseguem libertar-se e depois de um sangrento motim conseguem tomar conta do navio. Para bem ou para o mal, acabam por ir parar aos EUA, numa altura em que o tema da escravatura dividia o país em dois, facto que levou mais tarde à Guerra Civil entre os estados do Norte, contra a escravatura, e os do Sul, a favor da escravatura. É no centro deste furacão ideológico que o grupo de escravos acaba.

«Amistad» não é um dos melhores filmes de Spielberg. É demasiado longo o que acaba por se tornar um pouco chato em certas partes. É um bom filme de época bem feito, com alguns pozinhos de filme de tribunal, mas nas cenas em que podia ser mais forte, não passa no teste. Sobretudo naqueles discursos que podiam ser mais empolgantes. Um dos problemas, na minha opinião, prende-se com a escolha do actor principal (Matthew McConaughey), que nunca consegue estar à altura do papel que lhe coube: o advogado de defesa dos escravos. O mesmo acontece com os papéis secundários, que nunca são muito explorados. Mas por um lado, ainda bem, pois se o fossem o filme duraria bem mais do que as 2 horas e tal que já dura.

Ainda assim, no campo dos secundários, há que realçar a prestação de Anthony Hopkins, que lhe valeria uma nomeação para Melhor Actor Secundário nos Óscares desse ano, e de Djimon Hounsou, que teve neste filme uma das suas primeiras grandes interpretações. Destaque ainda para a excelente banda sonora de John Williams, que apesar de não ser das melhores e mais conhecidas do compositor, está muito bem conseguida, pois consegue como poucas adaptar-se ao filme.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

sábado, 29 de janeiro de 2011

Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos, de Woody Allen (2010)

Mais um ano, mais um filme de Woody Allen. E como é habitual, estreia tarde e a más horas em Portugal. Desta vez o cineasta apresenta «Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos», mais uma obra filmada fora da sua cidade natal e uma vez mais em Londres, onde já tinha filmado dois bons filmes («Match Point» e «Scoop») e um filme mais fraco («O Sonho de Cassandra»). E o novo filme bem se pode juntar a este último, pois é um filme mediano na obra de Allen.

O grande problema de «Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos», que de vez em quando consegue dar um ar de sua graça, é que é demasiado confuso e tem tantas personagens e sub-histórias que nos levam para inúmeros sítios e acabam por se tornar uma grande confusão. Assim de repente, para tentar simplificar, encontro quatro sub-histórias: a do casal Sally (Naomi Watts) e Roy Channing (Josh Brolin), a da mãe (Helena Shebritch - Gemma Jones) de Sally e os seus mundos esotéricos, a do pai (Alfie Shebritch - Anthony Hopkins) de Sally e a sua nova esposa Charmaine (Lucy Punch) e a de Dia (Freida Pinto), a jovem vizinha do primeiro casal. Esta dispersão faz com que comecemos a pensar onde estão os bons velhos argumentos de Woody Allen centrados na sua própria personagem?

É isso que falta em «Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos». Uma personagem central que faça com que o argumento gire à sua volta. O filme acaba por ser apenas uma simples comédia, muito longe do que os fãs de Woody Allen possam esperar. Mas mesmo assim, está alguns furos acima das suas piores obras.

Nota: 3/5

Site oficial do filme