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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cisne Negro, de Darren Aronofsky (2010)

O mundo do ballet nunca foi tão perturbador como no mais recente filme de Darren Aronofsky. Tirando talvez o «Suspiria», de Dario Argento, que não tem praticamente nada a ver com este, apesar de tudo o que se tem dito. Protagonizado por Natalie Portman, «Cisne Negro» é a história de uma bailarina que conquista o papel principal no célebre «Lago dos Cisnes»: a Rainha dos Cisnes. O filme começa praticamente quando Nina é escolhida para o papel e vai até à sublime actuação final. Pelo meio vamos acompanhando a jovem bailarina, que vai sucumbindo aos poucos à pressão.

A pressão da mãe controladora (Barbara Hershey), do encenador (Vincent Cassel) que recorre ao imaginário sexual para a ajudar a libertar-se, da antiga bailarina estrela da companhia (uma Winona Ryder como há muito não a tinha visto) que se vê ultrapassada pela idade e de uma estranha colega (Mila Kunis) que chega de fora para se tornar a grande rival de Nina. É sobretudo a relação entre as duas colegas que torna «Cisne Negro» tão perturbador, pois nunca chegamos a perceber se tudo o que se vai passando está mesmo a acontecer ou é fruto da imaginação de Nina.

Darren Aronofsky consegue filmar muito bem as cenas dos bailados e a diferença entre as duas protagonistas: uma sempre de branco (a angélica Nina) e outra sempre vestida de negro (a diabólica Lily). Mas o filme é todo de Natalie Portman, que consegue uma das suas interpretações mais assombrosas de sempre. A personagem de Nina, com as suas alucinações e as pressões de tudo o que a rodeia, vê-se à prova por diversas vezes o que acaba naquele final, muito semelhante ao que o realizador nos tem habituado. Não há heróis nos filmes de Aronofski e Natalie Portman é bem capaz de estar a caminho de vencer a sua primeira estatueta dourada, apesar da concorrência de peso.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Os Crimes dos Rios de Púrpura, de Mathie Kassovitz (2000)u

Juntando duas super estrelas do cinema francês actual - Jean Reno e Vicent Cassel - «Os Crimes dos Rios de Púrpura» é uma boa surpresa. É um thriller que tem lugar numa vila remota onde uma sinistra universidade parece ser o centro de tudo. É precisamente na Universidade de Guernon, que tem um código de regras bastante especifico que dita que os professores devem casar e ter filhos entre si, que começam a surgir algumas mortes estranhas.

Para resolver o mistério é chamado o comissário Pierre Niemans (Jean Reno) directamente de Paris. Ao mesmo tempo um outro investigador policial mais novo (Vincent Cassel) desterrado para uma terreola supostamente por mau comportamento, investiga também a profanação de um túmulo que o leva a Guernon. Juntos os dois policias vão tentar desvendar o que se passa na universidade e a razão por detrás das mortes que apresentam requintes de malvadez.

Com um bom argumento, que nos deixa agarrados do início ao fim, «Os Crimes dos Rios de Púrpura» podia ser um grande filme. E está lá perto pois os actores têm grandes desempenhos. Mas há uma ou outra falha que acabam por deitar por terra as suas altas expectativas. Em primeiro lugar a culpa é do realizador Mathiew Kassovitz que muitas vezes recorre a planos demasiado rebuscados que acabam por nos afastar um pouco da acção. Talvez o seu objectivo tenha sido apresentar truques de câmara, mas infelizmente não o consegue.

Outra das falhas diz respeito às cenas de lutas. Ao tentar imitar os filmes de acção (Matrix tinha estreado um ano antes e trouxe definitivamente para o cinema Ocidental as magnificas coreografias dos filmes de Hong Kong) o filme falha redondamente e não convence. O que vale é que são só duas em todo o filme. Mesmo assim, o balanço é bem positivo, em grande parte devido à história e aos dois actores principais. O resto passa ao lado.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB