«Stuck in the Middle with you», de Stealers Wheel - Banda Sonora de «Cães Danados», de Quentin Tarantino
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Cães Danados, de Quentin Tarantino (1992)
Se Quentin Tarantino é um dos realizadores mais aclamados nos dias de hoje, tal deve-se sobretudo a «Pulp Fiction», filme que lhe abriu as portas da Sétima Arte em 1994 quando conquistou a Palma de Ouro em Cannes e três nomeações para os Óscares (Melhor Filme, Realizador e Argumento Original, assinado a meias com Roger Avary), das quais ganharia uma estatueta. Mas foi dois anos antes que o ex-empregado de um videoclube que afirma nunca ter estudado Cinema (assim reza a lenda) começou a dar nas vistas no Festival de Sundance, a Meca do cinema independente, onde apresentou «Cães Danados».Tudo o que vemos nesta obra de estreia (oficialmente, pois há quem diga que Tarantino fez um outro filme nos anos 1980 mas que é hoje renegado por ele próprio) vamos encontrar mais tarde na restante obra do realizador. Em primeiro lugar temos uma homenagem a um género específico. Neste caso trata-se de um policial de série B que retrata o rescaldo de um assalto a uma joalharia que corre mal, pois um dos elementos do grupo de assaltantes traiu o golpe avisando a polícia. Outro dos aspectos reconhecíveis na filmografia de Tarantino são os diálogos, escritos de forma imaculada e quase perfeitos. Logo o primeiro, quando os assaltantes falam sobre «Like a Virgin», de Madonna, indicia mais um dos amores de Tarantino: as grandes bandas sonoras de autores meio perdidos no tempo, mas que ficam no ouvido. É também através destes diálogos que o realizador homenageia os seus ídolos. Para os mais atentos, em «Cães Danados» encontramos um diálogo sobre Pam Grier, actriz que mais tarde foi escolhida para interpretar «Jackie Brown».
A forma como a história é contada, através de inúmeros flashbacks que servem para apresentar as personagens, é outra das imagens de marca do realizador, que irá ser aprofundada mais tarde nos filmes seguintes. Por fim, temos as personagens sui generis e os actores escolhidos para as interpretar. Neste primeiro filme ainda não temos grandes estrelas, mas encontramos nomes com algum estatuto: Harvey Keitel, Chris Penn, Michael Madsen, Steve Buscemi ou Tim Roth, por exemplo. «Cães Danados» não é um filme perfeito, mas está lá perto. Foi a primeira grande homenagem que Tarantino fez a um certo tipo de Cinema que o realizador gosta e que continuaria a fazer ao longo da sua carreira quando abordou filmes Blaxploitation («Jackie Brown»), filmes de ninjas (o díptico «Kill Bill»), grindhouse («À Prova de Morte») ou um certo tipo de western spaghetti adaptado à II Guerra Mundial («Sacanas Sem Lei»). E este é um daqueles filmes que quase pode ser visto como uma declaração de interesses de um realizador estreante, que resolve mostrar as cartas e ao que vai logo na primeira obra.
Nota: 4/5
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Rapariga: Código 6, de Spike Lee (1996)
Quando começa a ter algum sucesso, leia-se clientes que lhe ligam, e a ganhar algum dinheiro, deixa de perseguir os seus sonhos e embrenha-se demasiado no seu trabalho, perdendo pelo caminho alguns amigos. «Rapariga: Código 6» não é o melhor dos filmes de Spike Lee, mas é um filme simpático, onde se destaca a interpretação de Theresa Randle. O filme é todo dela. Mas a história, que acaba por ser um círculo, não se aguenta muito, mesmo com um bom elenco secundário, composto pelo próprio Lee, no papel do melhor amigo da jovem, Isaiah Washington, que interpreta o cleptomaníaco ex-marido da jovem e que tenta regressar aos seus braços. A título de curiosidade, logo a abrir encontramos Quentin Tarantino a fazer de realizador durante um casting que não acaba muito bem. Isto num filme realizado um ano antes de «Jackie Brown».
Esta é apenas uma das referências cinematográficas de «Rapariga: Código 6», que no fundo não deixa de ser um filme sobre a busca interior de uma candidata a actriz, que depois de tentar a sua sorte em Nova Iorque parte para a Califórnia, terra dos sonhos de Hollywood. Mas a aventura não terá grandes resultados, prevê-se com aquele filme. Para quem gosta, uma das melhores partes do filme acaba por ser também a banda sonora, assinada por Prince.
Nota: 3/5
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domingo, 10 de abril de 2011
Road To Nowhere - Sem Destino, de Monte Hellman (2010)
Monte Hellman esteve 21 anos sem realizar e passados todos estes anos volta com um grande filme. E ainda bem, dizemos nós, pois se a sua carreira tivesse ficado pelas duas últimas obras antes de «Road To Nowhere - Sem Destino», (a saber «Silent Night, Deadly Night III: Better Watch Out!» e «Iguana»), seria uma pena para este cineasta de culto, venerado por gente como Quentin Tarantino. De realçar que a estreia deste último foi produzida precisamente por Monte Hellman, que esteve para realizar «Cães Danados». Em boa hora passou a cadeira ao novato, que assinou uma das obras-primas dos anos 1990 se tornou um nome sonante da Sétima Arte.Mas voltando a Monte Hellman e ao seu mais recente filme, que estreou esta semana nas salas. «Road To Nowhere» é um filme labiríntico, que sem cair no tom surrealista de «INLAND EMPIRE», pode ser comparado de longe com a mais recente obra de David Lynch. O filme conta a história de Mitchell Haven (Tygh Runyan), um realizador que está a fazer um filme, filme esse chamado «Road To Nowhere», que é baseado numa história verídica e cujas cenas vamos vendo ao longo do filme que estamos a ver. Nada de novo, é um filme, dentro de um filme, dentro de outro filme. Quase que parece uma boneca matrioska.
Apesar de ser um pouco confuso, temos de estar bastante atentos para não perder o fio à meada (nada que faça confusão a quem tenha visto «A Origem», de Christopher Nolan), o filme tem um bom argumento, que foca bem a dificuldade em fazer um filme, visto directamente a partir dos olhos do realizador. Este relata alguns episódios da rodagem em flashback, como acabamos por constatar no final, à argumentista. Além disso, o filme conta também uma história de amor entre o realizador e actriz principal, Laurel (Shannyn Sossamon), que acaba mal.
Para os cinéfilos que gostam de ir à cata de referências nos filmes, este «Road To Nowhere» é um paraíso. Há cartazes de filmes, entrevistas com nomes conhecidos do Cinema e até cenas de filmes vistos pelos personagens (mais filmes dentro do filme) para descobrir. Um grande regresso de um realizador que andou perdido durante mais de 30 anos, se contarmos a partir do último grande filme que realizou: «Cockfighter». Para quem quiser ficar a conhecer um pouco mais a obra de Monte Hellman pode clicar na etiqueta e encontrar alguns posts que escrevi aquando um ciclo passado na Cinemateca sobre o realizador.
Nota: 4/5
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Biblioteca Cinematográfica: Sin City, de Frank Miller
O Livro: «Sin City» não é propriamente um só livro, antes uma série de novelas gráficas criada por Frank Miller, autor de banda desenhada norte-americano também conhecido pelas suas obras baseadas a Batman. Os primeiros capítulos da série começaram a sair em Abril de 1991, numa edição especial da revista Dark Horse para celebrar o quinto aniversário da publicação. Entre Maio desse ano e Junho de 1992 a história evoluiu para uma série dividida em 13 partes. Mais tarde foram publicadas novas histórias que tinham em comum o mesmo cenário: Basin City, ou Sin City.Com um estilo muito característico e imagens que remetem para o imaginário do Film Noir, em grande parte devido à utilização do preto e branco e devido às personagens misteriosas, que tanto são mulheres fatais como polícias que vivem na fronteira entre o Bem e o Mal, a banda desenhada ganhou um estatuto de culto. Desde a sua estreia e até ao ano 2000, quando foi publicado o último volume da série, foram publicados sete livros Sin City: «The Hard Goodye», «A Dame To Kill For», «The Big Fat Kill», «That Yellow Bastard», «Family Values», «Booze, Broads, & Bullets» e «Hell and Back». Em Portugal foram publicados os seis primeiros volumes da série pela Devir, com os seguintes títulos: «A Cidade do Pecado», «Mulher Fatal», «Aquele Sacana Amarelo», «A Grande Matança», «Valores Familiares» e «Copos, Balas e Gajas».
O Filme: «Sin City» o filme chega às salas cinco anos depois de encerrado o último capítulo das novelas gráficas, num filme realizado a meias por Robert Rodriguez e Frank Miller, com uma perninha de Quentin Tarantino, que dirigiu uma das cenas. Com um elenco de luxo (Bruce Willis, Mickey Rourke, Clive Owen, Jessica Alba, Benicio del Toro, Brittany Murphy, Elijah Wood, Rosario Dawson, entre outros) a adaptação é uma das melhores obras de Rodriguez e ao mesmo tempo um dos filmes esteticamente mais arrojados na primeira década dos anos 2000, transportando para o grande ecrã o imaginário criado por Frank Miller nas páginas dos comics. A luz verde dada pelo autor à adaptação do cineasta justificou em pleno a aposta feita, pois Frank Miller tinha algum receio em ver a obra chegar ao Cinema.O filme centra-se em apenas três histórias da série: «A Cidade do Pecado», que representou o comeback de Mickey Rourke no papel de Marv, um homem que mata tudo o que lhe aparece à frente depois de acordar e encontrar a amante morta a seu lado; «A Grande Matança», que relata uma guerra entre um grupo de prostitutas e um gangue de mercenários que resolve retaliar a morte de um polícia corrupto, num episódio protagonizado por Clive Owen e com um Benicio Del Toro genial (como quase sempre); por fim, «Aquele Sacana Amarelo», conta a história de um polícia em idade de reforma (Bruce Willis) que tenta proteger uma jovem de um serial killer amarelo. Estes episódios fazem parte do meio de «Sin City». O início e o fim fazem parte da mesma história, a irónica curta «The Customer Is Always Right», protagonizada por Josh Hartnett e Marley Shelton.
Praticamente desde a estreia de «Sin City» que se tem falado num novo filme baseado na série, mas até à data, os planos não se concretizaram.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
domingo, 28 de novembro de 2010
Machete, de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis (2010)
Filmes bons a imitar os que são maus às vezes irritam-me. «Machete», que chegou esta semana às salas de cinema, é um deles. Não que o filme seja mau, até gostei. Está muito bem feito para o objectivo que pretende ser (homenagear um género que o realizador gosta) e é bom entretenimento que não deixa os fãs do género desiludidos. Tem bons personagens, daqueles que não lembram a ninguém de tão bons que são, tiros, facadas e explosões a rodos (a cena dos intestinos no hospital é um mimo), mulheres giras e diálogos geniais. Mas espremendo o sumo daquilo, por muito bom que seja o resultado, soa a falso. Já me tinha acontecido o mesmo quando vi «À Prova de Morte», para mim o filme mais fraco de Quentin Tarantino.O Machete (Danny Trejo) que dá nome ao filme é um ex-Federale incorruptível que se mete com quem não deve: o terrível traficante Torrez (Steven Seagal). Aqui os papéis inverteram-se, pois normalmente Seagal costuma interpretar o herói de serviço e Trejo é um secundário habituado a papéis de mau. Um dos problemas de «Machete» é que esta dupla é composta por dois maus actores, que não conseguem aproveitar boas personagens por muito que tentem. Especialmente Seagal. Aquela cena final é do mais mauzinho que tenho visto, mas uma vez mais, talvez tenha sido o objectivo de Rodriguez ter uma dupla de maus actores.
A história é o habitual neste tipo de filmes. Depois de quase ser morto às mãos de Torrez, que pelo caminho matou a família do Federale, Machete tem uma oportunidade de se vingar quando é contratado por Michael Booth (Jeff Fahey) para matar o Senador John McLaughlin (Robert DeNiro), que defende políticas anti-migração mas tem uma agenda escondida, que envolve Torrez.
Como já referi não há nada que falte a esta imitação de filme chunga, que é tão perfeito que acaba por perder a piada. Confesso que prefiro mil vezes o velhinho e original El Mariachi. «Machete» vale pelo entretenimento que garante e pelos inúmeros e bons secundários, muito bem interpretados. Não só Jeff Fahey e DeNiro, mas também o elenco feminino (de Jessica Alba a Michelle Rodriguez, passando por Lindsay Lohan) e Cheech Marin, que interpreta um padre muito original.
No fundo este é o filme que fariam os realizadores preferidos de Rodriguez e Tarantino se tivessem meios para fazer uma coisa como deve ser. Mas se calhar se o tivessem feito, hoje ninguém falava neles. Ou parafraseando o anúncio, não era a mesma coisa.
Nota: 3/5
Site oficial do filme
Para recordar fica o trailer que saiu com Grindhouse:
sábado, 30 de janeiro de 2010
O fim da Miramax aos 30 anos
A mítica produtora criada pelos irmãos Weinstein, Harvey e Bob, que nos deu a ver obras primas como «Cães Danados», «Pulp Fiction» e «Jackie Brown» de Quentin Tarantino, «O Paciente Inglês» e «O Talentoso Mr. Ripley de Anthony Minghella ou «Sexo, Mentiras e Vídeo» de Steven Soderbergh, entre muitas outras, vai fechar portas.Nascida em 1979 e cujo nome é uma homenagem aos pais dos irmãos Weinstein, o estúdio tinha sido comprado por 70 milhões de dólares em 1993 pela Disney, empresa que optou por encerrá-lo agora. Sempre em querelas com a Disney, os dois irmãos acabaram por sair da Miramax em 2005 para fundar uma nova produtora, a Weinstein Company, que nunca conseguiu grandes resultados financeiros.
Numa entrevista ao site The Wrap o realizador Kevin Smith («Dogma», «Perseguindo Amy»), que ganhou fama com a Miramax, lamentou o final do estúdio ao afirmar que «a Miramax não era só um clube de maus rapazes, era o Olimpo do século XX: atirem-lhe uma lata de Diet Coke e acertamos numa dieta dos dias modernos». O mesmo cineasta reconhece que «por um breve, luminoso momento, foi uma era de mágicos e maravilhas».
O problema agora são os 80 desempregados que o fim da Miramax vai provocar e seis filmes que estavam sob a alçada da produtora, que não se sabe o que vai acontecer, relata o The Wrap. Um desses filmes é uma adaptação de «A Tempestade» de William Shakespeare, a cargo da realizadora Julie Taymor («Across the Universe», «Frida») e o próximo filme de John Madden («A Paixão de Shakespeare»).
A Miramax vai deixar saudades.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Vencedores dos Globos de Ouro
Foram ontem entregues os Globos de Ouro, os principais prémios do cinema nos EUA, depois dos Óscares. Este ano o 'grande vencedor', pelo menos nas duas categorias mais importantes, foi «Avatar», de James Cameron, que ganhou nas categorias de Melhor Filme Drámatico e Melhor Realizador. Por outro lado, o grande perdedor é «Up In The Air», de Jason Reitman, que era um dos favoritos com seis nomeações e apenas levou para casa um prémio, para Melhor Argumento.Nos restantes galardões destaque para os prémios atribuídos para a interpretação, que distinguiram Sandra Bullock («The Blind Side») e Jeff Bridges («Crazy Heart») como melhores actores em drama, Meryl Streep e Robert Downey Jr. como melhores actores em comédia ou musical. Os secundários foram parar ao genial Christoph Waltz pelo seu papel em «Sacanas Sem Lei», de Quentin Tarantino e a Mo'nique que entrou em «Precious: Based On The Novel Push By Sapphire».
Por fim, mais dois prémios: «Up - Altamente», da Pixar, conquistou o Globo de Ouro para Melhor Animação e Michael Haneke levou para casa o prémio para Melhor Filme Estrangeiro.
A lista completa dos premiados, incluindo os prémios para televisão, pode ser consultada aqui.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Oliveira entre os melhores para os Cahiers du Cinema
A revista Cahiers do Cinema colocou o mais recente filme de Manoel de Oliveira, «Singularidades de uma Rapariga Loura», na lista dos 10 melhores filmes de 2009. Para a publicação francesa o top 10 de 2009 na Sétima Arte foi:
1. Les Herbes folles , de Alain Resnais
2. Vincere , de Marco Bellochio
3. Sacanas Sem Lei , de Quentin Tarantino
4. Gran Torino , de Clint Eastwood
5. Singularidades de uma Rapariga Loura , de Manoel de Oliveira
6. Tetro , de Francis Ford Coppola
7. Estado de Guerra, de Kathryn Bigelow
8. Le Roi de l’évasion , de Alain Guiraudie
9. Tokyo Sonata , de Kiyoshi Kurosawa
10. Hadewijch , de Bruno Dumont
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