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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os Descendentes, de Alexander Payne (2011)

Apesar de apenas contar com seis longas metragens no currículo, Alexander Payne é um dos valores seguros do actual Cinema norte-americano. E «Os Descendentes», não sendo a sua melhor obra, não foge à regra. Tal como nos anteriores «As Confissões de Schmidt» e «Sideways», este é um drama simples, com algumas pitadas de comédia, que vive à conta de uma boa história e de boas interpretações, sobre alguém que chega a um certo ponto da sua vida e se apercebe que tem de se descobrir a si próprio.

Neste caso trata-se da história de Matt King (Clooney), um advogado que vive no Havai e descobre que a sua esposa, que está em coma e vai ter de ser desligada das máquinas, tinha um amante. Pelo meio Matt tem de aprender a lidar com duas filhas em idades complicadas (10 e 17 anos) e de avaliar a venda de uns terrenos familiares que farão os seus muitos primos (ainda mais) ricos, além de tentar perceber se quer ou não conhecer o amante da sua esposa. Confrontado com todos estes dilemas e com tão pouco tempo para os resolver, o pobre advogado lá tem de se adaptar ao que lhe vai aparecendo.

Além de um bom argumento, e Alexander Payne consegue provar mais uma vez que os sabe escrever, «Os Descendentes» conta também com excelentes interpretações, sobretudo de Clooney, que está em grande forma e esta semana acabou por ver o seu trabalho reconhecido com mais uma nomeação aos Óscares por este papel. Mas neste capítulo há que destacar também o desempenho da jovem Shailene Woodley, que interpreta a filha mais velha de Matt, e que apesar de não ter ainda grande experiência no cinema (tem apenas diversas
participações em séries de televisão no currículo) consegue esta à altura do pedido e dar resposta à sua complexa personagem: uma adolescente problemática que atravessa um período conturbado e vai sofrendo várias mudanças ao longo do filme. Apesar de não ser daqueles filmes perfeitos, «Os Descendentes» é um filme simples que nos deixa com um sorriso nos lábios no final.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Frase(s) que marcam um filme: As Confissões de Schmidt, de Alexander Payne (2002)

Warren Schmidt: I know we're all pretty small in the big scheme of things, and I suppose the most you can hope for is to make some kind of difference, but what kind of difference have I made? What in the world is better because of me?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

As Confissões de Schmidt, de Alexander Payne (2002)

A par do mafioso Costello, o excelente papel que interpretou em «The Departed - Entre Inimigos», de Martin Scorsese, Warren Schimdt foi uma das melhores criações de Jack Nicholson na primeira década deste século. Warren Schmidt é o protagonista de «As Confissões de Schmidt», o quarto filme de Alexander Payne, um realizador norte-americano com poucos mas bons filmes no currículo, onde se destaca ainda «Sideways». Depois de «Election», também bastante recomendável, foi com «As Confissões de Schmidt» que Payne cimentou a sua carreira que parece um pouco parada. Mas deverá voltar em breve, com um filme com estreia prevista para este ano e outro para 2012, se tudo correr como previsto.

Mas vamos ao que interessa e falar de Warren Schmidt, uma daquelas personagens que sozinhas fazem um filme inteiro. E quando são interpretadas por actores como Jack Nicholson, como só eles o sabem fazer (e foi este o caso), o resultado só pode ser bom. Warren Schmidt é um homem de 66 anos que acaba de se reformar, depois de uma vida inteira a trabalhar numa seguradora. Poucos dias depois da reforma e sem grandes planos para fazer, a sua esposa morre. Com uma filha prestes a casar, com um noivo que não é bem visto pelo futuro sogro, e com ainda menos planos, Schmidt faz-se à estrada e começa a questionar-se e a ver a vida sob outro prisma, ao mesmo tempo que troca correspondência com um órfão africano, que acaba por ser o seu confidente à distância.

O que poderia ser um filme lamechas, e tem tantas oportunidades para seguir por aí, acaba por ser um dos grandes filmes dos últimos anos. E continua a ser, num segundo visionamento. A personagem de Nicholson é sarcástica ao expoente máximo e isso nota-se na forma como reage aos outros. Mas as voltas que o destino dá em vez de o deitarem a baixo apenas servem de alento para ele rever a sua vida e olhar em frente. E aquele final não podia ser melhor para alguém que tem pouca esperança de que daí para a frente nada vai ser como dantes.

Jack Nicholson está simplesmente brilhante, num filme em que praticamente está presente em todas as cenas. Destaque ainda para duas boas secundárias: Hope Davis e Kathy Bates, esta última com direito a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz Secundária, apesar de pouco estar presente no filme. Alexander Payne consegue aqui uma excelente comédia dramática, com uma belíssima banda sonora, que iria abrir caminho e dar já um cheirinho para o seu filme seguinte: «Sideways».

Nota:5/5

Site oficial do filme