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domingo, 10 de julho de 2011

Eleição 2, de Johnnie To (2006)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Dois anos depois dos eventos relatados no primeiro «Eleição», os membros da tríade Wo Shing começam os preparativos para elegerem um novo líder. Durante o período de liderança de Lok (Simon Yam) a tríade prosperou e quando o encontramos desta vez Lok tem um encontro com os seus cinco afilhados onde se prepara para a eleição. Uma vez mais, aqui o centro está nos jogos de bastidores e não na acção propriamente dita, apesar de este elemento estar mais presente do que no primeiro episódio da série.

Depois de afastar Big D no final do primeiro filme, Lok agora tem um novo rival com quem lidar para chegar à reeleição, que não é bem vista. Trata-se de Jimmy (Louis Koo), protegido de um dos anciãos que apesar das ligações à tríade não quer ser gangster, mas antes continuar a ser um homem de negócios na China, onde fez fortuna. Este empresário já tinha sido uma personagem secundária em «Eleição», mas aqui tem todo o protagonismo. Apesar de inicialmente se mostrar relutante em tentar ser eleito, um conjunto de eventos acabam por empurrá-lo para esse caminho.

«Eleição 2» vai um pouco mais longe do que o filme anterior. Aqui há uma maior abordagem a várias questões, desde a lealdade entre os gangsters aos valores tradicionais destes clãs que caminham sempre fora da lei governamental, mas coexistindo. E tem mais cenas que aprofundam a natureza das personagens. A forma como Jimmy vai evoluindo ao longo do filme e começa a adoptar comportamentos um pouco mais sombrios do que os que são esperados de um jovem que apenas quer ser um homem de negócios, fruto das circunstâncias, é um dos pontos fortes do filme. E uma vez mais, a forma como está filmado mostra a mestria de Johnnie To em todo o seu esplendor.

Na altura da estreia este díptico chegou a ser considerado como o equivalente ao «Padrinho» de Hong Kong. Penso que a comparação é um pouco exagerada, apesar dos pontos em comum que as duas sagas possam ter.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Accident, de Cheang Pou-Soi (2009)

Esta é a primeira crítica de uma série que pretendo dedicar ao IndieLisboa, o festival de cinema independente de Lisboa, que arrancou ontem e decorre até 2 de Maio. Vou tentar aqui apresentar críticas a todos, ou quase todos, os filmes que tenciono assistir.

A saga começou ontem com «Accident», um filme de acção de Hong Kong, realizado por Cheang Pou-Soi, antigo assistente de realização do genial Johnie To. Tal como os filmes do mestre asiático, que foi alvo de uma interessante retrospectiva no âmbito do Indie e este ano traz o mais recente «Vengeance» a Lisboa, não é um filme de acção no sentido directo do termo. Este filme conta a história de Brain (Louis Koo), o líder de um grupo de assassinos profissionais cujo modus operandi consiste em criar acidentes que provoquem a morte dos seus alvos sem que pareça um assassinato.

Logo de início ficamos a saber como eles actuam com uma das encenações em que um pormenor deixa o líder irritado. Num outro golpe tudo corre mal e Fatty, um dos membros do grupo ,interpretado por Suet Lam, um habitué dos filmes de To, morre atropelado por um autocarro. Terá sido acidente? É esta questão que faz arrancar a segunda parte de «Accident», tornando o filme mais tenso, pois Brain começa a desconfiar de tudo e de todos.

Apesar desta segunda parte estar bem conseguida, falta um pouco mais de movimento a este filme para conseguir ombrear com a obra do mestre de Cheang Pou-Soi. Nas cenas dos golpes faltam aqueles movimentos de câmara que To tão bem consegue sacar. Mas o que vale a pena é ver a interpretação de Louis Koo, o enigmático líder cuja história passada vamos ficando a saber aos poucos.

Nota: 4/5

Site oficial do filme