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sábado, 21 de maio de 2011

Noites de Singapura, de Peter Bogdanovich (1979)

Peter Bogdanovich é um dos realizadores norte-americanos mais injustamente esquecidos. Com uma carreira cimentada na década de 1970, é um dos cineastas que acabou por se perder, ao contrário de outros nomes que nasceram com a fornada criada por Roger Corman. E é pena, pois além de ser um grande conhecedor do Cinema, basta ver o documentário «Directed By», que dedicou à obra de John Ford, e quase obrigatório para quem quiser conhecer este gigante do Cinema, foi o autor de grandes filmes, desde «A Última Sessão», a «O Miar do Gato» (o último filme a estrear por cá, já há 10 anos, e um dos primeiros que tive oportunidade de ver de Bogdanovich, ainda no velhinho Quarteto), passando por «Que Se Passa Doutor?» ou «O Vendedor de Sonhos», todos filmes sobre ou homenagens à História do Cinema.

Este «Noites de Singapura» não está directamente relacionado com Cinema, mas não deixa também de ser um grande filme. Dominado por Ben Gazzara, que interpreta o papel de Jack Flowers, um americano em Singapura que se torna chulo para ganhar dinheiro e regressar aos EUA. À medida que vai fazendo carreira, se assim se pode dizer, pois começa por ter umas quantas mulheres na rua até ter um bordel para gerir, Jack assiste às mudanças da sociedade e da própria História. A amizade com William Leigh (Denholm Elliott), um contabilista inglês que vai a Singapura todos os anos para analisar as contas da filial da empresa para quem trabalha, torna-se fundamental para Jack começar a ver as coisas de outra forma e começar a pensar mais a sério no que está a fazer.

«Noites de Singapura» é um daqueles filmes centrado na personagem principal, que praticamente está em todas as cenas, e Ben Gazzara está à altura, ao desempenhar um papelão, de alguém que chega a uma altura da vida em que se desilude com o que fez, mas acaba por se resignar e segue em frente. Além da excelente interpretação, o filme é um dos grandes filmes dos anos 1970, pois capta bem a forma de filmar daquela década. E é também um belo retrato de uma época em que o mundo estava a mudar a uma grande velocidade, ao abordar questões como o fim das colónias britânicas ou a Guerra do Vietname e mesmo uma certa forma de se fazer política.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não Se Fala Noutra Coisa, de John Ford (1935)

John Ford é mais conhecido pelos seus westerns, mas a carreira daquele que é um dos maiores realizadores dos EUA, composta por 146 filmes segundo o IMDB (quem viu o muito recomendável documentário «Directed By», de Peter Bogdanovich, sabe como Ford filmou dezenas de filmes no período mudo), passou por outros géneros. Inclusive comédias, como é o caso de «Não Se Fala Noutra Coisa», que consiste numa paródia (género que afinal não é moda dos dias de hoje) aos filmes de gangsters.

Arthur Ferguson Jones (Edward G. Robinson) é um simples empregado de escritório cumpridor, que chega sempre a horas ao emprego. Até que um dia se atrasa, logo no dia em que o patrão tinha decidido aumentar o seu único funcionário que nunca se tinha atrasado e despedir o primeiro que chegasse fora de horas. Azar dos azares, é precisamente Arthur o feliz contemplado com as duas e o seu chefe não sabe o que fazer. Mais tarde é confundido com 'Killer' Mannion (Edward G. Robinson), um bandido que tinha fugido da prisão. A partir daqui é sempre a descer e não há equivoco que não aconteça a Arthur.

Num estilo muito diferente do que normalmente associamos à cinematografia de John Ford, esta não é contudo uma obra menor na sua carreira. Antes pelo contrário, safa-se bastante bem e consegue arrancar umas boas gargalhadas com os azares de Arthur, que tão depressa escapa de boa, como já está metida noutra desventura. Edward G. Robinson tem uma interpretação excelente, ao protagonizar os dois papéis, e está bem secundado com diversas personagens que dão respostas no momento certo. Desde o delator que está sempre à procura do sítio onde pode levantar a recompensa ao chefe de Arthur que está constantemente a relembrar-lhe que tem trabalho pendente. «Não Se Fala Noutra Coisa» é uma boa oportunidade para ver uma obra de John Ford diferente do habitual.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Que Se Passa Doutor?, de Peter Bogdanovich (1972)

Há já muito tempo que não me ria tanto tempo numa sala de cinema. Pelo menos que me lembre. Tudo a propósito deste «Que Se Passa Doutor?» um dos primeiros filmes realizados por Peter Bogdanovich, logo a seguir aos muito recomendáveis «Realizado Por John Ford» e «A Última Sessão». E mesmo tendo no elenco Barbra Streisand este filme é uma daquelas comédias memoráveis que partindo de uma situação simples se transforma numa autêntica balbúrdia, metendo ao barulho ladrões de jóias, documentos ultra-secretos do governo dos EUA, mafiosos e...um professor de música que apenas queria ganhar uma bolsa para estudar uma teoria que envolve música e rochas.

Mas vamos ao início. Tudo começa com uma mala com um padrão escocês, explica-nos o livro que é aberto durante o genérico do filme, mala essa que esconde documentos secretos é apanhada por alguém no aeroporto de São Francisco. O problema é que de repente surgem mais três malas iguais que vão servir de pretexto para a confusão que se segue, pois todas as personagens do filme querem a sua mala, mas ninguém sabe que há várias malas iguais em jogo.

A partir daqui temos uma comédia de enganos que não perdoa ninguém: o professor perde a noiva, perde a bolsa, perde a mala. Enfim perde tudo, o que faz desta comédia uma recuperação muito bem conseguida das screwball comedies que tanto sucesso fizeram durante o período clássico de Hollywood.

E ainda temos direito a uma espectacular perseguição pelas ruas de São Francisco e pelas suas colinas que só acaba dentro de água. Esta perseguição tem uma cena genial, quase um clássico nas comédias, que acontece quando dois homens tentam atravessar a estrada com um vidro e ao mesmo tempo têm de se desviar dos carros da perseguição. Esta sequência é simplesmente genial.

Em relação ao elenco não há grandes nomes conhecidos. Com excepção de Barbra Streisand apenas encontramos Ryan O'Neal no papel do professor e algures num dos muitos secundários é possível encontrar Randy Quaid. Uma grande descoberta que poderá ainda ser vista no próximo dia 13 na Cinemateca.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB