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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Manhattan, de Woody Allen (1979)

Há filmes sobre os quais é difícil escrever, tal é a admiração que temos por eles. Daí há dias, depois de ter (re)visto «Manhattan», a primeira coisa que me lembrei de partilhar aqui sobre este filme foi um dos planos mais belos daqueles 96 minutos: Woody Allen e Diane Keaton debaixo da ponte de Brooklyn, depois de uma caminhada nocturna pelas ruas de Nova Iorque, numa belíssima fotografia a preto e branco. Estão ali duas das chaves do filme e, acrescentaria eu, de toda a obra do cineasta. Uma homenagem à cidade, local por onde Woody Allen tantas vezes nos levou, e as (sempre complicadas) relações entre casais.

Há quem diga que este é um filme sobre Nova Iorque. Não o vejo tanto assim. Para mim «Manhattan» é tanto um filme sobre Nova Iorque, como o mais recente «Meia Noite Em Paris» é um filme sobre a capital francesa. Apesar de o espírito de ambas as cidades estar bastante bem captado nos dois filmes, sobretudo nas magnificas sequências iniciais de ambos, «Manhattan» é, mais uma vez na obra de Allen, um filme sobre relações como só o realizador as sobre mostrar, através das picuinhices e neuroses da sua muito peculiar personagem.

Desta vez encontramos Allen na pele de Isaac, uma homem divorciado na casa dos 40 apaixonado por Tracy (Mariel Hemingway), a sua muito jovem namorada de 17 anos. Apesar da paixão que os une, Isaac tudo faz para que a relação não se torne uma prisão para os dois, sobretudo para a jovem, pois acredita que ela tem de ter mais experiências e não deve ficar logo agarrada a alguém tão velho. Em contraponto à relação instável entre Isaac e Tracy, temos um casal amigo, Yale (Michael Murphy) e Emily (Anne Byrne), que vivem uma situação aparentemente mais estável até que surge em cena a amante de Yale: Mary (Diane Keaton). São todos estes dilemas, ao qual se junta ainda a paixão entre Isaac e Mary, depois de ele abandonar Tracy e ela abandonar Yale, que fazem de «Manhattan» um dos melhores filmes de Allen e desde agora o meu favorito do realizador.

Está lá tudo. Excelentes diálogos, cenas lindíssimas filmadas num preto e branco que funciona de forma perfeita (todas aquelas cenas onde as personagens surgem quase como se fossem sombras, desde o já referido plano da ponte de Brooklyn à visita ao museu, são inúmeros os exemplos) e uma história que fica a milhas de muitos filmes centrados no Amor e nas relações complexas entre casais, que tanto poderia resvalar para a comédia idiota (em momentos segue por aí, mas sempre ao melhor estilo de Woody Allen e os seus dilemas tão estranhos que parecem impossíveis de acontecer - mas nunca nos aconteceram situações semelhantes às que são retratadas nos filmes de Allen?), como para o dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada. Felizmente não envereda por nenhum dos dois caminhos.

Se depois de ver isto não se começar a gostar de Woody Allen, não há nada a fazer. Mas perde-se toda a magia de um dos melhores filmes de sempre, onde as relações são retratadas quase como elas são de facto e feito numa das melhores cidades do mundo. Quem já lá esteve, sabe do que estou a falar.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

domingo, 18 de setembro de 2011

Belle du jour: Diane Keaton

Diane Keaton, em «Nem Guerra, Nem Paz», de Woody Allen

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1974)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Se a primeira parte da trilogia «O Padrinho» é uma obra-prima indiscutível, o segundo capítulo não lhe fica atrás. A saga prossegue sete anos depois dos acontecimentos ocorridos no primeiro filme. Desta vez o padrinho é Michael Corleone (Al Pacino, uma vez mais numa interpretação genial), que tomou as rédeas do negócio de família após a morte do pai, Vito Corleone. Nesta altura já Michael, que nunca quis ter muito a ver com os negócios pouco claros da família, vê-se com um enorme poder nas mãos e torna-se tão forte como o pai fora em tempos, mas menos respeitado pelos seus inimigos. Mas o poder gera inimigos no seio da família e uma nova guerra de clãs está prestes a começar, o que faz com que o novo padrinho falhe a promessa que fez à esposa Kay (Diane Keaton), de que dentro de pouco tempo a família iria deixar os negócios ilegítimos.

Neste segundo capítulo vemos Michael a cimentar o poder da família Corleone, mas ao mesmo tempo a ficar sem a família mais próxima. Neste aspecto, todo o filme é o retrato de um homem que dá tudo para ter a família unida, mas que no final acaba sozinho. Tal como tinha acontecido há muitos anos, durante um jantar de aniversário do pai que é mostrado na cena final, uma das melhores e mais fortes do filme. Outra das histórias de «O Padrinho: Parte II» é a vida de Vito Corleone desde que sai da Sicília até formar o seu império, junto da comunidade imigrante italiana, em Nova Iorque.

O jovem Vito é interpretado por Robert De Niro, um ano após ter entrado em «Os Cavaleiros do Asfalto», de Martin Scorsese. Mas esta história e interpretação acaba de ser relegada para segundo plano, infelizmente, devido à enorme interpretação de Pacino e à própria história de Michael, que tem mais destaque. Curiosamente foi De Niro que levou para casa o Óscar para Melhor Actor Secundário. E uma vez mais, Coppola conseguiu juntar um elenco secundário de fazer inveja a muitos filmes: John Cazale, que já tinha interpretado o papel de Fredo Corleone no primeiro capítulo, neste caso está muito melhor, talvez devido ao maior protagonismo que a sua personagem tem desta vez; Michael V. Gazzo, no papel de um mafioso dos tempos da velha guarda; Lee Strasberg, mais conhecido pela sua escola de actores e por ter criado o célebre Método, que teve poucas aparições no Cinema, sendo neste caso o inimigo de Michael.

E, como não podia deixar de ser, temos de voltar a referir a excelente banda sonora assinada por Nino Rota, que já descrevi no texto sobre o primeiro tomo da saga. Agora é tempo de seguir para o terceiro e último capítulo de «O Padrinho», que dizem ser o mais fraco dos três.

Nota: 5/5

Site oficial do filme