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sábado, 23 de abril de 2011

Jane Eyre, de Cary Fukunaga (2011)

«Jane Eyre» é uma daquelas obras que tem um bom punhado de adaptações no grande ecrã. A mais recente é esta, realizada este ano por Cary Fukunaga e protagonizada por Mia Wasikowska, no papel da heroína criada por Charlotte Brontë no século XIX, e Michael Fassbender, no papel de Edward Fairfax Rochester, o patrão de Jane e o seu par numa história de amor impossível.

A história é trágica. Jane é uma rapariga órfã e infeliz que está a viver em casa da tia, que prometeu cuidar dela depois da morte dos seus pais, mas acaba por enviá-la para uma instituição fechada, de onde apenas sai passados alguns anos. Nessa altura vai trabalhar para casa de Edward Fairfax Rochester, um homem severo, para ser a preceptora de uma rapariga francesa. Os dois acabam por se apaixonar, mas um acontecimento do passado vem assolar o romance.

Esta nova adaptação de «Jane Eyre» não traz nada de novo a este género de filmes, baseados em história centradas em heroínas românticas, tão comuns na literatura do século XIX. Apesar do bom elenco, como é comum no cinema britânico encontramos aqui bons secundários, como Judi Dench, Sally Hawkins ou Jamie Bell, poucas coisas nos cativam o filme de Cary Fukunaga. Há até algumas cenas, que mais parecem saídas de um filme de terror, e que eram escusadas. De parabéns está a jovem Mia Wasikowska, que tem vindo a revelar-se como uma excelente actriz.

Nota: 2/5

Site oficial do filme

domingo, 31 de janeiro de 2010

Nove, de Rob Marshall (2009)

Quando ouvi falar que estavam a fazer uma adaptação de um musical da Broadway baseado no «Oito e Meio» de Federico Felini assustei-me e fiquei com medo do resultado final. Por isso fui de pé atrás ver «Nove» de Rob Marshall, apesar de ter gostado de ver «Chicago». E o susto passou-me ao começar a ver o filme, pois o truque é esquecer «Oito e Meio», um filme que aliás é uma das grandes obras primas do cinema italiano e mundial.

Fiquemo-nos então por «Nove», a história do realizador italiano Guido Contini (Daniel Day-Lewis), considerado mestre e que está a passar uma fase de falta de inspiração, quando toda a gente espera a sua próxima obra prima. E aqui penso que o actor, um dos grandes actores da actualidade, não está muito à vontade no seu papel. Mas Day-Lewis é um grande actor e pouco reparamos nisso.

O que acompanhamos em «Nove» é precisamente a procura de inspiração de Guido Contini e para isso vão surgindo as várias mulheres que fazem parte da sua vida: da mãe (Sofia Loren) à amante (Penélope Cruz, numa das melhores sequências do filme), passando pela esposa (Marion Cotillard), pela estrela dos seus filmes (Nicole Kidman, claramente a fazer o mesmo papel que coube a Anita Ekberg em «La Dolce Vita») e por uma prostituta (Fergie) que remete para a infância do realizador.

E tal como em «Chicago», Rob Marshall brinda-nos com belas sequências musicais, cada uma dedicada a cada uma das personagens que fazem parte da vida de Guido. Aqui o filme só peca por, uma vez mais, me parecer que as actrizes não se sentirem muito à vontade a cantar. Mesmo assim, não deixa de ser um bom filme, com uma história que flui bastante bem. E vale bem a pena ver, nem que seja pelo elenco feminino, onde ainda podemos encontrar Judi Dench e Kate Hudson.

Nota: 4/5

Site oficial do filme