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sábado, 25 de junho de 2011

Twin Peaks: Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer, de David Lynch (1992)

No início dos anos 1990, as mentes de David Lynch e Mark Frost deram ao mundo uma das melhores e mais estranhas séries televisivas de sempre: Twin Peaks. A história passava-se na cidade fictícia com o mesmo nome, onde a morte de Laura Palmer (Sheryl Lee)investigada pelo agente especial do FBI Dale Cooper (Kyle MacLachlan) dá o mote para o enredo que vem levantar os inúmeros fantasmas da comunidade. A série foi um sucesso na altura e continua a ser de culto, apesar de ter sido cancelada a meio da segunda temporada, quando a estação que a emitia, a ABC, quis que fosse revelado o autor da morte da jovem, contra vontade dos seus dois criadores. A partir daí, a série perdeu audiência e só depois de muitas queixas foram emitidos os últimos episódios da temporada.

Em 1992, um ano depois do fim da série, David Lynch realiza «Twin Peaks: Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer», filme que retrata, como o título em português muito bem indica, os últimos dias antes da morte da misteriosa adolescente que estava no centro da série. E tem tudo o que um bom filme de Lynch tem, nomeadamente os elementos estranhos que remetem para sonhos e cenários oníricos, e a banda sonora (de Angelo Badalamenti, como não podia deixar de ser)que adensa ainda mais o ambiente já de si pesado . Tal como na série, aqui nada é o que parece e a inocência de uma comunidade perdida no interior dos EUA acaba por não ser tão inocente quanto isso.

Apesar de não ser considerado pelos fãs do realizador como um dos seus melhores filmes, «Twin Peaks: Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer» não deixa de ser uma boa obra, que serve sobretudo para aprofundar um pouco a mitologia em torno da série e desvendar alguns dos mistérios. E mostra que esta era uma daquelas séries que podiam ter continuado por muitas e muitas temporadas, tal era a quantidade de linhas narrativas que podiam ser exploradas. A pressão das audiências assim o ditou e desde então poucas foram as séries de televisão que conseguiram ser tão atractivas e misteriosas ao mesmo tempo.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

domingo, 10 de abril de 2011

Road To Nowhere - Sem Destino, de Monte Hellman (2010)

Monte Hellman esteve 21 anos sem realizar e passados todos estes anos volta com um grande filme. E ainda bem, dizemos nós, pois se a sua carreira tivesse ficado pelas duas últimas obras antes de «Road To Nowhere - Sem Destino», (a saber «Silent Night, Deadly Night III: Better Watch Out!» e «Iguana»), seria uma pena para este cineasta de culto, venerado por gente como Quentin Tarantino. De realçar que a estreia deste último foi produzida precisamente por Monte Hellman, que esteve para realizar «Cães Danados». Em boa hora passou a cadeira ao novato, que assinou uma das obras-primas dos anos 1990 se tornou um nome sonante da Sétima Arte.

Mas voltando a Monte Hellman e ao seu mais recente filme, que estreou esta semana nas salas. «Road To Nowhere» é um filme labiríntico, que sem cair no tom surrealista de «INLAND EMPIRE», pode ser comparado de longe com a mais recente obra de David Lynch. O filme conta a história de Mitchell Haven (Tygh Runyan), um realizador que está a fazer um filme, filme esse chamado «Road To Nowhere», que é baseado numa história verídica e cujas cenas vamos vendo ao longo do filme que estamos a ver. Nada de novo, é um filme, dentro de um filme, dentro de outro filme. Quase que parece uma boneca matrioska.

Apesar de ser um pouco confuso, temos de estar bastante atentos para não perder o fio à meada (nada que faça confusão a quem tenha visto «A Origem», de Christopher Nolan), o filme tem um bom argumento, que foca bem a dificuldade em fazer um filme, visto directamente a partir dos olhos do realizador. Este relata alguns episódios da rodagem em flashback, como acabamos por constatar no final, à argumentista. Além disso, o filme conta também uma história de amor entre o realizador e actriz principal, Laurel (Shannyn Sossamon), que acaba mal.

Para os cinéfilos que gostam de ir à cata de referências nos filmes, este «Road To Nowhere» é um paraíso. Há cartazes de filmes, entrevistas com nomes conhecidos do Cinema e até cenas de filmes vistos pelos personagens (mais filmes dentro do filme) para descobrir. Um grande regresso de um realizador que andou perdido durante mais de 30 anos, se contarmos a partir do último grande filme que realizou: «Cockfighter». Para quem quiser ficar a conhecer um pouco mais a obra de Monte Hellman pode clicar na etiqueta e encontrar alguns posts que escrevi aquando um ciclo passado na Cinemateca sobre o realizador.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 25 de março de 2011

Frase(s) que marcam um filme: Veludo Azul, de David Lynch (1986)

Jeffrey Beaumont: It's a strange world.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pedro Costa e João César Monteiro entre os melhores da década

A Cinemateca de Ontário colocou três filmes portugueses, dois de Pedro Costa e um de João César Monteiro, na lista dos melhores filmes desta primeira década do século XXI. A lista foi criada para comemorar os 20 anos da instituição que vai também projectar algumas das obras em 2010, no âmbito de um ciclo denominado «The Best of the Decade: An Alternative View».

Portugal está representado na lista por «Juventude em Marcha» (15ª posição da lista) e «O Quarto de Vanda» (14ª com «Os Respigadores e a Respigadora», de Agnès Varda e «Songs From The Second Floor», de Roy Andersson) e «Vai e Vem», de João César Monteiro (30ª posição com «Longing», de Valeska Grisebach, «Secret Sunshine», de Lee Chang-dong e «Longe do Paraíso», de Todd Haynes). Destes três filmes portugueses, apenas os de Pedro Costa vão integrar o ciclo, o que prova uma vez mais a força que o realizador tem vindo a ganhar internacionalmente.

E é curioso ver que nesta lista, criada a partir de um inquérito feito a mais de 60 especialistas na Sétima Arte, de programadores de festivais a historiadores, os filmes de Pedro Costa ficaram à frente de obras de cineastas conceituados como David Lynch («Mulholand Drive»), David Cronenberg («Uma História de Violência»), Gus van Sant («Elephant» e «Gerry»), Pedro Almodóvar («Fala Com Ela») ou Ingmar Bergman («Saraband»).

Os dez primeiros classificados da lista são:

1 - «Syndromes and a Century», de Apichatpong Weerasethakul;
2 - «Platform», de Jia Zhang-ke;
3 - «Still Life», de Jia Zhang-ke;
4 - «Beau travail», de Claire Denis;
5 - «In the Mood for Love», de Wong Kar-wai;
6 - «Tropical Malady», de Apichatpong Weerasethakul;
7 - «The Death of Mr. Lazarescu», de Cristi Puiu e «Werckmeister Harmonies», de Béla Tarr;
8 - «Éloge de l'amour», de Jean-Luc Godard;
9 - «4 Months, 3 Weeks, 2 Days», de Cristian Mungiu;
10 - «Silent Light», de Carlos Reygadas.

A lista completa encontra-se aqui.

sábado, 21 de novembro de 2009

David Lynch filme documentário sobre guru dos Beatles

O realizador norte-americano David Lynch vai filmar um documentário sobre Maharishi Mahesh Yogi, o guru indiano que integrou algumas sessões de meditação dos Beatles. Segundo a New York Magazine, as filmagens deverão arrancar no próximo mês na Índia.

A admiração de David Lynch pelo mestre da meditação já tinha sido tornada pública há alguns anos, nomeadamente quando lhe dedicou em 2006 o seu livro Em Busca do Grande Peixe, escrito com base nas experiências de meditação transcendental do cineasta.

Um dos objectivos de David Lynch é tentar encontrar um antigo companheiro de Maharishi Mahesh Yogi, que actualmente terá 97 anos. Em declarações à publicação o realizador de «INLAND EMPIRE» refere que o seu objectivo com este encontro é «conseguir histórias que não ficaram bem gravadas».