Mostrar mensagens com a etiqueta David Fincher. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta David Fincher. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres, de David Fincher (2011)

A mania dos remakes em Hollywood é algo que não vem de hoje. Mas além de ser uma mania, quase tão irritante como a das sequelas desnecessárias, o pior é quando os remakes não vêm acrescentar nada de novo em relação ao original, que ainda está relativamente fresco na nossa memória (foi só em 2009 que Niels Arden Oplev adaptou o primeiro episódio da trilogia). A sensação que tive ao ver esta adaptação de David Fincher foi a mesma que tive há uns anos quando estreou «The Departed - Entre Inimigos», de Martin Scorsese, um remake de um dos meus filmes favoritos na altura («Infernal Affairs - Infiltrados», de Wai-keung Lau e Alan Mak). Não é um mau filme, mas desilude quem gostou do original. O tempo acabou por curar o meu problema em relação ao filme de Scorsese quando o voltei a ver mais tarde e provavelmente irá acontecer o mesmo com este filme quando o vir no futuro. A lição que retirei do filme que finalmente deu o Óscar ao realizador de «Taxi Driver» foi que para vermos um remake temos de esquecer o original.

Depois desta introdução, vamos então ao filme de Fincher, o realizador incumbido de fazer a versão americana do primeiro volume da trilogia Millennium, do sueco Stieg Larsson (quem não conhecer os livros, recomendo bastante, sobretudo este primeiro tomo). No centro da história temos uma investigação feita por Mikael Blomkvist (Daniel Craig), um jornalista caído em desgraça depois de uma reportagem que em vez de furo saiu furada, que é contratado por Henrik Vanger (Christopher Plummer) para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de uma sobrinha. Esta investigação acaba por trazer à luz do dia os segredos mais obscuros da família Vanger, que no passado teve ligações a movimentos nacionalistas. Para ajudá-lo na sua tarefa, Mikael conta com a ajuda da jovem hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara). Todos estes ingredientes tornam «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres» uma história negra q.b. para corresponder ao que temos visto anteriormente na obra de Fincher.

Como disse lá mais acima, «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres» não é um mau filme, pois estamos perante uma obra de um dos realizadores mais regulares do actual panorama de Hollywood. Goste-se ou não do seu meio de origem (os videoclips), David Fincher é um daqueles nomes que sabe o que faz quando está na cadeira de realizador. E aqui nada falha: uma boa direcção de actores, boas interpretações (Rooney Mara está muito bem, mas é difícil esquecer a Lisbeth Salander de Noomi Rapace), um ambiente negro bastante adequado à série,uma bela fotografia que nos leva mesmo a ter frio na gélida Hedestad onde decorre parte da acção e uma banda sonora quase genial, uma vez mais assinada pela dupla Trent Reznor e Atticus Ross que já tinha trabalhado com Fincher no filme anterior. Só a versão de «Immigrant Song», a banda sonora destacada esta semana e que surge no genérico inicial, é simplesmente viciante. O resto é tal e qual o que a dupla já tinha feito em «A Rede Social»

Tudo isto está bem. O diabo está nos detalhes, como diz o ditado popular. E esses detalhes estão espalhados pelo filme. Por exemplo, compreende-se que as personagens falem inglês, faz todo o sentido visto ser uma adaptação americana. Não faz sentido é grande parte das personagens ter um ligeiro sotaque. O mesmo acontece com alguns elementos dos cenários, sobretudo quando vemos as personagens a pegar em livros e revistas e reparamos que estas publicações são em sueco. São pequenos pormenores, que a juntar ao facto de o remake em si não trazer nada de novo em relação ao original, que acabam por desiludir. Para quem não viu o filme de Niels Arden Oplev, talvez este seja um grande filme (tirando estes pequenos detalhes, até é). Mas para quem ainda tem a primeira adaptação fresca na memória, o mais recente filme de David Fincher acaba por ser uma grande desilusão. Talvez daqui a alguns anos a minha opinião em relação seja diferente. Por agora, é esta.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Banda Sonora: Immigrant Song, de Karen O, Trent Reznor, Atticus Ross

«Immigrant Song», de Karen O, Trent Reznor, Atticus Ross (original de Led Zeppelin) - Banda Sonora de «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres», de David Fincher

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Fúria da Razão, de Don Siegel (1971)

Depois do homem sem nome da trilogia dos dólares, de Sergio Leone, o inspector Harry Callahan, também conhecido como Dirty Harry (o título original de «A Fúria da Razão»), é capaz de ser uma das personagens mais icónicas interpretadas por Clint Eastwood. Foi precisamente neste «A Fúria da Razão» de 1971 que o realizador Don Siegel, a par de Leone um dos grandes mentores do Eastwood realizador, nos apresentou este agente da lei sui generis, que cumpre os seus princípios sem prestar contas a ninguém. Quanto mais o Mayor de São Francisco.

É nas ruas da cidade da Golden Gate que Callahan trabalha. Na sua estreia a missão é apanhar Scorpio, um psicopata livremente inspirado no verdadeiro Zodiac (caso verídico que atormentou São Francisco durante a década de 1970 e que chegou aos cinemas em 2007 pela câmara de David Fincher - numa das cenas, se a memória não me atraiçoa, as personagens deste filme chegam mesmo a ir ao cinema ver «A Fúria da Razão»), que resolve começar a matar os habitantes da pacata localidade. Teve azar, foi precisamente Dirty Harry o agente escolhido para ir atrás dele.

«A Fúria da Razão» é um bom policial, que faz parte de uma das épocas de ouro do género. Só pela personagem principal já vale a pena ver, apesar de ser o típico anti-herói. Pragueja contra tudo e contra todos, é racista e sexista e tem uma forma bastante peculiar de evitar um suicídio: um murro no candidato é o que basta para este não se atirar do alto do prédio. E os diálogos, apesar de politicamente incorrectos, são delirantes. Quem nunca viu ou sorriu quando Harry pergunta o mais do que mítico: «Do I feel lucky? Well, do you, punk?», que atire a primeira pedra. Para quem não viu, o vídeo está ali em baixo.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Rede Social, de David Fincher (2010)

Se «Inside Job», ao analisar um tema como a crise financeira que vivemos, é um filme bastante actual, «A Rede Social» também o é. Não necessariamente por focar um tema específico mas um fenómeno dos dias de hoje que literalmente liga toda a gente: o Facebook. Mas além de ser um filme sobre a rede social onde toda a gente está, contada através dos dois processos que foram impostos a Mark Zuckerberg pelo seu ex-melhor amigo e por três colegas de universidade que alegam que o site foi ideia deles, esta é também a história do seu criador.

Sem recorrer a actores conhecidos, o nome mais sonante no elenco talvez seja Justin Timberlake, «A Rede Social» é um filme que se vê bem, mas deixará os adeptos de David Fincher algo desiludidos. Não há nenhuma interpretação que marque, nem mesmo a de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg. E este papel tinha tudo para ser bom, pois a personagem até é complexa. Não se trata de alguém normal que cria um site assim do dia para o outro. A personagem de Mark Zuckerberg (nunca saberemos se é como o filme o retrata, pois este é baseado numa biografia não autorizada do criador do Facebook) vista por David Fincher e Aaron Sorkin, o argumentista, é um génio bastante fechado, com problemas em relacionar-se com os outros que o levam a fazer as coisas à sua maneira e sem se preocupar com o que acontece à sua volta.

O excelente final, que acaba um pouco como tudo começou, é disso exemplo. (Spoiler a caminho) Mesmo depois de ter feito o que fez à ex-namorada logo no início do filme, e que no fundo foi a génese do Facebook, uma espécie de vingança contra as raparigas que não lhe ligavam nenhuma e contra os grupos de Harvard que não lhe abriam as portas, Mark Zuckerberg acaba por enviar-lhe um pedido de amizade. No fundo Mark só queria estar no centro das atenções. E consegue-o, pelas melhores ou pelas piores razões. A música «Baby You're a Rich Man», dos Beatles, é a cereja no topo do bolo no final de «A Rede Social».

E já que falamos em música, não posso deixar de referir a excelente banda sonora do filme, que esteve a cargo de Trent Reznor e Atticus Ross que se adequa perfeitamente ao ritmo e à montagem do filme, sem qualquer falha. Nota-se a presença do homem forte dos Nine Inch Nails a criar um ambiente que assenta como uma luva ao que se vai passando.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Em Cartaz: Semana 04/11/2010

A Rede Social, de David Fincher
O Demónio, de John Erick Dowdle e Drew Dowdle
Oh Não! Outra Vez Tu?, de Andy Fickman
Piranha 3D, de Alexandre Aja

domingo, 8 de novembro de 2009

Alien na RTP

Para comemorar os 30 anos da estreia de Alien, a RTP está a passar os três primeiros filmes da série de ficção científica protagonizada pela Tenente Ripley, interpretada por Sigourney Weaver. O primeiro episódio, o Oitavo Passageiro, realizado por Ridley Scott, passou na passada sexta-feira. Seguem-se Aliens - O Reencontro Final, de James Cameron, e Alien 3 - A Desforra, de David Fincher, sempre às sextas-feiras.

Uma boa oportunidade para ver o início de uma das grandes sagas do universo da ficção científica, que poderá voltar às salas de cinema num futuro próximo, num projecto de prequela que está a ser preparado pelo realizador do primeiro filme da saga.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Estoril Film Festival 2009

Arrancou ontem a terceira edição do Estoril Film Festival, um festival de cinema criado por Paulo Branco, que quer com o certame fazer uma espécie de Cannes em Portugal.

Se o conseguirá ou não, só o tempo o dirá. Mas pelo menos esforça-se para o conseguir. Com uma competição oficial virada para o cinema europeu, este ano vão passar pelo Estoril 12 filmes, incluindo o mais recente de João Mário Grilo: Duas Mulheres.

Contudo o principal atractivo estará nas secções paralelas. A começar pela Selecção Oficial fora de Competição, por onde vão passar os novos filmes de Francis Ford Coppola (Tetro), Wes Anderson (a estrear-se na animação com Fantastic Mr. Fox), Lars Von Trier (o polémico Antichrist), Jane Campion (Bright Star), Fernando Lopes (Os Sorrisos do Destino) ou Michael Haneke (com a sua Palma de Ouro The White Ribbon).

Destaque também para dois grandes nomes do cinema mundial que serão homenageados no Estoril: o realizador canadiano David Cronenberg, que será alvo de uma retrospectiva bastante completa da sua carreira, e a actriz francesa Juliette Binoche, que também está presente numa exposição de pinturas, poemas e retratos da sua autoria.

No campo musical há três boas surpresas: uma sessão de videoclips realizados por David Fincher, realizador de Seven ou Zodiac, a projecção de Renaldo and Clara, um filme realizado pela lenda da música que dá pelo nome de Bob Dylan, e a passagem de True Stories, única obra cinematográfica de David Byrne, antigo membro dos nova-iorquinos Talking Heads, que será membro do júri deste ano.

Para os que gostam do cinema mais alternativo, há que estar atento a uma retrospectiva de Robert Frank, fotógrafo e cineasta ligado à Beat Generation. Também para este público, o festival abre espaço a dois realizadores pouco conhecidos e com uma obra mais reduzida: o basco Victor Erice e o italiano Franco Piavoli.

Por fim, na secção O Cinema e a sua História, podemos assistir a uma cópia restaurada do filme Lola Montès, o último filme realizado por Max Ophuls, a um conjunto de documentários filmados durante a Guerra Civil Espanhola e um filme realizado por André Malraux.

Tudo isto são boas razões para ir ao Estoril, que não é Cannes, mas pode um dia vir a ser. Ainda é cedo para ver se Paulo Branco conseguirá cumprir o seu sonho ou não. Certo é que os primeiros passos nesse sentido já estão a ser dados. Agora é esperar para ver.

Mais informações no site oficial.