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terça-feira, 12 de julho de 2011

Larry Crowne, de Tom Hanks (2011)

Tirando uma ou outra participação em séries televisivas, a carreira de Tom Hanks como realizador saldou-se em apenas dois filmes para o grande ecrã: «Tudo Por um Sonho», uma história engraçada de uma banda de rock and roll dos anos 1960, realizada em 1996, e «Larry Crowne», estreada este ano. O género é quase o mesmo, uma comédia levezinha. Mas desta vez trata-se de uma comédia romântica um pouco mais séria do que é costume neste tipo de filmes. Tudo porque a personagem principal, Larry Crowne (Tom Hanks), é logo despedida no início do filme com a justificação de que não tem qualificações suficientes para progredir na carreira. Ao despedimento juntam-se as dívidas ao banco e temos então um filme sobre os efeitos da crise.

Estes contratempos levam Larry a repensar a sua vida e arrisca ir para a universidade onde não só faz novos amigos, muito mais novos do que ele, mas também se apaixona pela professora Tainot (Julia Roberts). O problema de «Larry Crowne», que não deixa de ser um filme simpático, reside no facto de ter tudo no sítio. Não há nada ao longo do filme que não seja esperado. Mesmo assim consegue estar muitos furos acima das comédias românticas que têm estreado nos últimos tempos e é um óptimo filme para passar um bom bocado, com dois grandes actores no elenco. Quanto à carreira de Tom Hanks, penso que fica melhor à frente das câmaras do que sentado na cadeira de realizador.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Em Cartaz: Semana 07/07/2011

Carros 2, de John Lasseter e Brad Lewis
Larry Crowne, de Tom Hanks
Abutres, de Pablo Trapero
Hanna, de Joe Wright

sábado, 18 de dezembro de 2010

Apollo 13, de Ron Howard (1995)

A partir do final da década de 1950, no auge da Guerra Fria, as duas super-potências começaram a competir pela conquista do espaço. A União Soviética conseguiu colocar o primeiro homem em órbita (Yuri Gagarin) no ano de 1961 e os norte-americanos foram os primeiros a andar na lua, com a missão Apollo 11. A partir daí a exploração do Espaço continuou, mas já não havia uma corrida por objectivos propriamente dita.

Foi neste contexto que surge a missão Apollo 13, em 1970. Aquela que seria a terceira missão a levar astronautas dos EUA a pisar solo lunar, mas que devido a problemas técnicos acabou por resultar numa missão arriscada que terminou com a tripulação salva depois de vários dias atribulados. O episódio histórico foi filmado por Ron Howard em 1995, com base num livro da autoria de Jeffrey Kluger e Jim Lovell, sendo este um dos três astronautas envolvidos na missão.

Com um bom elenco, composto por nomes como Tom Hanks, Ed Harris, Bill Paxton, Kevin Bacon ou Gary Sinise, «Apollo 13» foi mesmo nomeado para vários Óscares, incluindo Melhor Filme. Mas este é daqueles casos em que tantas nomeações não se justificam. Apesar dos meios envolvidos, e da própria reconstrução histórica dos acontecimentos estar bem feita, a missão lunar apresentada por Ron Howard é um pouco insossa. Tem demasiados pormenores técnicos que nos deixam um pouco atarantados a meio do filme. O excesso de nomeações talvez se deva ao facto de ser uma história ao agrado do mainstream e pelo regresso de Tom Hanks a uma personagem ligada à História dos EUA. Recorde-se que um ano antes tinha sido o ano de «Forrest Gump».

E se Tom Hanks é um bom actor, em filmes que requerem uma boa dose de ansiedade, como é o caso deste, quase que poderíamos dizer que não foi talhado para estes papéis. Talvez por isso tenham falhado as cenas de suspense, que não nos conseguem agarrar e ficar na expectativa do que vai acontecer a seguir. Isso só se nota no final, quando os astronautas estão a chegar à Terra e vamos vendo as reacções de todos os secundários, incluindo um filho de Jim Lovell que nunca tinha aparecido em todo o filme, enquanto aguardamos resposta do módulo lunar.

Um ponto positivo, ou pelo menos curioso, foi o facto de no final o realizador ter optado por colocar Tom Hanks a narrar o que aconteceu às personagens. Normalmente isso acontece com legendas. Ou seja, o resultado final é um típico filme de Howard.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Apanha-me Se Puderes, de Steven Spielberg (2002)

Em 2002, após os mais negros «Artificial Intelligence» e «Minority Report», Steven Spielberg resolveu filmar a história verídica e mirabolante de Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio), um jovem norte-americano que entre os seus 16 e os 19 anos andou a brincar ao gato e ao rato com o FBI, nomeadamente com o agente Carl Hanratty (Tom Hanks), fazendo-se passar por diversas profissões, desde piloto de avião a advogado ou médico.

O seu objectivo inicial era sacar dinheiro à companhia aérea Pan Am através de cheques falsificados. E conseguiu, arrecadando cerca de 4 milhões de dólares. Mas assim que ia sendo descoberto pelo FBI, tinha de mudar de ocupação e começou a forjar diplomas e outros truques para se esquivar.

Paralelamente temos também neste «Apanha-me Se Puderes» a história de uma família em desagregação, a de Frank, com o pai a perder tudo o que tinha e a mãe a deixá-lo pelo melhor amigo do marido. À medida que o filme vai avançando, apercebemo-nos que a relação entre o jovem e o agente que o persegue se torna quase como pai e filho. Frank procura um pai que nunca teve e Carl persegue um filho que também não teve. Algo que fica bem patente no final do filme, quando o jovem tenta partir, mas o agente sabe que ele irá regressar, pois não tem para onde ir.

Com a acção passada no final dos anos 1960 (o próprio genérico animado remete-nos para aquele imaginário), Spielberg conseguiu aqui mostrar-nos um ambiente bastante semelhante ao que deve ter sido. Dos aviões da Pan Am aos hotéis e casas por onde o jovem aldrabão passa. Aqui a fotografia conseguiu ajudar bastante a meter-nos no filme. Algo que irá acontecer também mais tarde em «Munique», passado nos anos 1970.

«Apanha-me Se Puderes» é um filme agradável, cujas mais de duas horas até passam relativamente bem, e a dupla de protagonistas também está à altura da história. Leonardo DiCaprio parece realmente jovem, apesar de na altura da rodagem ter mais de 10 anos do que a personagem que interpreta, e Tom Hanks é o cumpre o cliché do agente do FBI que segue as regras todas, mas no fundo até tem bom coração. Bem melhor do que na sua prestação em «Terminal de Aeroporto», o filme seguinte de Spielberg em 2004.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB