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domingo, 31 de julho de 2011

Ned Kelly, de Tony Richardson (1970)

Tal como acontece neste filme vamos começar pelo fim e dizer que a versão «Ned Kelly» realizada por Tony Richardson em 1970 não é nada de especial. É antes uma curiosidade cinematográfica perdida no tempo, sobretudo por ser protagonizada por Mick Jagger, o vocalista dos Rolling Stones que aqui se estreou na sua carreira como actor e logo num papel principal. A sua carreira não foi muito além, pois desde esta altura apenas entrou em oito filmes, em algumas das vezes em pequenos cameos, segundo nos revela o IMDB.

Esta é apenas mais uma das várias adaptações ao grande ecrã centradas na vida de Ned Kelly, um mítico fora da lei australiano, descendente de irlandeses, que espalhou o terror na região de Victoria na segunda metade do século XIX. A título de curiosidade, a mais recente adaptação de Ned Kelly no cinema data de 2003, num filme realizado por Gregor Jordan e com um elenco encabeçado por Heath Ledger, Orlando Bloom, Geoffrey Rush e Naomi Watts. No caso do filme de Tony Richardson, trata-se de um western meio parado que retrata o anti-herói de forma romântica, com alguns dos seus feitos ao lado de uma família que também não era bem vista pelas autoridades britânicas, numa altura em que a Austrália ainda era uma colónia do Reino Unido.

Apesar do excesso de romantismo da personagem acabar por jogar contra ele, este «Ned Kelly» consegue ser uma curiosidade que merece ser descoberta, mesmo que o resultado final não seja uma obra prima. A escolha de Mick Jagger para o papel principal foi criticada na altura e pode ser ainda hoje bastante questionada, pois o cantor exagera demasiado na sua actuação e em vez de termos um fora da lei mau como tudo, temos um fora da lei demasiado bonzinho e que por vezes cai em tiradas filosóficas que fazem dele o vilão por quem todas as jovens gostariam se gostariam de apaixonar. Um dos destaques deste «Ned Kelly» vai para uma boa banda sonora, cantada em género de baladas por Waylon Jennings, que acaba por funcionar (e muito bem) como um narrador da história de Ned Kelly.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

Na falta de um trailer no YouTube, fica uma sequência do filme, a única onde Mick Jagger canta um hino dos imigrantes irlandeses da altura.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei, de Tom Hooper (2010)

Tenho de confessar que fui a medo ver «O Discurso do Rei», pois fui demasiado bombardeado pelo trailer das últimas vezes que foi ao cinema que estava a pensar apanhar uma grande seca. É um daqueles filmes em que o trailer engana. E começam a ser demasiados por estes dias. Mas o facto estar nomeado para os Óscares (por muito que não liguemos a isso, o certo é que temos sempre curiosidade em ver os nomeados) acabou por ser determinante para o ver. E afinal vai-se a ver e «O Discurso do Rei» até é um bom filme, com excelentes interpretações e é capaz de estar bem encaminhado para arrebatar algumas estatuetas.

O mais recente filme do britânico Tom Hooper, que nos trouxe em 2009 «O Maldito United», baseia-se na relação de amizade entre o Rei George VI (Colin Firth), que sofria de gaguez e tinha medo de falar em público, e o seu terapeuta da fala Lionel Logue (Geoffrey Rush) que recorre a meios um pouco ortodoxos para a realeza para ajudar o monarca. Como pano de fundo temos a chegada ao trono de George VI, substituindo o seu irmão Eduardo VIII que abdicou para se casar com uma divorciada, em vésperas da II Guerra Mundial. E é precisamente a propósito do conflito que surge a necessidade de o Chefe de Estado se dirigir ao império britânico, através da rádio, para proferir o discurso que dá o título ao filme.

As duas interpretações estão fenomenais. Apesar de Colin Firth, como personagem principal, dominar o filme e ter um papel mais complexo (não só o facto de ter de interpretar um gago, mas também por ser uma personagem com diversos traumas a ultrapassar) o Lionel Logue de Geoffrey Rush não lhe fica atrás, tendo uma resposta para tudo e sempre em tons cómicos, o que ajuda a aliviar a tensão em algumas cenas. De destacar também a presença de Helena Bonham Carter, que interpreta a Rainha Elizabeth. A esposa de Tim Burton não entra em muitas cenas, mas quando está no ecrã sobressai sempre.

Nota: 4/5

Site oficial do filme