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sábado, 10 de dezembro de 2011

Drive - Risco Duplo, de Nicolas Winding Refn (2011)

Pelo que tenho lido nos últimos dias, este parece ser um daqueles filmes que irá gerar ódios e paixões. No meu caso, fico-me pelo meio termo, pois «Drive - Risco Duplo» é um filme que não aquece nem arrefece. Tal como já tinha acontecido quando vi a anterior obra de Nicolas Winding Refn (aqui). Vendo os dois filmes em pouco tempo encontramos alguns aspectos que fazem com que os dois sejam um pouco semelhantes: o excesso de violência estilizada, poucos diálogos, uma bela fotografia e uma grande banda sonora.

Em «Drive - Risco Duplo» muda um aspecto. A acção já não decorre na Idade Média, mas nos dias de hoje. No centro da acção encontramos um duplo de Hollywood e funcionário de oficina que participa como condutor em assaltos nas horas vagas. Tal como a personagem Um-Olho de «Valhalla Rising - Destino de Sangue», também neste caso a personagem principal não tem nome próprio. Esta dupla vida e o facto de ter travado conhecimento com a vizinha do lado, cujo marido está preso, vão mudar a vida do condutor, quando este aceita participar num assalto com o vizinho para que este possa saldar a dívida. Só que o assalto corre mal e o condutor engendra um plano de vingança para tentar descobrir o que se passou.

Um dos problemas de «Drive - Duplo Risco» (e sei que ao dizer isto corro o risco de entrar em contradição) é que tudo parece estar no lugar certo. Mas quando começamos a retirar as camadas, o filme parece um pouco vazio. Está bem filmado, não há dúvidas. Só a sequência inicial vale por muitos filmes de acção que por aí andam. Peca contudo ao insistir na tal estilização da violência, o que também já tinha acontecido no anterior filme de Nicolas Winding Refn. E aqui fico-me apenas pela cena do elevador (podia falar de mais uns quantos, mas iria estragar as surpresas a quem gosta deste tipo de cenas), filmada em câmara lenta. Recurso, aliás, bastante utilizado no filme e que às vezes se torna um pouco irritante.

A estética e a banda sonora muito anos 1980 adequam-se perfeitamente à história, que consegue fugir precisamente ao tal filme de acção mais convencional. E isso é também um dos pontos fortes. Já as actuações, tirando o protagonista Ryan Gosling, que prova uma vez mais a sua versatilidade (este papel não poderia ser mais diferente do que vimos nos recentes «Nos Idos de Março» e «Amor, Estúpido e Louco»), ficam um pouco aquém do esperado. A dupla de mafiosos então, interpretada por Albert Brooks e Ron Perlman, parece ser bastante forçada. Fazendo um trocadilho com o filme, quase que podíamos dizer que foi ali enfiada a martelo. Mesmo que as duas personagens não sejam melhores amigos, falta ali qualquer coisa para aquela relação entre mafiosos funcionar.

Não quero com isto dizer que «Drive - Risco Duplo» seja um mau filme. Nada disso. É um daqueles filmes que se vê bem e até enche o olho. Quem gosta de Cinema, sobretudo quem não quer ver mais um daqueles filmes de acção chapa 4, não sai defraudado da sessão. O problema é mesmo quando começamos a pensar um pouco mais a sério nele, por vezes mesmo durante o visionamento, e parece um pouco vazio. Mesmo sendo um dos filmes obrigatórios do ano, não consigo perceber tanto alarido. Nem a favor, nem contra. Talvez o meu problema tenha sido o facto de ter entrado na sessão com as expectativas demasiado elevadas.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nos Idos de Março, de George Clooney (2011)

Seis anos depois de «Boa Noite, e Boa Sorte», um dos melhores filmes dos últimos dez anos vindos dos lados de Hollywood, George Clooney volta a realizar um filme político. Infelizmente, o resultado fica bastante longe do título protagonizado por David Strathairn sobre o 'confronto' entre o jornalista Edward R. Murrow e o senador Joseph McCarthy, em plena época da caça às bruxas (comunistas). Mas há alguns pontos de contacto entre os dois: um grande elenco, sobretudo a nível de secundários (Marisa Tomei, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman ou o próprio Clooney), a temática política e até, apesar de ser um aspecto pouco abordado, um certo olhar sobre os Media.

«Nos Idos de Março» é a história de Stephen Meyers (Ryan Gosling, um dos melhores actores da actualidade, para mim, e que está a atravessar um período de estado de graça), um homem com cerca de 30 anos que é um dos principais responsáveis pela campanha eleitoral do governador Mike Morris (George Clooney), um dos candidatos democratas à Casa Branca. O filme relata um período específico que remonta às primárias do partido realizadas no estado do Ohio, considerado fundamental para as aspirações dos dois candidatos.

Mas não é a campanha em si que está no centro do filme, antes os meandros dessa mesma campanha e os jogos de bastidores, nem sempre muito claros, que acabam por colocar Stephen no olho do furacão: quando surgem várias pequenos incidentes que podem pôr em causa a campanha de Morris ou mesmo a carreira de Stephen, todos se começam a mexer para aproveitar a situação. Uns melhor do que os outros, como sempre, e com mais ou menos escrúpulos. Esta faceta está muito bem representada e talvez «Nos Idos de Março» possa ser visto como um certo olhar desiludido sobre a política norte-americana e os tais jogos de bastidores um pouco obscuros.

Tudo o resto peca por ser pouco explorado. As várias histórias que vão ocorrendo acabam por ser despachadas à velocidade da luz, sobretudo à medida que o filme se vai aproximando do filme, e dois dos principais secundários (Giamatti e Seymour Hoffman) estão um pouco mal aproveitados, quase como que para encher um buraco. Resta uma boa interpretação de Gosling e um ou outro achado, mas não chega para fazer um bom filme.

Nota: 3/5

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Blue Valentine - Só Tu e Eu, Derek Cianfrance (2010)

«Blue Valentine» é a segunda longa-metragem de Derek Cianfrance, que apesar de se ter estreado na cadeira de realizador em 1998, esteve até ao ano passado ligado a curtas e documentários. Esta é a história de um casal na casa dos 30 anos à beira da ruptura, com uma filha pequena para criar. Protagonizado por Ryan Gosling e Michelle Williams, ambos estão muito bem e não se percebe como é que apenas ela está nomeada aos Óscares, o filme retrata o fim da relação e, recorrendo a flashbacks, a forma como o casal se conheceu e como nasceu o amor entre os dois.

O filme é uma bela história dramática com duas personagens bastante fortes, cada uma com as suas características bastante vincadas, que chegaram a um ponto das suas vidas em que não sabem como ultrapassar as dificuldades de uma relação. Ele ainda tenta salvar o casamento, mas ela parece não estar para aí virada. Como referi atrás a interpretação dos dois está muito boa, pois parece que conseguiram transmitir uma boa química para o ecrã, como se aquilo que vemos fosse mesmo um casal a sério.

Mas «Blue Valentine» acaba por não conseguir descolar de um filme banal, sobretudo na maioria das cenas do passado (tirando a cena da dança na rua, que é das cenas de amor mais belas que vi nos últimos tempos). E é precisamente aqui que está uma das falhas do filme. Apesar de Ryan Gosling estar bem caracterizado quando representa a personagem mais nova, Michelle Williams continua praticamente igual, independentemente de ser nova ou mais velha. Parece que só se lembraram de rejuvenescer o actor. Ponto positivo para a banda sonora, assinada pela banda norte-americana Grizzly Bear.

Nota: 3/5

Site oficial do filme