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sábado, 3 de dezembro de 2011

Melancolia, de Lars Von Trier (2011)

Lars Von Trier é um realizador ambíguo e como poucos é capaz de gerar ódios e amores como quem muda de camisa. Basta ver a recente polémica do Festival de Cannes quando apresentou precisamente «Melancolia». Polémicas à parte, goste-se ou não do enfant terrible dinamarquês, o que é certo é que estamos perante um dos grandes filmes deste final de ano. Uma vez mais não é um filme de digestão fácil aquele que Von Trier nos apresenta, esta história de duas irmãs que se aproximam quando o mundo está perto do fim.

Dividido em duas partes, com o nome de cada uma das irmãs (Justine: Kirsten Dunst; Claire: Charlotte Gainsbourg), «Melancolia» começa por relatar o dia de casamento de Justine que acaba da pior forma possível, quando durante o copo de água a noiva se apercebe que se calhar não tem estômago para uma vida a dois. As pressões são tantas e vêm de tantos lados que Justine acaba por colapsar e entra em depressão, deixando partir todos os que gostavam dela. Esta primeira parte é toda de Dunst, que consegue ter uma das suas melhores interpretações.

Na segunda parte, Justine é convidada por Claire para passar uns dias em sua casa para recuperar do estado depressivo em que se encontra. Este período coincide com a aproximação do planeta Melancolia, que está em rota de colisão com a Terra e caso isso aconteça será o fim do mundo. Desta vez Justine é relegada para segundo plano e o filme passa a centrar-se em Claire, que não consegue lidar com a possibilidade do fim do mundo, apesar de o seu marido, um cientista com conhecimentos de astronomia, a tentar convencer que não se passa nada.

«Melancolia» não é um grande filme devido à história, que é simples: a relação entre duas irmãs antes do fim do mundo. O novo Von Trier é um grande filme devido à forma como consegue captar a essência e os sentimentos das personagens num período complexo. E tem uma fotografia belíssima que aproveita os cenários, a acção decorre praticamente sempre no castelo do marido de Claire, para nos levar para aquele ambiente. O único aspecto negativo para mim, mas isso é mais a nível de gosto pessoal, é uma certa forma como a primeira parte é filmada: muita câmara à mão que por vezes nos deixa um pouco tontos com tantas mudanças bruscas de direcção. Fora isso, «Melancolia» é mesmo um dos melhores filmes que estrearam nos últimos tempos e vai muito em linha com o que Von Trier já tinha feito no anterior «Anticristo».

Nota: 4/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

sábado, 5 de dezembro de 2009

Marie Antoinette, de Sofia Coppola (2006)

Temo que esta crítica provoque alguma polémica, mas julgo que isso é o que traz piada a estas coisas. Tudo porque para ser sincero não achei o filme «Marie Antoinette», de Sofia Coppola, nada de especial. Isto apesar de praticamente toda a gente que conheço o considerar um bom filme.

Só hoje é que tive oportunidade de o ver depois de várias tentativas falhadas. «Marie Antoinette» relata a vida de Maria Antonieta (Kirsten Dunst, num dos seus grandes papéis), personalidade que ficaria para a História como a última rainha de França por ser casada com Luís XVI (Jason Schwartzman). O filme centra-se apenas na estadia de Maria Antonieta na corte de Versalhes, um sítio estupidamente luxuoso para a situação em que se vivia no país à época e que culminou na Revolução Francesa.

Foi precisamente no verdadeiro palácio de Versalhes que grande parte do filme foi filmado (e bem, note-se) por Sofia Coppola, que resolveu tornar a história bastante original, acrescentando alguns toques de modernidade, com especial destaque na banda sonora por onde passam nomes como os New Order ou The Strokes. Também por lá se vê de fugida um par de All Stars (é preciso estar muito atento e quem não souber que ele está lá não o vê), mas essa cena a mim parece-me mais uma provocação.

Toda esta originalidade cai bem e a representação dos rituais da corte francesa, que Maria Antonieta a certa altura define mesmo como ridículos deixando as damas bastante chocadas, está muito bem conseguida. Desde à roupa, passando pela caracterização e os próprios cenários, tudo parece estar no sítio certo.

Mas fora isso, este «Marie Antoinette» parece um filme normal, na minha opinião sem contextualizar muito bem a situação histórica (apesar de esse talvez não ser o objectivo principal do filme). Confesso que também não sei como é que o filme poderia ser melhor. Talvez a vida de Maria Antonieta na corte de Versalhes não tivesse muito por onde pegar, a não ser mostrar como é chato para uma jovem vinda da Áustria com a missão de salvar dois reinos viver aprisionada no gigantesco palácio de Versalhes. Como às tantas questiona Luís XVI, para quê ir a Paris (onde as coisas não seriam tão cor de rosa) quando se tem tudo em Versalhes. A verdade é que ambas as cabeças acabaram por cair precisamente na cidade luz.

Para os fãs do filme, recomendo vivamente o site, está muito bem conseguido.

Nota: 3/5

Site oficial do filme