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domingo, 7 de novembro de 2010

Voltar, de Pedro Almodóvar (2006)

O cinema de Pedro Almodóvar nunca fez parte das minhas preferências, pois o realizador espanhol tem filmes que gostei bastante e outros que não gostei nada. Não há meio termo. «Voltar» entra na primeira categoria e prova que Almodóvar quando quer é um óptimo contador de histórias. Neste filme, o penúltimo da sua carreira, acompanhamos o regresso do fantasma de Irene (Carmen Maura), mãe de Raimunda (Penélope Cruz) e Sole (Lola Dueñas), para resolver alguns assuntos do passado que ficaram por esclarecer, envolvendo a primeira.

É um filme de e sobre mulheres, se formos a ver bem as únicas personagens masculinas do filme ou participam pouco ou estão ausentes, como é o caso do pai das duas irmãs, e as suas relações entre si e com o passado. Ou seja, é um universo bem conhecido na obra de Almodóvar. Ao mesmo tempo «Voltar» acaba por ser um retrato do Interior, com as suas superstições e a maneira das populações da aldeia conviverem. Talvez aqui se note um pouco uma pequena crítica a este tipo de comunidades, de onde o próprio realizador é originário.

O elenco, que reúne diversas actrizes que participaram em várias obras de Almodóvar, consegue estar à altura da história, que não é nada do outro mundo, mas acaba por ser um belo drama, com uns pozinhos de comédia que resultam da forma como as personagens reagem a situações que vão surgindo, nem sempre fáceis de lidar. Não é de estranhar que no Festival de Cannes de 2006 o prémio de Melhor Actriz tenha ido para este colectivo.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

domingo, 31 de janeiro de 2010

Nove, de Rob Marshall (2009)

Quando ouvi falar que estavam a fazer uma adaptação de um musical da Broadway baseado no «Oito e Meio» de Federico Felini assustei-me e fiquei com medo do resultado final. Por isso fui de pé atrás ver «Nove» de Rob Marshall, apesar de ter gostado de ver «Chicago». E o susto passou-me ao começar a ver o filme, pois o truque é esquecer «Oito e Meio», um filme que aliás é uma das grandes obras primas do cinema italiano e mundial.

Fiquemo-nos então por «Nove», a história do realizador italiano Guido Contini (Daniel Day-Lewis), considerado mestre e que está a passar uma fase de falta de inspiração, quando toda a gente espera a sua próxima obra prima. E aqui penso que o actor, um dos grandes actores da actualidade, não está muito à vontade no seu papel. Mas Day-Lewis é um grande actor e pouco reparamos nisso.

O que acompanhamos em «Nove» é precisamente a procura de inspiração de Guido Contini e para isso vão surgindo as várias mulheres que fazem parte da sua vida: da mãe (Sofia Loren) à amante (Penélope Cruz, numa das melhores sequências do filme), passando pela esposa (Marion Cotillard), pela estrela dos seus filmes (Nicole Kidman, claramente a fazer o mesmo papel que coube a Anita Ekberg em «La Dolce Vita») e por uma prostituta (Fergie) que remete para a infância do realizador.

E tal como em «Chicago», Rob Marshall brinda-nos com belas sequências musicais, cada uma dedicada a cada uma das personagens que fazem parte da vida de Guido. Aqui o filme só peca por, uma vez mais, me parecer que as actrizes não se sentirem muito à vontade a cantar. Mesmo assim, não deixa de ser um bom filme, com uma história que flui bastante bem. E vale bem a pena ver, nem que seja pelo elenco feminino, onde ainda podemos encontrar Judi Dench e Kate Hudson.

Nota: 4/5

Site oficial do filme


6 - Actrizes que dá gosto ver trabalhar: Penélope Cruz


Pénelope Cruz, em Nove