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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Assim é o Amor, de Mike Mills (2010)

Por norma fujo de filmes com animais que falam. Mas é impossível resistir a Arthur, uma das personagens de «Assim é o Amor», a segunda longa metragem de Mike Mills. Arthur não é propriamente um cão que fala, mas os seus pensamentos vão surgindo ao longo do filme, como se fossem respostas a Oliver (Ewan McGregor), o protagonista do filme que perdeu o pai recentemente e começa uma nova relação com Anna (Mélanie Laurent), uma actriz francesa que conhece numa festa. E se da primeira vez que vemos as legendas sem que ninguém fale parece estranho, as 'falas' de Arthur tornam-se um dos pontos originais deste belo filme.

«Assim é o Amor» é o retrato deste início de relação e ao mesmo tempo um retrato da vida de Oliver e dos laços que teve com os seus pais. A mãe (Mary Page Keller), uma mulher meio neurótica, e o pai(Christopher Plummer), um curador de museu gay que saiu do armário após a morte da esposa para descobrir pouco tempo depois que tem um cancro terminal. A vida de Oliver e a sua relação com os pais vai sendo contada em paralelo com a relação de Oliver e Anna e aos poucos começamos a aperceber-nos que a forma como Oliver cresceu num contexto complexo acabou por influenciar a sua forma de ver o mundo.

Recorrendo a um tom de comédia dramática, Mike Mills faz de «Assim é o Amor» um filme tão belo como simples, sobre as relações humanas e o amor entre pessoas de universos completamente diferentes. Ajudado por um excelente elenco banda sonora, o realizador norte-americano, autor de «Chupa No Dedo», apresenta uma das surpresas bastante recomendáveis deste ano cinematográfico.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Biblioteca cinematográfica: Trainspotting, de Irvine Welsh

O livro: Publicado em 1993 «Trainspotting» é o romance de estreia do escocês Irvine Welsh. Tal como o escritor, as personagens são oriundas do bairro de Leith, um subúrbio de Edimburgo. Em «Trainspotting» travamos conhecimento com um grupo de jovens sem grandes perspectivas de futuro, que vivem à espera da próxima bebedeira, da próxima dose de heroína ou da próxima sessão de pancadaria. Tudo depende dos vícios de cada um. Uma das características que diferente da adaptação cinematográfica, assinada por Danny Boyle em 1996, é o facto de o livro estar dividido por capítulos contados na primeira pessoa pelos vários personagens principais: Mark Renton, Simon "Sick Boy" Williamson (Marado, na versão portuguesa), Daniel "Spud" Murphy (Batata), Francis "Franco" Begbie, Davie Mitchell e Tommy Laurence. Uma excelente obra que retrata o final dos anos 1980 e início dos anos 1990 e as dificuldades da juventude britânica e a forma como encaram os problemas da época, como as drogas, o desemprego, a Sida, entre outros aspectos. Em 2002 Irvine Welsh voltou a estas personagens na sequela «Porno» e está prevista para 2012 a publicação de uma prequela, com o nome de Skagboys. A título de curiosidade, Irvine Welsh começou a aventurar-se no Cinema em 2007, quando realizou a curta-metragem «Nuts». Desde então já filmou o documentário «The New Ten Commandments» (2008) e a longa «Good Arrows» (2009). Para 2011 está prevista a estreia de mais uma longa metragem: «The Magnificent Eleven».

O filme: «Trainspotting» foi adaptado ao grande ecrã em 1996 por Danny Boyle, sendo na altura a sua segunda longa-metragem e um dos melhores filmes do cineasta até à data. Ao contrário do livro, que relata a história do grupo de amigos, o filme centra-se na personagem de Mark Renton, interpretado por Ewan McGregor. A interpretação do então muito jovem McGregor, (tinha 25 anos e três filmes no currículo), foi o pontapé de saída para a carreira daquele que é actualmente um dos grandes actores britânicos da actualidade. Apesar desta aparente limitação e pouca fidelidade ao livro, o «Trainspotting» de Danny Boyle continua a ser um dos grandes filmes de culto dos anos 1990, com uma banda sonora bastante conhecida, da qual ficou famoso o tema «Born Slippy», dos Underworld. No restante elenco encontramos actores como Ewen Bremner (Batata), Jonny Lee Miller (Marado), Kevin McKidd (Tommy), Robert Carlyle (Begbie, uma das personagens mais bem conseguidas do filme, a par de Batata). O filme foi ainda nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Adaptado, tendo perdido para «O Arremesso», assinado por Billy Bob Thornton. Irvine Welsh tem um pequeno cameo.

Para recordar o filme, ficam dois vídeos com duas das grandes cenas de «Trainspotting»: a primeira quando Mark Renton tem uma overdose (pode chocar algumas sensibilidades) e a segunda é uma entrevista de emprego com Batata.



domingo, 7 de fevereiro de 2010

Homens Que Matam Cabras Só Com o Olhar, de Grant Heslov (2009)

«Homens Que Matam Cabras Só Com o Olhar» é um filme peculiar e não estou a falar apenas do nome. Se no genérico não estivesse escrito realizado por Grant Heslov, eu era capaz de jurar que era um filme de Spike Jonze. Baseado numa história verídica, este filme conta a história de Bob Wilton (Ewan McGregor) um jornalista norte-americano de um jornal regional que para provar o seu valor parte para o Iraque em busca da reportagem da sua vida.

E consegue-o, mas não necessariamente da forma esperada. A oportunidade da sua vida surge quando se cruza com Lyn Cassady (um genial George Clooney), um antigo membro de uma unidade secreta do exército dos EUA dedicada ao paranormal chamada o Exército da Nova Terra, liderada por um hippie (Jeff Bridges a merecer uma nomeação para Óscar de Melhor Actor Secundário) que viu a luz no Vietname. À medida que vamos acompanhando Bob e Lyn no Iraque, vamos também conhecendo a história desta unidade, que ao que tudo indica existiu mesmo.

Por isso «Homens Que Matam Cabras Só Com o Olhar» é um filme peculiar, com personagens bastante estranhas. No fundo estamos perante uma unidade militar que não acredita na guerra e baseada em princípios hippies. E apresenta um forte elenco, onde ainda surge Kevin Spacey a fazer de mau da fita ou Stephen Lang (que vimos recentemente como vilão em Avatar) a representar um alto oficial que defende esta unidade com unhas e dentes. A cena em que o vemos ir contra uma parede para testar os seus super poderes é delirante. Infelizmente a terceira obra de Grant Heslov falhou os Óscares, o que é mais uma das provas que a Academia tem medo de arriscar em filmes originais.

Nota: 4/5

Site oficial do filme