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terça-feira, 17 de maio de 2011

IndieLisboa 2011: O Atalho, de Kelly Reichardt (2010)

Depois de tanto e tão bom cinema visto durante mais de uma semana, 20 sessões no total, o IndieLisboa 2011 acabou com chave de ouro com outro dos nomes que já começa a ser presença habitual no festival. Trata-se de «O Atalho» («Meek's Cutoff», no original), o mais recente filme da realizadora norte-americana Kelly Reichardt. Uma vez mais com Michelle Williams num dos papéis principais, depois do fabuloso «Wendy & Lucy», desta vez a proposta de Reichardt é um western. E que belo western realizou Kelly Reichardt.

«O Atalho» conta a história de um grupo de peregrinos que resolve afastar-se da caravana principal seguindo por um atalho a conselho de Stephen Meek (Bruce Greenwood), um explorador que se diz conhecedor do terreno, mas que mais parece um fanfarrão. Com uma bela fotografia, que espelha bem a aridez das paisagens desertas do estado do Oregon, «O Atalho» é um excelente western sobre a conquista do Oeste norte-americano. Ao longo do filme vamos seguindo este grupo de imigrantes, que abandonaram as suas vidas em busca de algo melhor, como se fossemos um deles. E estamos em boa companhia, com um elenco muito bom.

É este um dos grandes trunfos do filme, que faz com que entremos na aventura com os peregrinos e à medida que a acção avança começamos a ter as mesmas preocupações que eles. Será que estão no caminho certo? Stephen Meek sabe o que está a fazer ou nem por isso? Tal como em «Wendy & Lucy» o filme não dá grandes respostas, e o final em aberto repete-se, como para nos dizer que algo irá ainda acontecer. Mas isso é lá com as personagens. Nós vamos à nossa vida e elas à delas. E regressamos contentes por termos visto mais um grande filme, um passo em frente na carreira de Kelly Reichardt, que não se espalho ao comprido ao aventurar-se num filme um pouco mais ambicioso do que os anteriores.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Blue Valentine - Só Tu e Eu, Derek Cianfrance (2010)

«Blue Valentine» é a segunda longa-metragem de Derek Cianfrance, que apesar de se ter estreado na cadeira de realizador em 1998, esteve até ao ano passado ligado a curtas e documentários. Esta é a história de um casal na casa dos 30 anos à beira da ruptura, com uma filha pequena para criar. Protagonizado por Ryan Gosling e Michelle Williams, ambos estão muito bem e não se percebe como é que apenas ela está nomeada aos Óscares, o filme retrata o fim da relação e, recorrendo a flashbacks, a forma como o casal se conheceu e como nasceu o amor entre os dois.

O filme é uma bela história dramática com duas personagens bastante fortes, cada uma com as suas características bastante vincadas, que chegaram a um ponto das suas vidas em que não sabem como ultrapassar as dificuldades de uma relação. Ele ainda tenta salvar o casamento, mas ela parece não estar para aí virada. Como referi atrás a interpretação dos dois está muito boa, pois parece que conseguiram transmitir uma boa química para o ecrã, como se aquilo que vemos fosse mesmo um casal a sério.

Mas «Blue Valentine» acaba por não conseguir descolar de um filme banal, sobretudo na maioria das cenas do passado (tirando a cena da dança na rua, que é das cenas de amor mais belas que vi nos últimos tempos). E é precisamente aqui que está uma das falhas do filme. Apesar de Ryan Gosling estar bem caracterizado quando representa a personagem mais nova, Michelle Williams continua praticamente igual, independentemente de ser nova ou mais velha. Parece que só se lembraram de rejuvenescer o actor. Ponto positivo para a banda sonora, assinada pela banda norte-americana Grizzly Bear.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Belle du jour: Michelle Williams

Michelle Williams em «Blue Valentine - Só Tu e Eu», de Derek Cianfrance