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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola (1992)

Quando revemos filmes que gostávamos bastante quando éramos mais novos por vezes corremos o risco de ficar desiludidos. Acabou de me acontecer isto ao rever «Drácula de Bram Stoker», a adaptação do romance gótico de Bram Stoker assinada por Francis Ford Coppola, realizador que admiro bastante. Não quero com isto dizer que o filme seja mau. Antes pelo contrário, é um grande filme de terror e faz justiça à obra que pretende adaptar. Mas vinte anos depois pareceu-me um filme que envelheceu mal, perdoem-me os fãs do filme.

Drácula é uma daquelas personagens que já chegou ao cinema através de inúmeros olhares. Dos mais clássicos «Nosferatu» ou «Drácula», realizados por F. W. Murnau e Tod Browning, respectivamente, aos mais recentes «Drácula 2000» (Patrick Lussier) ou «Lust for Dracula» (Tony Marsiglia). Em 1992 foi a vez de Francis Ford Coppola pegar na obra de Bram Stoker e filmar a história do vampiro, interpretado magistralmente por Gary Oldman, um dos melhores actores a interpretar vilões (o que neste caso até pode ser discutível). Os acontecimentos do filme centram-se na ida de Drácula a Inglaterra para ir ao encontro de Mina (Winona Ryder), a noiva do advogado Jonathan Harker (Keanu Reeves), que foi à Transilvânia levar um contrato de compra de propriedades em Londres a Drácula. As semelhanças de Mina com a esposa do conde, cujo trágico destino ficamos a conhecer no início do filme e que fez com que Drácula se torna-se no que é, levam o vampiro a seguir para Londres para a tentar conquistar. O resto é conhecido, com a perseguição levada a cabo por Van Helsing (Anthony Hopkins) para apanhar o seu inimigo.

Um dos grandes pontos fortes desta adaptação do romance de Bram Stoker é a recriação da época e do ambiente gótico, que se nota em inúmeros pormenores: desde o castelo de Drácula às ruas de Londres, passando pelo hospício onde está internado o louco Reinfeld (Tom Waits), servo de Drácula, e até na caracterização dos actores. O que acaba por desiludir são alguns efeitos especiais, que apesar de não serem maus, ficaram datados e ofuscam um bocado os pormenores góticos tão bem conseguidos. E a própria forma de filmar é um pouco distante do melhor Coppola, que no início dos anos 1990 era um realizador um pouco à deriva. Mesmo assim este é capaz de ser um dos seus melhores filmes, senão mesmo o melhor, desta fase.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Frase(s) que marcam um filme: O Padrinho, de Francis Ford Coppola (1972)

Bonasera: I believe in America. America has made my fortune. And I raised my daughter in the American fashion. I gave her freedom but I taught her never to dishonor her family. She found a "boy friend," not an Italian. She went to the movies with him. She stayed out late. I didn't protest. Two months ago he took her for a drive, with another boy friend. They made her drink whiskey and then they tried to take advantage of her. She resisted. She kept her honor. So they beat her. Like an animal. When I went to the hospital her nose was broken. Her jaw was shattered, held together by wire. She couldn't even weep because of the pain. But I wept. Why did I weep? She was the light of my life. A beautiful girl. Now she will never be beautiful again.
Sorry...
I went to the police, like a good American. These two boys were brought to trial. The judge sentenced them to three years in prison, and suspended the sentence. Suspended sentence! They went free that very day! I stood in the courtroom like a fool, and those two bastards, they smiled at me. Then I said to my wife, "For justice, we must go to Don Corleone."
Don Corleone: Why did you go to the police? Why didn't you come to me first?
Bonasera: What do you want of me? Tell me anything. But do what I beg you to do.
Don Corleone: What is that?
That I cannot do.
Bonasera: I will give you anything you ask!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padrinho: Parte III, de Francis Ford Coppola (1990)

(crítica com spoilers para quem não viu os primeiros episódios da série)
Dizem que o último filme da trilogia é o mais fraco dos três. E na verdade é, mas não é tão mau como se diz. Apenas é um filme mediano quando comparado com as duas obras primas que lançaram as bases da saga da família Corloene. Mas mesmo assim é um bom filme. Passaram 11 anos entre a estreia dos dois últimos filmes da trilogia, mais do que a diferença que ocorreu entre os dois primeiros. Durante este período Coppola, e a sua geração de companheiros realizadores, os movie brats, passou de bestial a besta, destruindo os estúdios pelo caminho com projectos megalómanos.

É neste contexto que o realizador regressa à saga que o tornou conhecido, para filmar os últimos dias de Michael Corleone (Al Pacino) e a passagem de testemunho para a nova geração, personificada por Vincent Mancini (Andy Garcia), filho de Sonny e sobrinho de Michael. Durante este terceiro capítulo Michael, passado no final dos anos 1970 (também cerca de uma década depois dos eventos do filme anterior), está prestes a concretizar o sonho de afastar a família dos negócios ilegítimos e tenta ligar-se à Igreja Católica. Mas, uma vez mais, nem todos vêem com bons olhos esta mudança e uma nova guerra de famílias surge no horizonte, que será travada primeiro nas ruas de Nova Iorque e depois em Roma e na Sicília, onde decorre boa parte da acção final do filme.

Um dos problemas de «O Padrinho: Parte III» era um dos trunfos dois filmes anteriores: o elenco. Apesar de Coppola ter encontrado bons nomes para interpretar o último episódio da série, desta vez o resultado não foi o melhor. Certo que é complicado ombrear com os actores dos primeiros filmes, mas nomes como Andy Garcia, Eli Wallach ou Joe Mantegna podiam ter feito bem melhor. E depois houve um claro erro de casting na escolha de Sofia Coppola para o papel de Mary. Felizmente que a filha de Coppola se afastou desta carreira para começar a realizar. Safa-se uma vez mais Pacino, que mesmo assim está uns furos abaixo dos dois primeiros filmes, mas interpreta magistralmente o Don Corleone caído em desgraça e a contas com o passado.

A própria música, que tão bem funcionou nos dois primeiros filmes, desta vez também parece não estar à altura da série. Talvez a falha resida no facto de a música de Nino Rota ter sido relegada para segundo plano, em detrimento de uma composição de Carmine Coppola. Mas mesmo assim, «O Padrinho: Parte III» não deixa de ser um bom filme e, como alguém me dizia há pouco, é «um filme bastante aparte dos outros dois, que são na prática um só filme, e realmente um bocado inferior». A cena final, na ópera, é um bom exemplo de como quem sabe, não esquece. Mas ao longo do filme há muito mais para ver como termina a saga dos Corleone. E vale bem a pena ver qualquer um dos três filmes, três grandes obras do Cinema.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1974)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Se a primeira parte da trilogia «O Padrinho» é uma obra-prima indiscutível, o segundo capítulo não lhe fica atrás. A saga prossegue sete anos depois dos acontecimentos ocorridos no primeiro filme. Desta vez o padrinho é Michael Corleone (Al Pacino, uma vez mais numa interpretação genial), que tomou as rédeas do negócio de família após a morte do pai, Vito Corleone. Nesta altura já Michael, que nunca quis ter muito a ver com os negócios pouco claros da família, vê-se com um enorme poder nas mãos e torna-se tão forte como o pai fora em tempos, mas menos respeitado pelos seus inimigos. Mas o poder gera inimigos no seio da família e uma nova guerra de clãs está prestes a começar, o que faz com que o novo padrinho falhe a promessa que fez à esposa Kay (Diane Keaton), de que dentro de pouco tempo a família iria deixar os negócios ilegítimos.

Neste segundo capítulo vemos Michael a cimentar o poder da família Corleone, mas ao mesmo tempo a ficar sem a família mais próxima. Neste aspecto, todo o filme é o retrato de um homem que dá tudo para ter a família unida, mas que no final acaba sozinho. Tal como tinha acontecido há muitos anos, durante um jantar de aniversário do pai que é mostrado na cena final, uma das melhores e mais fortes do filme. Outra das histórias de «O Padrinho: Parte II» é a vida de Vito Corleone desde que sai da Sicília até formar o seu império, junto da comunidade imigrante italiana, em Nova Iorque.

O jovem Vito é interpretado por Robert De Niro, um ano após ter entrado em «Os Cavaleiros do Asfalto», de Martin Scorsese. Mas esta história e interpretação acaba de ser relegada para segundo plano, infelizmente, devido à enorme interpretação de Pacino e à própria história de Michael, que tem mais destaque. Curiosamente foi De Niro que levou para casa o Óscar para Melhor Actor Secundário. E uma vez mais, Coppola conseguiu juntar um elenco secundário de fazer inveja a muitos filmes: John Cazale, que já tinha interpretado o papel de Fredo Corleone no primeiro capítulo, neste caso está muito melhor, talvez devido ao maior protagonismo que a sua personagem tem desta vez; Michael V. Gazzo, no papel de um mafioso dos tempos da velha guarda; Lee Strasberg, mais conhecido pela sua escola de actores e por ter criado o célebre Método, que teve poucas aparições no Cinema, sendo neste caso o inimigo de Michael.

E, como não podia deixar de ser, temos de voltar a referir a excelente banda sonora assinada por Nino Rota, que já descrevi no texto sobre o primeiro tomo da saga. Agora é tempo de seguir para o terceiro e último capítulo de «O Padrinho», que dizem ser o mais fraco dos três.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

domingo, 14 de agosto de 2011

O Padrinho, de Francis Ford Coppola (1972)

É difícil escrever sobre um filme como «O Padrinho». Sendo uma das obras-primas da História do Cinema, é complicado escolher por onde começar. Baseado no livro homónimo de Mario Puzo, que escreveu o argumento a meias com Francis Ford Coppola, este é o primeiro filme de uma trilogia dedicada à família Corleone, uma das cinco principais famílias mafiosas de Nova Iorque, liderada por Don Vito Corleone (Marlon Brando). Neste primeiro capítulo assistimos ao final do reinado de Don Vito, um homem para quem a honra está acima de tudo e que fecha negócios com propostas (literalmente) irrecusáveis, e à ascensão do seu filho Michael Corleone (Al Pacino) ao cargo de Don, ou Padrinho.

Só aqui temos logo um dos trunfos de «O Padrinho»: o elenco. Além dos dois nomes já citados, que dispensam apresentações (Brando faria aqui uma das suas últimas grandes interpretações e Pacino uma dos seus primeiros grandes papéis), destaque para duas excelentes interpretações. A de Robert Duvall, que não surpreende no papel do consigliere Tom Haggen, pois é um dos melhores secundários de sempre, e a de James Caan. Este sim, surpreende, dado que daquilo que conheço da sua carreira, esta é de longe uma das suas melhores interpretações. Não é à toa que esta é a única vez que foi nomeado aos Óscares foi ao interpretar o papel de Sonny. E todos estes quatro actores foram nomeados, mais do que justamente, mas só Brando ganhou a estatueta, na célebre cerimónia em que se recusou a receber o Óscar. E os grandes nomes no elenco são tantos, que podia ficar aqui para sempre a falar neles.

O argumento é brilhante e a forma como está filmado, melhor ainda. A sequência inicial do casamento, com as constantes reuniões privadas, é apenas o começo, até à excelente cena quase final do baptizado, que numa bem conseguida montagem paralela mostra como se termina um conflito. Os exemplos ao longo do filme são mais que muitos. Francis Ford Coppola conseguiu neste filme atingir aquilo que muitos duram uma carreira até conseguir: uma obra-prima, que não perde fulgor passados quase 40 anos depois da sua estreia. Nem mesmo as quase três horas de duração do filme se notam e chegando ao fim estamos capazes de pedir nova doze de três horas, sobretudo sabendo que a história ainda estava a meio. Mas isso ficará para outro texto. Resta apenas focar a excelente banda sonora, assinada por Nino Rota, que ainda hoje é trauteada e reconhecida por qualquer cinéfilo que se preze, mesmo que nunca tenha visto qualquer tomo da trilogia.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Um filme, vários posters: Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola (1979)

Alemanha

Bélgica

Dinamarca

EUA

EUA

EUA

França

Itália

Japão

Japão

Japão

Polónia

Reino Unido

Reino Unido

Reino Unido

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Banda Sonora: Like a Rolling Stone, de Bob Dylan

«Like a Rolling Stone», de Bob Dylan - Banda Sonora de «Histórias de Nova Iorque», de Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese

domingo, 26 de junho de 2011

Histórias de Nova Iorque, de Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese (1989)

Os filmes em episódios em torno de cidades, como «Paris, Je T'aime» ou «New York, I Love You» não vêm de agora. Já em 1989 três realizadores da Big Apple se juntaram para apresentar «Histórias de Nova Iorque». E foram nem mais nem menos do que três dos maiores génios da Sétima Arte, a quem coube contar uma história nova-iorquina: Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen. Não é um grande filme, mas consegue captar a essência da cidade que foi cenário de tantas histórias realizadas pelo trio. Aliás, os três episódios quase que podem ser analisados como um exemplo da obra de cada um deles.

Lições de Vida, de Martin Scorsese

O primeiro episódio é da autoria de Martin Scorsese e foca a relação entre o pintor Lionel Dobbie (Nick Nolte) e a sua assistente Paulette (Rosanna Arquette). Ele, mais velho, já tem uma carreira feita, enquanto ela está a tentar chegar a esse patamar. Os dois estão a viver uma fase de ruptura da sua relação amorosa e é essa a história captada por Scorsese. Com uma excelente banda sonora e duas óptimas interpretações, este é um dos melhores episódios do filme, a par do de Woody Allen. Com aquela forma de filmar vemos logo que é um filme de Scorsese, que apenas precisava de um argumento um bocado melhor para ser excelente. Nota: 4/5

A Vida Sem Zoe, de Francis Ford Coppola
No meio está a virtude, diz o ditado. Infelizmente não é o caso de «Histórias de Nova Iorque», onde o episódio de Francis Ford Coppola é o menos conseguido dos três. Escrito a meias com a filha Sofia, «A Vida Sem Zoe» relata a história de uma rapariga sem amigos, filha de pais ricos separados, que vive num hotel onde os empregados acabam por ser a família que Zoe (Heather McComb) não tem. Conhecendo a carreira de Sofia Coppola enquanto realizadora, podemos ver aqui quase como que um primeiro filme da filha de Francis, realizado pelo pai. A história pouco muda em relação aos dois últimos filmes de Sofia e não desperta tanto interesse quanto os outros dois episódios. Nota: 3/5

Destroços de Édipo, de Woody Allen
Se em «Lições de Vida» reconhecemos o estilo de Scorsese, «Destroços de Édipo» tem tudo o que um filme de Woody Allen na sua melhor fase nova-iorquina tem. A começar pela personagem principal, interpretada pelo próprio realizador: o neurótico advogado Sheldon, com problemas por resolver com a mãe. Quando o conhecemos ele conta ao psiquiatra um sonho onde a mãe morreu e ele vai a conduzir o carro funerário a caminho do cemitério com a mãe a resmungar no caixão. Mais tarde, um incidente faz desaparecer a mãe de Sheldon e passados uns dias esta reaparece no céu de Nova Iorque para atormentar o pobre advogado. É uma comédia Alleniana em estado puro, que mesmo numa pequena dose consegue agradar aos fãs do realizador. E ansiar pelo seu regresso à cidade que nunca dorme. Nota: 4/5

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Frase(s) que marcam um filme: Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola (1979)

Kilgore: Smell that? You smell that?
Lance: What?
Kilgore: Napalm, son. Nothing else in the world smells like that. I love the smell of napalm in the morning. You know, one time we had a hill bombed, for 12 hours. When it was all over, I walked up. We didn't find one of 'em, not one stinkin' dink body. The smell, you know that gasoline smell, the whole hill. Smelled like victory. Someday this war's gonna end...

domingo, 24 de abril de 2011

Cotton Club, de Francis Coppola (1984)

Quando se junta uma boa história e um bom realizador, o resultado geralmente é bom. É o que acontece em «Cotton Club», filme de gangsters realizado por Francis Ford Coppola em 1984. Passado no final dos anos 1920 e início dos anos 1930 «Cotton Club» aborda as guerras entre grupos mafiosos e as tensões raciais em Nova Iorque ao som do Jazz e do sapateado dos clubes da altura. Um desses clubes é precisamente o Cotton Club, um clube de Jazz que existiu em Nova Iorque, onde decorre grande parte da acção.

Não tendo um, mas vários protagonistas, Coppola consegue contar inúmeras histórias com aquele pano de fundo. Temos o trompetista Dixie Dwyer (Richard Gere) que se apaixona por Vera Cicero (Diane Lane), a amante de Dutch Schultz (James Remar), um gangster a quem o músico salva a vida. Owney Madden (Bob Hoskins), o dono do Cotton Club e grande rival de Dutch para controlar o Harlem. Os irmãos Sandman e Clay Williams (interpretados pelos também irmãos na vida real Gregory e Maurice Hines, respectivamente), que tentam um lugar no famoso clube de Jazz. E mesmo assim não nos perdemos neste autêntico mundo, onde até há oportunidade para falar, se bem que ao de leve, das ligações entre Hollywood e a máfia. Perde-se apenas um pouco na recta final, onde o gás parece começar a faltar, mas a última sequência, onde a estação dos comboios se mistura com o clube, consegue ser um belo final.

Com grandes interpretações e boas coreografias nas cenas musicais, «Cotton Club» é um bom filme que retrata bem a época onde decorre a acção e conseguiu envelhecer bastante bem, ao contrário de muitos outros filmes da década de 1980. Basta ver que dois dos actores que por estes dias estão um bocado perdidos nas suas carreiras, Richard Gere e Nicholas Cage, que interpreta o irmão mais novo de Dixie, têm neste filme duas boas prestações.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Banda Sonora: Don't Box Me In, de Stewart Copeland e Stan Ridgway

«Don't Box Me In», de Stewart Copeland e Stan Ridgway - Banda Sonora de «Juventude Inquieta», de Francis Ford Coppola

sábado, 29 de janeiro de 2011

Com quem gostaria de beber um copo: Robert De Niro ou Al Pacino?

Os convidados desta semana são dois actores que ainda hoje, apesar de alguns papéis menos dignos da sua faceta de mito, continuam a ser duas grandes figuras do Cinema. Apesar de se terem estreado nos anos 1960, foi a partir da década seguinte que começaram a dar cartas.

De um lado Robert De Niro, que foi durante muitos anos o actor fétiche de Martin Scorcese, tendo representado para o nova-iorquino as personagens de Johnny Boy («Os Cavaleiros do Asfalto»), Travis Bickle («Taxi Driver»), Jimmy Doyle («New York, New York»), Jake La Motta («Touro Enraivecido»), Rupert Pupkin («O Rei da Comédia»), James 'Jimmy' Conway («Tudo Bons Rapazes»), Max Cady («O Cabo do Medo») e Sam 'Ace' Rothstein («Casino»). Além destes papéis, destacou-se também em inúmeras outras obras, como «1900», de Bernardo Bertolucci, «O Padrinho II», de Francis Ford Coppola, ou «O Caçador», de Michael Cimino, entre outras. Durante a primeira década deste século continuou presente nos grandes ecrãs, mas com poucas personagens tão míticas como as que nos apresentou nas décadas anteriores.

Do outro lado Al Pacino, que também teve o seu período de ouro durante as últimas décadas do século XX, com a participação na saga «O Padrinho» e a interpretação de um outro gangster famoso: Tony Montana, no filme «A Força do Poder», de Brian De Palma. Além destes dois papelões, Al Pacino ascendeu ao estatuto de lenda pelas suas interpretações em «Serpico» e «Um Dia de Cão», de Sidney Lumet, «Perseguido Pelo Passado», também de Brian De Palma, ou «Heat - Cidade sob pressão», de Michael Mann. Nos filmes menores onde participou, conseguiu sempre sobressair, como no caso de «Perfume de Mulher», quando venceu o único Óscar até à data.

Apesar de serem dois dos grandes actores da geração de 1970/1980, por incrível que pareça os dois apenas contracenaram juntos em dois filmes: «Heat - Cidade sob Pressão» e em «A Dupla Face da Lei», de Jon Avnet. Os dois participaram no segundo episódio episódio de «O Padrinho», mas nunca contracenaram juntos.

Apresentações feitas, chega o momento da verdade. Com qual destes dois cavalheiros gostariam de tomar um copo? E porquê? E já agora, que copo acham que os senhores gostariam de beber.

A minha resposta é: Al Pacino. Apesar de apreciar o trabalho dos dois, opto por escolher o que tem um trabalho mais irregular e cuja presença no grande ecrã é menor do que o outro. Convidava-o para beber um copo de vinho tinto e perguntava-lhe qual foi o realizador com quem mais gostou de trabalhar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Biblioteca cinematográfica: O Padrinho, de Mario Puzo

O livro: se há retratos da Máfia que ficaram no imaginário da cultura popular, «O Padrinho» de Mario Puzo é um deles. Publicado em 1969 relata a história da família Corleone, liderada por Don Vito, no período entre 1945 e 1955, com uma parte dedicada ao passado do patriarca, nomeadamente a sua infância e adolescência até se tornar o mafioso que todos conhecemos.
Neste período temporal Mario Puzo descreve o declínio de Don Vito e a ascensão de Michael Corleone, que parecia ser o menos ligado às questões familiares até se ver envolvido numa guerra entre famílias italo-americanas de Nova Iorque. O livro apresenta-nos também inúmeros episódios que depois acabaram por ficar de fora da adaptação do livro feita por Francis Ford Coppola, em colaboração com o próprio escritor, que assinou os argumentos dos três filmes.

O filme: Apesar de «O Padrinho» ser apenas um livro, a sua chegada ao cinema dá-se em três filmes, todos assinados por Francis Ford Coppola, naquela que é uma das trilogias mais célebres da Sétima Arte: os dois primeiros realizados em 1972 e 1974 e o terceiro capítulo em 1990. O primeiro episódio da saga centra-se na década central do livro, o segundo é uma sequela/prequela do primeiro centrada no passado de Vito Corleone e o terceiro (considerado o mais fraco dos três, mas que não deixa de ser um grande filme) é visto como um epílogo pelo realizador que optou por contar nos anos 1970 e 1980 o destino do império criado por Michael Corleone.
Ao longo da saga encontramos alguns dos melhores actores da época e de sempre, entre os quais nomes como Marlon Brando (Vito Corleone em velho), Robert DeNiro (Vito Corleone novo), Al Pacino (Michael Corleone), Rober Duvall (Tom Hagen) ou James Caan (Santino 'Sonny' Corleone), para apenas citar alguns.
No total a saga recebeu 29 nomeações aos Óscares, tendo ganho 16 estatuetas, três das quais para Melhor Filme.





sábado, 22 de janeiro de 2011

Com quem gostaria de beber um copo: Marlon Brando ou James Dean?

Para tomar um copo hoje temos mais dois actores convidados: Marlon Brando e James Dean, ambos nomes sonantes que surgiram dos anos 1950.

De um lado Marlon Brando, um dos maiores actores de sempre, que interpretou papéis como Don Corleone («O Padrinho», de Francis Ford Coppola), Marco António («Júlio César», de Joseph L. Mankiewicz), Stanley Kowalski («Um Eléctrico Chamado Desejo», de Elia Kazan) ou Coronel Kurtz («Apocalipse Now», de Francis Ford Coppola), entre muitos outros dignos de nota. Conhecido pela sua entrega na interpretação, Brando nunca foi uma figura livre de polémica ao longo da sua carreira que se prolongou até 2001. Tal como muitos outros mitos de Hollywood, o que não deixou de o colocar entre os melhores de sempre.

Do outro temos James Dean, uma das grandes lendas do Cinema norte-americano. Não só devido às suas interpretações (apenas três papéis principais - «A Leste do Paraíso», de Elia Kazan, «Fúria de Viver», de Nicholas Ray, e «O Gigante», de George Steven), mas devido à sua trágica morte aos 24 anos, vítima de acidente de automóvel, uma das suas paixões. Este incidente levou o jovem actor a receber o estatuto de mito que tinha tudo para ter uma carreira brilhante no mundo do Cinema.

Apresentações feitas, chega o momento da verdade. Com qual destes dois cavalheiros gostariam de tomar um copo? E porquê? E já agora, que copo acham que os senhores gostariam de beber.

A minha resposta é: mais uma complicada de escolher. Mas como nem todos os dias temos hipótese de conviver com um mito (nem que seja no campo das possibilidades), escolho James Dean. Convidava-o para beber uma imperial e perguntava-lhe qual o papel que mais gostou de interpretar na sua curta carreira.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Banda Sonora: The End, de The Doors


Este é o último post de «A Última Sessão». Iniciei-o em Novembro para escrever sobre cinema, uma das minhas paixões, mas a falta de tempo não me permitiu ter um blogue como queria e acabei por desistir. Prova disso é o facto de não escrever há já algumas semanas. Durante estes poucos meses deu-me prazer escrever e partilhar a minha visão sobre o cinema e os filmes que fui vendo. Infelizmente não consigo continuar.

Por isso este post é um adeus. Mas é um adeus não definitivo. É antes um até à próxima, pois pode ser que um dia consiga voltar a investir neste pequeno cantinho que não consegui alimentar como merecia. Talvez até num outro formato.

Quero também agradecer a todos os seguidores e aos bloggers que leram e comentaram os meus textos, em especial ao Aníbal Santiago (Rick's Cinema), ao The movie_man (Movie Wagon) e ao Sam (Keyzer Soze's Place). Vou continuar a acompanhar o vosso excelente trabalho, assim como os blogues que decidi seguir.

Para terminar este blogue, em jeito de créditos finais, escolhi a música The End, dos The Doors, com imagens da obra prima de Francis Ford Coppola Apocalipse Now. Até à próxima sessão.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Oliveira entre os melhores para os Cahiers du Cinema

A revista Cahiers do Cinema colocou o mais recente filme de Manoel de Oliveira, «Singularidades de uma Rapariga Loura», na lista dos 10 melhores filmes de 2009.

Para a publicação francesa o top 10 de 2009 na Sétima Arte foi:

1. Les Herbes folles , de Alain Resnais

2. Vincere , de Marco Bellochio

3. Sacanas Sem Lei , de Quentin Tarantino

4. Gran Torino , de Clint Eastwood

5. Singularidades de uma Rapariga Loura , de Manoel de Oliveira

6. Tetro , de Francis Ford Coppola

7. Estado de Guerra, de Kathryn Bigelow

8. Le Roi de l’évasion , de Alain Guiraudie

9. Tokyo Sonata , de Kiyoshi Kurosawa

10. Hadewijch , de Bruno Dumont

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tetro, de Francis Ford Coppola (2009)

«Tetro» é magnifico. Só esta frase servia para falar deste soberbo filme de Francis Ford Coppola, a sua última obra de arte. Porque há filmes que nos deixam sem palavras e é difícil falar deles.

Filmado em Buenos Aires, a preto e branco, «Tetro» conta a história de um jovem de 18 anos, Bennie (Alden Ehrenreich a lembrar os primórdios de Leonardo Di Caprio, até na própria fisionomia), que chega à capital argentina para rever o irmão. O irmão é precisamente o Tetro (Vincent Gallo) que dá nome ao filme. Tetro saiu de casa, onde vivia sufocado pela figura do pai, um maestro de renome que sugava a vida de todos à sua volta, incluindo a família. Como exemplo, num diálogo entre o maestro (Klaus Maria Brandauer) e o seu irmão, o primeiro diz-lhe para não usar o apelido da família numa obra que está a preparar porque a considera má.

Mas é na relação entre os dois irmãos que tudo se passa. A saída de casa de Tetro teve como objectivo escrever. E foi através da escrita que resolveu contar a história da sua vida e da sua família, uma vez mais com a figura do pai no centro. Estes textos nunca são publicados, mas a chegada de Bennie, que quer também saber a sua história que ninguém lhe conta, vai mudar tudo, quando este descobre o manuscrito original.

Uma das principais características deste «Tetro» é a utilização do preto e branco. E eu não estou a ver como poderia este filme ser feito, sem ser desta forma. A cor só aparece quando há flashbacks do passado, com pequenos episódios da vida da família Tetrocini no passado, e em cenas de uma peça baseada nos textos de Tetro. E em ambos os casos as cores são demasiado expressivas.

Além desta maravilhosa utilização da cor e do preto e branco há outra grande presença em «Tetro»: as luzes e os espelhos. No primeiro caso há um jogo de luzes que vai percorrendo todo filme, em cenas específicas. Não é por acaso que Tetro é especialista em iluminação num teatro. Já os espelhos também têm uma grande força. É o grande espelho na casa de Tetro que mostra o que nós não podemos ver e são também espelhos que ajudam Bennie a decifrar os textos do irmão.

Por fim e para não me alongar demasiado, uma nota final sobre a interpretação. Na minha opinião, Francis Ford Coppola fez um achado ao escolher Alden Ehrenreich, um jovem com enorme potencial e com muito para evoluir, pois este é apenas o seu segundo papel no cinema depois de algumas participações em séries televisivas. Tal como já referi atrás, fez-me lembrar o Leonardo DiCaprio na sua fase antes de «Titanic». Se continuar assim, prevê-se um futuro brilhante.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Em Cartaz: Semana 19/11/2009

Ne Change Rien, de Pedro Costa
Cliente, de Josiane Balasko
Julie e Julia, de Nora Ephron
O Milagre em Sant'Anna, de Spike Lee
Pandemia, de Àlex Pastor e David Pastor
Tetro, de Francis Ford Coppola
Um Conto de Natal, de Robert Zemeckis

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Estoril Film Festival 2009

Arrancou ontem a terceira edição do Estoril Film Festival, um festival de cinema criado por Paulo Branco, que quer com o certame fazer uma espécie de Cannes em Portugal.

Se o conseguirá ou não, só o tempo o dirá. Mas pelo menos esforça-se para o conseguir. Com uma competição oficial virada para o cinema europeu, este ano vão passar pelo Estoril 12 filmes, incluindo o mais recente de João Mário Grilo: Duas Mulheres.

Contudo o principal atractivo estará nas secções paralelas. A começar pela Selecção Oficial fora de Competição, por onde vão passar os novos filmes de Francis Ford Coppola (Tetro), Wes Anderson (a estrear-se na animação com Fantastic Mr. Fox), Lars Von Trier (o polémico Antichrist), Jane Campion (Bright Star), Fernando Lopes (Os Sorrisos do Destino) ou Michael Haneke (com a sua Palma de Ouro The White Ribbon).

Destaque também para dois grandes nomes do cinema mundial que serão homenageados no Estoril: o realizador canadiano David Cronenberg, que será alvo de uma retrospectiva bastante completa da sua carreira, e a actriz francesa Juliette Binoche, que também está presente numa exposição de pinturas, poemas e retratos da sua autoria.

No campo musical há três boas surpresas: uma sessão de videoclips realizados por David Fincher, realizador de Seven ou Zodiac, a projecção de Renaldo and Clara, um filme realizado pela lenda da música que dá pelo nome de Bob Dylan, e a passagem de True Stories, única obra cinematográfica de David Byrne, antigo membro dos nova-iorquinos Talking Heads, que será membro do júri deste ano.

Para os que gostam do cinema mais alternativo, há que estar atento a uma retrospectiva de Robert Frank, fotógrafo e cineasta ligado à Beat Generation. Também para este público, o festival abre espaço a dois realizadores pouco conhecidos e com uma obra mais reduzida: o basco Victor Erice e o italiano Franco Piavoli.

Por fim, na secção O Cinema e a sua História, podemos assistir a uma cópia restaurada do filme Lola Montès, o último filme realizado por Max Ophuls, a um conjunto de documentários filmados durante a Guerra Civil Espanhola e um filme realizado por André Malraux.

Tudo isto são boas razões para ir ao Estoril, que não é Cannes, mas pode um dia vir a ser. Ainda é cedo para ver se Paulo Branco conseguirá cumprir o seu sonho ou não. Certo é que os primeiros passos nesse sentido já estão a ser dados. Agora é esperar para ver.

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