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domingo, 8 de maio de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Road To Nowhere - Sem Destino, de Monte Hellman (2010)
Monte Hellman esteve 21 anos sem realizar e passados todos estes anos volta com um grande filme. E ainda bem, dizemos nós, pois se a sua carreira tivesse ficado pelas duas últimas obras antes de «Road To Nowhere - Sem Destino», (a saber «Silent Night, Deadly Night III: Better Watch Out!» e «Iguana»), seria uma pena para este cineasta de culto, venerado por gente como Quentin Tarantino. De realçar que a estreia deste último foi produzida precisamente por Monte Hellman, que esteve para realizar «Cães Danados». Em boa hora passou a cadeira ao novato, que assinou uma das obras-primas dos anos 1990 se tornou um nome sonante da Sétima Arte.Mas voltando a Monte Hellman e ao seu mais recente filme, que estreou esta semana nas salas. «Road To Nowhere» é um filme labiríntico, que sem cair no tom surrealista de «INLAND EMPIRE», pode ser comparado de longe com a mais recente obra de David Lynch. O filme conta a história de Mitchell Haven (Tygh Runyan), um realizador que está a fazer um filme, filme esse chamado «Road To Nowhere», que é baseado numa história verídica e cujas cenas vamos vendo ao longo do filme que estamos a ver. Nada de novo, é um filme, dentro de um filme, dentro de outro filme. Quase que parece uma boneca matrioska.
Apesar de ser um pouco confuso, temos de estar bastante atentos para não perder o fio à meada (nada que faça confusão a quem tenha visto «A Origem», de Christopher Nolan), o filme tem um bom argumento, que foca bem a dificuldade em fazer um filme, visto directamente a partir dos olhos do realizador. Este relata alguns episódios da rodagem em flashback, como acabamos por constatar no final, à argumentista. Além disso, o filme conta também uma história de amor entre o realizador e actriz principal, Laurel (Shannyn Sossamon), que acaba mal.
Para os cinéfilos que gostam de ir à cata de referências nos filmes, este «Road To Nowhere» é um paraíso. Há cartazes de filmes, entrevistas com nomes conhecidos do Cinema e até cenas de filmes vistos pelos personagens (mais filmes dentro do filme) para descobrir. Um grande regresso de um realizador que andou perdido durante mais de 30 anos, se contarmos a partir do último grande filme que realizou: «Cockfighter». Para quem quiser ficar a conhecer um pouco mais a obra de Monte Hellman pode clicar na etiqueta e encontrar alguns posts que escrevi aquando um ciclo passado na Cinemateca sobre o realizador.
Nota: 4/5
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
Em Cartaz: Semana 07/04/2011
A Espada e a Rosa, de João Nicolau
Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha
Engana-me Que Eu Gosto, de Dennis Dugan
E a Noite a Cair, de Marcos Efron
Hop, de Tim Hill
Road to Nowhere - Sem Destino, de Monte Hellman
Quinze Pontos na Alma, de Vicente Alves do Ó
Num Mundo Melhor, de Susanne Bier
Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha
Engana-me Que Eu Gosto, de Dennis Dugan
E a Noite a Cair, de Marcos Efron
Hop, de Tim Hill
Road to Nowhere - Sem Destino, de Monte Hellman
Quinze Pontos na Alma, de Vicente Alves do Ó
Num Mundo Melhor, de Susanne Bier
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Iguana, de Monte Hellman (1988)
A minha teoria confirma-se, em parte. Quando Monte Hellman se aventura por géneros cinematográficos mais originais assina boas obras. Quando opta por géneros mais tradicionais falha redondamente. Já tinha reparado quando vi «A Estrada Não Tem Fim» e confirmei hoje com este «Iguana», um filme marítimo que tenta passar por filme de piratas mas não consegue.A iguana que dá título ao filme não é um réptil mas a alcunha do arpoeiro Oberlus (Everett McGill) que se dedica ao culto da magia negra e é maltratado pela tripulação do seu navio, que o deixam desfigurado depois de uma sessão de tortura, na sequência da qual foge para uma ilha deserta. Nesta ilha Iguana cria o seu reino e declara guerra à Humanidade pelo mal que lhe tem causado. E é nessa guerra que vai fazendo escravos todos os que têm o azar de ir parar à ilha, onde também cria as leis à sua medida.
Começa com um antigo companheiro de mar (um Michael Madsen a dar os primeiros passos no cinema, mas com uma prestação muito pobre) que se torna o seu lugar tenente mais tarde, depois são três náufragos e uma mulher que Iguana faz sua 'esposa' à força (Maru Valdivielso), violando-a sempre que pode, acabando por a engravidar. Esta gravidez terá um grande papel no final do filme.
Pelo meio Iguana rapta o seu antigo comandante (Fabio Testi) que tinha resolvido passar pela ilha na tentativa de o matar. Durante a sua estadia na ilha do Iguana tenta fugir, mas acaba por morrer numa luta com o seu rival. Luta essa que está bem longe dos clássicos espadachins.
Além dos belos cenários, cuja localização não é desvendada na ficha técnica mas calculo que sejam paisagens espanholas, visto que o filme é uma produção do nosso país vizinho, pouco se retira deste «Iguana». As personagens não têm grande profundidade e são algo caricaturais, o argumento muito pobre.
Mas é sempre curioso ver a presença de Michael Madsen, o mesmo que teve uma genial prestação como Mr. Blonde em «Cães Danados», de Quentin Tarantino. E a falar espanhol, pois a cópia que passou no ciclo da Cinemateca dedicado a Monte Hellman é dobrada em castelhano.
Nota: 1/5
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Silent Night, Deadly Night III: Better Watch Out, de Monte Hellman (1989)
Na década de 1980 as séries de filmes de terror estavam na moda, atingindo maior popularidade com «Sexta Feira 13» e «Pesadelo em Elm Street». Recentemente os dois vilões destes franchises foram recuperados para um filme em que se enfrentavam, de seu nome «Fred Vs Jason».A série «Silent Night, Deadly Night», cujo primeiro filme estreou em 1984, foi outra das séries de terror realizadas naquela década e chegou aos cinco episódios com o filme «The Toy Maker» em 1991. Pelo meio houve este terceiro episódio, realizado por Monte Hellman.
A série centra-se em Richard 'Ricky' Caldwell (Bill Moseley), um serial killer que ficou traumatizado com a morte dos pais em criança às mãos de um assassino vestido de Pai Natal. É também com este disfarce que mais tarde Ricky irá matar as suas vítimas. No terceiro episódio, este que nos interessa, o assassino que se julgava morto encontra-se em estado de coma num hospital e um médico (Richard Beymer, que iria mais tarde entrar na série Twin Peaks) resolve fazer experiências ligando-o a uma jovem cega com poderes psíquicos (Samantha Scully), no sentido de estabelecer contacto com Ricky e descobrir o que vai na cabeça dele.
O problema é que o assassino acorda mesmo e começa a carnificina. E se este filme até podia ganhar alguns pontos, até nem está mal feito e tem pormenores bastante bem conseguidos, tem outros que não lembram a ninguém. A começar pelo facto de a figura de Ricky ter o cérebro à mostra, dentro de uma espécie de aquário. E mesmo assim consegue pedir boleia quando foge do hospital sem ninguém o impedir, numa das cenas mais cómicas deste terceiro «Silent Night».
Depois ao longo da sua caminhada, onde tem como objectivo encontrar a jovem que o acordou, vai fazendo mais uma série de vítimas e como seria de esperar, ninguém sai ileso. E é tudo muito pobrezinho, apesar de conseguir pregar pelo menos um grande susto numa das cenas em que Ricky sai disparado de uma porta.
A título de curiosidade, este é também o primeiro filme para cinema em que aparece Laura Harring, que em 2001 fará dupla com Naomi Watts em Mulholand Drive, de David Lynch. Nesta sua estreia coube-lhe o papel da rapariga que mostra os seios, um outro cliché dos filmes desta altura.
Nota: 2/5
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Clayton, O Cavaleiro da Noite, de Monte Hellman (1978)
«Clayton, o Cavaleiro da Noite» foi uma aventura europeia de Monte Hellman, pelos territórios do Western Spaghetti, numa co-produção italo-espanhola de 1978. E uma vez mais o realizador de «Cockfighter» espalha-se ao comprido. Tirando algumas honrosas excepções, nomeadamente a obra de Sergio Leone, os westerns filmados em território europeu não vão ficar para história como obras de qualidade.Este é também o caso de «Clayton, o Cavaleiro da Noite». Só o nome em português já nos faz dar umas boas gargalhadas. O Clayton (Fabio Testi) que dá o nome ao título é um condenado à forca a quem é dada uma segunda oportunidade. Para se livrar da morte certa, os proprietários dos caminhos de ferro pagam-lhe 1500 dólares e dão-lhe liberdade se ele matar um agricultor (Warren Oates, uma vez mais), que no passado tinha sido um pistoleiro às ordens dos caminhos de ferro.
O problema é que quando Clayton chega a casa do seu alvo, acaba por se tornar amigo dele e apaixona-se pela mulher, não cumprindo o seu objectivo, deixando-os livres. Mas assim que o agricultor descobre que foi traído o filme dá uma reviravolta e começa a perseguição de Clayton que só termina num final feliz em que apenas estas três personagens acabam vivas.
Pelo meio temos um Clayton, interpretado por um actor com um bom historial neste género, que tem um sotaque italiano carregadíssimo, duelos em que paus de dinamite furam cortinados deixando lá a marca perfeita, cenas de amor de um erotismo de bradar aos céus e até um cameo de Sam Peckinpah. Conclusão: «Clayton, o Cavaleiro da Noite» é daqueles filmes tão maus, tão maus, que acabamos por gostar um bocadinho deles. Quanto mais não seja para podermos dizer: eu vi um western spaghetti de boas intenções...e gostei.
Nota: 3/5
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
A Estrada Não Tem Fim, de Monte Hellman (1971)
Na minha tentativa de acompanhar o ciclo que a Cinemateca está a realizar sobre a obra de Monte Hellman, vi hoje «A Estrada Não Tem Fim». E dos quatro filmes que vi até agora consigo chegar a uma conclusão: quando Hellman se aventura por géneros menos populares tem melhores resultados. Se não vejamos. No caso de «Flight To Fury», um série B a dar ares de Noir rodado nas Filipinas, a coisa não saiu bem. Já nos westerns, «O Furacão» cumpre os mínimos, mas não mais que isso.Mas o caso muda de figura quando os temas são mais marginais. Já o tinha constatado em «Cockfighter», sobre lutas de galos, e ficou hoje provado ao ver este «A Estrada Não Tem Fim». O filme é definido como um road movie, mas na minha opinião não será bem assim. Tal como em «Cockfighter» surge aqui Warren Oates e tal como nesse filme, que é posterior convém referir, há muitas apostas em jogo.
Tudo porque o tema central deste filme são as corridas de carros e um desafio feito por dois jovens à personagem de Warren Oates, que consiste numa corrida pelas estradas perdidas dos EUA até Washington DC, faz alavancar a acção. Há aqui muitos pontos de contacto com a filmografia de Hellman.
As personagens marginais, por exemplo. Warren Oates volta a interpretar um tipo solitário que precisa que lhe dêem atenção. Nem que para isso seja preciso inventar uma história nova a cada pessoa que lhe pede boleia. E são vários os que o fazem. Também é o caso dos jovens que o desafiam, que são acompanhados por uma rapariga que se infiltra no seu carro sem ninguém se chatear. A título de curiosidade, um dos jovens é interpretado por Dennis Wilson, um dos membros dos Beach Boys.
E são também vários os actores que já tinham surgido em outros filmes de Monte Hellman, dando uma perninha na sua representação do mundo das corridas de carros ilegais na América profunda. Quem gosta de carros tem aqui uma boa fita para devorar. Até porque apesar de muitos estarem alterados, como não poderia deixar de ser, não têm nada a ver com o tunning de hoje em dia. Já para não dizer que os carros clássicos norte-americanos são bem mais belos do que os actuais. Basta ver o GTO guiado por Warren Oates.
Nota: 4/5
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
O Furacão, de Monte Hellman (1965)
No meio dos seus devaneios pela série B, Monte Hellman também andou pelas planícies do Oeste selvagem. «O Furacão» é um dos westerns assinados pelo realizador de «Cockfighter», com argumento de Jack Nicholson, a mesma dupla por detrás do menos conseguido «Flight To Fury».Neste filme a história resume-se à fuga de um trio de cowboys, chamemos-lhes assim pois não chegamos a perceber o que realmente são a não ser que querem chegar a uma cidade sem dar nas vistas. O problema surge quando se cruzam com uma quadrilha de assaltantes que se esconde dos vigilantes por causa dos seus crimes. Ou seja, uma vez mais, é a história de alguém que está no sitio errado à hora errada.
Com uma história simples, não se pode ir muito longe e a fuga do trio, que vai sendo reduzido até ao final, acaba por ser a única acção digna desse nome. Há cavalgadas e perseguições, duelos no meio das montanhas e um assalto logo a abrir. Na interpretação, uma vez mais destaque-se a presença de Jack Nicholson, aqui como um dos cowboys em fuga, que ao longo do filme se vai interrogando sobre o que fazer se escapar desta aventura. Não chegamos a saber, pois o filme acaba com este a cavalgar rumo ao infinito, deixando a narrativa em aberto.
Nota: 3/5
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Flight To Fury, de Monte Hellman (1964)
Ainda ontem me desfiz em elogios a Monte Hellman e hoje tive de engolir um sapo ao ver este «Flight To Fury». Com argumento de Jack Nicholson, que também é um dos actores principais, «Flight To Fury» é um série B passado nas Filipinas, onde se passa a acção. E quando digo série B, se calhar deveria optar pelo C ou mesmo D, mas fiquemos pelos cânones.No fundo este é um filme em que todos andam à procura do mesmo e o mesmo são diamantes que foram entregues a uma das personagens, por sinal amiga da outra personagem principal, um jogador em maré de azar que está de passagem por Manila na altura errada e tem de fugir quando se vê a braços com uma mulher assassinada num quarto de hotel.
Com excepção da interpretação de Jack Nicholson, na altura com apenas 27 anos mas já dava mostras de um futuro promissor, pouco escapa deste «Flight To Fury». Os maus não têm pinta, apenas têm a mania que têm pinta, há um japonês que só morre depois de três tiros em cheio mas ainda com tempo de matar uns quantos guerrilheiros à catanada. Enfim, um bocado de chunga a mais.
E o argumento, apesar de ser assinado por um nome que muito me agrada, também não escapa. Há pormenores engraçados, mas não passam disso mesmo. Amanhã é dia de western da dupla Nicholson/Hellman. A ver o que sai dali.
Nota: 2/5
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Cockfighter, de Monte Hellman (1974)
Mais um tesouro que descobri na Cinemateca, que está a organizar um ciclo dedicado a Monte Hellman, um realizador da escola Roger Corman que não conhecia. Talvez este seja um dos nomes menos conhecidos da vaga do mítico realizador, que apadrinhou, entre outros, Francis Ford Coppola, Martin Scorcese ou Jack Nicholson, só para referir os mais populares. Pelo que indicaram no programa deste mês, o ciclo é bastante pequeno, tem apenas nove obras, mas se todas forem como «Cockfighter», compensa dar uma olhadela. «Cockfighter» é considerado uma das obras primas de Monte Hellman e conta a história de um treinador de galos de luta (Warren Oates), que não fala (apenas ouvimos a sua voz em off e num flashback onde se explica a razão da sua mudez) e tenta singrar no universo violento das lutas de galos. E violento é o filme. Desde o ambiente deste submundo do Sul dos EUA, onde há truques para todos os gostos feitios e torneios que se realizam em quartos de hotel para não dar tanto nas vistas, às próprias lutas de galos.
Quem for contra a violência entre animais, tem de ir de pé atrás antes de ver o filme, pois as cenas de lutas são bastante gráficas. O que não impede de estarem bastante bem filmadas, algumas até em câmara lenta, o que me fez lembrar os filmes de kung fu e artes marciais que via há uns anos, interpretados por Jean Claude Van Damme ou Bruce Lee. A juntar a isto temos personagens bastante pitorescas, não só o 'herói' se assim se pode chamar ao treinador de galos tem muita pinta, mas o próprio ambiente sulista, cheio de rednecks com jardineiras está bem representado. Como exemplo deste ambiente, temos o jovem que perde uma luta porque enfiou o dedo no rabo de um dos seus galos, o que levou a organização a desclassificá-lo e a proibir a sua participação nos campeonatos.
Há ainda a notar a presença de Harry Dean Stanton, aqui no papel do rival do treinador. Não sei como será o resto da obra de Monte Hellman, mas com este aperitivo, vou tentar ver mais algumas obras dele.
Nota: 4/5
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