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sábado, 5 de novembro de 2011

Eragon, de Stefen Fangmeier (2006)

Quando «Eragon» chegou às salas de cinema, já a versão da trilogia «O Senhor dos Anéis» filmada por Peter Jackson tinha alguns aninhos. Curiosamente, o livro que serve de base a este filme foi publicado pelo então jovem Christopher Paolini no ano em que estreou o terceiro capítulo daquela saga. Mas o único ponto de contacto entre as duas obras é apenas o facto de decorrerem num universo fantástico. A história é um pouco diferente. Eragon é um jovem camponês que encontra um misterioso objecto numa das suas idas à floresta. Passados alguns dias descobre que esse objecto é um ovo de dragão e começam aqui as suas aventuras.

Encabeçado por um elenco com nomes sonantes (Jeremy Irons, Robert Carlyle, John Malkovich ou Djimon Hounsou), «Eragon» não é tão grandioso como a trilogia de Peter Jackson, mas acaba por ser um filme que até se vê bem. A história é chapa 4: o herói fica sem família e é o escolhido para levar a cabo uma missão onde tem de derrotar uma ameaça do passado na companhia de um grupo de guerreiros e mágicos. O principal defeito do filme, contudo, é a falta de espessura das personagens, pois o argumento de Peter Buchman não nos dá suficiente informação sobre o passado das mesmas. O que, com um elenco destes, é pena. Os actores quase não têm oportunidade de se expandir. Não sei se o objectivo seria aprofundá-las em sequelas, mas estas nunca chegaram a ser feitas e pelos vistos não há planos para o fazer, apesar do sucesso dos livros de Christopher Paolini. O próprio actor principal (Ed Speleers, no seu primeiro papel no cinema) ainda não demonstra muito à vontade neste papel.

Pelo contrário, onde Stefen Fangmeier marca pontos é no campo dos efeitos especiais, que não ficam atrás de outros filmes dentro deste género. O facto de a especialidade do realizador, que tem em «Eragon» o seu filme de estreia na cadeira de realizador, ser originário desta área talvez seja a justificação para que a melhor parte seja mesmo esta. A forma como o dragão interage com as restantes personagens e a batalha final estão muito bem conseguidos. Faltou o resto para que este fosse o primeiro filme de mais uma trilogia de sucesso.

Nota: 3/5


Site do filme no IMDB

sábado, 27 de agosto de 2011

O Tempo Reencontrado, de Raúl Ruiz (1999)

Poucos cineastas se podem gabar de ter uma obra tão longa como o chileno Raúl Ruiz, falecido há dias, vítima de cancro. Desde 1963 e até 2010 realizou um total de 112 filmes, entre longas e curtas, ficção e documentário, o último dos quais o extraordinário «Mistérios de Lisboa», uma tarefa de peso cujo resultado esteve à altura do génio de Camilo Castelo Branco. Já em 1999 Raúl Ruiz se tinha voltado para uma outra grande obra, em vários sentidos, da Literatura mundial: «Em Busca do Tempo Perdido», de Marcel Proust.

É o último dos sete volumes desta obra de Proust, «O Tempo Reencontrado», que dá o título ao filme, que começa por nos mostrar o escritor acamado e às portas da morte. Depois de ditar um trecho do livro à sua empregada, começa a olhar para fotografias do passado e recorda a sua vida e a das personagens de «Em Busca do Tempo Perdido». Não conhecendo o material de base, apesar de ter muita curiosidade em conhecê-lo, é-me difícil comparar o filme com o livro, que é considerado uma das obras-primas da Literatura mundial.

Esta adaptação de Raúl Ruiz, que conta com um enorme elenco recheado de grandes estrelas (Catherine Deneuve, Emmanuelle Béart, Vincent Perez, John Malkovich ou Pascal Greggory, para focar apenas alguns dos nomes mais conhecidos), é um belo filme, que retrata não só uma certa sociedade francesa do final do século XIX e início do século XX, mas também as relações entre os vários membros desta sociedade, a vários níveis, focando temas como o amor, a infância, a homossexualidade ou a guerra. Tal como em «Mistérios de Lisboa» a recriação de época está bastante bem conseguida.

Mas, talvez fruto dos delírios do narrador, que é o próprio Proust que vai recordando episódios da sua vida, o filme acaba por se tornar um pouco confuso. Além do recurso a elementos oníricos, sobretudo no início do filme, os inúmeros avanços e recuos na narrativa forçam-nos a estar demasiado atentos, pois à mínima distracção corremos o risco de perder o fio à meada. Outro dos problemas em «O Tempo Reencontrado» é uma certa perda de ritmo quando começa a chegar ao final, algo que num filme com cerca de duas horas e meia pode levar o espectador a entrar em desespero. Agora falta ler a obra de Proust para poder compará-la com a sua adaptação, que pelo menos serviu para abrir o apetite.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Con Air - Fortaleza Voadora, de Simon West (1997)

«Con Air - Fortaleza Voadora» marcou a estreia de Simon West na realização. O resultado não é um grande filme, mas acabou por se tornar, pelo menos até à data, o melhor que nos apresentou. A começar pelo elenco que conseguiu reunir, com destaque para Nicolas Cage, John Cusack, Ving Rhames, John Malkovich e Steve Buscemi. Mas este é também uma prova de que nem sempre um bom elenco dá um bom filme.

Em traços gerais o argumento de «Con Air - Fortaleza Voadora» centra-se na personagem de Cameron Poe (Nicolas Cage), um ex-ranger condenado à prisão que está prestes a entrar em liberdade condicional e terá oportunidade de ver, pela primeira vez, a filha. O azar de Poe é que para chegar a casa terá de viajar num avião cheio de prisioneiros psicopatas, liderados por Cyrus 'The Virus' Grissom, um grande vilão interpretado por John Malkovich em grande forma. O gangue acaba por tomar conta do avião e Cameron Poe vê-se obrigado a dar a volta à situação para chegar são e salvo à família.

Apesar ser uma boa história e boas personagens, sobretudo no lado dos vilões, «Con Air» tem como principal problema o facto de os intérpretes heróis não estarem à altura. Nicolas Cage tem o 'defeito' de fazer sempre o papel de coitadinho. Mesmo nas respostas que dá aos outros prisioneiros, que podiam ter grande estilo com outro actor, acabam por parecer um frete. E John Cusack como marshall também não convence muito. Restam os papéis dos maus da fita, onde só pela interpretação de Malkovich já vale a pena ver o filme. Neste campo quem também sobressai é Steve Buscemi, que interpreta um enigmático serial killer, Garland 'The Marietta Mangler' Greene, que pouco fala mas quando o faz acaba por ser demasiado assustador. Basta ver a cena com a criança, que não chegamos a saber o que se passou entre os dois.

E assim foi o último filme visto em 2010. Bom Ano Novo para todos os leitores de «A Última Sessão».

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

RED - Perigosos, de Robert Schwentke (2010)

Baseado numa banda desenhada da DC Comics «RED - Perigosos» é um filme de puro entretenimento, que arranca bons momentos sem nunca ser nada de muito transcendente. O RED (não traduzo a sigla para não perder a piada) que dá nome ao título é Frank Moses (Bruce Willis) um ex-agente da CIA na reforma que começa a ser perseguido pelo Governo dos EUA quando está na pacatez do seu lar e prestes a partir ao encontro de Sarah Ross (Mary-Louise Parker), uma funcionária pública por quem se apaixonou ao telefone. Esta vê-se metida no meio de uma conspiração que envolve ainda outros agentes da antiga equipa de Frank, que participaram numa certa missão nos anos 1980.

Com um elenco cheio de actores veteranos (Helen Mirren, John Malkovich, Morgan Freeman, Brian Cox e o veteraníssimo Ernest Borgnine, actor que não sabia que ainda estava entre nós), «RED - Perigosos» é daqueles filmes que vemos sem dar muita atenção aos pormenores. É divertimento e basta, nunca quis ser nada mais do que isso. E o resultado até acaba por ser razoável, ao contrário de muitos filmes que se vêem por aí. Quase que podemos descrevê-lo com o ditado 'vale mais cair em graça do que ser engraçado'.

O argumento não tem pés nem cabeça, as personagens são cada uma mais maluca do que a outra (o Marvin Boggs de Malkovich está genial, para mim é uma das melhores personagens do ano) e há cenas que não lembram a ninguém, como por exemplo a saída de Frank Moses do carro da polícia em plena derrapagem. Mas «RED - Perigosos» passa no teste devido a mais um aspecto: parece que os actores se divertiram mesmo a fazer o filme. Se não o fizeram, disfarçaram todos muito bem.


Nota: 3/5

Site oficial do filme