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sexta-feira, 16 de março de 2012

Vergonha, de Steve McQueen (2011)

Quem viu «Fome», a obra de estreia de Steve McQueen realizada em 2008, sabe que este cineasta oriundo do universo das artes plásticas não filma como a maioria dos realizadores actuais. Naquele caso Steve McQueen conseguiu transformar a história da greve de fome de um grupo de prisioneiros do IRA numa daquelas experiência que quem vê em sala dificilmente esquece, tal é o murro no estômago que nos é dado. «Vergonha» é mais uma dessas experiências, apesar de o resultado final ser um bocado inferior.

Tal como em «Fome» o realizador volta a trabalhar com Michael Fassbender, cimentando o que já tinha sido uma dupla de sucesso no filme anterior. Neste caso o filme retrata a história de Brandon Sullivan (Michael Fassbender), um homem bem sucedido que vive em Nova Iorque mas tem problemas por ser viciado em sexo. Algo que acaba por influenciar tudo o que o rodeia, sobretudo quando a sua irmã Sissy Sullivan (Carey Mulligan) resolve aparecer de surpresa para passar uns dias em sua casa.

«Vergonha» é um filme sobre a forma como alguém vive com os seus vícios, reconhecendo os seus problemas, mas sabendo que ao mesmo tempo não consegue fazer nada para fugir deles, por mais que tente. Esses problemas acabam por tornar Brandon cada vez mais centrado em si e afastado dos outros. E é isso que nos mostra também McQueen, ao tornar «Vergonha», tal como «Fome», em mais uma boa experiência cinematográfica que não se vê de ânimo leve e nos leva a questionar vários aspectos da natureza humana. Algo que o realizador consegue com a ajuda de uma banda sonora de excepção e de uma fotografia bastante sóbria, que apenas ganha tons mais pesados em algumas das sequências de sexo finais, quando pensamos que Brandon se apercebe verdadeiramente dos seus problemas. Mas o final é demasiado ambíguo para sabermos se realmente a personagem conseguiu ou não ultrapassar o problema. Mais um ponto favorável nesta segunda obra de McQueen.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

Site do filme do IMDB

sábado, 23 de abril de 2011

Jane Eyre, de Cary Fukunaga (2011)

«Jane Eyre» é uma daquelas obras que tem um bom punhado de adaptações no grande ecrã. A mais recente é esta, realizada este ano por Cary Fukunaga e protagonizada por Mia Wasikowska, no papel da heroína criada por Charlotte Brontë no século XIX, e Michael Fassbender, no papel de Edward Fairfax Rochester, o patrão de Jane e o seu par numa história de amor impossível.

A história é trágica. Jane é uma rapariga órfã e infeliz que está a viver em casa da tia, que prometeu cuidar dela depois da morte dos seus pais, mas acaba por enviá-la para uma instituição fechada, de onde apenas sai passados alguns anos. Nessa altura vai trabalhar para casa de Edward Fairfax Rochester, um homem severo, para ser a preceptora de uma rapariga francesa. Os dois acabam por se apaixonar, mas um acontecimento do passado vem assolar o romance.

Esta nova adaptação de «Jane Eyre» não traz nada de novo a este género de filmes, baseados em história centradas em heroínas românticas, tão comuns na literatura do século XIX. Apesar do bom elenco, como é comum no cinema britânico encontramos aqui bons secundários, como Judi Dench, Sally Hawkins ou Jamie Bell, poucas coisas nos cativam o filme de Cary Fukunaga. Há até algumas cenas, que mais parecem saídas de um filme de terror, e que eram escusadas. De parabéns está a jovem Mia Wasikowska, que tem vindo a revelar-se como uma excelente actriz.

Nota: 2/5

Site oficial do filme