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sábado, 12 de novembro de 2011

O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro (2006)

Durante os primeiros dez anos deste século se houve alguém que conseguiu levar o cinema fantástico às massas esse nome foi Peter Jackson, autor da brilhante adaptação da trilogia «O Senhor dos Anéis» ao grande ecrã. Mas dentro deste género houve um outro nome, talvez não tão conhecido, mas que também pode ser considerado um mestre nesta área, chamado Guillermo del Toro, que nos trouxe uma grande obra. Trata-se de «O Labirinto do Fauno» e é um filme extraordinário que mistura o fantástico, alguns pozinhos de horror e até traços de filme de época, pois a acção decorre durante a Guerra Civil de Espanha. Cenário que já tinha sido palco de outro excelente filme do mexicano, este um pouco mais de terror, mas também com alguns aspectos do género fantástico, chamado «Nas Costas do Diabo».

Mas centremo-nos em «O Labirinto do Fauno», filme que conta a história de Ofelia (Ivana Baquero), uma criança órfã de pai que vai com a mãe Carmen (Ariadna Gil), grávida em estado avançado, viver com o padrasto, o capitão Vidal (Sergi López) do exército franquista que foi destacado para uma região montanhosa para derrotar os rebeldes comunistas. Quando o filme arranca parece que estamos perante um drama de guerra, mas o livro que Ofelia leva consigo, onde ela lê uma estranha lenda, e o surgimento de um estranho insecto que a rapariga confunde com uma fada vai ser o ponto de partida para que uma outra lenda comece a ganhar forma e Ofelia se veja envolvida num conjunto de missões para fazer cumprir essa mesma lenda.

Não sendo um filme que possa agradar a todos, sobretudo os que não gostam de muita fantasia, «O Labirinto do Fauno» é sem dúvida uma das obras mais peculiares dos primeiros anos deste século. Não só a nível do próprio fantástico, que está bem presente numa grande história com ambientes e criaturas bastante bem conseguidas, que ainda hoje continuam a deliciar como há cinco anos (não foi à toa que o filme ganhou três Óscares em categorias técnicas nesse ano), mas também pela própria prestação dos actores. Aqui, o destaque vai para o capitão Vidal, um personagem bastante sádico interpretado de forma magistral por Sergi López, e também para Maribel Verdú, que interpreta uma das criadas do capitão que ajuda os rebeldes e se torna das poucas amigas de Ofelia num ambiente hostil para a criança, que vê na história do fauno um escape para a realidade. E com Guillermo del Toro vamos com Ofelia em busca de um mundo melhor.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

sábado, 5 de novembro de 2011

Eragon, de Stefen Fangmeier (2006)

Quando «Eragon» chegou às salas de cinema, já a versão da trilogia «O Senhor dos Anéis» filmada por Peter Jackson tinha alguns aninhos. Curiosamente, o livro que serve de base a este filme foi publicado pelo então jovem Christopher Paolini no ano em que estreou o terceiro capítulo daquela saga. Mas o único ponto de contacto entre as duas obras é apenas o facto de decorrerem num universo fantástico. A história é um pouco diferente. Eragon é um jovem camponês que encontra um misterioso objecto numa das suas idas à floresta. Passados alguns dias descobre que esse objecto é um ovo de dragão e começam aqui as suas aventuras.

Encabeçado por um elenco com nomes sonantes (Jeremy Irons, Robert Carlyle, John Malkovich ou Djimon Hounsou), «Eragon» não é tão grandioso como a trilogia de Peter Jackson, mas acaba por ser um filme que até se vê bem. A história é chapa 4: o herói fica sem família e é o escolhido para levar a cabo uma missão onde tem de derrotar uma ameaça do passado na companhia de um grupo de guerreiros e mágicos. O principal defeito do filme, contudo, é a falta de espessura das personagens, pois o argumento de Peter Buchman não nos dá suficiente informação sobre o passado das mesmas. O que, com um elenco destes, é pena. Os actores quase não têm oportunidade de se expandir. Não sei se o objectivo seria aprofundá-las em sequelas, mas estas nunca chegaram a ser feitas e pelos vistos não há planos para o fazer, apesar do sucesso dos livros de Christopher Paolini. O próprio actor principal (Ed Speleers, no seu primeiro papel no cinema) ainda não demonstra muito à vontade neste papel.

Pelo contrário, onde Stefen Fangmeier marca pontos é no campo dos efeitos especiais, que não ficam atrás de outros filmes dentro deste género. O facto de a especialidade do realizador, que tem em «Eragon» o seu filme de estreia na cadeira de realizador, ser originário desta área talvez seja a justificação para que a melhor parte seja mesmo esta. A forma como o dragão interage com as restantes personagens e a batalha final estão muito bem conseguidos. Faltou o resto para que este fosse o primeiro filme de mais uma trilogia de sucesso.

Nota: 3/5


Site do filme no IMDB

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Agarrem-me Esses Fantasmas, de Peter Jackson (1996)

«Agarrem-me Esses Fantasmas» é um filme curioso na obra de Peter Jackson. A par de «Amizade Sem Limites» é o filme que faz a transição do realizador entre as suas produções gore mais caseiras e o salto para a saga do «Senhor dos Anéis». E a verdade é que conseguiu fazê-lo sem defraudar os fãs do que vem antes e os fãs que virão depois da famosa trilogia. É, por assim dizer, um meio termo na obra do realizador neozelandês.

Realizado em 1996 «Agarrem-me Esses Fantasmas» é uma comédia do domínio do fantástico protagonizada por Frank Bannister (Michael J. Fox, num dos seus últimos e grandes papéis no cinema) um arquitecto que vê a sua esposa morrer num acidente de automóvel e começa a ver espíritos. Este poder paranormal leva-o a tornar-se numa espécie de caça fantasmas que se dedica a burlar os seus clientes com a ajuda de três fantasmas memoráveis: Stuart (Jim Fyfe), o Juíz (John Astin) e Cyrus (Chi McBride). Este quarteto vê-se depois envolvido na caça a um outro ser do outro mundo, o fantasma do serial killer Johnny Charles Bartlett (Jake Busey) que regressa do Além para continuar a matança.

Esta primeira aventura de Peter Jackson às ordens de um grande estúdio (apesar de filmado na Nova Zelândia, o filme foi produzido por Robert Zemeckis, que era para ser o realizador de «Agarrem-me Esses Fantasmas» como uma versão alargada de um episódio da série de TV «Contos de Arrepiar») o cineasta consegue dar conta do recado. Sem cair num estilo demasiado popular, o filme consegue ser um bom filme de terror/comédia/fantástico com boas personagens e uma boa utilização dos efeitos especiais. Não é à toa que já vemos aqui alguns aspectos que seriam melhorados nos filmes do «Senhor dos Anéis», nomeadamente a primeira encarnação de Johnny Charles Bartlett como a Morte, que se assemelha bastante aos cavaleiros que perseguem Frodo e companheiros em grande parte do primeiro episódio da trilogia.

O próprio Peter Jackson reconhece, numa pequena introdução que faz na edição especial do filme em DVD, que filmar a obra de Tolkien era o passo seguinte para a sua Weta, porque não sabia o que fazer com os computadores que tinha adquirido. O resultado é hoje bem conhecido. Quanto a «Agarrem-me Esses Fantasmas», é um bom filme para quem quer conhecer um pouco mais a obra de Peter Jackson.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Banda Sonora: Don't Fear The Reaper, de The Mutton Birds

Don't Fear The Reaper, de The Mutton Birds - Banda Sonora de «Agarrem-me Esses Fantasmas», de Peter Jackson (1996)