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terça-feira, 17 de maio de 2011

IndieLisboa 2011: Best of

Para finalizar os posts sobre o IndieLisboa 2011, e para não vos maçar muito mais com o assunto, resta apresentar a lista daqueles que foram os meus 10 filmes preferidos da última edição do festival. Fazendo um balanço dos últimos dias, apesar de algumas desilusões, acho que este foi um dos anos em que os filmes que tive oportunidade de ver estavam acima da média. Espero que tenham gostado de acompanhar as sessões comigo e para o ano haverá mais.

«Gravity Was Everywhere Back Then», de Brent Green

«Neds», de Peter Mullan

«Finisterrae», de Sergio Caballero

«América», de João Nuno Pinto

«Morgen», de Marian Crisan

«Simon Werner a Disparu...», de Fabrice Gobert

«O Atalho», de Kelly Reichardt

«The Agony And The Ecstasy Of Phil Spector», de Vikram Jayanti

«Johnnie Got His Gun!», de Yves Montmayeur

«Lemmy», de Greg Olliver e Wes Orshoski

domingo, 15 de maio de 2011

IndieLisboa 2011: Morgen, de Marian Crisan (2010)

Se há algo que tenho aprendido nestes anos todos de IndieLisboa é que a Roménia tem uma das melhores cinematografias europeias da actualidade. Mesmo que não seja muito conhecida e apenas tenham estreado por cá os filmes consagrados em festivais de cinema com algum relevo (leia-se Cannes, Veneza e Berlim) é bom saber que o Indie continua a mostrar as obras oriundas daquele país. E a colheita deste ano foi esteve uma vez mais à altura das expectativas.

«Morgen», de Marian Crisan, enquadra-se bem nas obras que têm vindo da Roménia nos últimos tempos. Uma história séria que começa aos poucos a roçar o absurdo. E a história é a de Nelu Manchiu (András Hatházi), segurança de supermercado que vive pacatamente perto da fronteira com a Hungria e que gosta das suas pescarias em território húngaro. Numa das pescarias encontra Behran (Yilmaz Yalcin), um imigrante turco que quer atravessar a fronteira para ir para a Alemanha ter com o filho. Nelu resolve então ajudar o pobre homem, apesar de os dois não se entenderem, e começam as desventuras para levar Behran para a Fortaleza Europa.

Com esta história Marian Crisan explora um tema forte e na ordem do dia (por exemplo, foi o terceiro filme do Indie 2011 a abordar a questão da imigração ilegal) de uma força que roça o absurdo. A impossibilidade das personagens conseguirem comunicar com o turco faz com que algumas cenas pareçam saídas de um filme de Chaplin. O facto de Nelu também ser um homem de poucas palavras ajuda à comparação.
Outra das comparações que pode ser feita, no domínio do absurdo quando se fala de coisas sérias, é com «A Morte do Senhor Lazarescu», filme de Cristi Puiu, apesar deste ser mais pesado do que «Morgen».

A primeira longa metragem de Marian Crisan é também a história de um homem que resolve ajudar alguém que precisa, indo contra tudo e contra todos, sem pensar em grandes consequências e correndo mesmo o risco de infringir a lei. Apesar de não ter vencido o prémio principal, ao ter conquistado o prémio de distribuição é uma boa notícia, pois aumentam as probabilidades de um dia o filme poder chegar às salas portuguesas.

Nota: 4/5

Site oficial do filme