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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Com quem gostaria de beber um copo: Veronica Lake ou Rita Hayworth?

Depois de um mês com grandes duplas de actores, é chegada a vez das divas. Em Fevereiro as sessões de copos vão ser dedicadas a algumas das melhores e mais belas actrizes do mundo. Para começar o mês as convidadas são Veronica Lake e Rita Hayworth.

De um lado temos a franja loira mais conhecida da Hollywood dos anos 1940. Veronica Lake, actriz que marcou aquela década mas acabou por desperdiçar o seu talento afogando-se no álcool, participou em filmes como «Aluga-se Esta Arma», de Frank Tuttle, «Casei com Uma Feiticeira», de René Clair, ou «The Blue Dahlia», de George Marshall. No início dos anos 1950 dedicou-se à televisão com pouco sucesso e começou a entrar em declínio. Ainda regressou ao grande ecrã no final da década de 1960, mas já não foi a tempo de voltar aos bons velhos tempos.

Do outro temos outra bomba sexual do período de Ouro do cinema norte-americano. A ruiva Rita Hayworth começou a sua carreira no início dos anos 1930 com o nome de Rita Cansino (o seu verdadeiro nome era Margarita Carmen Cansino). A primeira vez que adopta o nome pelo qual ficou conhecida na Sétima Arte foi em 1937, no filme «Criminals of the Air», de Charles C. Coleman. Quatro anos mais tarde, em 1941, tem o seu primeiro grande papel no filme «The Strawberry Blonde», de Raoul Walsh. Nesse ano protagoniza com Fred Astaire o musical «Nunca Serás Rico», de Sidney Lanfield. Mas é em 1946 que a bomba Rita explode, quando entra no filme «Gilda», de Charles Vidor e em «A Dama de Xangai», de Orson Welles. A partir daí as suas aparições começaram a diminuir, apesar de ter continuado a surgir em alguns filmes, mas de forma mais espaçada.

Apresentações feitas, chega o momento da verdade. Com qual destas duas senhoras gostariam de tomar um copo? E porquê? E já agora, que copo acham que as senhoras gostariam de beber.

A minha resposta: as duas estão na minha lista de actrizes preferidas, mas a ter de escolher uma escolheria Veronica Lake, pois acho que a sua carreira foi como um cometa nos anos 1940. E tem uma das franjas mais reconhecidas da História do Cinema, franja essa que terá inspirado mais tarde a personagem de Jessica Rabbit, em «Quem Tramou Roger Rabbit». A pergunta que faria era porque razão trocou o grande pelo pequeno ecrã. E para beber, uma garrafa de champanhe para os dois.

domingo, 28 de novembro de 2010

Sangue e Prata, de Raoul Walsh (1948)

Errol Flynn tornou-se popular a protagonizar heróis em filmes de aventuras. Robin Hood é apenas um dos exemplos. Não é isso que acontece em «Sangue e Prata» um western de Raoul Walsh realizado em 1948, onde interpreta Mike McComb, um capitão do exército federal que é afastado da carreira militar depois de optar por queimar um milhão de dólares que iriam parar às mãos do inimigo sulista. Este episódio leva-o a procurar outras paragens, já com uma personalidade mais obscura, e é em Silver City que resolve assentar arraiais com o objectivo de criar um casino.

Mas antes de chegar à pequena localidade, que depende fortemente das minas de prata, cruza-se com Georgia Moore (Ann Sheridan) a mulher do dono de uma das minas por quem acaba por se apaixonar. Esta paixão e as suas jogadas para conquistar tudo e todos (não só Georgia, mas também os terrenos que lhe darão cada vez mais dinheiro) acabam por nos mostrar uma personagem sem escrúpulos, a completa antítese do Errol Flynn mais popular. Foi por isso que o filme acabou por não ter grandes resultados na bilheteira, pois o público não estava habituado e não queria ver Flynn a fazer de vilão.

Além de ser um filme sobre a ambição e a busca de poder e com um vincado sentido político, «Sangue e Prata» remete também para uma história bíblica. O caso entre McComb e Georgia é uma variante da história do Rei David, que envia um general para a frente de batalha para ficar com a sua mulher. Esta é explicada por uma personagem secundária bastante importante para a história, o advogado John Plato Beck (uma excelente interpretação de Thomas Mitchell), que não deixa de atirá-la à cara de McComb sempre que pode.

(Spoiler) McComb acaba por se redimir no final do filme quando lidera a multidão de mineiros que vai expulsar os assassinos de John Plato Beck, que entretanto se tinha candidatado a senador. Esta é uma das cenas mais bem conseguidas do filme, com a enorme turba a entrar em Silver City por todos os lados, não deixando nenhuma abertura. Uma vez mais Raoul Walsh mostra aqui como consegue filmar de forma magistral multidões. Não nos podemos esquecer que nos anos 1940 ainda estávamos muito longe dos efeitos digitais de hoje, que conseguem criar uma multidão através de computador.

A banda sonora de Max Steiner também está muito boa, tanto nesta cena final referida anteriormente, como nas primeiras cenas do filme, quando são retratadas algumas batalhas da Guerra Civil americana ou mesmo na perseguição inicial que dá origem ao tal episódio da expulsão de McComb do exército.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB