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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Juno, de Jason Reitman (2007)

Há filmes que nos passam completamente ao lado até os vermos uma segunda vez. Foi isso que me aconteceu com «Juno». Quando estreou e toda a gente falava nele, sobretudo de muito bom para cima, não achei nada de especial. Apesar de ter gostado, lembro-me de não ter achado nada de especial. Agora que o revi, a minha opinião mudou completamente e adorei a história de Juno (Ellen Page), a adolescente de 16 anos que depois de uma noite aborrecida, em que se lembra de fazer sexo com o melhor amigo, Paulie Bleeker (Michael Cera, num dos seus papéis habituais que tão bem sabe interpretar), acaba grávida.

A solução para Juno, que se sente demasiado nova para tomar conta de uma criança (ou a coisa, como ela trata o bebé) e depois de ficar traumatizada por uma visita a uma clínica de abortos, passa por dar o filho para adopção a um casal que procura um filho. E esse casal não podia ser mais diferente: Mark (Jason Bateman), uma estrela de rock falhada, e Vanessa (Jennifer Garner), que quer à força ser mãe.

O que podia ser uma comédia adolescente parva ou um dramalhão daqueles de fazer chorar as pedras da calçada escapa a esse fatídico destino para se tornar uma excelente comédia sobre a adolescência e o amor, não apenas entre o jovem casal, mas também dos 'crescidos', se assim se pode dizer. Sempre acompanhada por uma excelente banda sonora, que termina com um belo dueto entre Juno e Paulie (uma cover de «All I Want Is You», original dos Moldy Peaches), Ellen Page tem aqui uma das suas melhores personagens até à data. Mesmo sendo alguns anos mais velha do que a personagem, tinha 20 anos quando o filme estreou, mais quatro do que Juno, consegue encarnar na perfeição a desbocada jovem, que tem sempre resposta para tudo. A nomeação ao Óscar de Melhor Actriz nesse ano foi mais do que merecida.

O argumento de Diablo Cody, que lhe valeu a estatueta dourada para Melhor Argumento Original logo na estreia, é também maravilhoso e simples, como todas as boas histórias.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Scott Pilgrim Contra o Mundo, de Edgar Wright (2010)

Para quem nasceu e viveu nos anos 1980 e passou horas a jogar Super Mario e Street Fighter, ver o mais recente filme de Edgar Wright, «Scott Pilgrim Contra o Mundo», é um pouco como regressar ao passado. Não é um grande filme, mas de certo ficará como um dos filmes de culto deste ano. Pelo menos tem todos os ingredientes para o ser. Scott Pilgrim (Michael Cera) é um geek que tem uma banda de garagem composta por geeks a quem no início do filme revela que tem uma nova namorada.

Mas a paixão termina quando conhece Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead) e se apaixona por esta rapariga que tem um passado amoroso bastante complicado. Para a conquistar Scott Pilgrim tem de derrotar os seus 7 ex-namorados.

Aparentemente este podia ser mais um normal filme de adolescentes. E no fundo é, mas «Scott Pilgrim Contra o Mundo» assenta numa estética semelhante à dos clássicos videojogos que referi, sendo os heróis pessoas de carne e osso. As cenas de lutas são delirantes, algumas das quais têm elementos musicais que resultam em duelos entre bandas muito bem conseguidos (a banda sonora, a cargo de Nigel Godrich, produtor bastante conhecido por ter trabalhado com bandas como os Radiohead, é muito boa), e é engraçado ver os elementos como os corações que dão direito a vidas a surgirem de vez em quando para salvar Scott.

O único problema deste filme é o facto de estar tão agarrado a esta estética que não vai agradar a uma audiência maior. Mas para quem quiser regressar aos bons velhos tempos a jogar arcadas, o divertimento está garantido à partida. O ícone da Universal pixelizado, no início do genérico, está priceless.

Nota: 4/5

Site oficial do filme