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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Os Marretas, de James Bobin (2011)

O autor deste blogue não é bem do tempo dos Marretas, mas tem uma vaga ideia de ter travado conhecimento com personagens como o sapo Cocas, Gonzo ou Miss Piggy algures durante a infância, quando o programa passava na televisão. Por isso, ver o filme «Os Marretas» foi quase uma mistura de descoberta e viagem ao passado, sem grandes compromissos ou sentimentos de nostalgia. O novo filme dos Marretas quase que pode ser visto como uma apresentação deste universo às novas gerações. E seria curioso ver como é que as criança de hoje reagem a estas personagens, autênticos ícones da cultura popular do século XX.

E esta apresentação é feita da melhor forma. Walter, um grande fã dos Marretas, aproveita o convite do irmão Gary (Jason Segel), que vai de viagem a Los Angeles com a namorada Mary (Amy Adams) para celebrar o 10º aniversário de namoro, para visitar o mítico estúdio dos Marretas. Ao chegar lá descobre que um lugar em ruínas, prestes a ser comprado por um milionário (Chris Cooper) que apenas quer o terreno para explorar o petróleo ali existente. Walter decide então ir à procura do sapo Cocas para, em conjunto com a restante trupe dos Marretas, tentar salvar os estúdios.

«Os Marretas» vale mesmo pelas fantásticas personagens que nos garantem bons momentos de divertimento, um pouco diferentes do que se vê hoje em dia. Dispensáveis eram os momentos protagonizados apenas pelos actores de carne e osso (com a óbvia excepção dos diversos cameos, que nada influenciam o resto do filme), que de tão maus roçam a idiotice pura, sobretudo nas sequências musicais, com coreografias onde os sorrisos são tão falsos que por pouco não caem. E nestas cenas incluo esse triste momento na carreira de Chris Cooper onde o actor canta hip hop. Sim, é verdade. Fora isso, ver «Os Marretas» sem grandes preconceitos é capaz de se revelar uma experiência engraçada e bem disposta.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Inadaptado, de Spike Jonze (2002)

Em 1999 a dupla Spike Jonze e Charlie Kaufman juntou esforços, o primeiro enquanto realizador e o segundo como argumentista, para nos dar um genial filme chamado «Queres Ser John Malkovich?». O filme acabou também por marcar a estreia de ambos na Sétima Arte. Três anos depois regressaram ao trabalho e o resultado não poderia ter sido melhor. «Inadaptado» conta a história de um argumentista, o próprio Kaufman, interpretado por Nicholas Cage, no rescaldo de «Queres Ser John Malkovich?» com dificuldade em escrever um novo argumento, devido a um bloqueio criativo. O tema do novo argumento, uma história sobre um caçador de orquídeas, não ajuda muito e a pressão em cima de Kaufman, que vem de todos os lados, desde o estúdio que não vê resultados ao gémeo Donald que tem mais sucesso do que Charlie apesar de não levar as coisas tão a sério, apenas pioram a situação.

«Inadaptado» é um daqueles grandes filmes, um dos melhores da última década, que nos faz pensar e puxar pela cabeça, tal como o anterior filme desta dupla já tinha feito bastante bem. E o filme não é mais do que um jogo entre o Kaufman e o espectador, algo que o argumentista é especialista (basta ver a sua estreia na realização «Sinédoque, Nova Iorque», também bastante recomendável, ou os argumentos que escreveu para Michel Gondry), criando labirintos e narrativas cruzadas que às tantas não conseguimos destrinçar se aquele bloqueio existiu de facto ou não. O que é certo é que perto do final a história avança por caminhos que poderiam ter sido escritos por Donald Kaufman, personagem que não existe na realidade a não ser no filme. Isto apesar de o filme ser assinado por Charlie e Donald Kaufman, em mais um jogo de espelhos magnífico.

A cereja no topo do bolo é mesmo a interpretação de Nicholas Cage, no papel dos dois gémeos, que nos faz lembrar que o sobrinho de Copppola quando quer até consegue ser um bom actor. Pena que esta faceta nos últimos anos esteja cada vez mais desaparecida. Junto de Cage encontramos ainda uma genial dupla (Meryl Streep e Chris Cooper) que uma vez mais está à altura do que lhes é pedido, e que ajudam «Inadaptado» a ser não só um dos grandes filmes da primeira década do século XX, como um daqueles filmes que dá gosto ver e rever, pois descobrimos sempre algo de novo.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

domingo, 27 de março de 2011

Homens de Negócios, de John Wells (2010)

Um filme com o Ben Affleck no elenco gera sempre algum receio, pois não é dos melhores actores destes tempos. Se acrescentarmos Kevin Costner, muitos cinéfilos ficarão de pé atrás. Felizmente não é isso que acontece com «Homens de Negócios», a estreia de John Wells no grande ecrã. Não sendo um grande filme, acaba por se ver bem e trata um tema bastante actual: o desemprego e a crise. O argumento centra-se em três funcionários da GTX, uma grande empresa do ramo da construção naval que está a atravessar um período conturbado e quem sofre na pele são os milhares de desempregados que deixa como rasto.

Dentro deste grupo de desempregados há três que fazem a história de «Homens de Negócios», cada um com o seu papel no filme: Bobby Walker (Ben Affleck), um responsável de vendas perto dos 40 anos que fica sem emprego e sem a vida de luxo que tinha quando perde o emprego de repente, Phil Woodward (Chris Cooper), um dos funcionários mais antigos da GTX, que está prestes a fazer 60 anos e subiu a pulso até obter um certo estatuto e é também despedido, e Gene McClary (Tommy Lee Jones), um dos melhores amigos do CEO da empresa que começa a discordar deste e segue o mesmo caminho dos outros dois.

O drama destes homens serve para retratar um cenário que infelizmente se passa um pouco por todo o lado. As empresas pensam cada vez mais nos lucros e menos nas pessoas que as fazem crescer. Os exemplos que são dados pelas várias personagens ao longo do filme são de arrepiar. E cada um à sua maneira, os três personagens espelham realidades diferentes e a forma como se pode ou não ultrapassar as dificuldades de uma fase muito complicada. Há quem aguente e há quem não aguente. A personagem de Ben Affleck acaba por ser a mais completa, pois é a que tem de partir de baixo para recuperar uma vida perdida. A forma como ele tenta manter as aparências mostra como é difícil passar de bestial a besta. Mesmo apesar das limitações que o actor tem, desta vez conseguiu ter um bom desempenho, tal como Chris Cooper. Já Tommy Lee Jones, poderia estar melhor.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

sábado, 9 de janeiro de 2010

O Sítio das Coisas Selvagens, de Spike Jonze (2009)

O realizador Spike Jonze gosta de filmar histórias que nos remetem para universos paralelos, sem nunca sair do real. Foi assim em «Quem Quer Ser John Malkovich» e em «Inadaptado». Em «O Sítio das Coisas Selvagens» também somos levados para um universo paralelo, mas desta vez é um universo mais virado para o fantástico. Isto porque se trata de uma adaptação de um livro infantil publicado Maurice Sendak em 1963 que conta a história de Max (Max Records), um miúdo que se chateia com a mãe (Catherine Keener)e foge de casa para se encontrar no tal sítio das coisas selvagens.

Este é um mundo povoado por sete monstros (com vozes de actores como Chris Cooper, Forest Whitaker ou James Gandolfini), cada um com as suas características, que primeiro tentam comer o pequeno Max, mas este consegue convencê-los de que é o seu rei e acaba por se tornar amigo deles. À margem desta relação entre o rapaz e os monstros, que são fruto da sua imaginação e espelham muitos dos medos e experiências que tem na sua vida real, Max vai aprendendo a ter responsabilidades e a saber como lidar com os outros. O que é magnifico nesta história é que o rapaz consegue uma relação bastante forte com os monstros e estes reagem à sua presença primeiro estranhando e com medo, depois já como se fosse mesmo um deles.

A sensação que dá é que Spike Jonze fez com «O Sitio das Coisas Selvagens» um filme para agradar a um público mais independente, puxando pelo seu lado mais infantil e fantástico. E este factor está bem patente na excelente banda sonora, criada por Karen O, a vocalista dos Yeah Yeah Yeahs, e pelo compositor Carter Burwell, que em breve vamos poder ouvir na banda sonora do próximo filme dos irmãos Coen.

Mas o que falha é a utilização excessiva da câmara à mão, pois o movimento é tanto que às vezes quase ficamos tontos com a turbulência em demasia. E a história precisava de um pouco mais de espessura, apesar de a adaptação da obra original, cujo argumento é do próprio Jonze e de Dave Eggers, por si só dever ser bastante complexa. É que o livro de Maurice Sendak apenas tem oito frases e tirar de lá 101 minutos deve ter sido muito complicado. Um filme para quem gosta de universos fantásticos.

Nota: 3/5

Site oficial do filme