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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Recordações do IndieLisboa: 2005

Um ano depois o IndieLisboa cresceu. De uma sala (o Cinema São Jorge, que encerrou para obras logo a seguir à primeira edição do Indie), o festival passou a ocupar o King e o Fórum Lisboa. Em 2005 foi também a primeira vez que a organização escolheu um país convidado como herói independente, honra que coube à Argentina. A propósito desta homenagem ao cinema que se faz no país sul-americano, esteve presente em Lisboa o realizador Lisando Alonso, que apresentou alguns dos seus filmes e integrou o júri da competição principal. Deste cineasta, hoje considerado de culto, tive a oportunidade de assistir ao filme «La Libertad».

As restantes memórias desta segunda edição do Indie, organizada um pouco em cima do joelho dado o curto espaço temporal entre as duas primeiras edições, vão para o outro herói independente, o chinês Jia Zhangke, que foi alvo de um ciclo integral durante o festival, e para um dos filmes que continua a ser um dos meus preferidos de todas as edições do certame: «Aaltra», a genial estreia da dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine.


Infiltrados e Infernal Affairs II, de Wai-keung Lau e Alan Mak - o meu primeiro contacto com esta magnífica trilogia, que Martin Scorsese mais tarde iria utilizar como base para «Entre Inimigos», não se deu no Indie, pois o primeiro (e melhor) capítulo teve estreia comercial. A ideia da organização do Indie era, a propósito da suposta distribuição em sala, fazer uma antestreia da trilogia, passando-a no festival em três sessões seguidas. A trilogia nunca chegou ao circuito comercial e porque a logística de um espectador de festival não é tarefa fácil, tive de deixar cair o terceiro episódio, que apenas veria mais tarde em DVD. Em substituição foi ver um outro filme, que acabaria por estrear, quando quase ninguém pensava que tal acontecesse. Mas a experiência de ver estes dois episódios em sala compensou.


Aaltra, de Gustave de Kervern e Benoît Delépine - quando referi ali em cima que tinha trocado o terceiro episódio da trilogia «Infernal Affairs» por um outro filme, os grandes responsáveis foram dois senhores belgas. Gustave de Kervern e Benoît Delépine trouxeram à segunda edição do Indie aquele que é para mim, ainda hoje, um dos meus filmes preferidos de todos os que tive oportunidade de conhecer no festival. Uma comédia negra, com toques de Kaurismaki (o realizador finlandês tem um pequeno e delicioso cameo no final), que pode muito bem ser definido como um road movie em cadeiras de rodas, como foi apresentado na altura. Com uma descrição destas, dificilmente seria de esperar ver Aaltra a chegar às salas. Acabou por chegar.


Plataforma, de Jia Zhangke - apesar de ser um dos homenageados e mesmo tendo sido alvo de uma retrospectiva integral no festival, foi difícil acompanhar o ciclo dedicado a Jia Zhangke. Tive a sorte de assistir a «Plataforma», filme que acabou por servir de porta de entrada para a obra deste cineasta chinês, cujas mais recentes longas metragens tenho vindo a acompanhar, pois é dos raros casos em que a distribuição portuguesa se lembra de estrear filmes de realizadores deste país.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Banda Sonora: New York, New York, de Liza Minnelli

«New York, New York», de Liza Minnelli - Banda Sonora de «New York, New York», de Martin Scorsese

segunda-feira, 12 de março de 2012

Banda Sonora: Love is the Drug, de Roxy Music

«Love Is The Drug», de Roxy Music - Banda Sonora de «Casino», de Martin Scorsese

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Invenção de Hugo, de Martin Scorsese (2011)

Martin Scorsese fez um filme para um público mais jovem. E em 3D. Ditas desta forma, assim simples, as duas frases anteriores poderiam parecer mentira há alguns anos. Mas hoje, neste ano da graça de 2012, não são. Martin Scorsese, o realizador de «Taxi Driver», «Tudo Bons Rapazes» ou o mais recente «The Departed - Entre Inimigos», conseguiu a proeza de juntar num só filme aquelas duas características que lhe desconhecíamos, criando uma obra singular no seu percurso, que só não é de todo estranha aos seus fãs devido à homenagem que faz aos primórdios do Cinema e a um dos grandes nomes dos primeiros anos da Sétima Arte, que levou a magia a entrar directamente no grande ecrã: George Mélies.

Baseado num livro de Brian Selznick, «A Invenção de Hugo» narra as aventuras de Hugo Cabret (Asa Butterfield), uma criança órfã que vive numa estação de comboios de Paris nos anos 1930, onde trata da manutenção dos relógios, métier que lhe foi ensinado pelo tio alcoólico. Durante as suas divagações diárias trava conhecimento com o dono de uma loja de brinquedos, a quem rouba peças para reconstruir um autómato que o pai de Hugo tinha encontrado antes de morrer. É durante esta tentativa de reconstrução do autómato que Hugo conhece Isabelle (Chloë Grace Moretz), filha do dono do loja, que mais tarde as duas crianças descobrem ser George Mélies (Ben Kingsley).

Este filme não podia ser mais diferente das obras anteriores de Martin Scorsese. Aqui não há gangsters nem mafiosos (o mais próximo que temos disso é um Sacha Baron Cohen a fazer de guarda da estação, mau como as cobras, mas mesmo assim, longe de ser um grande vilão), apenas uma história simples que nos leva a conhecer um pouco mais a magia da Sétima Arte, com a ajuda de um dos pioneiros dos efeitos especiais. E a descoberta do Cinema pelos dois jovens protagonistas é das mais belas sequências de «A Invenção de Hugo». Talvez seja precisamente devido à presença de Mélies (e alguns dos seus filmes e a sua filmagem são recriados no filme de Scorsese) que este filme tenha sido feito em 3D, actualmente a técnica que mais aproximará a Sétima Arte da magia. Não tive oportunidade de ver esta versão, mas diz quem viu que está bastante bem conseguida e Scorsese já admitiu ter ficado fascinado com as potencialidades da tecnologia.

Apesar de alguns bons momentos, o grande defeito de «A Invenção de Hugo» é que não parece ser um filme realizado por Martin Scorsese, mas antes por Steven Spielberg. Que por acaso até tem um filme novo nas salas por estes dias e recentemente lançou uma adaptação de Tintim em 3D. O fascínio da descoberta do Cinema está lá, mas aparentemente falta ali um rasgo de génio do realizador nova-iorquino. O que não significa que «A Invenção de Hugo» não deixa de ser um belo filme, apesar de ser uma 'carta fora do baralho' no conjunto da obra de Martin Scorsese.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Casino, de Martin Scorsese (1995)

Cinco anos depois do magnífico «Tudo Bons Rapazes», Martin Scorsese regressou ao universo da máfia para realizar «Casino», filme que pode não ser tão bom como o anterior, mas também não lhe fica muito atrás. Protagonizado por dois actores que tinham entrado em «Tudo Bons Rapazes» (o sempre cúmplice Robert De Niro, quando ainda fazia papéis de jeito mais regularmente, e o actualmente 'desaparecido' Joe Pesci, que volta a brilhar no papel de um vilão como só ele conseguia interpretar, não muito diferente do Tommy DeVito), «Casino» conta a história de Sam 'Ace' Rothstein (De Niro) e como este foi contratado pelas famílias mafiosas para controlar um dos principais casinos de Las Vegas, antes da cidade do pecado se tornar num parque de diversões, como é hoje e como Sam nos explica no final do filme.

Pelo meio temos a chegada de Nicky Santoro (Pesci), um dos melhores amigos de Sam, que inicialmente apenas tinha de tratar da segurança do casino, mas aos poucos quer também ter a sua influência e espaço em Las Vegas. E a bela Ginger McKenna (Sharon Stone, provavelmente num dos seus melhores papéis de sempre), uma batoteira com quem Sam se apaixona e casa, mas com alguns problemas para resolver. Praticamente sempre narrado pelos dois principais protagonistas, apesar de de vez em quando outras personagens também participarem na narração, «Casino» aguenta bem esta técnica, sobretudo graças à banda sonora. Se por vezes o recurso à voz off parece que tira força à acção que vamos assistindo (no fundo, nem sempre ouvimos o que dizem as personagens e nem é preciso), as excelentes escolhas musicais feitas por Scorsese (um verdadeiro regalo para os ouvidos de quem gosta de música) tratam disso. E a música é uma das partes tão importantes deste filme como a própria narração.

«Casino» podia ter ficado um pouco na sombra de «Tudo Bons Rapazes» e talvez na altura da estreia até tenha ficado, por ter repetido o tema e dois dos actores principais desse filme. Mas tal não se justifica. Vendo-o à distância e como filme independente que é, este é um daqueles filmes de Martin Scorsese onde uma boa história bem filmada é o que basta para tornar «Casino» um grande filme. E se juntarmos a isto grandes interpretações, onde os actores parece que são mesmo as personagens que encarnam (e voltando uma vez mais a De Niro, em que filme recente o vimos tão bem como neste filme, por exemplo?), «Casino» será talvez um dos filmes de Scorsese mais subvalorizados aquando da estreia, mas que o tempo irá dar-lhe o reconhecimento merecido.

Nota: 4/5

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Banda Sonora: While My Guitar Gently Weeps, de George Harrison

«While My Guitar Gently Weeps», de George Harrison - Banda Sonora de «George Harrison: Living in the Material World», de Martin Scorsese

domingo, 19 de fevereiro de 2012

George Harrison: Living in the Material World, de Martin Scorsese (2011)

Martin Scorsese é mais conhecido pelas suas obras de ficção, mas na já longa obra do realizador nova-iorquino também podemos encontrar um bom punhado de incursões no universo dos documentários, que se debruçam tanto pelo Cinema como pela Música. É esse o caso de «George Harrison: Living in the Material World», filme do ano passado dedicado à vida de George Harrison, um dos quatro membros dos Beatles. Ao contrário de filmes como «A Letter to Elia» ou as duas viagens cinematográficas de Scorsese (ao Cinema clássico italiano e norte-americano), desta vez o realizador não apresenta o documentário na primeira pessoa, optando pelo modelo de colocar os intervenientes a falar sobre George Harrison.

Dividido em duas partes, na primeira acompanhamos a vida de Harrison no seio dos Fab Four, desde que foi convidado por Paul McCartney para entrar na banda até à separação do grupo. Numa segunda parte, Scorsese aborda o fim dos Beatles e a vida de George Harrison na sua carreira a solo e projectos onde esteve envolvido, assim como alguns aspectos da sua personalidade. Como não podia deixar de ser, a música está bastante presente em «George Harrison: Living in the Material World». Mas é o retrato de Harrison enquanto pessoa, para além do artista e músico, o que mais fascina neste documentário, onde ficamos a conhecer um pouco mais sobre aquele que foi o mais reservado dos quatro Beatles. Sobretudo por descobrirmos uma personalidade fantástica, que tinha uma forma muito particular de estar na vida e de conviver com os outros.

E é um belo retrato, contado por aqueles que conviveram de perto com Harrison, desde os dois companheiros de banda sobreviventes a pessoas das mais variadas áreas que se cruzaram com o autor de «While My Guitar Gently Weeps» e, como é o caso do antigo piloto de Fórmula 1 de Jackie Stewart, são capazes de admitir que mesmo não sendo os melhores amigos, sentiram a sua morte como a perda de alguém especial. A juntar a estes relatos temos várias imagens de arquivo do próprio George Harrison em discurso directo onde aborda alguns episódios. Um bom documento, obrigatório para os fãs dos Beatles e de Harrison, assim como para todos os que gostam de conhecer um pouco mais sobre a história da cultura popular.

Nota: 4/5

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Em Cartaz: Semana 16/02/2012

O Último Vôo, Karim Dridi
Jack e Jill, de Dennis Dugan
Le Havre, de Aki Kaurismäki
A Invenção de Hugo, de Martin Scorsese

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres, de David Fincher (2011)

A mania dos remakes em Hollywood é algo que não vem de hoje. Mas além de ser uma mania, quase tão irritante como a das sequelas desnecessárias, o pior é quando os remakes não vêm acrescentar nada de novo em relação ao original, que ainda está relativamente fresco na nossa memória (foi só em 2009 que Niels Arden Oplev adaptou o primeiro episódio da trilogia). A sensação que tive ao ver esta adaptação de David Fincher foi a mesma que tive há uns anos quando estreou «The Departed - Entre Inimigos», de Martin Scorsese, um remake de um dos meus filmes favoritos na altura («Infernal Affairs - Infiltrados», de Wai-keung Lau e Alan Mak). Não é um mau filme, mas desilude quem gostou do original. O tempo acabou por curar o meu problema em relação ao filme de Scorsese quando o voltei a ver mais tarde e provavelmente irá acontecer o mesmo com este filme quando o vir no futuro. A lição que retirei do filme que finalmente deu o Óscar ao realizador de «Taxi Driver» foi que para vermos um remake temos de esquecer o original.

Depois desta introdução, vamos então ao filme de Fincher, o realizador incumbido de fazer a versão americana do primeiro volume da trilogia Millennium, do sueco Stieg Larsson (quem não conhecer os livros, recomendo bastante, sobretudo este primeiro tomo). No centro da história temos uma investigação feita por Mikael Blomkvist (Daniel Craig), um jornalista caído em desgraça depois de uma reportagem que em vez de furo saiu furada, que é contratado por Henrik Vanger (Christopher Plummer) para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de uma sobrinha. Esta investigação acaba por trazer à luz do dia os segredos mais obscuros da família Vanger, que no passado teve ligações a movimentos nacionalistas. Para ajudá-lo na sua tarefa, Mikael conta com a ajuda da jovem hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara). Todos estes ingredientes tornam «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres» uma história negra q.b. para corresponder ao que temos visto anteriormente na obra de Fincher.

Como disse lá mais acima, «Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam as Mulheres» não é um mau filme, pois estamos perante uma obra de um dos realizadores mais regulares do actual panorama de Hollywood. Goste-se ou não do seu meio de origem (os videoclips), David Fincher é um daqueles nomes que sabe o que faz quando está na cadeira de realizador. E aqui nada falha: uma boa direcção de actores, boas interpretações (Rooney Mara está muito bem, mas é difícil esquecer a Lisbeth Salander de Noomi Rapace), um ambiente negro bastante adequado à série,uma bela fotografia que nos leva mesmo a ter frio na gélida Hedestad onde decorre parte da acção e uma banda sonora quase genial, uma vez mais assinada pela dupla Trent Reznor e Atticus Ross que já tinha trabalhado com Fincher no filme anterior. Só a versão de «Immigrant Song», a banda sonora destacada esta semana e que surge no genérico inicial, é simplesmente viciante. O resto é tal e qual o que a dupla já tinha feito em «A Rede Social»

Tudo isto está bem. O diabo está nos detalhes, como diz o ditado popular. E esses detalhes estão espalhados pelo filme. Por exemplo, compreende-se que as personagens falem inglês, faz todo o sentido visto ser uma adaptação americana. Não faz sentido é grande parte das personagens ter um ligeiro sotaque. O mesmo acontece com alguns elementos dos cenários, sobretudo quando vemos as personagens a pegar em livros e revistas e reparamos que estas publicações são em sueco. São pequenos pormenores, que a juntar ao facto de o remake em si não trazer nada de novo em relação ao original, que acabam por desiludir. Para quem não viu o filme de Niels Arden Oplev, talvez este seja um grande filme (tirando estes pequenos detalhes, até é). Mas para quem ainda tem a primeira adaptação fresca na memória, o mais recente filme de David Fincher acaba por ser uma grande desilusão. Talvez daqui a alguns anos a minha opinião em relação seja diferente. Por agora, é esta.

Nota: 3/5

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

As Confissões de Schmidt, de Alexander Payne (2002)

A par do mafioso Costello, o excelente papel que interpretou em «The Departed - Entre Inimigos», de Martin Scorsese, Warren Schimdt foi uma das melhores criações de Jack Nicholson na primeira década deste século. Warren Schmidt é o protagonista de «As Confissões de Schmidt», o quarto filme de Alexander Payne, um realizador norte-americano com poucos mas bons filmes no currículo, onde se destaca ainda «Sideways». Depois de «Election», também bastante recomendável, foi com «As Confissões de Schmidt» que Payne cimentou a sua carreira que parece um pouco parada. Mas deverá voltar em breve, com um filme com estreia prevista para este ano e outro para 2012, se tudo correr como previsto.

Mas vamos ao que interessa e falar de Warren Schmidt, uma daquelas personagens que sozinhas fazem um filme inteiro. E quando são interpretadas por actores como Jack Nicholson, como só eles o sabem fazer (e foi este o caso), o resultado só pode ser bom. Warren Schmidt é um homem de 66 anos que acaba de se reformar, depois de uma vida inteira a trabalhar numa seguradora. Poucos dias depois da reforma e sem grandes planos para fazer, a sua esposa morre. Com uma filha prestes a casar, com um noivo que não é bem visto pelo futuro sogro, e com ainda menos planos, Schmidt faz-se à estrada e começa a questionar-se e a ver a vida sob outro prisma, ao mesmo tempo que troca correspondência com um órfão africano, que acaba por ser o seu confidente à distância.

O que poderia ser um filme lamechas, e tem tantas oportunidades para seguir por aí, acaba por ser um dos grandes filmes dos últimos anos. E continua a ser, num segundo visionamento. A personagem de Nicholson é sarcástica ao expoente máximo e isso nota-se na forma como reage aos outros. Mas as voltas que o destino dá em vez de o deitarem a baixo apenas servem de alento para ele rever a sua vida e olhar em frente. E aquele final não podia ser melhor para alguém que tem pouca esperança de que daí para a frente nada vai ser como dantes.

Jack Nicholson está simplesmente brilhante, num filme em que praticamente está presente em todas as cenas. Destaque ainda para duas boas secundárias: Hope Davis e Kathy Bates, esta última com direito a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz Secundária, apesar de pouco estar presente no filme. Alexander Payne consegue aqui uma excelente comédia dramática, com uma belíssima banda sonora, que iria abrir caminho e dar já um cheirinho para o seu filme seguinte: «Sideways».

Nota:5/5

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1974)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Se a primeira parte da trilogia «O Padrinho» é uma obra-prima indiscutível, o segundo capítulo não lhe fica atrás. A saga prossegue sete anos depois dos acontecimentos ocorridos no primeiro filme. Desta vez o padrinho é Michael Corleone (Al Pacino, uma vez mais numa interpretação genial), que tomou as rédeas do negócio de família após a morte do pai, Vito Corleone. Nesta altura já Michael, que nunca quis ter muito a ver com os negócios pouco claros da família, vê-se com um enorme poder nas mãos e torna-se tão forte como o pai fora em tempos, mas menos respeitado pelos seus inimigos. Mas o poder gera inimigos no seio da família e uma nova guerra de clãs está prestes a começar, o que faz com que o novo padrinho falhe a promessa que fez à esposa Kay (Diane Keaton), de que dentro de pouco tempo a família iria deixar os negócios ilegítimos.

Neste segundo capítulo vemos Michael a cimentar o poder da família Corleone, mas ao mesmo tempo a ficar sem a família mais próxima. Neste aspecto, todo o filme é o retrato de um homem que dá tudo para ter a família unida, mas que no final acaba sozinho. Tal como tinha acontecido há muitos anos, durante um jantar de aniversário do pai que é mostrado na cena final, uma das melhores e mais fortes do filme. Outra das histórias de «O Padrinho: Parte II» é a vida de Vito Corleone desde que sai da Sicília até formar o seu império, junto da comunidade imigrante italiana, em Nova Iorque.

O jovem Vito é interpretado por Robert De Niro, um ano após ter entrado em «Os Cavaleiros do Asfalto», de Martin Scorsese. Mas esta história e interpretação acaba de ser relegada para segundo plano, infelizmente, devido à enorme interpretação de Pacino e à própria história de Michael, que tem mais destaque. Curiosamente foi De Niro que levou para casa o Óscar para Melhor Actor Secundário. E uma vez mais, Coppola conseguiu juntar um elenco secundário de fazer inveja a muitos filmes: John Cazale, que já tinha interpretado o papel de Fredo Corleone no primeiro capítulo, neste caso está muito melhor, talvez devido ao maior protagonismo que a sua personagem tem desta vez; Michael V. Gazzo, no papel de um mafioso dos tempos da velha guarda; Lee Strasberg, mais conhecido pela sua escola de actores e por ter criado o célebre Método, que teve poucas aparições no Cinema, sendo neste caso o inimigo de Michael.

E, como não podia deixar de ser, temos de voltar a referir a excelente banda sonora assinada por Nino Rota, que já descrevi no texto sobre o primeiro tomo da saga. Agora é tempo de seguir para o terceiro e último capítulo de «O Padrinho», que dizem ser o mais fraco dos três.

Nota: 5/5

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Frase(s) que marcam um filme: A Cor do Dinheiro, de Martin Scorsese (1986)

Eddie Felson: This ain't pool. This is for bangers. Straight pool is pool. This is like hand-ball, or cribbage, or something. Straight pool, you gotta be a real surgeon to get 'em, you know? It's all finesse. Now, every thing is nine-ball, 'cause it's fast, good for T.V., good for a lot of break shots... Oh, well. What the hell. Checkers sells more than chess.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Banda Sonora: Like a Rolling Stone, de Bob Dylan

«Like a Rolling Stone», de Bob Dylan - Banda Sonora de «Histórias de Nova Iorque», de Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese

domingo, 26 de junho de 2011

Histórias de Nova Iorque, de Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese (1989)

Os filmes em episódios em torno de cidades, como «Paris, Je T'aime» ou «New York, I Love You» não vêm de agora. Já em 1989 três realizadores da Big Apple se juntaram para apresentar «Histórias de Nova Iorque». E foram nem mais nem menos do que três dos maiores génios da Sétima Arte, a quem coube contar uma história nova-iorquina: Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen. Não é um grande filme, mas consegue captar a essência da cidade que foi cenário de tantas histórias realizadas pelo trio. Aliás, os três episódios quase que podem ser analisados como um exemplo da obra de cada um deles.

Lições de Vida, de Martin Scorsese

O primeiro episódio é da autoria de Martin Scorsese e foca a relação entre o pintor Lionel Dobbie (Nick Nolte) e a sua assistente Paulette (Rosanna Arquette). Ele, mais velho, já tem uma carreira feita, enquanto ela está a tentar chegar a esse patamar. Os dois estão a viver uma fase de ruptura da sua relação amorosa e é essa a história captada por Scorsese. Com uma excelente banda sonora e duas óptimas interpretações, este é um dos melhores episódios do filme, a par do de Woody Allen. Com aquela forma de filmar vemos logo que é um filme de Scorsese, que apenas precisava de um argumento um bocado melhor para ser excelente. Nota: 4/5

A Vida Sem Zoe, de Francis Ford Coppola
No meio está a virtude, diz o ditado. Infelizmente não é o caso de «Histórias de Nova Iorque», onde o episódio de Francis Ford Coppola é o menos conseguido dos três. Escrito a meias com a filha Sofia, «A Vida Sem Zoe» relata a história de uma rapariga sem amigos, filha de pais ricos separados, que vive num hotel onde os empregados acabam por ser a família que Zoe (Heather McComb) não tem. Conhecendo a carreira de Sofia Coppola enquanto realizadora, podemos ver aqui quase como que um primeiro filme da filha de Francis, realizado pelo pai. A história pouco muda em relação aos dois últimos filmes de Sofia e não desperta tanto interesse quanto os outros dois episódios. Nota: 3/5

Destroços de Édipo, de Woody Allen
Se em «Lições de Vida» reconhecemos o estilo de Scorsese, «Destroços de Édipo» tem tudo o que um filme de Woody Allen na sua melhor fase nova-iorquina tem. A começar pela personagem principal, interpretada pelo próprio realizador: o neurótico advogado Sheldon, com problemas por resolver com a mãe. Quando o conhecemos ele conta ao psiquiatra um sonho onde a mãe morreu e ele vai a conduzir o carro funerário a caminho do cemitério com a mãe a resmungar no caixão. Mais tarde, um incidente faz desaparecer a mãe de Sheldon e passados uns dias esta reaparece no céu de Nova Iorque para atormentar o pobre advogado. É uma comédia Alleniana em estado puro, que mesmo numa pequena dose consegue agradar aos fãs do realizador. E ansiar pelo seu regresso à cidade que nunca dorme. Nota: 4/5

Nota: 4/5

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sábado, 21 de maio de 2011

Maus como as cobras: Tommy DeVito

Tommy DeVito (Joe Pesci), mafioso em «Tudo Bons Rapazes», de Martin Scorsese

sábado, 7 de maio de 2011

IndieLisboa 2011: A Letter To Elia, de Kent Jones e Martin Scorsese (2010)

«A Letter To Elia» foi outra das sessões escolhidas para o primeiro dia de Indie 2011. Mais um documentário, desta vez realizado por Kent Jones e Martin Scorsese. O filme foi feito para televisão e consiste numa homenagem feita por Scorsese a um dos seus ídolos: o realizador Elia Kazan, um dos grandes nomes da Sétima Arte cuja carreira acabou por ser afectada durante a época da Caça às Bruxas, promovida pelo senador Joseph McCarthy com o intuito de perseguir comunistas nos EUA. Polémicas à parte, que influenciaram e muito a carreira de Kazan, o episódio acaba por não ser central nesta carta ao realizador.

Narrado sempre na primeira pessoa, Scorsese percorre toda a carreira de Kazan, desde que começou a dar os primeiros passos como actor na Broadway, onde fundou o Group Theatre, e mais tarde em Hollywood (podemos ver a participação de um jovem Kazan a contracenar com James Cagney), até chegar à carreira de realizador, assinando grandes filmes a partir do final dos anos 1940 até ao início dos anos 1960. Ao mesmo tempo o realizador nova-iorquino aproveita para contar a influência que estes filmes tiveram no modo como via cinema e a própria vida à sua volta enquanto entrava na adolescência, assim como a influência que teve na sua génese enquanto cineasta.

Além da carreira de Kazan, que é focada através de várias cenas dos seus filmes analisadas por Scorsese, de uma forma bastante apaixonada, o filme aborda ainda o homem por detrás da câmara, com uma grande humanidade que conseguiu passar para os seus filmes, e alguns episódios da sua vida que acabaram também por influenciar alguns dos seus filmes. Mas apesar de ser um retrato apaixonado de um ídolo feito por um fã, «A Letter To Elia» é pouco mais do que isso.

A complementar a sessão foi projectada a curta-metragem experimental «Postface», de Frédéric Moffet, sobre Montgomery Clift, bastante abstracta e que mais parece uma experiência que só o realizador conhece o significado.

Nota: 3/5

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