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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1974)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Se a primeira parte da trilogia «O Padrinho» é uma obra-prima indiscutível, o segundo capítulo não lhe fica atrás. A saga prossegue sete anos depois dos acontecimentos ocorridos no primeiro filme. Desta vez o padrinho é Michael Corleone (Al Pacino, uma vez mais numa interpretação genial), que tomou as rédeas do negócio de família após a morte do pai, Vito Corleone. Nesta altura já Michael, que nunca quis ter muito a ver com os negócios pouco claros da família, vê-se com um enorme poder nas mãos e torna-se tão forte como o pai fora em tempos, mas menos respeitado pelos seus inimigos. Mas o poder gera inimigos no seio da família e uma nova guerra de clãs está prestes a começar, o que faz com que o novo padrinho falhe a promessa que fez à esposa Kay (Diane Keaton), de que dentro de pouco tempo a família iria deixar os negócios ilegítimos.

Neste segundo capítulo vemos Michael a cimentar o poder da família Corleone, mas ao mesmo tempo a ficar sem a família mais próxima. Neste aspecto, todo o filme é o retrato de um homem que dá tudo para ter a família unida, mas que no final acaba sozinho. Tal como tinha acontecido há muitos anos, durante um jantar de aniversário do pai que é mostrado na cena final, uma das melhores e mais fortes do filme. Outra das histórias de «O Padrinho: Parte II» é a vida de Vito Corleone desde que sai da Sicília até formar o seu império, junto da comunidade imigrante italiana, em Nova Iorque.

O jovem Vito é interpretado por Robert De Niro, um ano após ter entrado em «Os Cavaleiros do Asfalto», de Martin Scorsese. Mas esta história e interpretação acaba de ser relegada para segundo plano, infelizmente, devido à enorme interpretação de Pacino e à própria história de Michael, que tem mais destaque. Curiosamente foi De Niro que levou para casa o Óscar para Melhor Actor Secundário. E uma vez mais, Coppola conseguiu juntar um elenco secundário de fazer inveja a muitos filmes: John Cazale, que já tinha interpretado o papel de Fredo Corleone no primeiro capítulo, neste caso está muito melhor, talvez devido ao maior protagonismo que a sua personagem tem desta vez; Michael V. Gazzo, no papel de um mafioso dos tempos da velha guarda; Lee Strasberg, mais conhecido pela sua escola de actores e por ter criado o célebre Método, que teve poucas aparições no Cinema, sendo neste caso o inimigo de Michael.

E, como não podia deixar de ser, temos de voltar a referir a excelente banda sonora assinada por Nino Rota, que já descrevi no texto sobre o primeiro tomo da saga. Agora é tempo de seguir para o terceiro e último capítulo de «O Padrinho», que dizem ser o mais fraco dos três.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

domingo, 14 de agosto de 2011

O Padrinho, de Francis Ford Coppola (1972)

É difícil escrever sobre um filme como «O Padrinho». Sendo uma das obras-primas da História do Cinema, é complicado escolher por onde começar. Baseado no livro homónimo de Mario Puzo, que escreveu o argumento a meias com Francis Ford Coppola, este é o primeiro filme de uma trilogia dedicada à família Corleone, uma das cinco principais famílias mafiosas de Nova Iorque, liderada por Don Vito Corleone (Marlon Brando). Neste primeiro capítulo assistimos ao final do reinado de Don Vito, um homem para quem a honra está acima de tudo e que fecha negócios com propostas (literalmente) irrecusáveis, e à ascensão do seu filho Michael Corleone (Al Pacino) ao cargo de Don, ou Padrinho.

Só aqui temos logo um dos trunfos de «O Padrinho»: o elenco. Além dos dois nomes já citados, que dispensam apresentações (Brando faria aqui uma das suas últimas grandes interpretações e Pacino uma dos seus primeiros grandes papéis), destaque para duas excelentes interpretações. A de Robert Duvall, que não surpreende no papel do consigliere Tom Haggen, pois é um dos melhores secundários de sempre, e a de James Caan. Este sim, surpreende, dado que daquilo que conheço da sua carreira, esta é de longe uma das suas melhores interpretações. Não é à toa que esta é a única vez que foi nomeado aos Óscares foi ao interpretar o papel de Sonny. E todos estes quatro actores foram nomeados, mais do que justamente, mas só Brando ganhou a estatueta, na célebre cerimónia em que se recusou a receber o Óscar. E os grandes nomes no elenco são tantos, que podia ficar aqui para sempre a falar neles.

O argumento é brilhante e a forma como está filmado, melhor ainda. A sequência inicial do casamento, com as constantes reuniões privadas, é apenas o começo, até à excelente cena quase final do baptizado, que numa bem conseguida montagem paralela mostra como se termina um conflito. Os exemplos ao longo do filme são mais que muitos. Francis Ford Coppola conseguiu neste filme atingir aquilo que muitos duram uma carreira até conseguir: uma obra-prima, que não perde fulgor passados quase 40 anos depois da sua estreia. Nem mesmo as quase três horas de duração do filme se notam e chegando ao fim estamos capazes de pedir nova doze de três horas, sobretudo sabendo que a história ainda estava a meio. Mas isso ficará para outro texto. Resta apenas focar a excelente banda sonora, assinada por Nino Rota, que ainda hoje é trauteada e reconhecida por qualquer cinéfilo que se preze, mesmo que nunca tenha visto qualquer tomo da trilogia.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

sábado, 11 de junho de 2011

Get Low - A Lenda de Felix Bush, de Aaron Schneider (2009)

Com «Get Low - A Lenda de Felix Bush» Aaron Schneider estreia-se na cadeira de realizador. E para o ajudar conta com a ajuda de dois actores gigantes: um irreconhecível Robert Duvall e Bill Murray. O elenco também conta com Sissy Spacek, mas num papel bastante secundário. Só estes três nomes e a premissa - um idoso com poucos amigos que vive isolado numa terreola nos EUA e resolve fazer uma festa como funeral, antes de morrer - são suficientes para despertar a atenção.

Mas, como muitos filmes que nascem de boas ideias, nem sempre o resultado final atinge as expectativas. «Get Low - A Lenda de Felix Bush» até começa bem, com apresentação das personagens, mas sempre centrado em Felix Bush (Duvall) e na forma como é visto na vila que o desprezou durante anos. Apesar de ser um isolamento voluntário, só no fim sabemos porque razão o fez, esse isolamento levou ao surgimento de inúmeras histórias sobre o estranho ancião, na sua maioria pouco abonatórias. O objectivo da festa fúnebre é desmistificar essas lendas.

Além de duas grandes interpretações, as de Duvall e de Murray (este interpreta o dono da funerária que prepara a festa, sempre no seu estilo irónico), apesar de por vezes parecerem um pouco em modo piloto automático para o talento da dupla, «Get Low - A Lenda de Felix Bush» fica aquém das expectativas geradas, sobretudo na segunda metade, quando começam a ser revelados os pormenores da verdadeira história do idoso. E este é um daqueles casos que podia claramente ter ido mais além, mas acaba por ser uma estreia razoável para Aaron Schneider.

Nota: 3/5

Site oficial do filme