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sábado, 18 de fevereiro de 2012

La Escopeta Nacional, de Luis García Berlanga (1978)

Ninguém escapa ileso de «La Escopeta Nacional», o filme realizado por Luis García Berlanga após «Tamanho Natural», onde o cineasta espanhol regressa às comédias negras. Este filme é uma sátira à sociedade burguesa, das aparências e dos favorzinhos pedidos aos amigos que conhecem alguém supostamente bem posicionado. Reza a lenda que a história de «La Escopeta Nacional» nasceu da leitura de crónicas da revista Hola (para quem não conhece, trata-se de uma espécie de versão espanhola da Caras) sobre o jet set de Espanha. Se tal é verdade, ninguém sai bem na fotografia mordaz tirada por Berlanga.

Tudo começa com a chegada de um casal a uma quinta pertencente a um marquês para participar numa casa. E logo aí começam os jogos de aparências: nem o casal é legítimo, nem a caçada foi organizada pelo dono da propriedade. Foi precisamente o forasteiro, um 'honrado' industrial catalão, que pagou e organizou a caçada para travar conhecimento com a nata da sociedade e tentar vender um negócio seu a quem o possa ajudar, sendo o principal alvo um ministro que está presente no evento. Para tal Jaime Canivell (José Sazatornil) começa a fazer favores a torto e a direito para conseguir atrair sócios para o projecto. E quanto mais peripécias são relatadas, mais podres desta sociedade são destapados. Não há ninguém que que o nosso industrial não tente convencer, nem favor que não faça, inclusive mudar de ramo de actividade (o mais estranho possível).

Como disse no início deste texto, ninguém sai ileso deste filme, uma excelente sátira que bem podia ter sido realizada nos dias de hoje, tal é a actualidade da obra de Berlanga. Padres, marqueses, empresários, governantes...comem todos por tabela num filme onde, mais uma vez, é possível encontrar ecos do cinema buñueliano. E a moral final, que nos surge numa pequena legenda, é simplesmente deliciosa. Mais uma vez, na falta de um trailer oficial no YouTube, o vídeo abaixo mostra apenas uma pequena cena do filme.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tamanho Natural, de Luis García Berlanga (1974)

Diz quem sabe que «Tamanho Natural» foi um filme atípico na carreira de Luis García Berlanga, apesar de o realizador espanhol o ter considerado como um dos seus filmes mais pessoais. Não conheço a obra do cineasta a não ser uma comédia (e que grande comédia, bastante recomendável, sobretudo nos dias de hoje com uma tal troika a pairar por aí) chamada «Benvindo, Mister Marshall», por isso é-me difícil julgar esse aspecto. Mas este filme não é uma comédia, apesar de em algumas sequências a vontade rir face ao caricato da situação de repente vem ao de cima.

Tudo começa com Michel (Michel Piccoli) a receber uma grande encomenda vinda do Japão, de algo que apenas sabemos que é um objecto com tamanho real. Assim que a encomenda é aberta, sai de dentro de uma enorme caixa uma boneca de borracha que Michel transforma na sua nova amante. Mas o que começa por ser um aparente fetiche, acaba por se tornar uma obsessão e a vida de Michel transforma-se completamente com esta nova relação, onde nem sequer faltam ciúmes.

Apesar de começar por parecer uma comédia e em alguns casos ser mesmo um filme que roça o surreal, bem ao estilo de Luís Buñuel (se calhar não é à toa que encontramos no grupo de argumentistas o nome de Jean-Claude Carrière, colaborador de Buñuel), «Tamanho Natural» é um filme que vai muito para além da simples história de um homem que se apaixona por uma boneca. Acaba também por ser um filme sobre a obsessão e o amor, pois é isso que acaba por acontecer a Michel, e que o leva no final a tomar a decisão que toma, completamente imprevisível e que nos deixa com um amargo de boca e a pensar como é que ele chegou aquele ponto. Um bom filme, bem diferente do realizador que tive oportunidade de conhecer com «Benvindo, Mister Marshall».

(Nota: não encontrando trailer no YouTube, deixo-vos um pequeno trecho do filme)

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cinema Espanhol, ontem e hoje

Uma vez mais a Embaixada de Espanha em Lisboa resolveu promover um ciclo dedicado ao cinema que se faz por terras de nuestros hermanos. O ciclo «Contrastes Entonces Y Ahora» começa hoje e termina no dia 15, com sessões gratuitas no cinema São Jorge.

Com este ciclo a organização pretende mostrar a forma como os cineastas espanhóis filmaram o país e algumas das suas épocas mais emblemáticas do ponto de vista histórico.

A abrir o ciclo o primeiro filme, que passa já hoje às 21h30, é «Ay Carmela!» de Carlos Saura, realizado em 1990 e cuja acção tem lugar durante a Guerra Civil de Espanha. Esta é também a época retratada no segundo filme do ciclo, «La Vaquilla», de Luis García Berlanga, que é projectado à mesma hora.

Sábado e Domingo, para aproveitar o fim de semana, a mítica sala lisboeta vai receber três filmes no Sábado e dois no Domingo. São eles: «El Viaje a Ninguna Parte», de Fernando Fernán-Gómez; «El Disputado Voto del Sr. Cayo», de Antonio Giménez-Rico; e «Siete Mesas de Billar Francés», de Garcia Querejeta, no Sábado; e «14 Kilómetros», de Gerardo Olivares; e «Mataharis» de Icíar Bollaín, no Domingo.

Todos os filmes são legendados, com excepção de «El Disputado Voto del Sr. Cayo».

Mais informações no site do ciclo.