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sábado, 23 de abril de 2011

O Código Base, de Duncan Jones (2011)

Depois do excelente «Moon - O Outro Lado da Lua», Duncan Jones volta a assinar mais uma boa obra de ficção científica, que não ficaria mal entre as obras de ou inspiradas nos universos de Philip K. Dick. Em «Código Base» o Capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) participa num programa militar secreto destinado a combater o terrorismo. Para tal o projecto, denominado precisamente «O Código Base», permite colocar um humano no corpo de uma pessoa nos seus últimos oito minutos antes de vida, numa espécie de realidade paralela. No caso da missão do soldado Colter Stevens o objectivo é encontrar o autor de um atentado que colocou uma bomba num comboio que explodiu em Chicago e que está prestes a fazer explodir um novo engenho, pior do que o primeiro, no centro da cidade.

Tal como em «Moon» a personagem principal vê-se metida numa situação que não consegue controlar, nem como lá foi parar. A diferença aqui é que Colter Stevens não está sozinho e conta com a ajuda de outras pessoas: desde os militares com quem fala antes de entrar no «O Código Base» às pessoas que encontra no comboio. Nesta segunda longa-metragem Duncan Jones já tem melhores meios do que em «Moon», o que se nota sobretudo a nível dos efeitos especiais e do elenco com alguns nomes sonantes (Vera Farmiga, Michelle Monaghan e Jeffrey Wright).

Sem entrar em grandes devaneios filosóficos, como tende a acontecer com alguns dos recentes blockbusters onde os universos paralelos reinam, «O Código Base» consegue até ser bem simples e cumpre o objectivo de ser bom entretenimento, com uma boa história e interpretações bem acima da média. Mas a julgar pela sala de cinema onde assisti ao filme, parece que vai também passar um pouco ao lado, tal como ocorreu com a primeira obra de Duncan Jones, um cineasta que continua a prometer.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Entre Inimigos, de Martin Scorcese (2006)

Há filmes que merecem uma segunda oportunidade. Da primeira vez que vi este «Entre Inimigos», de Martin Scorcese, um dos realizadores que mais admiro, fiquei um bocado chateado e odiei o filme. Até tive uma grande discussão com um amigo meu sobre o filme e quando o vi ganhar o Óscar, frente a «Cartas de Iwo Jima» (talvez o mais belo filme de guerra de sempre), ia-me dando uma coisinha má.

Tudo porque gostei bastante do original de Hong Kong que é a base desta obra, de seu nome «Infernal Affairs». E no primeiro visionamento de «Entre Inimigos» deixou-me embasbacado, pois é um universo completamente diferente e não queria acreditar no que tinha acabado de ver.

Até que hoje resolvi tirar a prova dos nove e rever o filme de Scorcese. E constatei que o meu amigo tinha razão, o problema era ter bem fresco o filme original. É que tirando a base da história, «Entre Inimigos» não tem quase nada a ver com o original.

De facto, rever o filme sem me lembrar do outro fez-me ver um grande filme. Não ao nível do Martin Scorcese dos velhos tempos, mas mesmo assim um grande filme. A história é simples: um jovem (Matt Damon) que cresceu na máfia irlandesa de Boston, liderada por um excelente Jack Nicholson, injustamente não nomeado para o Óscar de secundário nesse ano, é colocado na polícia como toupeira. Paralelamente um outro jovem polícia (Leonardo DiCaprio, entretanto tornado o menino bonito de Scorcese) acabado de sair da Academia recebe uma oferta para se infiltrar no grupo mafioso.

É um tema que não é novo para o realizador nova-iorquino, basta recordar o excelente «Tudo Bons Rapazes». E aqui a violência está uma vez mais bem retratada. Estamos perante criminosos que não olham a meios para atingir fins. E estes meios vão desde bater em donos de lojas a cortar mãos, a um nível do mais sádico possível. Aqui temos uma boa prestação de Nicholson, em mais um dos seus papéis de maníaco que ninguém gostaria de conhecer num dia menos bom.

Tirando a polémica do Óscar e sem comparar com «Infernal Affairs», este filme é uma grande obra na filmografia de Scorcese. Teve a sorte de contar com grandes actores (além dos já referidos, «Entre Inimigos» conta com nomes como Alec Baldwin, Martin Sheen, Vera Farmiga e Mark Wahlberg, que muito me surpreendeu e considero que tem sido um actor em crescendo nos últimos anos) e o argumento também está muito bem estruturado.

Porque a história vai para além da questão dos agentes infiltrados. Aborda também seus sentimentos e a evolução das personagens à medida que o filme avança. Ninguém escapa às leis e aos acasos da vida.

No que diz respeito à banda sonora, além da entrada de «Brown Sugar», dos Rolling Stones (banda que já faz parte da carreira de Scorcese, nos minutos iniciais, onde o líder da máfia conta a sua história e como chegou ao topo numa brilhante sequência, há também uma música que fica no ouvido (Shipping up to Boston - The Dropkick Murphys) por juntar um rock de certa forma musculado a música de cariz tradicional irlandesa.

Mas mesmo apesar deste segundo visionamento, continuo a preferir o original de Hong Kong, realizado pela dupla Wai-keung Lau Alan Mak em 2002 e que acabou por ser uma trilogia.

Nota: 4/5

Site oficial do filme