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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sedutora Tentação, de Edward Norton (2000)

No final dos anos 1990 e início dos anos 2000 Edward Norton chegou a ser considerado por muitos como um dos melhores actores da sua geração. Apesar de nos últimos anos ter escolhido papéis de menos relevo, é inegável o talento que colocou num bom punhado de interpretações naquela altura. Voltando a essa época, foi no ano 2000 que Edward Norton assinou aquele que é, até à data, o seu único filme enquanto realizador. E o resultado não é o melhor, apesar de uma boa premissa inicial.

«Sedutora Tentação» é a história de dois melhores amigos, um padre (Edward Norton) e outro rabino (Ben Stiller), que vão ter de controlar os sentimentos de amizade e amor quando uma amiga de infância dos dois (Jenna Elfman), com quem formavam um trio inseparável, regressa a Nova Iorque vários anos depois. O problema é que os dois acabam por se apaixonar ao mesmo tempo por Anna e os problemas surgem quando se apercebem disso. Se o rabino Jake aproveita para andar com Anna, mas sem assumir abertamente a relação com receio das reacções da comunidade e do próprio amigo, o padre Brian esconde o sentimento e torna-se o melhor amigo e confidente de Anna, pensando que ela também gosta dele.

É no meio destes desencontros que Edward Norton conta a história de «Sedutora Tentação», um filme que falha como comédia romântica, pois os gags simplesmente não funcionam, e como filme um pouco mais sério, que podia aproveitar e explorar melhor as questões da religião que envolvem as duas personagens principais, mas nunca consegue. As próprias interpretações dos actores por vezes parecem pouco à vontade em algumas cenas. A experiência talvez tenha servido de lição ao actor para não voltar a sentar-se na cadeira de realizador.

Nota: 2/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os Tenenbaums - Uma Comédia Genial, de Wes Anderson (2001)

Um dos realizadores norte-americanos da actualidade que mais aprecio, como já aqui tive oportunidade de referir quando escrevi sobre «O Fantástico Sr. Raposo», é Wes Anderson. E o grande culpado é este grande (para não dizer enorme) filme, realizado no início da década passada e que deve ser, muito provavelmente, o filme que mais vezes vi e há-de ser sempre um dos meus favoritos. Não só é um grande filme sobre uma família disfuncional, cujo 'chefe de família' Royal Tenenbaum é um dos melhores personagens a quem Gene Hackman deu vida (apenas uma no historial deste actor que tem andado um pouco afastado da ribalta), mas também porque todo o filme faz parte de um universo muito bem criado. Esta capacidade de criar universos bastante peculiares é precisamente uma das características que mais me agrada na obra de Wes Anderson.

Falando particularmente de «Os Tenenbaums - Uma Comédia Genial», esta é a história de uma família meio estranha cujos alicerces começam a ruir quando Royal decide separar-se da esposa Etheline (Angelica Huston), decisão que vai ter grande influência negativa no crescimento dos três filhos prodígio do casal: Chas (Ben Stiller), um génio da alta finança, Richie (Luke Wilson), um ás precoce do ténis, e Margot (Gwyneth Paltrow), filha adoptiva do casal e autora de diversas peças de teatro. Depois de um genial início onde a história da família é contada como se fosse o prólogo de um livro (aliás o filme está precisamente separado por capítulos como se fosse mesmo um livro que estamos a ver em vez de ler), regressamos ao presente, quando Royal descobre que a sua esposa (o casal nunca se chegou a divorciar de facto) está prestes a receber uma proposta de casamento de Henry Sherman (Danny Glover), o contabilista da família. Royal planeia então regressar a casa e tentar redimir-se e recuperar o tempo perdido, inventando um cancro que lhe daria poucos dias de vida.

É este regresso do pai 'pródigo' que espoleta um conjunto de reacções em cadeia que mexe com todos os três filhos e faz deste filme um daqueles momentos mágicos de cinema onde tudo está no lugar certo. A história, os personagens, a fotografia, a banda sonora e por aí fora. Até Owen Wilson, actor que não consigo ser grande fã, a não ser precisamente nos filmes filmes de Wes Anderson, e que aqui assina também o argumento (o que não é inédito na obra do realizador), consegue estar à altura do filme. E tem um dos finais que mesmo sendo triste consegue ser ao mesmo tempo belo e irónico (e não são todos os filmes de Anderson um pouco irónicos?) como poucos conseguem ser. Que nos deixa com uma lágrima no canto do olho e com um sorriso nos lábios. Este é mesmo um daqueles filmes para ver e rever, vezes sem conta.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Banda Sonora: My Sharona, de The Knack

«My Sharona», de The Knack - Banda Sonora de «Juventude Em Delírio», de Ben Stiller

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Jovens em Delírio, de Ben Stiller (1994)

Ben Stiller é mais conhecido pela sua carreira de actor, tendo entrado sobretudo em comédias, algumas bastante idiotas e pouco recomendáveis. Mas também tem no seu longo currículo em Hollywood quatro longas-metragens como realizador. A estreia deu-se em 1994 com «Jovens em Delírio», um filme que relata a história de quatro amigos que acabam de sair da faculdade e entram de rompante num mundo novo, onde já começam a ter algumas responsabilidades como adultos, mas ao mesmo tempo ainda são demasiado novos para terem o peso do mundo nos seus ombros.

A personagem central é Lelaina Pierce (Winona Ryder, quando ainda se encontrava no topo da sua carreira, antes de se perder), a melhor aluna da faculdade que quer fazer um documentário com os seus amigos e vai filmando a vida dos quatro através da sua câmara, como se fosse um vídeo caseiro. Os restantes amigos, com quem partilha casa, são também exemplos de jovens com dificuldades em entrar na idade adulta, cada uma com as suas características. Assim, temos Lelaina, que tem boas perspectivas de vida mas acaba por se desiludir, o seu melhor amigo Troy Dyer (Ethan Hawke), que sonha ter uma vida de artista com a sua banda sem grandes preocupações, a sua melhor amiga Vickie (Janeane Garofalo), que parece ser a mais despistada mas é a que melhor se safa, e Sammy (Steve Zahn), que não sabe o que fazer à vida.

Apesar de ter sido considerado na altura da estreia como uma comédia, «Jovens em Delírio» acaba por ser um filme sério sobre a entrada na idade adulta, com todas as dores de crescimento, se assim se pode dizer, que afectam quem descobre que o mundo não é tão fácil como parece quando estamos protegidos. E para quem está na idade dos 20 aos 30 anos é bastante fácil identificar-se com estas personagens, pois os problemas da altura, por incrível que pareça, são os mesmos de hoje. Basta ver a sequência das várias entrevistas de Lelaina, cujas respostas vão do tem demasiada experiência para o cargo ao não tem qualificações para o posto, apesar de ela querer experimentar novas áreas dentro da mesma profissão.

A estreia de Ben Stiller, apesar de não ser um grande filme, foi bem conseguida e é um dos melhores filmes que realizou, pois conseguiu captar bem aquela geração e as dificuldades da altura. O próprio está bem no seu papel, um namorado de Lelaina, tornando-se um daqueles exemplos de actores de comédia que ficam se dão bem melhor quando interpretam papéis sérios.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 25 de setembro de 2010

Greenberg, de Noah Baumbach (2009)

Noah Baumbach faz parte de uma nova vaga de realizadores de uma certa área mais alternativa ao mainstream, onde também se inscreve Wes Anderson com quem tem vindo a colaborar. Ambos filmam histórias passadas no presente mas que pertencem a um imaginário mais retro, muito por culpa dos cenários e alguma estética que utilizam. «Greenberg», protagonizado por Ben Stiller, foi o mais recente filme de Baumbach a estrear por cá.

Neste filme acompanhamos um adulto, que aparentemente não quis crescer e ganhar responsabilidades, acabadinho de sair de um período de internamento devido a um esgotamento. Roger Greenberg (Ben Stiller) aproveita esta crise para deixar Nova Iorque e regressa à Los Angeles natal para recuperar e encontrar um rumo, ao mesmo tempo que fica a tomar conta da casa do irmão, que partiu de férias com a família. Durante esse período de fragilidade aproveita para reencontrar velhos amigos, que se tornaram bastante diferentes do que eram, e apaixona-se pela assistente do irmão (Greta Gerwig), que também está a atravessar um período mais negativo depois de um longo relacionamento.

No fundo, «Greenberg» é uma comédia das sérias, com um bom toque de ironia, que nos faz rir com coisas que supostamente não são tão boas quanto parecem. Mas as expectativas não cumprem e algo por culpa de Ben Stiller, que parece não encaixar bem na personagem. Talvez seja por estarmos habituados a vê-lo num registo de comédia mais desbragada. Ao contrário de Jim Carrey, por exemplo, que por vezes nos consegue surpreender em papéis mais sérios, Stiller para não conseguir. Os próprios secundários, sem contar com Greta Gerwig, que funciona como par de Greenberg, parecem estar pouco à vontade no papel. E aqui falo sobretudo de Rhys Ifans e Jennifer Jason Leigh.

Destaque contudo para a excelente banda sonora, que ficou a cargo de James Murphy, o líder dos nova-iorquinos LCD Soundsystem, conhecidos por terem sonoridades que combinam música rock com tons mais electrónicos. Neste caso o frontman dos nova-iorquinos apresenta um registo completamente diferente, quase só soando uma guitarra, bateria e palminhas aqui e ali. O melhor do filme.

Nota: 3/5

Site oficial do filme