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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Casino, de Martin Scorsese (1995)

Cinco anos depois do magnífico «Tudo Bons Rapazes», Martin Scorsese regressou ao universo da máfia para realizar «Casino», filme que pode não ser tão bom como o anterior, mas também não lhe fica muito atrás. Protagonizado por dois actores que tinham entrado em «Tudo Bons Rapazes» (o sempre cúmplice Robert De Niro, quando ainda fazia papéis de jeito mais regularmente, e o actualmente 'desaparecido' Joe Pesci, que volta a brilhar no papel de um vilão como só ele conseguia interpretar, não muito diferente do Tommy DeVito), «Casino» conta a história de Sam 'Ace' Rothstein (De Niro) e como este foi contratado pelas famílias mafiosas para controlar um dos principais casinos de Las Vegas, antes da cidade do pecado se tornar num parque de diversões, como é hoje e como Sam nos explica no final do filme.

Pelo meio temos a chegada de Nicky Santoro (Pesci), um dos melhores amigos de Sam, que inicialmente apenas tinha de tratar da segurança do casino, mas aos poucos quer também ter a sua influência e espaço em Las Vegas. E a bela Ginger McKenna (Sharon Stone, provavelmente num dos seus melhores papéis de sempre), uma batoteira com quem Sam se apaixona e casa, mas com alguns problemas para resolver. Praticamente sempre narrado pelos dois principais protagonistas, apesar de de vez em quando outras personagens também participarem na narração, «Casino» aguenta bem esta técnica, sobretudo graças à banda sonora. Se por vezes o recurso à voz off parece que tira força à acção que vamos assistindo (no fundo, nem sempre ouvimos o que dizem as personagens e nem é preciso), as excelentes escolhas musicais feitas por Scorsese (um verdadeiro regalo para os ouvidos de quem gosta de música) tratam disso. E a música é uma das partes tão importantes deste filme como a própria narração.

«Casino» podia ter ficado um pouco na sombra de «Tudo Bons Rapazes» e talvez na altura da estreia até tenha ficado, por ter repetido o tema e dois dos actores principais desse filme. Mas tal não se justifica. Vendo-o à distância e como filme independente que é, este é um daqueles filmes de Martin Scorsese onde uma boa história bem filmada é o que basta para tornar «Casino» um grande filme. E se juntarmos a isto grandes interpretações, onde os actores parece que são mesmo as personagens que encarnam (e voltando uma vez mais a De Niro, em que filme recente o vimos tão bem como neste filme, por exemplo?), «Casino» será talvez um dos filmes de Scorsese mais subvalorizados aquando da estreia, mas que o tempo irá dar-lhe o reconhecimento merecido.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1974)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Se a primeira parte da trilogia «O Padrinho» é uma obra-prima indiscutível, o segundo capítulo não lhe fica atrás. A saga prossegue sete anos depois dos acontecimentos ocorridos no primeiro filme. Desta vez o padrinho é Michael Corleone (Al Pacino, uma vez mais numa interpretação genial), que tomou as rédeas do negócio de família após a morte do pai, Vito Corleone. Nesta altura já Michael, que nunca quis ter muito a ver com os negócios pouco claros da família, vê-se com um enorme poder nas mãos e torna-se tão forte como o pai fora em tempos, mas menos respeitado pelos seus inimigos. Mas o poder gera inimigos no seio da família e uma nova guerra de clãs está prestes a começar, o que faz com que o novo padrinho falhe a promessa que fez à esposa Kay (Diane Keaton), de que dentro de pouco tempo a família iria deixar os negócios ilegítimos.

Neste segundo capítulo vemos Michael a cimentar o poder da família Corleone, mas ao mesmo tempo a ficar sem a família mais próxima. Neste aspecto, todo o filme é o retrato de um homem que dá tudo para ter a família unida, mas que no final acaba sozinho. Tal como tinha acontecido há muitos anos, durante um jantar de aniversário do pai que é mostrado na cena final, uma das melhores e mais fortes do filme. Outra das histórias de «O Padrinho: Parte II» é a vida de Vito Corleone desde que sai da Sicília até formar o seu império, junto da comunidade imigrante italiana, em Nova Iorque.

O jovem Vito é interpretado por Robert De Niro, um ano após ter entrado em «Os Cavaleiros do Asfalto», de Martin Scorsese. Mas esta história e interpretação acaba de ser relegada para segundo plano, infelizmente, devido à enorme interpretação de Pacino e à própria história de Michael, que tem mais destaque. Curiosamente foi De Niro que levou para casa o Óscar para Melhor Actor Secundário. E uma vez mais, Coppola conseguiu juntar um elenco secundário de fazer inveja a muitos filmes: John Cazale, que já tinha interpretado o papel de Fredo Corleone no primeiro capítulo, neste caso está muito melhor, talvez devido ao maior protagonismo que a sua personagem tem desta vez; Michael V. Gazzo, no papel de um mafioso dos tempos da velha guarda; Lee Strasberg, mais conhecido pela sua escola de actores e por ter criado o célebre Método, que teve poucas aparições no Cinema, sendo neste caso o inimigo de Michael.

E, como não podia deixar de ser, temos de voltar a referir a excelente banda sonora assinada por Nino Rota, que já descrevi no texto sobre o primeiro tomo da saga. Agora é tempo de seguir para o terceiro e último capítulo de «O Padrinho», que dizem ser o mais fraco dos três.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

sábado, 29 de janeiro de 2011

Com quem gostaria de beber um copo: Robert De Niro ou Al Pacino?

Os convidados desta semana são dois actores que ainda hoje, apesar de alguns papéis menos dignos da sua faceta de mito, continuam a ser duas grandes figuras do Cinema. Apesar de se terem estreado nos anos 1960, foi a partir da década seguinte que começaram a dar cartas.

De um lado Robert De Niro, que foi durante muitos anos o actor fétiche de Martin Scorcese, tendo representado para o nova-iorquino as personagens de Johnny Boy («Os Cavaleiros do Asfalto»), Travis Bickle («Taxi Driver»), Jimmy Doyle («New York, New York»), Jake La Motta («Touro Enraivecido»), Rupert Pupkin («O Rei da Comédia»), James 'Jimmy' Conway («Tudo Bons Rapazes»), Max Cady («O Cabo do Medo») e Sam 'Ace' Rothstein («Casino»). Além destes papéis, destacou-se também em inúmeras outras obras, como «1900», de Bernardo Bertolucci, «O Padrinho II», de Francis Ford Coppola, ou «O Caçador», de Michael Cimino, entre outras. Durante a primeira década deste século continuou presente nos grandes ecrãs, mas com poucas personagens tão míticas como as que nos apresentou nas décadas anteriores.

Do outro lado Al Pacino, que também teve o seu período de ouro durante as últimas décadas do século XX, com a participação na saga «O Padrinho» e a interpretação de um outro gangster famoso: Tony Montana, no filme «A Força do Poder», de Brian De Palma. Além destes dois papelões, Al Pacino ascendeu ao estatuto de lenda pelas suas interpretações em «Serpico» e «Um Dia de Cão», de Sidney Lumet, «Perseguido Pelo Passado», também de Brian De Palma, ou «Heat - Cidade sob pressão», de Michael Mann. Nos filmes menores onde participou, conseguiu sempre sobressair, como no caso de «Perfume de Mulher», quando venceu o único Óscar até à data.

Apesar de serem dois dos grandes actores da geração de 1970/1980, por incrível que pareça os dois apenas contracenaram juntos em dois filmes: «Heat - Cidade sob Pressão» e em «A Dupla Face da Lei», de Jon Avnet. Os dois participaram no segundo episódio episódio de «O Padrinho», mas nunca contracenaram juntos.

Apresentações feitas, chega o momento da verdade. Com qual destes dois cavalheiros gostariam de tomar um copo? E porquê? E já agora, que copo acham que os senhores gostariam de beber.

A minha resposta é: Al Pacino. Apesar de apreciar o trabalho dos dois, opto por escolher o que tem um trabalho mais irregular e cuja presença no grande ecrã é menor do que o outro. Convidava-o para beber um copo de vinho tinto e perguntava-lhe qual foi o realizador com quem mais gostou de trabalhar.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sem Saída, de Frank Oz (2001)

Além de ser conhecido como a voz de Yoda, da saga Guerra das Estrelas, Frank Oz é um realizador com uma carreira que está perto de completar 30 anos. No início dos anos 2000 conseguiu a proeza de juntar no mesmo elenco três grandes actores que representam três gerações distintas: Marlon Brando, Robert De Niro e Edward Norton.

Os três são os protagonistas de «Sem Saída», um filme de assaltos que tem em Nick Wells (Robert De Niro) a figura principal. Dono de um bar de jazz em Montreal, Nick é também um assaltante de cofres em part-time contratado por Max (Marlon Brando). Este oferece-lhe uma proposta milionária, que Nick quer que seja a última, mas que irá ter infringir algumas das suas regras pessoais, sendo a primeira o facto de o assalto em causa ter de ser feito em Montreal. A segunda é a participação de um outro assaltante, Jack Teller (Edward Norton), que se vai infiltrar no edifício da Alfândega da cidade para estudar por dentro o local e fazer um plano detalhado para ajudar Nick.

Com um elenco de luxo, este seria mesmo o último papel de Brando para Cinema, Frank Oz tinha tudo para fazer um grande filme. Mas acaba por perder um bocado a mão da história sobretudo na parte final do filme, quando começa o derradeiro assalto. As cenas de suspense que podiam ser criadas não estão bem conseguidas e o final parece ter sido despachado às três pancadas. O enredo secundário também deixa algumas lacunas por preencher. Mas só o facto de podermos encontrar estes três gigantes no mesmo filme, sendo que Norton está muito bem e Brando surge pela última vez no grande ecrã, já vale a pena ver «Sem Saída».

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

sábado, 25 de setembro de 2010

O regresso dos Bons Rapazes

«Tudo Bons Rapazes», um dos melhores filmes de Martin Scorcese, poderá vir a ser adaptado numa série de televisão. Segundo o site Deadline, o projecto deverá contar com a participação de Nicholas Pileggi, o autor do argumento e do livro que deu origem ao filme protagonizado por Ray Liotta, Robert De Niro e Joe Pesci, que irá ser responsável pela escrita do argumento do episódio-piloto. Quanto ao envolvimento de Scorcese, que ainda recentemente realizou o piloto de «Boardwalk Empire», série que é vista como a sucessora de Sopranos, ainda não se conhecem pormenores.

Para recordar, uma das melhores cenas de «Tudo Bons Rapazes»: