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sábado, 29 de janeiro de 2011

Inimigo às Portas, de Jean-Jacques Annaud (2001)

1998 foi o ano em que Hollywood voltou às grandes produções da II Grande Guerra, com «O Resgate do Soldado Ryan», de Steven Spielberg, e «A Barreira Invisível», de Terrence Mallick, curiosamente ambos passados em cenários diferentes do conflito. Em 2001 surgiram outras duas grandes produções sobre o mesmo tema: «Pearl Harbor», de Michael Bay, e este «Inimigo às Portas», de Jean-Jacques Annaud. Uma vez mais relatando episódios distintos.

No caso do filme do realizador francês a história consiste num episódio ocorrido durante a batalha de Estalinegrado, uma das batalhas fulcrais para o desfecho da II Guerra Mundial. Este episódio foi o duelo entre dois atiradores dos dois exércitos em conflito (Nazi e Soviético): o soldado soviético Vassili Zaitsev (Jude Law) e o major alemão König (Ed Harris).

Apesar de não ter grandes interpretações, um dos grandes trunfos de «Inimigo às Portas» reside no facto de conseguir ir para além do 'simples' duelo entre os dois militares. O argumento escrito por Jean-Jacques Annaud e Alain Godard dá-nos uma boa imagem de como funcionava a máquina de propaganda soviética, muito graças à personagem do Comissário Danilov (Joseph Fiennes), que descobre Vassili e se encarrega de fabricar o herói que depois iria ser utilizado para incentivar a mãe pátria. E é notável a forma como a propaganda da altura quis fazer deste duelo uma outra faceta da luta entre classes: Vassili, que era definido como o pastor dos Urais, e a elite alemã representada por König.

Não tendo batalhas tão bem conseguidas como as dos dois filmes citados no início deste artigo, «Inimigo às Portas» não deixa contudo de ser um bom filme recente sobre a II Guerra Mundial, período histórico que teve um grande filão de obras nos anos 1950 e 1960 e que depois foi desaparecendo aos poucos do Cinema. E desta vez vale pela curiosidade de ser um filme europeu que aborda um dos cenários do conflito menos focado neste tipo de filmes.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 18 de dezembro de 2010

Apollo 13, de Ron Howard (1995)

A partir do final da década de 1950, no auge da Guerra Fria, as duas super-potências começaram a competir pela conquista do espaço. A União Soviética conseguiu colocar o primeiro homem em órbita (Yuri Gagarin) no ano de 1961 e os norte-americanos foram os primeiros a andar na lua, com a missão Apollo 11. A partir daí a exploração do Espaço continuou, mas já não havia uma corrida por objectivos propriamente dita.

Foi neste contexto que surge a missão Apollo 13, em 1970. Aquela que seria a terceira missão a levar astronautas dos EUA a pisar solo lunar, mas que devido a problemas técnicos acabou por resultar numa missão arriscada que terminou com a tripulação salva depois de vários dias atribulados. O episódio histórico foi filmado por Ron Howard em 1995, com base num livro da autoria de Jeffrey Kluger e Jim Lovell, sendo este um dos três astronautas envolvidos na missão.

Com um bom elenco, composto por nomes como Tom Hanks, Ed Harris, Bill Paxton, Kevin Bacon ou Gary Sinise, «Apollo 13» foi mesmo nomeado para vários Óscares, incluindo Melhor Filme. Mas este é daqueles casos em que tantas nomeações não se justificam. Apesar dos meios envolvidos, e da própria reconstrução histórica dos acontecimentos estar bem feita, a missão lunar apresentada por Ron Howard é um pouco insossa. Tem demasiados pormenores técnicos que nos deixam um pouco atarantados a meio do filme. O excesso de nomeações talvez se deva ao facto de ser uma história ao agrado do mainstream e pelo regresso de Tom Hanks a uma personagem ligada à História dos EUA. Recorde-se que um ano antes tinha sido o ano de «Forrest Gump».

E se Tom Hanks é um bom actor, em filmes que requerem uma boa dose de ansiedade, como é o caso deste, quase que poderíamos dizer que não foi talhado para estes papéis. Talvez por isso tenham falhado as cenas de suspense, que não nos conseguem agarrar e ficar na expectativa do que vai acontecer a seguir. Isso só se nota no final, quando os astronautas estão a chegar à Terra e vamos vendo as reacções de todos os secundários, incluindo um filho de Jim Lovell que nunca tinha aparecido em todo o filme, enquanto aguardamos resposta do módulo lunar.

Um ponto positivo, ou pelo menos curioso, foi o facto de no final o realizador ter optado por colocar Tom Hanks a narrar o que aconteceu às personagens. Normalmente isso acontece com legendas. Ou seja, o resultado final é um típico filme de Howard.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB