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domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Homem das Estrelas, de John Carpenter (1984)

Quem conhece a obra de John Carpenter poderá achar «O Homem das Estrelas» um filme um pouco estranho, pois na altura o realizador norte-americano apenas se tinha aventurado em filmes de terror ou acção. Ainda hoje, dando uma vista de olhos pelo conjunto da cinematografia de Carpenter, à primeira vista este «O Homem das Estrelas» pode ser considerado quase como uma carta fora do baralho. O único ponto em comum é o facto de ser um filme de ficção científica, território que já tinha sido visitado pelo cineasta na excelente estreia («Estrela Negra») e em «Veio do Outro Mundo», um dos seus melhores filmes.

Mas se calhar até nem será assim tão estranho, se atentarmos a alguns pormenores, como a crítica a uma certa autoridade, patente em vários filmes de Carpenter. O homem das estrelas que dá título ao filme é um extra-terrestre (Jeff Bridges) que vem ter à Terra depois de o seu planeta ter recebido uma sonda espacial com mensagens terrestres em várias línguas e com algumas músicas que representam a nossa cultura. A premissa não é nada de especial, este tipo de sondas foram mesmo lançadas para o espaço e este foi o pretexto utilizado para o filme. À chegada à Terra o extra-terrestre assume a forma do falecido marido de Jenny Hayden (Karen Allen) e quando o governo dos EUA começa uma perseguição ao homem das estrelas, ela acaba por ajudá-lo a ir ter com os seus companheiros. Esta fuga vai decorrer ao longo de todo o filme.

Não sendo uma obra típica dentro do universo carpenteriano, e talvez muitos dos fãs do realizador não gostem tanto dele como de outras obras, «O Homem das Estrelas» é um belo filme sobre alguém inadaptado em fuga. A crítica ao comportamento das autoridades, que basicamente não sabem o que fazer perante algo estranho a não ser tentar destruí-lo, é um dos aspectos que podemos ver noutros filmes do cineasta. Mas ao contrário de «Veio do Outro Mundo», por exemplo, este ser alienígena não vem para causar nada de mal, antes em descoberta, tal como os humanos fizeram ao lançar a sonda, o que faz com que a decisão do exército seja ainda mais incompreensível.

Além de uma história de amor que acaba por nascer entre as duas personagens principais, «O Homem das Estrelas» conta com duas grandes interpretações, sobretudo a de Jeff Bridges, que lhe garantiu a terceira nomeação para os Óscares. Outro dos destaques do filme são os efeitos especiais, que curiosamente, quase 30 anos depois da estreia, parece que não envelheceram. Este é um daqueles filmes que poderá não agradar assim tanto aos fãs de Carpenter, mas de certeza que quem não gosta das principais obras do realizador é capaz de gostar.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Indomável, de Ethan e Joel Coen (2010)

Foi uma experiência curiosa a que tive este fim de semana. Na sexta-feira vi o «Sangue Por Sangue» e ontem o «Indomável», o primeiro e o último filme dos irmãos Coen. Os dois são bons filmes, mas não sei porquê acho que o último, por muito bom que seja, nunca há-de chegar aos calcanhares do primeiro. O problema de «Indomável» é que é um dos filmes dos Coen em piloto automático. Algo que de vez em quando a dupla se lembra de fazer, quiçá para justificar o amor que a Academia tem por eles.

«Indomável» é um remake de «A Velha Raposa», um western de 1969 realizado por Henry Hathaway e que deu a John Wayne o seu único Óscar. A história é a de Mattie Ross (Hailee Steinfeld), uma rapariga de 14 anos que quer vingar a morte do pai, que foi vítima do fora da lei Tom Chaney (Josh Brolin). Para a ajudar conta com uma dupla de agentes da lei, cada um com o seu estilo próprio: o marshall Rooster Cogburn (Jeff Bridges, em mais uma interpretação de luxo), que conhecemos num julgamento onde se pretende saber se matou ou não três pessoas, e LaBoeuf (Matt Damon), um ranger do Texas demasiado limpinho para alguém que passa a vida no meio do pó.

Tal como referi atrás, nada podia falhar neste filme: um bom elenco, com boas interpretações, uma boa história, contada de forma perfeita, uma dupla de realizadores que sabe o que faz, mas...não nos faz lembrar os bons velhos Coen. Tirando duas excepções (o médico e o fora da lei que fala através de sons de animais) não temos aquelas personagens estranhas que habitam o universo dos Coen. Mesmo os diálogos, podiam ser bem melhores, quando comparado com o que fizeram na estreia em «Sangue Por Sangue» ou noutros filmes anteriores. No fundo «Indomável» é um filme perfeito para os Óscares. Não gostei nem deixei de gostar, mas vindo destes irmãos, esperamos sempre mais. Talvez o problema tenha sido o facto de ter visto «Sangue Por Sangue» há dias.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Irmãos Coen apresentam trailer do novo filme

Já está a circular o trailer do próximo filme realizado pelos irmãos Coen. «True Gift» é um remake do western homónimo realizado por Henry Hathaway em 1969 e que deu o único Óscar de Melhor Actor a John Wayne. Por cá este filme recebeu o título de «Velha Raposa». A história da longa metragem é a de uma rapariga de 14 anos que tenta vingar a morte do pai com a ajuda de dois pistoleiros. O elenco da versão dos Coen conta com Jeff Bridges, no papel que coube a John Wayne no filme original, e com nomes como Matt Damon, Josh Brolin, Hailee Steinfeld e Barry Pepper. Com estreia marcada para o próximo dia 25 de Dezembro, esta é o mais recente remake levado a cabo pela dupla de irmãos, depois de ter realizado «O Quinteto da Morte» em 2004.

Site do filme no IMDB

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Homens Que Matam Cabras Só Com o Olhar, de Grant Heslov (2009)

«Homens Que Matam Cabras Só Com o Olhar» é um filme peculiar e não estou a falar apenas do nome. Se no genérico não estivesse escrito realizado por Grant Heslov, eu era capaz de jurar que era um filme de Spike Jonze. Baseado numa história verídica, este filme conta a história de Bob Wilton (Ewan McGregor) um jornalista norte-americano de um jornal regional que para provar o seu valor parte para o Iraque em busca da reportagem da sua vida.

E consegue-o, mas não necessariamente da forma esperada. A oportunidade da sua vida surge quando se cruza com Lyn Cassady (um genial George Clooney), um antigo membro de uma unidade secreta do exército dos EUA dedicada ao paranormal chamada o Exército da Nova Terra, liderada por um hippie (Jeff Bridges a merecer uma nomeação para Óscar de Melhor Actor Secundário) que viu a luz no Vietname. À medida que vamos acompanhando Bob e Lyn no Iraque, vamos também conhecendo a história desta unidade, que ao que tudo indica existiu mesmo.

Por isso «Homens Que Matam Cabras Só Com o Olhar» é um filme peculiar, com personagens bastante estranhas. No fundo estamos perante uma unidade militar que não acredita na guerra e baseada em princípios hippies. E apresenta um forte elenco, onde ainda surge Kevin Spacey a fazer de mau da fita ou Stephen Lang (que vimos recentemente como vilão em Avatar) a representar um alto oficial que defende esta unidade com unhas e dentes. A cena em que o vemos ir contra uma parede para testar os seus super poderes é delirante. Infelizmente a terceira obra de Grant Heslov falhou os Óscares, o que é mais uma das provas que a Academia tem medo de arriscar em filmes originais.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vencedores dos Globos de Ouro

Foram ontem entregues os Globos de Ouro, os principais prémios do cinema nos EUA, depois dos Óscares. Este ano o 'grande vencedor', pelo menos nas duas categorias mais importantes, foi «Avatar», de James Cameron, que ganhou nas categorias de Melhor Filme Drámatico e Melhor Realizador. Por outro lado, o grande perdedor é «Up In The Air», de Jason Reitman, que era um dos favoritos com seis nomeações e apenas levou para casa um prémio, para Melhor Argumento.

Nos restantes galardões destaque para os prémios atribuídos para a interpretação, que distinguiram Sandra Bullock («The Blind Side») e Jeff Bridges («Crazy Heart») como melhores actores em drama, Meryl Streep e Robert Downey Jr. como melhores actores em comédia ou musical. Os secundários foram parar ao genial Christoph Waltz pelo seu papel em «Sacanas Sem Lei», de Quentin Tarantino e a Mo'nique que entrou em «Precious: Based On The Novel Push By Sapphire».

Por fim, mais dois prémios: «Up - Altamente», da Pixar, conquistou o Globo de Ouro para Melhor Animação e Michael Haneke levou para casa o prémio para Melhor Filme Estrangeiro.

A lista completa dos premiados, incluindo os prémios para televisão, pode ser consultada aqui.