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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Jogo Limpo, de Doug Liman (2010)

Baseado na história verídica de Valerie Plame, uma antiga agente da CIA cuja identidade foi divulgada na imprensa por um alto responsável da Casa Branca, «Jogo Limpo» chega às salas portuguesas num timing quase perfeito, pois esta história tem alguns pontos de contacto com a publicação de documentos 'secretos' no WikiLeaks. Naomi Watts interpreta Valerie Plame e Sean Penn o seu marido, o antigo embaixador norte-americano Joe Wilson, e ambos têm uma excelente prestação.

Começando como um filme de espiões, com Valerie a participar em missões por vários pontos do mundo árabe e Joe Wilson numa missão semi-secreta ao Níger, «Jogo Limpo» torna-se a meio um thriller político que apenas difere de filmes semelhantes realizados nos anos 1970, época de ouro do género, por se tratar de uma história que aconteceu de facto. Em causa está a Guerra do Iraque, que começou a ser preparada com base em diversas ´provas', entre as quais um relatório que saiu da tal viagem de Joe Wilson ao país africano. Este foi citado num dos discursos do Estado da Nação de George W. Bush como pertencendo aos serviços secretos britânicos.

O antigo embaixador resolveu tirar a questão a limpo e publica um artigo num jornal. Pouco depois um outro artigo revela pormenores da visita de Wilson ao Níger onde é revelada a sua relação com a agente da CIA, que de imediato se vê afastada do seu trabalho. Praticamente sem cenas de acção, «Jogo Limpo» conta apenas a história de um casal que se vê envolvido nas tricas de poder e os seus objectivos obscuros. Doug Liman tem uma boa realização, que na minha opinião apenas falha por abusar demasiado da câmara na mão, pois penso que neste caso não se justifica.

O par de protagonistas foi muito bem escolhido, sobretudo Naomi Watts que se aguenta muito bem no papel de agente que se deixa abater depois de ter provado que era uma autêntica mulher de armas. Sean Penn está ao seu melhor nível.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

sábado, 6 de novembro de 2010

I Am Sam - A Força do Amor, de Jessie Nelson (2001)

Com «I Am Sam - A Força do Amor» Sean Penn tem aquilo a que se pode chamar a lotaria para chegar aos Óscares: o papel de um autista que tem de lutar nos tribunais pela tutela da filha, que lhe foi parar aos braços depois da mãe, uma sem abrigo, fugir de Sam. A interpretação de Sean Penn está irrepreensível, sem nada a apontar, mas o filme acaba por cair nos clichés deste tipo de fitas, sempre a puxar pela lágrima, fazendo o espectador ter pena de Sam. Valeu-lhe a nomeação para os galardões, mas quem levou a estatueta para casa foi Denzel Washington, por «Dia de Treino».

Ao lado de Sean Penn na segunda obra de Jessie Nelson, que desde este filme não voltou a realizar, encontramos Michelle Pfeiffer (a advogada Rita Williams) e Dakota Fanning (a filha de Sam, Lucy), ambas bastante bem. O grande problema em «I Am Sam», que não deixa de ser um bom drama familiar, é o pouco espaço que as restantes personagens têm. Por exemplo, a advogada de Michelle Pfeiffer tem diversos problemas, sobretudo com o marido, que são mal explorados. E Laura Dern, que interpreta a mãe adoptiva de Lucy está quase ridícula, mais valia não ter participado. O próprio fim é ambíguo, pois de facto não ficamos a saber quem fica com Lucy. Ao menos tem um plano muito belo: Sam com a filha ao colo perseguido por uma legião de miúdos.

Por fim, a assinalar a banda sonora, que na altura em que filme saiu foi bastante falada. Ao longo de «I Am Sam» vamos ouvindo diversas covers dos Beatles cantadas por diversos artistas. Estas músicas surgem devido ao amor que Sam tem pelos Fab Four e o resultado, apesar de original, nem sempre alcança os melhores resultados. Se Jessie Nelson quisesse arriscar um bocadinho mais, poderia ter aqui um grande filme.

Nota: 3/5

Site oficial do filme