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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

(500) Dias com Summer, de Marc Webb (2009)

De vez em quando surgem filmes que, por uma espécie de conjugação mística dos astros (se é que essa coisa existe), parece que nasceram para ser perfeitos. E quando começamos a ver um filme e nos apaixonamos por ele quando apenas passou pouco mais de um minuto desde que começou, sabemos que estamos perante um daqueles filmes que nunca mais nos vamos esquecer. Ou pelo menos durante algum tempo. É esse o caso de «(500) Dias com Summer», a longa de estreia de Marc Webb, um filme indie sobre a relação entre Tom (Joseph Gordon-Levitt), um jovem que acredita no amor eterno mas que não tem grande sorte neste campo, e Summer (Zooey Deschanel), uma jovem que não acredita nas relações amorosas e por quem Tom se apaixona e com quem acaba por ter uma relação que é um meio termo entre namoro e amizade.

Esta relação um pouco confusa deixa Tom meio abananado com tanta mudança e sentimentos contraditórios, que vamos conhecendo aos poucos, através de uma montagem bem conseguida que vai alternando entre os momentos iniciais da relação e os momentos finais, sem nunca nos deixar perdidos pelo meio. Joseph Gordon-Levitt tem aqui (mais) uma grande interpretação, provando ser um dos jovens actores com maior talento (e ao mesmo tempo menos reconhecido, parece-me) na Hollywood actual.

«(500) Dias com Summer» consegue assim ser um filme tão simples sobre um tema tão sério, que nos deixa a pensar como é que às vezes se complicam certas coisas. É ao mesmo tempo mais um daqueles exemplos descarados de como é possível não ter chegado às salas portuguesas. Com uma banda sonora de excepção para os adeptos das sonoridades mais alternativas, não fosse o par conhecedor e fã de grandes bandas, esta é talvez uma das melhores comédias românticas do universo indie dos últimos anos. Depois disto, será curioso ver o que fará Marc Webb no seu próximo filme, que por estranho que pareça depois desta estreia, é «O Fantástico Homem-Aranha», a nova versão das aventuras do Homem-Aranha.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB

Site oficial do filme

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

50/50, de Jonathan Levine (2011)

(crítica com spoilers)
Abordar um tema como o cancro não é fácil. Curiosamente estrearam recentemente dois filmes com esta temática: «Inquietos», de Gus van Sant, e «50/50», de Jonathan Levine. Se o primeiro tem um teor mais dramático (não posso abordá-lo demasiado por ainda não o ter visto, algo que deverá estar para breve), o segundo é uma comédia dramática sobre a luta pela vida de um jovem de 27 anos que descobre ter um cancro bastante raro e cujas hipóteses de sobrevivência são 50/50.

Protagonizado por Joseph Gordon-Levitt, com uma interpretação à altura do que nos tem vindo a habituar, o terceiro filme de Jonathan Levine vai um bocado no caminho do anterior «Wackness - À Deriva», ao ser um daqueles filmes indie feel good com uma boa história que acaba por se perder no caminho. «50/50» falha sobretudo por ter demasiados clichés que o tornam bastante previsível e infelizmente não traz muito de novo. Já sabemos por quem a personagem principal se vai apaixonar, que os seus companheiros de quimioterapia mais velhos são levados da breca, etc., etc.

A interpretação de Gordon-Levitt está fabulosa, como já referi dentro do registo normal deste grande actor que tem conseguido gerir uma boa carreira entre o cinema independente e um cinema mais popular, e a presença de Seth Rogen como melhor amigo de Adam (Joseph Gordon-Levitt) foi uma boa escolha, pois nota-se mesmo uma grande empatia entre os dois actores. E não nos podemos esquecer que a presença de Rogen é sempre garantia de bons momentos divertidos, que balançam com os períodos mais complicados da vida de Adam. O esforço de ambos merecia ter sido mais bem recompensado, num filme que acaba por não ser mais do que um feel good movie com muito potencial perdido. E Jonathan Levine volta a não convencer-me, apesar de ter o mérito de ter conseguido não cair num tom mais lamechas que o tipo de filme que «50/50» é facilmente poderia ter.

Nota: 3/5

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Milagre em Sant'Anna, de Spike Lee (2008)

O mais recente filme de Spike Lee, ou joint como o nova-iorquino gosta de chamar às suas obras, chega às salas de cinema portuguesas com um ano de atraso. Trata-se de «O Milagre em Sant'Anna», um filme que conta a história de quatro soldados negros durante a II Guerra Mundial, que integravam os chamados 'Buffalo Soldiers', durante a libertação de Itália.

Antes de chegar a território italiano, o filme arranca na Nova Iorque dos anos 1980, quando é cometido um misterioso homicídio por um empregado dos Correios (Laz Alonso, que interpreta o soldado em novo e em velho), que ficamos a saber mais tarde que é um dos soldados que integrou aquela companhia. A história é contada a um jovem jornalista (Joseph Gordon-Levitt, o miúdo da série «O Terceiro Calhau a Contar do Sol») através de flashbacks que nos enviam para a acção propriamente dita.

E nesta acção vemos a forma como os soldados negros eram tratados naquele período, quando ainda vinham longe as lutas pelos direitos civis. Esta faceta encontra-se bastante visível num episódio contado pelos soldados, passado durante a recruta no estado sulista do Luisiana, quando o dono de um café lhes recusa oferecer gelados que ganharam num concurso. Nesse mesmo café encontram-se membros da Policia Militar a guardar prisioneiros alemães (não se percebe bem como foram lá parar), todos brancos, e a comerem gelados.

Não nos podemos esquecer que este é um filme de Spike Lee, um realizador que tem lutado por mostrar a sociedade norte-americana a partir do ponto de vista dos afro-americanos, tirando algumas excepções como «Infiltrado» ou a «Última Hora». Mas este 'ódio', se assim se pode chamar, aos brancos fica um pouco de parte quando um dos soldados afirma que se sente melhor em Itália, onde não é tratado como um estranho devido à cor da sua pele.

Além desta faceta, surgem em paralelo várias histórias que se cruzam, entre as quais a do massacre da aldeia de Sant'Anna. Estas histórias incluem um rapazinho perdido que fica à guarda dos soldados, as lutas entre os resistentes italianos e até a recusa de alguns militares alemães em acatar as ordens dos superiores.

Nas cenas das batalhas, a câmara de Spike Lee está bastante bem, filmando momentos de tensão durante um cerco de uma forma simples e os momentos com mais acção recorrendo à câmara no ombro. Em ambos os casos, o realizador quase que nos leva a sentir o calor da batalha. Mas ainda assim não o suficiente como noutros filmes de guerra recentes que abordam a mesma época histórica.

Pegando numa abordagem diferente dos filmes de guerra tradicionais, em que a história se resume a batalhas famosas e a episódios de quase propaganda, Spike Lee consegue aqui fazer um filme de guerra original, contando-a do lado dos negros. Mas este não é um dos principais filmes do realizador, que na minha opinião filma melhor quando não sai de Nova Iorque.

Nota: 3/5

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