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domingo, 3 de outubro de 2010

The Majestic, de Frank Darabont (2001)

«The Majestic» é daqueles filmes que ajudam a provar que Jim Carrey é um grande actor em papéis dramáticos. A terceira obra de Frank Darabont, que se estreou com o magnífico «Os Condenados de Shawshank» em 1994, relata um período negro da história dos EUA que acabou por afectar Hollywood: a perseguição aos comunistas liderada pelo senador McCarthy, episódio que ficou conhecido como a caça às bruxas.

A acção de «The Majestic» tem lugar em 1951 e centra-se em Peter Appleton (Jim Carrey), um argumentista novato à procura do sonho dourado que se vê envolvido na conspiração. Mas no dia em que descobre, quando tinha em marcha um novo projecto, e depois de uma noite de copos o argumentista tem um acidente de automóvel que lhe causa amnésia. Quando acorda está numa pequena cidade, que perdeu dezenas de jovens na II Guerra Mundial, onde é confundido com um deles. O regresso quase milagroso faz com que Peter seja recebido e acolhido de braços abertos pela comunidade.

Além de ser um filme que dramatiza um episódio histórico que deixou sequelas e acabou mesmo por destruir carreiras em Hollywood, «The Majestic» é uma bela homenagem ao Cinema. A começar pelo título do filme, que é o nome da sala de cinema da cidade que acolhe o argumentista perdido, e passando pela reconstituição das salas míticas de Los Angeles e dos próprios cartazes de alguns clássicos que por lá se encontram. E é delicioso o segmento do filme de acção que é o primeiro argumento de Peter Appleton, com o sugestivo título de «Sand Pirates of the Sahara». Este segmento é em si uma homenagem dentro da homenagem: conta com a participação de Bruce Campbel, actor conhecido por ter entrado na série Evil Dead de Sam Raimi, e tem uma peça utilizada em «Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida».

E os pormenores podiam continuar, pois as referências são mais que muitas. Um bom filme a descobrir, cujo único problema é estar excessivamente centrado na personagem de Jim Carrey, não deixando grande espaço ao restante elenco.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB

sábado, 25 de setembro de 2010

Greenberg, de Noah Baumbach (2009)

Noah Baumbach faz parte de uma nova vaga de realizadores de uma certa área mais alternativa ao mainstream, onde também se inscreve Wes Anderson com quem tem vindo a colaborar. Ambos filmam histórias passadas no presente mas que pertencem a um imaginário mais retro, muito por culpa dos cenários e alguma estética que utilizam. «Greenberg», protagonizado por Ben Stiller, foi o mais recente filme de Baumbach a estrear por cá.

Neste filme acompanhamos um adulto, que aparentemente não quis crescer e ganhar responsabilidades, acabadinho de sair de um período de internamento devido a um esgotamento. Roger Greenberg (Ben Stiller) aproveita esta crise para deixar Nova Iorque e regressa à Los Angeles natal para recuperar e encontrar um rumo, ao mesmo tempo que fica a tomar conta da casa do irmão, que partiu de férias com a família. Durante esse período de fragilidade aproveita para reencontrar velhos amigos, que se tornaram bastante diferentes do que eram, e apaixona-se pela assistente do irmão (Greta Gerwig), que também está a atravessar um período mais negativo depois de um longo relacionamento.

No fundo, «Greenberg» é uma comédia das sérias, com um bom toque de ironia, que nos faz rir com coisas que supostamente não são tão boas quanto parecem. Mas as expectativas não cumprem e algo por culpa de Ben Stiller, que parece não encaixar bem na personagem. Talvez seja por estarmos habituados a vê-lo num registo de comédia mais desbragada. Ao contrário de Jim Carrey, por exemplo, que por vezes nos consegue surpreender em papéis mais sérios, Stiller para não conseguir. Os próprios secundários, sem contar com Greta Gerwig, que funciona como par de Greenberg, parecem estar pouco à vontade no papel. E aqui falo sobretudo de Rhys Ifans e Jennifer Jason Leigh.

Destaque contudo para a excelente banda sonora, que ficou a cargo de James Murphy, o líder dos nova-iorquinos LCD Soundsystem, conhecidos por terem sonoridades que combinam música rock com tons mais electrónicos. Neste caso o frontman dos nova-iorquinos apresenta um registo completamente diferente, quase só soando uma guitarra, bateria e palminhas aqui e ali. O melhor do filme.

Nota: 3/5

Site oficial do filme