Mostrar mensagens com a etiqueta Nino Rota. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nino Rota. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Padrinho: Parte III, de Francis Ford Coppola (1990)

(crítica com spoilers para quem não viu os primeiros episódios da série)
Dizem que o último filme da trilogia é o mais fraco dos três. E na verdade é, mas não é tão mau como se diz. Apenas é um filme mediano quando comparado com as duas obras primas que lançaram as bases da saga da família Corloene. Mas mesmo assim é um bom filme. Passaram 11 anos entre a estreia dos dois últimos filmes da trilogia, mais do que a diferença que ocorreu entre os dois primeiros. Durante este período Coppola, e a sua geração de companheiros realizadores, os movie brats, passou de bestial a besta, destruindo os estúdios pelo caminho com projectos megalómanos.

É neste contexto que o realizador regressa à saga que o tornou conhecido, para filmar os últimos dias de Michael Corleone (Al Pacino) e a passagem de testemunho para a nova geração, personificada por Vincent Mancini (Andy Garcia), filho de Sonny e sobrinho de Michael. Durante este terceiro capítulo Michael, passado no final dos anos 1970 (também cerca de uma década depois dos eventos do filme anterior), está prestes a concretizar o sonho de afastar a família dos negócios ilegítimos e tenta ligar-se à Igreja Católica. Mas, uma vez mais, nem todos vêem com bons olhos esta mudança e uma nova guerra de famílias surge no horizonte, que será travada primeiro nas ruas de Nova Iorque e depois em Roma e na Sicília, onde decorre boa parte da acção final do filme.

Um dos problemas de «O Padrinho: Parte III» era um dos trunfos dois filmes anteriores: o elenco. Apesar de Coppola ter encontrado bons nomes para interpretar o último episódio da série, desta vez o resultado não foi o melhor. Certo que é complicado ombrear com os actores dos primeiros filmes, mas nomes como Andy Garcia, Eli Wallach ou Joe Mantegna podiam ter feito bem melhor. E depois houve um claro erro de casting na escolha de Sofia Coppola para o papel de Mary. Felizmente que a filha de Coppola se afastou desta carreira para começar a realizar. Safa-se uma vez mais Pacino, que mesmo assim está uns furos abaixo dos dois primeiros filmes, mas interpreta magistralmente o Don Corleone caído em desgraça e a contas com o passado.

A própria música, que tão bem funcionou nos dois primeiros filmes, desta vez também parece não estar à altura da série. Talvez a falha resida no facto de a música de Nino Rota ter sido relegada para segundo plano, em detrimento de uma composição de Carmine Coppola. Mas mesmo assim, «O Padrinho: Parte III» não deixa de ser um bom filme e, como alguém me dizia há pouco, é «um filme bastante aparte dos outros dois, que são na prática um só filme, e realmente um bocado inferior». A cena final, na ópera, é um bom exemplo de como quem sabe, não esquece. Mas ao longo do filme há muito mais para ver como termina a saga dos Corleone. E vale bem a pena ver qualquer um dos três filmes, três grandes obras do Cinema.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1974)

(crítica com spoilers para quem não viu o primeiro filme da série)
Se a primeira parte da trilogia «O Padrinho» é uma obra-prima indiscutível, o segundo capítulo não lhe fica atrás. A saga prossegue sete anos depois dos acontecimentos ocorridos no primeiro filme. Desta vez o padrinho é Michael Corleone (Al Pacino, uma vez mais numa interpretação genial), que tomou as rédeas do negócio de família após a morte do pai, Vito Corleone. Nesta altura já Michael, que nunca quis ter muito a ver com os negócios pouco claros da família, vê-se com um enorme poder nas mãos e torna-se tão forte como o pai fora em tempos, mas menos respeitado pelos seus inimigos. Mas o poder gera inimigos no seio da família e uma nova guerra de clãs está prestes a começar, o que faz com que o novo padrinho falhe a promessa que fez à esposa Kay (Diane Keaton), de que dentro de pouco tempo a família iria deixar os negócios ilegítimos.

Neste segundo capítulo vemos Michael a cimentar o poder da família Corleone, mas ao mesmo tempo a ficar sem a família mais próxima. Neste aspecto, todo o filme é o retrato de um homem que dá tudo para ter a família unida, mas que no final acaba sozinho. Tal como tinha acontecido há muitos anos, durante um jantar de aniversário do pai que é mostrado na cena final, uma das melhores e mais fortes do filme. Outra das histórias de «O Padrinho: Parte II» é a vida de Vito Corleone desde que sai da Sicília até formar o seu império, junto da comunidade imigrante italiana, em Nova Iorque.

O jovem Vito é interpretado por Robert De Niro, um ano após ter entrado em «Os Cavaleiros do Asfalto», de Martin Scorsese. Mas esta história e interpretação acaba de ser relegada para segundo plano, infelizmente, devido à enorme interpretação de Pacino e à própria história de Michael, que tem mais destaque. Curiosamente foi De Niro que levou para casa o Óscar para Melhor Actor Secundário. E uma vez mais, Coppola conseguiu juntar um elenco secundário de fazer inveja a muitos filmes: John Cazale, que já tinha interpretado o papel de Fredo Corleone no primeiro capítulo, neste caso está muito melhor, talvez devido ao maior protagonismo que a sua personagem tem desta vez; Michael V. Gazzo, no papel de um mafioso dos tempos da velha guarda; Lee Strasberg, mais conhecido pela sua escola de actores e por ter criado o célebre Método, que teve poucas aparições no Cinema, sendo neste caso o inimigo de Michael.

E, como não podia deixar de ser, temos de voltar a referir a excelente banda sonora assinada por Nino Rota, que já descrevi no texto sobre o primeiro tomo da saga. Agora é tempo de seguir para o terceiro e último capítulo de «O Padrinho», que dizem ser o mais fraco dos três.

Nota: 5/5

Site oficial do filme

domingo, 14 de agosto de 2011

O Padrinho, de Francis Ford Coppola (1972)

É difícil escrever sobre um filme como «O Padrinho». Sendo uma das obras-primas da História do Cinema, é complicado escolher por onde começar. Baseado no livro homónimo de Mario Puzo, que escreveu o argumento a meias com Francis Ford Coppola, este é o primeiro filme de uma trilogia dedicada à família Corleone, uma das cinco principais famílias mafiosas de Nova Iorque, liderada por Don Vito Corleone (Marlon Brando). Neste primeiro capítulo assistimos ao final do reinado de Don Vito, um homem para quem a honra está acima de tudo e que fecha negócios com propostas (literalmente) irrecusáveis, e à ascensão do seu filho Michael Corleone (Al Pacino) ao cargo de Don, ou Padrinho.

Só aqui temos logo um dos trunfos de «O Padrinho»: o elenco. Além dos dois nomes já citados, que dispensam apresentações (Brando faria aqui uma das suas últimas grandes interpretações e Pacino uma dos seus primeiros grandes papéis), destaque para duas excelentes interpretações. A de Robert Duvall, que não surpreende no papel do consigliere Tom Haggen, pois é um dos melhores secundários de sempre, e a de James Caan. Este sim, surpreende, dado que daquilo que conheço da sua carreira, esta é de longe uma das suas melhores interpretações. Não é à toa que esta é a única vez que foi nomeado aos Óscares foi ao interpretar o papel de Sonny. E todos estes quatro actores foram nomeados, mais do que justamente, mas só Brando ganhou a estatueta, na célebre cerimónia em que se recusou a receber o Óscar. E os grandes nomes no elenco são tantos, que podia ficar aqui para sempre a falar neles.

O argumento é brilhante e a forma como está filmado, melhor ainda. A sequência inicial do casamento, com as constantes reuniões privadas, é apenas o começo, até à excelente cena quase final do baptizado, que numa bem conseguida montagem paralela mostra como se termina um conflito. Os exemplos ao longo do filme são mais que muitos. Francis Ford Coppola conseguiu neste filme atingir aquilo que muitos duram uma carreira até conseguir: uma obra-prima, que não perde fulgor passados quase 40 anos depois da sua estreia. Nem mesmo as quase três horas de duração do filme se notam e chegando ao fim estamos capazes de pedir nova doze de três horas, sobretudo sabendo que a história ainda estava a meio. Mas isso ficará para outro texto. Resta apenas focar a excelente banda sonora, assinada por Nino Rota, que ainda hoje é trauteada e reconhecida por qualquer cinéfilo que se preze, mesmo que nunca tenha visto qualquer tomo da trilogia.

Nota: 5/5

Site oficial do filme