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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

E a história repete-se...

Filme português mais visto leva 20 mil ao cinema


"Nos tempos que correm é uma notícia maravilhosa", diz João Canijo sobre os 20 mil espectadores que foram ver Sangue do Meu Sangue , aludindo ao facto de o número de entradas estar em queda. "No futuro não sabemos se vamos fazer filmes."

domingo, 8 de maio de 2011

IndieLisboa 2011: Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor, de João Canijo (2011)

«Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor» é um filme curioso. Como o próprio João Canijo, o realizador, referiu na apresentação da sessão de ontem, o filme tem um carácter didáctico e não é mais do que isso. Nesse sentido este documentário acaba por ser uma interessante abordagem ao trabalho daqueles que são a cara mais visível da nossa paixão: os actores e as actrizes. Sem narração, apenas com alguns entre-títulos explicativos, como se se tratassem de capítulos de um manual, o filme mostra os actores a falarem sobre a preparação das personagens do próximo filme de João Canijo, que só muito raramente intervém na discussão.

Quase se pode dizer que as personagens e o argumento final de «Sangue do Meu Sangue», assim se chama o filme de Canijo que deverá chegar às salas ainda este ano, foram criadas pelos próprios actores nestas sessões de discussão, em que todos participam e dão ideias sobre os nomes, como é que as suas personagens reagem em determinada situação ou porque é que têm um determinado comportamento e não outro. Na parte final do filme vemos o nascimento de três cenas do filme, desde a fase de improvisação entre os intervenientes até à própria cena final.

E a forma como o documentário retrata este trabalho dos actores é realmente uma grande lição sobre cinema. O único defeito de «Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor» acaba por ser o facto de ao mostrar aquelas três cenas, se tornar um pouco um spoiler. Mas não é por isso que deixa de ser uma interessante abordagem à forma como são criados os filmes.

Nota: 4/5

sábado, 2 de abril de 2011

Fantasia Lusitana, de João Canijo (2010)

«Fantasia Lusitana» é um excelente retrato de Portugal. Pegando sempre em imagens de arquivo, o realizador João Canijo conseguiu mostrar dois países diferentes: um visto pelos olhos da propaganda da ditadura liderada por Salazar e outro visto pelo olhar de três estrangeiros que passaram por Lisboa durante a época retratada no filme. E este período é o da II Guerra Mundial, conflito em que Portugal se manteve 'neutro'. Esta neutralidade foi aproveitada até ao expoente máximo pelo regime para mostrar a força de Salazar para nos deixar fora do conflito que estava a destruir a Europa. Sem narração actual, ou seja, Canijo aproveitou apenas o som dos filmes de época recolhidos, este é quase um país das maravilhas, onde as contas públicas estão em ordem, e que mesmo em tempos difíceis é capaz de organizar uma Exposição do Mundo Português que demonstra que Portugal está acima de qualquer guerra.

O outro país é narrado por três refugiados que passaram por cá durante a II Guerra Mundial, quando Lisboa servia de porta de saída para melhores destinos. E a imagem que estes três estrangeiros - Antoine de Saint-Exupéry, o escritor de «O Principezinho», Alfred Döblin, o autor de «Berlin Alexanderplatz», e Erika Mann, filha de Thomas Mann, - aproxima-se mais da dura realidade. Um país pobre, com uma população pouco escolarizada e onde os refugiados se vêem presos e têm de enfrentar duras condições.

Numa altura em que voltamos a sofrer na pele uma crise bastante complicada, «Fantasia Lusitana» quase que pode ser visto como um grito de alerta para o que se está a passar, quando muitos nos tentam convencer que as coisas não estão tão difíceis como parecem e nos iludem com falsas mensagens de que tudo está bem. E poucas vezes um filme centrado num passado mais ou menos longínquo conseguiu ser tão actual.

Nota: 4/5

Site do filme no IMDB