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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um Dia de Raiva, de Joel Schumacher (1993)

Início da manhã em Los Angeles e William Foster (Michael Douglas) está preso no trânsito. É aqui que começa um longo dia para este homem aparentemente normal que em breve vai sair do carro, deixando-o no meio de uma enorme fila e com os outros condutores a praguejar. Nesta fase já William está desligado do mundo e parte rumo a casa numa espiral de violência, contra tudo e contra todos, queixando-se dos preços caros praticados por uma loja de um coreano ao café que não lhe serve o pequeno almoço.

«Um Dia de Raiva» podia ser um grande filme, mas infelizmente resume-se praticamente apenas a uma coisa: a interpretação de Michael Douglas. A primeira metade do filme até está bem conseguida, com cenas muito bem filmadas que captam a descida de William até ao colapso (o título original é precisamente «Falling Down»). Só o arranque do filme, no carro da personagem, é um dos melhores planos sequência de todo o filme e capta na essência um homem à beira de um ataque de nervos.

O problema de «Um Dia de Raiva» é a segunda metade, sobretudo depois da cena com o nazi. A partir daqui o filme começa a perder algum fôlego e algumas cenas parece que foram um pouco despachadas para chegarmos ao fim da história, que é um pouco previsível. Apesar de alguns bons achados, não deixa de ser mais uma boa oportunidade de Joel Schumacher para fazer um bom filme.

Nota: 3/5

Site do filme no IMDB

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Frase(s) que marcam um filme: Wall Street, de Oliver Stone (1987)

Gordon Gekko: The richest one percent of this country owns half our country's wealth, five trillion dollars. One third of that comes from hard work, two thirds comes from inheritance, interest on interest accumulating to widows and idiot sons and what I do, stock and real estate speculation. It's bullshit. You got ninety percent of the American public out there with little or no net worth. I create nothing. I own. We make the rules, pal. The news, war, peace, famine, upheaval, the price per paper clip. We pick that rabbit out of the hat while everybody sits out there wondering how the hell we did it. Now you're not naive enough to think we're living in a democracy, are you buddy? It's the free market. And you're a part of it. You've got that killer instinct. Stick around pal, I've still got a lot to teach you.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eterno Solteirão, de Brian Koppelman e David Levien (2009)

«Eterno Solteirão» sofre de um mal, que apesar de não ter nada a ver com cinema, bastante comum nas traduções dos títulos em Portugal. Quem olhar para o título dado pela distribuidora ao filme, que no original é «Solitary Man» (homem solitário, em português), pensa que estamos perante mais uma comédia romântica e o espectador corre o risco de se afastar, não sabendo ao que vai. Mas este filme de Brian Koppelman e David Levien tem muito pouco de comédia.

É antes um drama sobre um antigo vendedor de automóveis, que chegou a ter um bom momento profissional, a quem o médico diz que não tinha gostado de algo que descobriu no seu coração. Mas em vez de fazer os exames, para saber realmente o que se passa, Ben Kalmen (Michael Douglas) opta por esquecer o que se passou naquela consulta de rotina e começa a fazer o que lhe vai na cabeça, desde engatar mulheres a torto e a direito a destruir o negócio que lhe deu uma posição de topo.

Não estamos perante um grande filme, mas é um filme que se vê bem. O próprio final está muito bem conseguido, pois a dupla de realizadores conseguiu escapar ao facilitismo de dar uma resposta ao dilema que se apresenta a Ben Kalmen.

Michael Douglas carrega o filme às costas, pois este é um daqueles filmes que praticamente só a personagem principal conta, pois está presente em todas as cenas. E fá-lo bastante bem, a provar que ainda consegue ser um grande actor. Destaque ainda para a presença de um bom naipe de secundários, onde despontam Danny DeVito ou Susan Sarandon. Um bom aperitivo enquanto esperamos pela estreia da sequela de «Wall Street».

Nota: 3/5

Site oficial do filme

domingo, 22 de novembro de 2009

A Verdade e o Medo, de Peter Hyams (2009)

Quatro anos depois da sua última obra, «A Sound of Thunder», Peter Hyams está de volta com «A Verdade e o Medo», um remake do filme «Beyond a Reasonable Doubt», filmado em 1956 por Fritz Lang. Infelizmente não conheço o original, logo não posso fazer a comparação. Apenas sei, lendo a sinopse que se encontra no IMDB, que a história não terá sido muito alterada. Isto sem contar com o factor tempo, que nunca pode ser o mesmo e por vezes é o suficiente para mudar muita coisa.

A história deste «A Verdade e o Medo» é a de um jornalista de investigação de um canal de TV que já teve melhores dias (Jesse Metcalfe), que descobre que um procurador do Ministério Público, interpretado por um Michael Douglas longe do seu melhor, que falsifica provas para resolver os seus casos. A acrescentar a esta ética bastante original, este mesmo procurador está prestes a ser nomeado Governador do Luisiana, sem que ninguém suspeite das suas práticas.

Com base na informação que vai recolhendo, o jornalista resolve ele próprio arranjar maneira de se incriminar a si próprio de um crime que não cometeu, neste caso um assassinato de uma prostituta. Com este esquema a personagem de Jesse Metcalfe pretende não só mostrar a careca do procurador, mas também fazer a reportagem da sua vida e voltar aos seus tempos de glória.

Estamos assim perante um filme que mistura um pouco de várias áreas. Por vezes é um filme de tribunal, outras é um filme sobre jornalismo e também aqui encontramos algumas cenas dignos de um bom filme de suspense. Basta ver uma perseguição nas ruas da cidade ou a tentativa de atropelamento da namorada do jornalista (Amber Tamblyn) num parque de estacionamento.

Além destas cenas mais frenéticas, que estão bem conseguidas, Peter Hyams consegue também fazer um bom uso da sua câmara, sacando uns travellings dignos de nota. Destaque ainda para o final, que não vou revelar, que é um twist muito engraçado, que consegue trocar as voltas todas e dá que pensar. Não só sobre a actividade do procurador mas também do próprio jornalista. Nos dias que correm, há filmes que aparecem na altura certa.

Nota: 3/5

Site oficial do filme