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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Inquietos, de Gus Van Sant (2011)

Já aqui referi a estreia de «Inquietos», a mais recente longa-metragem de Gus van Sant, a propósito de «50/50». O tema é semelhante, mas a forma como é tratado nos dois casos não podia ser mais distante. Se o último é uma comédia dramática, sobre um jovem que enfrenta o cancro como uma luta, tentando ser positivo com a ajuda dos que lhe são próximos, «Inquietos» é o completo oposto, apesar de mesmo assim as personagens não verem o cancro como uma fatalidade, mas algo que infelizmente acontece. Como se se resignassem ao facto de uma das personagens poder morrer devido à doença e não ter muito a fazer se não aguardar a morte.

E é um grande filme. Arriscaria mesmo dizer que a história de amor entre Enoch (Henry Hopper, filho de Dennis Hopper, a quem este filme é dedicado) e Annabel (Mia Wasikowska, cada vez mais um talento em crescendo) captada por Gus van Sant é um dos mais belos filmes do ano. Ambos os protagonistas são jovens que vivem uma fase complicada da vida e o encontro entre os dois vai dar-lhes uma oportunidade para ultrapassarem os seus problemas juntos. Mesmo sabendo que alguns são inultrapassáveis. Enoch tenta afastar o luto pela morte dos pais e Annabel a doença que sabe ser fatal. Durante aqueles poucos meses em que ambos se apaixonam e vivem uma relação intensa tudo parece ser possível.

Com uma bela fotografia e uma bem conseguida banda sonora assinada por Danny Elfman, «Inquietos» não é um dos filmes mais experimentalistas de Van Sant, como «Elephant», «Gerry» ou «Last Days», mas antes um filme mais simples quando comparado com algumas obras recentes do cineasta. No campo da interpretação, é bom ver que Dennis Hopper deixou descendência à altura, apesar de se notar que Henry ainda precisa de evoluir mais. Mas neste primeiro papel já fez lembrar um pouco o pai quando era mais novo. Quanto a Mia Wasikowska, nada a apontar, a não ser que esta é uma das melhores jovens actrizes que tem surgido nos últimos anos. A versatilidade das suas interpretações volta a ser posta à prova neste filme onde, uma vez mais, consegue brilhar.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Banda Sonora: Two of Us, de The Beatles

«Two of Us», de The Beatles - Banda Sonora de «Inquietos», de Gus van Sant

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

50/50, de Jonathan Levine (2011)

(crítica com spoilers)
Abordar um tema como o cancro não é fácil. Curiosamente estrearam recentemente dois filmes com esta temática: «Inquietos», de Gus van Sant, e «50/50», de Jonathan Levine. Se o primeiro tem um teor mais dramático (não posso abordá-lo demasiado por ainda não o ter visto, algo que deverá estar para breve), o segundo é uma comédia dramática sobre a luta pela vida de um jovem de 27 anos que descobre ter um cancro bastante raro e cujas hipóteses de sobrevivência são 50/50.

Protagonizado por Joseph Gordon-Levitt, com uma interpretação à altura do que nos tem vindo a habituar, o terceiro filme de Jonathan Levine vai um bocado no caminho do anterior «Wackness - À Deriva», ao ser um daqueles filmes indie feel good com uma boa história que acaba por se perder no caminho. «50/50» falha sobretudo por ter demasiados clichés que o tornam bastante previsível e infelizmente não traz muito de novo. Já sabemos por quem a personagem principal se vai apaixonar, que os seus companheiros de quimioterapia mais velhos são levados da breca, etc., etc.

A interpretação de Gordon-Levitt está fabulosa, como já referi dentro do registo normal deste grande actor que tem conseguido gerir uma boa carreira entre o cinema independente e um cinema mais popular, e a presença de Seth Rogen como melhor amigo de Adam (Joseph Gordon-Levitt) foi uma boa escolha, pois nota-se mesmo uma grande empatia entre os dois actores. E não nos podemos esquecer que a presença de Rogen é sempre garantia de bons momentos divertidos, que balançam com os períodos mais complicados da vida de Adam. O esforço de ambos merecia ter sido mais bem recompensado, num filme que acaba por não ser mais do que um feel good movie com muito potencial perdido. E Jonathan Levine volta a não convencer-me, apesar de ter o mérito de ter conseguido não cair num tom mais lamechas que o tipo de filme que «50/50» é facilmente poderia ter.

Nota: 3/5

Site oficial do filme

Site do filme no IMDB

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Cidade, de Ben Affleck (2010)

Ben Affleck é talvez dos maiores canastrões do cinema actual. Mas a sua passagem para trás das câmaras em «Vista Pela Última Vez...» em 2007 deu-nos uma outra faceta do actor, que já tinha dado cartas na escrita de argumentos logo na estreia com «O Bom Rebelde» de Gus van Sant, com a ajuda de Matt Damon. Desta vez com «A Cidade» Ben Affleck resolveu realizar e interpretar a personagem principal. E é este segundo pequeno pormenor que acaba por ser um dos pontos negativos do filme.

Passado em Boston, tal como «Vista Pela Última Vez...», este filme conta a história de Douglas MacRay, o 'arquitecto' de um gangue de assaltantes de bancos e carrinhas de valores que quer mudar de vida, depois de um dos assaltos não correr de acordo com o planeado. Tudo estava a correr bem até o grupo se lembrar de fazer uma refém (Rebecca Hall), por quem Douglas acaba por se apaixonar quando não devia. Esta paixão é mais uma razão para Douglas deixar a 'má vida' mas tudo se complica porque ninguém do seu grupo o quer ajudar, a não ser se for para participar em mais um assalto. Ao mesmo tempo o gangue tem um agente do FBI (Jon Hamm) à perna que não lhes dá tréguas.

Bem filmado, sobretudo nas cenas dos assaltos e nas perseguições de automóveis (atrevo-me a dizer que há algum tempo que não via tão boas perseguições no cinema), «A Cidade» acaba por perder muito por ter Ben Affleck no papel principal, pois o actor quase não muda de registo. O mesmo sucede com Jon Hamm que não parece ter sido a escolha mais acertada para o agente do FBI. Salvam-se Rebecca Hall e Jeremy Renner, que interpreta o melhor amigo de Douglas e seu parceiro nos assaltos, James Coughlin. Esperemos que da próxima vez que Affleck se decida a realizar, opte por apenas ficar atrás das câmaras, pois já deu provas de que poderá vir a ser um bom realizador.

Nota: 4/5

Site oficial do filme

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pedro Costa e João César Monteiro entre os melhores da década

A Cinemateca de Ontário colocou três filmes portugueses, dois de Pedro Costa e um de João César Monteiro, na lista dos melhores filmes desta primeira década do século XXI. A lista foi criada para comemorar os 20 anos da instituição que vai também projectar algumas das obras em 2010, no âmbito de um ciclo denominado «The Best of the Decade: An Alternative View».

Portugal está representado na lista por «Juventude em Marcha» (15ª posição da lista) e «O Quarto de Vanda» (14ª com «Os Respigadores e a Respigadora», de Agnès Varda e «Songs From The Second Floor», de Roy Andersson) e «Vai e Vem», de João César Monteiro (30ª posição com «Longing», de Valeska Grisebach, «Secret Sunshine», de Lee Chang-dong e «Longe do Paraíso», de Todd Haynes). Destes três filmes portugueses, apenas os de Pedro Costa vão integrar o ciclo, o que prova uma vez mais a força que o realizador tem vindo a ganhar internacionalmente.

E é curioso ver que nesta lista, criada a partir de um inquérito feito a mais de 60 especialistas na Sétima Arte, de programadores de festivais a historiadores, os filmes de Pedro Costa ficaram à frente de obras de cineastas conceituados como David Lynch («Mulholand Drive»), David Cronenberg («Uma História de Violência»), Gus van Sant («Elephant» e «Gerry»), Pedro Almodóvar («Fala Com Ela») ou Ingmar Bergman («Saraband»).

Os dez primeiros classificados da lista são:

1 - «Syndromes and a Century», de Apichatpong Weerasethakul;
2 - «Platform», de Jia Zhang-ke;
3 - «Still Life», de Jia Zhang-ke;
4 - «Beau travail», de Claire Denis;
5 - «In the Mood for Love», de Wong Kar-wai;
6 - «Tropical Malady», de Apichatpong Weerasethakul;
7 - «The Death of Mr. Lazarescu», de Cristi Puiu e «Werckmeister Harmonies», de Béla Tarr;
8 - «Éloge de l'amour», de Jean-Luc Godard;
9 - «4 Months, 3 Weeks, 2 Days», de Cristian Mungiu;
10 - «Silent Light», de Carlos Reygadas.

A lista completa encontra-se aqui.