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domingo, 31 de janeiro de 2010

Nove, de Rob Marshall (2009)

Quando ouvi falar que estavam a fazer uma adaptação de um musical da Broadway baseado no «Oito e Meio» de Federico Felini assustei-me e fiquei com medo do resultado final. Por isso fui de pé atrás ver «Nove» de Rob Marshall, apesar de ter gostado de ver «Chicago». E o susto passou-me ao começar a ver o filme, pois o truque é esquecer «Oito e Meio», um filme que aliás é uma das grandes obras primas do cinema italiano e mundial.

Fiquemo-nos então por «Nove», a história do realizador italiano Guido Contini (Daniel Day-Lewis), considerado mestre e que está a passar uma fase de falta de inspiração, quando toda a gente espera a sua próxima obra prima. E aqui penso que o actor, um dos grandes actores da actualidade, não está muito à vontade no seu papel. Mas Day-Lewis é um grande actor e pouco reparamos nisso.

O que acompanhamos em «Nove» é precisamente a procura de inspiração de Guido Contini e para isso vão surgindo as várias mulheres que fazem parte da sua vida: da mãe (Sofia Loren) à amante (Penélope Cruz, numa das melhores sequências do filme), passando pela esposa (Marion Cotillard), pela estrela dos seus filmes (Nicole Kidman, claramente a fazer o mesmo papel que coube a Anita Ekberg em «La Dolce Vita») e por uma prostituta (Fergie) que remete para a infância do realizador.

E tal como em «Chicago», Rob Marshall brinda-nos com belas sequências musicais, cada uma dedicada a cada uma das personagens que fazem parte da vida de Guido. Aqui o filme só peca por, uma vez mais, me parecer que as actrizes não se sentirem muito à vontade a cantar. Mesmo assim, não deixa de ser um bom filme, com uma história que flui bastante bem. E vale bem a pena ver, nem que seja pelo elenco feminino, onde ainda podemos encontrar Judi Dench e Kate Hudson.

Nota: 4/5

Site oficial do filme


domingo, 22 de novembro de 2009

Luzes de Variedades, de Alberto Lattuada e Federico Fellini (1950)

Corria o início da década de 1950 quando Federico Fellini se estreia nas lides da realização, ao fazer dupla com Alberto Lattuada em «Luzes de Variedades». E logo no seu primeiro filme, o autor de «8 e Meio» já apresenta algumas das características que serão a sua imagem de marca: personagens à margem da sociedade, grupos de artistas e uma jovem que sai da sua terra natal em busca do seu sonho.

Neste caso, temos a história de uma companhia de artistas de revista em paralelo com a de uma jovem (Carla Del Poggio) que os vê numa representação feita numa pequena terra e resolve fazer-se à estrada, porque afirma que é esse o seu sonho. E no currículo apresenta já grandes feitos, como ter conseguido dançar 70 horas (só não conseguiu mais porque os outros se cansaram) ou a vitória num concurso de Miss Praia. Ou seja, temos uma jovem ambiciosa, que ao longo do filme acaba por fazer tudo, sem olhar a meios, para ser uma estrela.

Nem que para isso tenha de fazer gato sapato de uma das vedetas da companhia, um brilhante Peppino de Fillippo, que acaba por se apaixonar por ela e fica cego com a paixão (ou ilusão), e colocar a companhia de pantanas, ao criar conflitos entre todos. Seja porque se torna a vedeta por acaso ou porque desfaz o noivado de Peppino, com a futura esposa de Fellini, Guillieta Masina.

Como tinha referido, são muitas as características do cinema de Fellini que já se encontram aqui. Temos uma Roma à noite, belíssima, com os seus habitantes marginais (é aqui que Peppino vai arranjar a sua futura companhia, composta por um vagabundo norte-americano cantor de Jazz, um cowboy saído do asilo, uma brasileira cigana, uma coreógrafa húngara e um maestro russo), os seus cabarets da época e personagens que se fazem à vida. Só ainda falta a fabulosa música de Nino Rotta, mas essa viria mais tarde, quando Fellini se estreou em nome próprio com «O Sheik Branco». Mas o ambiente e a magia já estava lá.

Nota: 5/5

Site do filme no IMDB